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A Pele que Habito

Título Original:  La Piel que Habito

País:  Espanha

Ano:  2011

Duração:  120 minutos

Gêneros:  Drama, Mistério, Suspense

Direção:  Pedro Almodóvar

Roteiro:  Pedro Almodóvar, Thierry Jonquet

Elenco:

Antonio Banderas
Elena Anaya
Marisa Paredes
Jan Cornet
Roberto Álamo

Formato:  RMVB

Tamanho:  416 MB

Legendado:  Português/BR

Sinopse:

Desde que a sua mulher foi vítima de um acidente de automóvel, o doutor Robert Ledgard, eminente cirurgião estético, dedica-se à criação de uma nova pele graças à qual poderia salvá-la. Doze anos após o drama, Robert consegue cultivar uma pele que é uma verdadeira couraça contra todas as agressões. Para além de muitos anos de investigação e de experimentação, Robert precisa de um cobaia, de um cumplice e de uma ausência total de escrúpulos. Os escrúpulos nunca o afogaram. Marília, a mulher que se ocupou de Robert desde o dia em que nasceu, é a cumplice a mais fiel do mundo. Quanto à cobaia…

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Comentário:

Moral. Suspense. Luxúria. Robert. Suicídio. Trilha. Ficção. Status. Aceitação. Poder. Noir. Prisão. Estilo. Marília. Fotografia.  Homossexualismo? Vingança. Atuações. Vera Vicente. Poético. Casamento. Drama. Almodóvar…

É assim que, inicialmente vejo o filme: belíssimo, como se fosse um quadro cubista, onde o passado e o presente se interlaçam, como o céu e o mar no horizonte. Personagens que são apresentados o tempo todo e que, não entendemos a importância deles, ou o porquê estão ali devido a forma “jogada” que são apresentados.

Inicia-se com uma introdução arrepiante, que me fez pelo menos pensar, que Vera, era uma cliente do Dr. Robert. Mas percebe-se que é na realidade um aprisionamento que ela sofre, e que, não aceita tal fato por tentar suicídio. Muito estranho, por sinal, por que, ao invés de cortar a jugular, corta os seios. Isso ocorre por que, queria desmerecer e provocar o Doutor, que os fez de forma muito bela. Baseado na obra “Tarântula”, de Thierry Jonquet, “A pele que habito” é espetacular. Um despertar de muitas reflexões sobre quem somos.

O Doutor faz um tratamento para deixar a pele de Vera perfeita, que protege o corpo real. A princípio parece algo um pouco superficial, querer deixar a pele de alguém perfeita. Mas, depois entendemos que na realidade, Robert não superou a morte de sua mulher e de sua filha. Ambas mortas porque tiveram uma agressão física. A primeira sofreu queimaduras muito intensas e a segunda fora estuprada. Depois disso, entendemos o porquê da sua obsessão, e mesmo assim, não o julgamos como alguém ruim. Eu, pelo contrário, achei a vingança que ele deu a Vicente a melhor possível. Quando Robert dopa Vicente e o põe na maca, sentia que seria feito uma vaginoplastia.

Ele é frio com Vera, e ela parece o seduzir e o desejar. Mas só quando esta é estuprada por Tigre, seu irmão, é que transforma-se e passa a trata-la bem e abrir-se, dormem juntos. Nesse momento, através de um pesadelo de Robert, Almodóvar faz um flashback, mostrando quem é Vera, e o que aconteceu.

Acredito que a transformação de Vicente em mulher pode ser uma metáfora que Almodóvar usa para mostrar como os homossexuais se sentem: presos a um corpo que não condiz com seu interior. Visto que o diretor tenta sempre retratar em seus filmes a cultura gay.

Apesar de Vicente relutar, parece ser muito passivo em muitas situações. E isso é muito intrigante, ele está aceitando sua transformação, por quê? O que você faria se estivesse aprisionado no corpo do sexo oposto? Nosso corpo determina quem nós somos?

É essa talvez, a pergunta que pode responder por que Vicente aceitou sua transformação. No fundo podia continuar homem, e não necessitar de um corpo para afirmar isso, por que o conceito de Ser Humano vai muito além de sexo, é muito mais complexo.

Por outro lado, o corpo determinou quem ele é. E não só com Vicente, mas o corpo de algumas pessoas determina quem ela é, de alguma forma. Sair dessa nova concepção de determinismo demonstrada profundamente por Almodóvar deve ser realmente difícil.

Às vezes encontramos alguém muito bonito, que, por causa disso é popular, mas ao conhecer a pessoa, pode acontecer duas coisas: Ou a pessoa é realmente legal e merece sua reputação, ou a pessoa é alguém que não tem nada demais, e muitas vezes ainda é chata e tem complexo de superioridade. Outros exemplos de determinismo físico atuando são modelos, atores ou cantores, que acabam sendo tão explorados pela mídia que acabam crescendo muito rápido e tornando-se pessoas das quais não tinham certeza que queriam ser. Penso que a atriz da Disney, Selena Gomez, é um desses casos. Ela é talentosa até que ponto? Bom, isso eu não consigo dizer, só observo que, ela está em muitas minisséries e filmes, que tem relacionamentos com famosos e, agora, depois de tanto tempo sendo atriz, virou cantora de música “pop teen”. Por que virou cantora? Obviamente sua produtora e equipe da Disney Channel, para ganhar audiência e para promovê-la, visto que ela é como um objeto para o canal fez isso para que ela se transformasse em cantora. É como se a Disney fosse a pele, e Selena um alguém. E sua pele determinasse quem ela é.

Por isso me pergunto: Ao mudar seu corpo, Vicente também mudou seu interior e sua identidade? O vestígio disso que encontro no filme, além da sua passividade, é o fato de, além de ter relação sexual com seu ‘criador’, ele também hesita e chora ao mata-lo.

E, como disse em outro texto aqui no blog, eu percebo que só sabemos quem somos por causa da existência dos outros. Eles dizem o que veem de nós, quem nós somos, mesmo não conhecendo muito bem quem eles mesmos são. Muitas coisas que as pessoas fazem são por causa do outro. E às vezes este diz algo que você não percebe.

Nesse caso, Robert seria o outro, e diria a Vicente que este se chama Vera. E só lembra que é um homem, quando vê a foto no jornal e percebe que está preso, e que tem que fugir. Até esse momento, parece claro que ele está passivo e aceitando sua situação. Isso por que, de tanto Robert dizer que ele era Vera e por causa de sua aparência, acreditara que era uma mulher. Até no momento em que o colega de trabalho de Robert, que o ameaça, aparece, Vicente diz ter sido sempre uma mulher.

E, no mundo de hoje, existem artifícios que escondem quem você é, como o dinheiro, que se torna fácil não se conhecer. No filme esse artifício torna-se a pele. Mas às vezes, no mundo real, esses artifícios escondem que você é um bosta, e as pessoas só te conhecem superficialmente ou ainda, você mesmo se conhece superficialmente. As pessoas que possuem uma beleza no padrão de hoje, também são vista diferentemente, ficam escondidas atrás de suas belezas, e os ricos, escondidos atrás de seu dinheiro.

Almodóvar inova seu cinema. Apesar de o gênero principal de todas as suas histórias ser o Drama, ele sempre criou outros gêneros “satélites” , como a comédia, presente na maioria de seus filmes, como “Mulheres à beira de um ataque de nervos”. Nesse caso, é o thriller.

NOTA IMDB

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A Vereadora Antropófaga

Título Original: La Concejala Antropófaga

País: Espanha

Ano:  2009

Duração:  7 minutos

Gêneros: Comédia

Direção:  Pedro Almodóvar

Roteiro:  Pedro Almodóvar

Elenco:

Carmen Machi
Penélope Cruz
Marta Aledo

Tamanho: 135Mb

Formato: AVI

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Comentário:

Esta produção de Almodóvar é muito diferente das suas outras, pois em vez de ser sensível e captar o lado feminino, o diretor contruiu um monólogo engraçado de uma vereadora, personificando a política e o sexo em uma só personagem, mas, em vez de ser explícito, acaba sendo super interessante sua visão de mundo. Esse curta foi lançado para promover o filme ‘Abraços Partidos’, e baseado na personalidade da personagem de Carmem Machi. Em um momento, expressa sua visão engraçada, porém acredito ser totalmente verídica:  “O  sexo é, tanto no plano pessoal como profissional um assunto profundamente social”. Pois é, eu concordo com essa ideia, por que pais e filhos não conversam sobre sexo, amigas não conversam com amigos, nem casais entre si… Um sério problema social. Interpretações à parte, todos devem rir muito com esse curta e a Vereadora Antropófaga.

Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos

Título Original:  Mujeres al Borde de un Ataque de Nervios

País:  Espanha

Ano:  1988

Duração:  90 minutos

Gêneros:  Comédia, Drama

Direção:  Pedro Almodóvar

Roteiro:  Pedro Almodóvar

Elenco:

Carmem Moura

Antonio Bandeiras

Julieta Serrano

Formato:  RMVB

Tamanho:

Legendado:  Português/BR

Sinopse:

Em Madri Pepa Marcos (Carmen Maura), uma atriz que está grávida mas ninguém sabe, é abandonada por Ivan (Fernando Guillén), seu amante, e se desespera tentando encontrá-lo, pois deseja que ele lhe explique por qual motivo a deixou. Enquanto tenta falar com ele recebe a visita Candela (María Barranco), uma amiga que se apaixonou por um desconhecido e agora que descobriu que ele é um terrorista xiita teme ser presa. Mais tarde chega ao apartamento Carlos (Antonio Banderas), o filho de Ivan. Ele está acompanhado de Marisa (Rossy de Palma), sua noiva, pois os dois estão procurando um imóvel para alugar. Marisa sem saber bebe um gaspacho cheio de soníferos, que Pepa tinha preparado para Ivan, mas uma confusão realmente acontece quando fica claro que Ivan vai para Estocolmo com Paulina Morales (Kiti Manver) e Lucia (Julieta Serrano), a mulher de Ivan, planeja matá-lo. Apesar de ter sido preterida, Pepa quer fazer de tudo para salvar a vida de Ivan.

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Comentário:

‘Mulheres à beira de um ataque de nervos’ é mais um filme de Almodóvar onde o cenário feminino é o principal, e as personagens femininas são únicas e intensas. Mas no início desse filme não vemos ligação entre as personagens. A narrativa de Almodóvar é muito bem criada. A protagonista, Pepa, está irritada, cansada, inconformada com sua situação: Ivan, o amor de sua vida, larga dela. Ela deseja vê-lo para conversar e saí às ruas de Madri à sua procura, a partir disso ela descobre coisas da vida do ex que não sabia. É uma mulher charmosa, vaidosa e apaixonada – as cores vermelhas intensas presentes em quase tudo que é seu. Isso é muito focado pela câmera de Almodóvar. Os seus sapatos, batom, cabelo e roupas são muito marcantes no filme, é um universo inteiramente feminino, abandonando totalmente o universo masculino. Frases como: “É muito mais fácil aprender mecânica que psicologia masculina. Uma moto você pode conhecer a fundo… a um homem jamais”. Esse ‘excesso’ de feminilidade é ideal à história e ao estilo do diretor, que sempre tem temas voltados à mulher. Isso faz com que conhecemos as personagens em pouco tempo, apreciando-as e sem julgá-las.

Mais acontecimentos absurdos acontecem à Pepa, descobre o filho de Ivan: Carlos, que é renegado pela mãe – Lúcia, que vive no passado pela grande decepção da separação com Ivan, usa roupas antigas para sua ‘fuga’ da realidade, e além disso dão um contraste com as demais personagens, mostrando como sua personalidade é diferente. O filme, enfim, é uma manifestação contra os homens. E isso é engraçado. Detalhe: não reconheci Antonio Bandeiras no papel de Carlos.

Apreciei muito a introdução do filme cheio de propagandas pop art, que perduram durante o filme como cenário.

Voltando à parte engraçada do filme: o gazpacho que Pepa prepara, com soníferos com o propósito de dar para Ivan beber para assim ficar com ela, arruma os pertences do ex, mas afirma: “estou cansada de ser boa”. O gaspacho tem outro ‘destino’ muito mais conveniente. E Pepa acaba aceitando a partida do ex. Isso foge do comum em filmes, mas tratando-se da realidade, Almodóvar nos mostra uma mulher forte, que conseguirá certamente superar essa decepção. No filme há mais personagens que invadem a vida de Pepa, ocupando-a e fazendo-a desviar de seu objetivo, o que gera incertezas. E esse não saber encaixa bem à histéricas mulheres e todo o enredo, que pra mim, é um labirinto de paixões.

 

NOTA IMDB

Fale com Ela

Título Original:  Hable con Ella

País:  Espanha

Ano:  2002

Duração:  112 minutos

Gênero:  Drama

Direção:  Pedro Almodóvar

Roteiro:  Pedro Almodóvar, Sonia Grande

Elenco:

Javier Cámara
Darío Grandinetti
Rosario Flores
Leonor Watling

Formato:  RMVB

Tamanho:  350 MB

Legendado:  Português/BR

Sinopse

O filme trata do amor e da amizade a partir da historia de dois homens cujas vidas se cruzam no hospital onde estão internadas as mulheres que eles amam. O primeiro é Benigno, o enfermeiro de Alícia, em coma há quatro anos. O outro é Marco, um jornalista que vela por sua amada, a toureira Lydia. Com uma trilha sonora e fotografia impecáveis, este filme vencedor do Oscar de melhor roteiro entrou para a galeria de grandes obras de Almodóvar. Merecem atenção especial o curta-metragem mudo inserido na trama, inspirado no cinema do início do século XX, e as belas seqüências com músicas interpretadas por Caetano Veloso e Elis Regina, o primeiro cantando ao vivo no próprio filme.

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Comentário:

Trata de uma forma sutil a carência que quatro pessoas sentem de formas diferentes. Benigno, um homem solitário que conversa, cuida e ama uma jovem que está em coma há quatro anos, até o momento em que age de forma errada com ela. Ficamos tristes pelo seu fim solitário, após o filme tratar de forma surpreendente a história e os atos ‘imorais’, fazendo com que não o julguemos brutalmente.

Já Marco, aparentemente um homem centrado e sentimental, comete um crime com sua amada, também em coma. Marco a visita todos os dias para fazer companhia a ela, mas na verdade está fazendo companhia a si mesmo. Não a toca, segundo ele por não poder, e não fala com ela por acreditar que esta está inconsciente, não conseguindo ouvir ou sentir nada, “praticamente morta”. Decide a deixar, morrendo então. A vida continua frágil e bela. Roteiro profundo e doloroso. Único, como sempre, Almodóvar.

Metáforas são inseridas no filme durante todo o tempo… Os ballets modernos e o curta-metragem inserido: Um homem que entra pela vagina de uma mulher. Sugerindo o “querer a conhecer profundamente”… E por fim a dominar? Ou ainda, ela o dominar por meio de acarinhos e cuidados, aprisionando o homem?

Realmente um belíssimo filme, obra-prima, que põe em questão as angústias masculinas, as faltas de diálogo entre homens e mulheres… Então Almodóvar sugere nesse filme: Fale com ela.

http://www.imdb.com/title/tt0287467/