Tag Archive: Lars Von Trier


Anticristo

Título Original: Antichrist

País:  Dinamarca

Ano:  2009

Duração:  109  minutos

Gêneros: Thriller, Drama

Direção: Lars Von Trier

Roteiro:  Lars Von Trier

Elenco:

Charlotte Gainsbourg
Willem Dafoe

Formato:  AVI

Tamanho:  790 MB

Legendado: Português

Sinopse:

Um casal devastado pela morte de seu único filho se muda para uma cabana isolada na floresta Éden, onde coisas estranhas e obscuras começam a acontecer. A mulher é uma intelectual escritora que não consegue se livrar do sentimento de culpa pela morte do filho, e ele, um psicanalista, tenta exercer seu meio de trabalho para ajudar a esposa. Anticristo é divido em partes: Prólogo e Epilogo e ainda capítulos que se passam na floresta de Éden: Dor, Luto, Desespero e Os três Mendigos.

Download

Comentário:

Principalmente agora entendo porque Lars divide seus filmes em um prólogo e capítulos. Resolvi fazer uma experiência, que me mostrou o quão interessante é o que nós, expectadores, vemos em cada uma das partes do filme. E então, assim conforme assistia ao filme, eu relatava um pouco, e a minha visão dos personagens e da situação mudou completamente. Antes, depois de assistir aos filmes do Lars até o fim é que escrevia. Nesse momento minha mente já tinha refletido sobre as situações, tornando mais fácil comentar do filme.

Epílogo

Em preto e branco vemos uma fotografia admirável. Uma das cenas de cinema que se tornou polêmica: um casal tomando banho, a água escorre pelo rosto de um homem que aparenta ter um pouco mais de 40 anos. A mulher, parecendo mais jovem, porém um rosto de uma beleza incompreensível pelos traços diferentes do comum. Ambos beijam-se e segundos depois a cena da penetração do sexo que se inicia. Em câmera lenta, os movimentos parecem suaves e a trilha sonora  eles mudam de lugar, e por fim chegam a cama, a babá eletrônica está com o som desligado. Apesar do filho ir até a porta do quarto e assistir a cena durante um segundo, os pais nada ouvem os barulhos que ele faz, como jogar os bonecos de cima da mesa no chão. Temos a impressão de que ambos estão realmente envolvidos em seu ato intenso e nada escutam ou veem. O bebê, parece que voluntariamente, joga-se da janela. E quando a mulher chega ao auge do orgasmo é o momento que o bebê cai lentamente para o cão branco pela neve.

Capítulo 1: Sofrimento

Depois de um longo período no hospital, a mulher retorna para casa e começa um tratamento terapêutico com o marido. Nesse momento ela afirma coisas que o deixam surpreendidos, como dizer que ele sempre fora distante dela e do filho, que só se interessara por ela agora, que era sua paciente, agora que ela tornara-se um dos seus trabalhos. A evidência de que realmente ele era distante, é quando descobrimos que ela colocava os sapatos ao contrário em Nick, o bebê.

O casal é como que expulso do mundo e vai para a floresta Éden (que trás o caos), como se fossem Adão e Eva expulsos do paraíso por terem pecado, e o pecado foi cometido pela mulher igual à história bíblica. A mulher é o anticristo.

Capítulo 2: Dor — o caos reina

O homem tenta ser imparcial, não demonstra desespero nem sofrimento diante das situações. Estreita-se em anotar as ações da mulher para analisa-la. Depara-se com um topo constituído de medos que vai tentando adivinhar.

De repente, aos 55 minutos, sua esposa fica bem, e ele não consegue entender isso, e pior, não consegue ficar feliz por ela ter se “curado” do sofrimento. Por a esposa o agradecer, ele olha catatônico já que não acreditava ser a sua competência que teria a ajudado. Então sua esposa declara: “Você não consegue ficar feliz por mim, não é?”. Na realidade, acredito que ele se decepcionou e se surpreendeu  com o fato.

Capítulo 3: Desespero — Genocídio

Ao descobrir o tema da tese da esposa (as torturas e mortes sofridas por mulheres durante a Idade Média) o Homem começa um percurso que o levará ao encontro do medo que está no topo da pirâmide, o medo domina a Mulher: ela mesma.

Ao conversar com a esposa, depara-se com um sofisma criado por ela: Se a natureza é má, e a mulher é regida pela natureza, logo a mulher também é má. Por isso que ocorreu genocídio com mulheres, e que na realidade elas, por serem más, que provocaram a própria morte.

Revolta-se com tal lógica absurda e falha. Infelizmente ela não pensa o quão errado é seu pensamento, mas pensa que o homem, novamente, está sendo arrogante.

Quando a mulher conta o que as castanhas caindo são as lágrimas da árvore o marido diz ser comovente, mas sua arrogância não deixa que ele veja como a mulher ou que ele concorde com ela, então ele diz ser infantil o que ela disse mesmo se pensar o mesmo. Apesar de sua arrogância não deixa-lo mostrar, ele sofre e chora, mas suas lágrimas não saem pelos olhos, escorrem dentro de si mesmo. Acredito que a cena ele está ao lado da cabana e as castanhas caem, mostrem seu sofrimento retraído para dentro de si. As castanhas caem aos montes, como lágrimas, como suas próprias lágrimas. Assim, a sua mulher não pode vê-lo chorar nem sofrer. Ele acredita que dessa forma, ocultando o que sente poderá ajuda-la.

Muitos homens acreditam que, na hora que sua mulher está chorando, ele não deve chorar, pois isso prova que existe fraqueza nele, e por acreditar que é seu dever consolá-la e fazê-la bem. Mas isso não o fará bem, e ainda pode dar impressão de frieza, pois como ele não chora diante daquela situação triste, a mulher pode pensar que ele não sente o que ela sente, e assim não irá entendê-la, portanto desisti de tentar explica-lo.

Já quando, em um casal, seja gay ou não, o parceiro demonstra o que sente ao outro, ambos podem se ajudar. Parece difícil, mas certamente que funciona. Porque ambos falaram o que sentem da situação, e se entenderão, só assim poderão fazer bem a si mesmos. Mesmo que um acabe por não dizer nada que console aquele que está mal, se ele disser o que sente, o outro irá compreendê-lo e poderá se ajudar sozinho. As pessoas sempre se curam sozinhas quando não há outro meio, o que é necessário para isso é só o tempo e a paciência. Mesmo que as feridas façam marcas, a dor irá passar. A marca só irá permanecer para lembrar você da dor que passou naquela hora.

Quando um sofre, e o outro omite o sofrimento, este só irá aumentar e corroer o que sentem um pelo outro, e por fim o marido não irá conseguir ajudar a mulher, ou a mulher não irá ajudar o marido, ou ainda em um casal gay, os parceiros não se ajudarão.

No filme, apesar de ser um terapeuta, as coisas que ele tenta fazer para ajudar parecem não funcionar ou ter resultados mínimos. Talvez porque ele disse que não seria bom que tivessem relações sexuais nesse período, porém não conseguiu. Novamente a mulher se mostra o Anticristo, o seduzindo de forma selvagem.

Mulher revolta-se com a infelicidade do marido, principalmente por ele não aceitar que ela está melhor, visto que quis fazer um novo exercício terapêutico com ela. Sendo assim, ela mostra o mal que há dentro dela. O mal que ela crê existir. Torna-se uma ninfomaníaca, e o pior, que o marido submete-se a essa situação. Em meio a discussões ela o agarra e violentamente começa a transar com ele. O auge e o cúmulo da loucura surgem quando ela pensa que o marido irá abandoná-la por descobrir o que fizera com o filho, desespera-se, e isso aparece na cena em que, ela o bate, e então ele a agarra para conter sua fúria, mas ela já começa a se insinuar, abaixa as calças dele e sobe em cima dele. Em meio a beijos e tapas, é revelado o desespero. Realmente é grotesca a forma como eles transam, ainda mais por ela dizer, nesse instante, que ele vai deixa-la, que ele não a ama e ainda que não acredita nele. Assim, bate com um pedaço de tora em seu pênis e o marido fica inconsciente.

Com ele nesse estado ela o tortura, colocando uma lixa de pedra em forma de roda. É assustador pensar que eles são casados e tiveram um filho, quer dizer que eles se conheciam e diziam que se amavam. E de repente a mulher enlouquece e o tortura. É realmente perigoso se envolver com alguém. Uma hora a pessoa está bem, é dócil, mostra que ama você e te trata bem. Em outro, enlouquece e o tortura. É claro que a possibilidade de ficar com alguém que se transforme assim é muito pouca, mas diante de um psicopata, por exemplo, não percebemos o quão cruel é a mente que ele possui.

Quando vemos que ela trocava os sapatos dos pés do filho, como uma singela tortura, que o faz chorar. Compreendemos um pouco o porque ela sofrera daquela forma, por arrepender-se do pecado.

Capítulo 4: Os três Mendigos – dor, sofrimento e desespero.

Pedido de desculpas, e começa a desenterrá-lo e o ajuda. Para depois dizer: “Quando os três mendigos chegarem, alguém tem que morrer.” O veado representa a dor – por ter parido; a raposa, o sofrimento – por ter “comido” a si mesma; e o corvo, o desespero – por o marido, escondido na toca estar desesperado, e o corvo insistir em piar, fazendo com que a mulher o ache.

Ela pede para que ele a masturbe enquanto chora. E então algo surpreendente revelador acontece! A cena inicial retorna e mostra-nos que ela vira que o filho tinha saído da grade. E entendemos que ela representa o Anticristo, que seria a natureza humana.

Ela corta o próprio clitóris! Então eu pensei que ela se mutilou por ter mutilado o marido antes, ou como um castigo que se aplica por todos os pecados que cometera.

Ele encontra acha a chave-inglesa e retira o peso da perna. Enforca a Mulher, matando-a com as próprias mãos. Depois disso, ele faz uma fogueira e queima o corpo dela, como as práticas antigas da Idade Média.

Epílogo:

Novamente as cenas em preto e branco, com a mesma música do prólogo do filme. O Homem fragilizado pelos machucados, arrastando-se sob um tronco de madeira, sobe a montanha. Ele vê de novo os três mendigos (corvo, veado e raposa), e ao olhar para trás aparecem várias mulheres sem rosto indo a seu encontro.

É muito importante lembrar que é um filme que foi dedicado à Andrei Tarkovski, o que explica muita coisa.

Nota IMDB

Melancolia

Título original: Melancholia

País: Dinamarca

Ano: 2011

Duração: 

Gêneros: Drama, Ficção Científica

Direção: Lars Von Trier

Roteiro: Lars Von Trier

Elenco: 

Kirsten Dunst
Charlotte Gainsbourg
Kieffer Sutherland

Formato:  RMVB

Tamanho:  470 MB

Legendado: Português/BR

Sinopse:

O tempo só serviu para afastar as irmãs Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg). Nem o casamento entre Justine e Michael (Alexander Skarsgård) serve como desculpa para aproximá-las e, depois da cerimônia, Justine começa a ficar triste e melancólica. Quando o anúncio sobre a colisão da Terra com outro planeta chega ao conhecimento, as reações são bem diferentes. Justine está conformada, enquanto o desespero do iminente fim apavora Claire.

Download

Parte 1       Parte 2

Comentário:

Melancholia foi genialmente escrito e dirigido por Lars Von Trier, diferentemente de outras histórias sobre um possível fim da humanidade, onde as pessoas viram animais, saqueiam mercados e tentam a todo custo sobreviver, os seus personagens descobrem que um planeta, chamado “Melancholia”, que estava escondido do SOL (que penso ser uma metáfora à felicidade) está anunciando o fim da terra, mas simplesmente ficam em casa, cuidando de suas vidas normalmente e sentindo que serão imunes disso. Acredito ser muito provável que isso aconteça se o ‘fim dos tempos’ for anunciado amanhã. O marido de Claire, John, é seguro e confiável, e segundo ela: “estudou a vida inteira para isso” – para que melancolia não afetasse suas vidas. É claro que o nome é uma metáfora, que as pessoas se sentem seguras e acham que as coisas ruins não acontecerão com elas: Síndrome do Adolescente, segundo psicólogos (risos).

Acredito que para tanta beleza e melancolia, esse filme foi ‘bem calculado’, pois é tão denso e simples que é algo difícil de se fazer, é claro que o que estou dizendo parece contraditório, mas as coisas mais simples são as mais difíceis. Não estou falando que o filme foi fácil ou difícil, isso depende do que Lars Von Trier acha; e sim estou dizendo que, a tristeza e a depressão são tratadas em seu filme de forma muito simplória, porém se torna complexa e densa. Torna-se pesada, assim como a própria melancolia é.

O questionamento que surge na primeira parte do filme: por que, diante daquele mundo ‘maravilhoso’, rico e idealizado; Justine é melancólica… Penso, através do que observei, que ela não era daquele mundo, não se sentia bem nele, queria fugir dele. Mas não podia. E as pessoas ao seu redor davam-lhe um ‘papel’ dentro daquela ‘mini-sociedade’ que ela não conseguia viver, sentindo-se então inútil, dai então surge sua melancolia.

Todos os personagens são bem complexos, até os que menos aparecem, como o pai das irmãs, que é separado, e chama todas as mulheres pelo mesmo nome – Betty. Parece que a atuação de Kirsten Dunst não tem fim. Foi a melhor atuação que vi dela. Muito merecido o prêmio de melhor atriz em Cannes.

http://www.imdb.com/title/tt1527186/

Dogville

Título Original:  Dogville

País:  Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia, Reino Unido, França, Alemanha e Países Baixos.

Ano:  2003

Duração:  171 minutos

Gêneros:  Drama, Mistério, Suspense

Direção:  Lars Von Trier

Roteiro:  Lars Von Trier

Elenco:

Nicole Kidman
Paul Bettany
John Hurt
James Caan

Formato:  RMVB

Tamanho:  562 MB

Legendado:  Português/BR

Sinopse:

Anos 30, Dogville, um lugarejo nas Montanhas Rochosas. Grace (Nicole Kidman), uma bela desconhecida, aparece no lugar ao tentar fugir de gângsters. Com o apoio de Tom Edison (Paul Bettany), o auto-designado porta-voz da pequena comunidade, Grace é escondida pela pequena cidade e, em troca, trabalhará para eles. Fica acertado que após duas semanas ocorrerá uma votação para decidir se ela fica. Após este “período de testes” Grace é aprovada por unanimidade, mas quando a procura por ela se intensifica os moradores exigem algo mais em troca do risco de escondê-la. É quando ela descobre de modo duro que nesta cidade a bondade é algo bem relativo, pois Dogville começa a mostrar seus dentes. No entanto Grace carrega um segredo, que pode ser muito perigoso para a cidade.

Download

Comentário:

Lars von Trier é um diretor ousado que em todos seus filmes procura inovar em algum aspecto. Em Dogville, a forma teatral, nada convencional de mostrar o vilarejo, sem paredes, portas, mostrando apenas o essencial. O narrador onisciente escancara os pensamentos dos personagens, principalmente de Tom, e visualmente invade a privacidade deles também, nos ensina a julgar a cidade de Dogville como um ser supremo analisando cada evento, cada pensamento. O filme de fato começa com seu primeiro capítulo inserindo Grace na história. O presente citado na introdução que as pessoas necessitavam para modificar a vida dos moradores em seguida chegará, chama-se Grace. O fato de ser uma refugiada e uma ameaça para o pacato vilarejo, resulta em falta de credibilidade para o povo se a jovem é ou não boa. Com a ajuda de Tom, em suas discussões utópicas sobre sociedade, filosofia, ele toma Grace como um estudo, com a desculpa de que queria ajudá-la ou para se aproveitar dela. Os habitantes sentem dificuldade em aceitá-la, dizendo não haver possibilidade de Grace ajudá-los. Sempre entra Tom para resolver os problemas, é um símbolo de sabedoria e política do local. Grace é o elemento o qual revelará a podridão da sociedade. Para turistas, assim como quando Grace chegou, por ser um vilarejo pequeno, é apaixonante por ser diferente de onde morava, na cidade grande. Mas como é dito por Chuck, qualquer sociedade é ruim, basta conhecê-la a fundo para perceber, as pessoas são aproveitadoras, passam por cima de tudo pelos seus interesses. A paixão por Dogville cegou a fugitiva, iludiu-a como um lugar perfeito para se morar. Enfim, Grace consegue unanimidade na votação e fica. Como agora não precisa provar mais nada para alguém, começa a se soltar. Aos poucos incidentes vão acontecendo e por ter um compromisso, como se tivesse devendo um favor a todos, perde os seus direitos e nem mesmo Tom, que se diz apaixonado por ela, a defende. Por isso não discute, aguenta calada, criando a antipatia e se culpa por ter se iludido quanto a Dogville. O auge do filme é a tentativa de fuga de Grace, que sendo traída por Tom e Ben, não encontra mais nenhum amigo. Todos folgavam nos serviços de Grace, seja qual for, e já sentiam necessidade, criou um mau costume, ela foi o ponto de desequilíbrio. É perceptível como é gradativa a exploração dos habitantes em relação à Grace, findando com o máximo símbolo da exploração: ESCRAVIDÃO. Com uma reflexão com seu pai sobre arrogância, Grace chegou a conclusões que mudaram seu ponto de vista e assim como Trier anuncia em seu último capítulo: o filme termina. Von Trier usou esse ambiente menor para mostrar uma civilização fácil de ser julgada, com personagens como qualquer outra sociedade. Personagens aparentemente amistosos, simpáticos, e ao verem uma oportunidade de se aproveitarem, podem hesitar a princípio, mas depois a ideia vai se consolidando e Grace sofre com essas reações, e é alvo dos prazeres carnais dos homens. As quase três horas de filme passam voando, a narrativa, o cenário, a apresentação de cada capítulo dando a premissa do que mais ou menos vai acontecer são elementos que comprovam a inovação do grande diretor dinamarquês.