Category: Textos


Essas mães maravilhosas e suas máquinas infantis

Flávia logo percebeu que as outras moradoras do prédio, mães do amiguinhos do seu filho, Paulinho, seis anos, olhavam-na com um ar de superioridade. Não era para menos. Afinal o garoto até aquela idade – imaginem – se limitava a brincar e ir à escola. andava em total descompasso com os outros meninos, que já desenvolveram múltiplas e variadas atividades desde a mais tenra idade. O recorde, por sinal, pertencia ao garoto Peter, filho de uma  brasileira e um canadense, nascido em Nova Iorque. Peter tão logo veio ao mundo e entrou para um curso de amamentação (“Como tirar o leite da mãe em 10 lições”). A mãe descobriu numa revista uma pesquisa feita por médicos da Califórnia informando sobre a melhor técnica de mamar (chamada técnica de Lindstorm, um psicanalista, autor da pesquisa, que para realizar seu trabalho mamou até os 40 anos). A maneira da criança mamae, afirma os  doutores, vai determinar suas neuroses na idade adulta. Uma tarde, Flávia percebeu duas mães cochichando sobre seu filho: que se pode esperar de um menino que aos seis anos de idade só brinca e vai à escola? Flávia começou a se sentir a última das mães. Pegou o marido pelo braço dizendo que os dois precisavam ter uma  conversa com o filho.

– O que você gostaria de fazer, Paulinho? – perguntou o pai dando uma de liberal que não costuma impor suas vontades.

– Brincar…- o pai fez uma expressão grave.

– Você não acha que já passou um pouco da idade, filho? A vida não é um eterna brincadeira. Você precisa começar a pensar no futuro. Pensar em coisas mais sérias, desenvolver outras atividades. Você não gostaria de praticar algum esporte?

– Compra um time de botão pra mim

– Botão não é esporte, filho.

– Arco e flecha!

Os pais se entreolharam. Nenhum dos meninos do prédio fazia curso de arco e flecha. Paulinho seria o primeiro. Os vizinhos certamente iriam julgá-lo como uma criança anormal. Flávia deu um calção de presente ao garoto e perguntou por que ele não fazia natação.

– Tenho medo.

Se tinha medo, então era pra natação mesmo que ele iria entrar. Os medos devem ser eliminados na infância. Paulinho entrou para a natação. Não deu muitas alegrias aos pais. Nas competições chegava sempre em último, e as mães dos coleguinhas continuavam olhando Flávia com uma expressão superior. As mães, vocês sabem, disputam entre elas um torneio surdo nas costas dos filhos. Flávia passou a desconfiar de que seu filho era um ser inferior. Resolveu imitar as outras mães, e além da natação colocou Paulinho na ginástica olímpica, cursinho de artes, inglês, judô, francês, terapeuta, logopedista. Botou até aparelho nos dentes do filho. Os amiguinhos da rua chamavam Paulinho para brincar depois do colégio.

– Não posso, tenho aula de hipismo.

– Depois do hipismo?

– Vou pro caratê.

– E depois do caratê?

– Faço sapateado.

– Quando poderemos brincar?

– Não sei. Tenho que ver na agenda.

Paulinho andava com uma agenda Pombo debaixo do braço. À noitinha chegava em casa mais cansado do que o pai em dia de plantão. Nunca mais brincou. Tinha todos os brinquedos da moda, mas só pra mostrar aos amiguinhos do prédio. Paulinho dava um duro dos diabos. “Mas no futuro ele saberá nos agradecer”, dizia o pai. O garoto estava sendo preparado para ser um super-homem. E foi ficando adulto antes do tempo, como uma fruta que amadurece de véspera. Um dia Flávia flagrou o filho com uma gravata à volta do pescoço tentando dar um laço. Quando fez sete anos disse ao pai que a partir daquele dia queria receber mesada em dólar. Aos oito anos abriu o berreiro porque seus pais não lhe deram um cartão de crédito de presente. Com oito anos , entre uma aula de xadrez e de sânscrito, Paulinho, saiu de casa muito compenetrado. Os amiguinho da rua perguntaram onde ele ia:

– Vou ao banco.

Caminhou um quarteirão até o banco, sentou-se diante do gerente, pediu sugestões sobre aplicações e pagou a conta de luz como um homenzinho. A façanha do garoto correu o prédio. A vizinhança começou a achá-lo um gênio. As mães dos amiguinhos deixaram de olhar Flávia com superioridade. Os pais, enfim, puderam sentir-se orgulhosos. “Estamos educando o menino no caminho certo”, declarou o pai batendo no peito. Na festa de 11 anos, que mais parecia um coquetel do corpo diplomático, um tio perguntou a Paulinho o que ele queria ser quando crescesse.

– Criança!

Paulinho cresceu. Cresceu fazendo cursos e mais cursos. Abandonou a infância, entrou na adolescência, tornou-se um jovem alto, fortem espadaúdo. Virou Paulão. Entrou para faculdade, formou-se em Economia. Os pais tinham sonhos de vê-lo na Presidência do Banco Central. Casou com uma jornalista. Paulão respirou aliviado por sair de baixo das asas da mãe, que até às vésperas do seu casamento queria colocá-lo num curso de preparação matrimonial. Na lua-de-mel, avisou à mulher que iria passar os dias em casa dedicando-se à sua tese de mestrado. A mulher ia e vinha do emprego e Paulão trancado no seu gabinete de estudos. Uma tarde, o marido esqueceu de passar a chave na porta. A mulher chegou, abriu e deu de cara com Paulão sentado no tapete brincando com um trenzinho.

Anúncios

O Homem e o pano enrolado à sua cintura

Em um lugar do oriente, onde o clima é ameno e não são necessárias muitas roupas, havia um homem que resolveu desistir de todas as questões materiais e retirou-se para a floresta, onde construiu uma casa para morar.

Sua única roupa era um pano que enrolava à cintura. Mas, para seu azar, a floresta era infestada de ratos e então ele buscou um gato para morar com ele. O gato precisava de alimento, de leite para poder viver, então trouxe uma vaca.

Como a vaca requiria cuidados, ele teve que empregar um vaqueiro. Esse rapaz precisava ter onde morar, e por isso foi construída uma casa para ele. Para tomar conta da casa, acabou por isso construindo uma casa para ele. Para tomar conta da casa, o vaqueiro chamou uma moça para limpar a casa em troca de alimento. Para que a moça tivesse companhia, pois era jovem, chamou mais pessoas que conhecia, e outras casas aos poucos foram sendo construidas. Desse modo brotou ali uma pequena audeia.

E o homem pensou: Quanto mais tentamos fugir do mundo e suas exigências, mais elas se multiplicam.

 

 Lenda hindu, P.V.Ramaswani Raju

Ambas as partes

O Ensino, independentemente de ser transmitido em escola pública ou privada, contém muitos erros. Segundo Nietzsche o maior deles é o fato de ser obrigatório para todos. Não por acreditar que a educação deveria ser procurada por aqueles que tivessem interesse, como o filósofo alemão sugere, mas por causa do sistema. Mesmo assim, o interesse no estudo tem que primeiro ser despertado. Para isso é necessário conhecer as áreas basicamente para só assim escolher. Mesmo que muitas crianças e adolescentes não se conformem em aprender certas coisas, como ciclo reprodutivo das árvores em biologia, certamente se não aprendessem, perguntariam “Como assim uma árvore se reproduz com outra?”

Diante do mundo atual, onde a formação intelectual é tã valorizada, mesmo que o método de ensino no Brasil contenha erros, as Instituições Educacionais são um importante meio de formação dos cidadãos. Aprendem a conviver em sociedade, trabalhar em equipe, mesmo que não saiam do 3° ano do Ensino Médio semianalfabetos ou sem saber resolver uma equação do primeiro grau.

Cada pessoa tem um ritmo próprio de aprendizagem e às vezes facilidade em apender algumas coisas que não estão no ensino fundamental ou médio. Quando pais se deparam com o sofrimento do filho, também sofrem e podem propor ensino domiciliar. Existem outros fatores que levam os pais a tomar tal atitude, como religiosos, segurança, má qualidade, ou até mesmo querer impedir o convívio social do filho com crianças diferentes, que poderão influencia-lo a atitudes que os pais abominam.

Diante de tantos medos, os pais necessitam perceber o dano que causará aos filhos ao retirá-lo da escola, pois impedirão que sua liberdade seja exercida, e sua autonomia, ativada. É transformar os filhos em alienados por só transmitirem uma única visão de mundo: a que eles tem. É impedir que  social interfira no desenvolvimento do ser humano lhe dando visões e contato com o diferente, para que escolha que caminho seguir.

O ideal não é que os pais responsabilizem a escola da educação de seus filhos, nem vice-versa, e sim que haja um trabalho de ambas as partes, auxiliando o indivíduo em seu processo de autonomia.

 

Liberdade, Igualdade e Fraternidade

A complexidade e instabilidade humana me levam a crer que não sou alguém, e que não daria a mesma resposta se a mesma pergunta me fosse lançada (Quem é você?)

Hoje poderia responder uma coisa e semana que vem outra totalmente diferente porque para o ser humano e as ocasiões da vida fazem, com que ou eu reafirme meus valores ou que eu mude-os. E também não somos nada, porque nós respondemos a esta pergunta comparando-nos a outras pessoas, usando classificações, como ‘romântico’. Logo, sem os outros não saberíamos quem somos.

Mas o que somos mesmo é só isso? Comparações e adjetivos?

Ao elogiar alguém de inteligente, será que minha impressão foi transmitida? Será que a definição de inteligente escrita no dicionário, é a mesma que eu quero dar àquela pessoa?

Se eu conviver com essa pessoa será que não existirão momentos em que irei questionar sua inteligência? Isso provavelmente ocorre, porque ninguém é 100% algo, assim como ninguém tem certeza 100% dos sentimentos ou das decisões. Assim como a vida não é linda nem é feia, as pessoas não são uma coisa OU outra, e sim várias simultaneamente. Existem contextos e o olhar humano que ao incidir naquele instante tem uma impressão da situação.

Será que eu poderia dizer que houve um retrocesso até hoje? Onde o homem tinha três características que deveriam ser mantidas pelas leis: Igualdade, Liberdade e Fraternidade; que são puramente interligadas quando se vive na sociedade, mas que não funcionam para todo mundo.

Até aquele ditado que diz: “A minha liberdade termina aonde a do outro começa” é falho. Porque mesmo em sociedade podemos ser livres, mas existem consequências. Se a liberdade de todas as pessoas evoluísse juntas, como um casal de namorado, onde o homem faz algo e a mulher tem direito a fazer o mesmo.

Mesmo que alguns humanos odeiem a fraternidade, são forçados a tê-la. Primeiro porque o que o outro faz me atinge, e vice versa. Mesmo que não nos importamos com alguém, somos hipócritas em importar-se, para que não nos atinja, porque somos egoístas.

Como havia dito, acredito que haja esse retrocesso porque somos vistos como coisas por nós mesmos. Podemos ser comprados, explorados. Somos palavras isoladas para um dono de mercado. Somos um consumidor para a coca-cola. Somos um empregado para o chefe. Um número para o governo e suas estatísticas.

Isso por conta da individualidade. Nós somos esta concepção, quando vamos almoçar e o pedido vem errado, vemos o garçom como mal profissional, apesar de aquela vez poder ser a primeira dele, e ele ter perdido o pai no dia passado. Dizemos que nunca mais voltaremos àquele restaurante, porque pensamos que por pagar, eles não podem errar. Assim isso se reflete em nós mesmos, por isso tudo é tão pressionado para nós também, por pressionarmos os outros.

Imagem do filme Na natureza selvagem.

 

 

Ajude Jason Becker

Jason Becker, nascido em Richmond (Califórnia, Eua) em 22 de julho de 1969, ficou conhecido aos 16 anos por sua técnica impressionante, fazendo covers de Malmsteen com muita personalidade em uma performance na Kennedy High School. Por falar em sua personalidade (musical), acredito que sendo construída com a influência de seus pais Pat e Gary Becker, os quais são músicos. Além de seu pai tocar guitarra, seu tio também tocava e Jason ganhou sua primeira com apenas 3 anos.

 


Jason Becker tocando Black Star de Yngwie Malmsteen

 

O seu estilo principal é o neo-clássico com heavy metal mostrado com a produção de Mark Varney ao lado de seu grande amigo Marty Friedman, a banda Cacophony, a qual lançou Becker como revelação e talento promissor. Gravou em 1987 o álbum “Speed Metal Symphony” com o Cacophony e em 1988″Go Off!” com a mesma banda. No mesmo ano, lançou se primeiro álbum solo “Perpetual Burn” que o consagrou e é considerado um dos melhores álbuns do gênero. Em 1991, gravou o álbum com um dos seus grandes ídolos, David Lee Roth, entitulado “A Little Ain’t Enough”, substituindo ninguém menos que Steve Vai. Jason sentia algumas pontadas na perna e em pouco tempo não conseguia mais tocar em pé e não pôde sair em turnê. Como alguns gênios da música, Becker teve uma carreira ativa curta, de 1987 a 1991. Sua doença chama-se Esclerose Lateral Amiotrófica, ALS, ou então  Doença de Lou Gehrig, uma doença degenerativa a qual paralisa gradativamente os músculos do corpo e ainda não tem cura e foram dados a ele dde 3 a 5 anos de vida. Poucos tempo depois, Jason só conseguia mover os olhos e esboçar uns sorrisos. Mesmo com o diagnóstico dos médicos, sua luta pela música não terminou, um computador específico permite o lendário guitarrista a compor apenas com os olhos. Em 1996, lançou seu segundo álbum “Perspective” composto inteiramente por ele, com exceção da faixa “Meet in the Morning” do Bob Dylan, as músicas foram tocadas por  Steve Perry, Michael Lee Firkins, Matt and Gregg Bissonette, Steve Hunter. O produtor Mike Bemesderfer ajudou-o na identificação das notas para escrever as músicas.

Ainda na carreira de Jason encontra-se o álbum “Raspberry Jams”, gravado em 1999, que conta com algumas faixas demo dele próprio que não foram gravadas em álbuns, algumas são trechos curtos, apenas ideias de novas canções. Em 2003, foi lançado o “Blackberry Jams” que foram trabalhos de Jason tocados por outros guitarristas como Steve Vai, Paul Gilbert, Marty Friedman, Joe Becker, Rusty Cooley e Mattias Eklundh e inclusive seu pai. Depois de muito tempo sem gravar (o que é muito coerente), em 2008 lança seu novo trabalho “Collection” que é uma coletânea que também contém sons novos tocados por Marty Friedman, Greg Howe, Joe Satriani, Michael Lee Firkins, Steve Vai, and Steve Hunter.

Em 2012 lançou um filme documentário da sua vida: “Jason Becker: Not Dead Yet“. Jason ainda recebeu dois tributos Warmth in Wilderness: Tribute to Jason Becker em 2001 e Warmth in Wilderness 2: Tribute to Jason Becker em 2002. Constantemente é homenagiado, guitarristas vão em sua casa e o emocionam com regravações de seus sons, como fez recentemente o guitarrista italiano Daniele Gottardo. Há também seu dvd “The Legendary Guitar of Jason Becker” que mostra muitos de seus trabalhos com entrevistas.

 


Trailer do documentário “Jason Becker: Not Dead Yet

 

Jason Becker é uma inspiração não só para mim que toco guitarra, mas uma inspiração de ser humano, sua determinação o que o mantém vivo até hoje, assim como ele diz. É um exemplo de coragem e luta.

“We live thinking we will never die.
We die thinking we had never lived.
Cut it out.” – Jason Becker

A história comovente do guitarrista serve de inspiração para muitos e venho, por meio desse post divulgar uma ideia que os grandes guitarristas brasileiros tiveram para arrecadar dinheiro para o tratamento da sua doença, lançaram um disco chamado “Heart of a Hero” com 19 faixas e todos os fins lucrativos irão para Jason.

Há o vídeo de divulgação, para ajudá-lo basta comprar ou baixar o cd

 

 

Para baixar o álbm é muito fácil, basta clicar AQUI e ir na parte de download do cd Heart of a Hero. Além de ajudá-lo, irá ouvir um grande álbum e conhecer vários guitarristas brasileiros que são muito talentosos com a maioria de sons instrumentais.

Roma eternizou-se

A arquitetura é o registro mais fascinante que podemos encontrar de uma época, pois diferente das outras artes, ela não é uma palavra ou uma imagem, é uma ação que se fez permanecer. E uma forma de arte tão simples de ser encontrada: basta ir a um lugar e perceberá diferentes construções que foram construídas em diferentes épocas. Apesar dessa facilidade tem pessoas que não dão valor nenhum para esses detalhes, quem sabe por falta de conhecimento. Há alguns estilos arquitetônicos que estamos tão familiarizados que não fazemos ideia do que ocorreu para ser assim. Ao questionar, pesquisei e decidi fazer esse post sobre uma das coisas que mais adoro na arquitetura, que são as obras romanas.

A arquitetura grega influencia o mundo até hoje, exemplo disso é o Memorial do Lincoln (que me faz lembrar o filme “Mr. Smith goes to Washington”) foi construído em 1922 com 36 colunas, uma para cada estado na época de Lincoln. O arquiteto Henry Bacon deu valor para o estilo dórico, que é o mais simples e o menos apreciado da era grega, mas seria bom conseguirmos ver a beleza dele.

Tais colunas são belas, mas os romanos aprenderam que os tetos em arcos, influência dos etruscos são mais viáveis, já que permite a ampliação do espaço entre duas colunas, pois as tensões no arco são atribuídas de modo mais equilibrado. O Marco Vipsânio Agripa (que significa: Construído por Marco Agripa, filho de Lúcio, pela terceira vez cônsul), vulgo Panteão é um exemplo de obra arquitetônica, é um templo, mas diferente dos de hoje, sua função era abrigar as esculturas dos deuses romanos. Ainda contém uma abertura no centro da abóboda e mesmo que chover, a água não caí dentro. É realmente uma grandiosa obra.


Construído no século I a.C., com 50 km de extensão e 49 m de altura, Le Pont du Gard ainda mantem-se de pé sobre o rio Gardon através dos seus 22 séculos de idade. Apresenta sempre uma inclinação mínima em seus arcos para que a água pudesse correr.

Desde os romanos, engenheiros tem procurado construir obras arquitetônicas não só úteis, mas harmoniosas e leves, como a Millennium Brigde, ponte sobre o Tâmisa, em Londres. Inaugurada pela rainha Elizabeth II em 2000, com 350 m de extensão, estilo futurista e sustentada pelas estaias, sofreu pequenos erros de cálculo e agora treme muito devido a ressonância, sendo assim foi fechada e reaberta em 2002.

Existem muitos que erguem construções que caem como se fossem feitas para serem destruídas, por surgirem sem um ideal, só nasceram fruto de dinheiro. A frequência natural dessa ponte é igual a do vento, erro básico de engenharia:

Voltando a Roma e suas obras, chegamos à Pompéia e Herculano, cidades subterradas pela erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.C., infelizmente, como as escavações começaram um pouco tarde, em 1738, muito se perdera, mas muitas coisas interessantes foram reveladas, principalmente sobre as casas. Estas eram divididas em: Domus, casa para nobres; Villa, que eram casas de campo; e a Insula, um tipo de condomínio com mais de um andar. As Domus e as Villas sempre tinham piscinas, eram sustentadas por implúvio (água da chuva que era recolhida). Havia uma técnica, denominada Ilusão de Bloco saliente, onde pintavam a parede de forma que a tornava parecida com o mármore. Também era costume pintar janelas com paisagens e quadros de pessoas.

A técnica para pintar as paredes chama-se afrescos que funciona assim: sobre a parede úmida, é aplicado cal, e em cima uma camada de gesso bem lisa e fina. Começa a desenhar com o carvão e depois aplicação das cores com a evaporação da água, a cor adere ao gesso e o gás carbônico do ar combina-se com a cal e transforma-se em carbonato de cálcio completando a adesão do pigmento a parede.

Cidades

Sabemos que é mais barato destruir uma cidade inteira e reconstruí-la, do que restaurá-la. Será mesmo isso verdade? Bom, para as pessoas que não dão valor para o patrimônio histórico e cultural das cidades sim, é mais barato reconstruí-la. Mas e para aqueles que dão valor além de financeiro para estes lugares? Só o arrependimento e a dor restarão.

Em Araras, uma cidade próxima a minha (Pirassununga), a praça central da cidade era uma réplica do jardim do Palácio de Versalhes. Mas um Prefeito, em 1970, achou a arquitetura da praça arcaica, e a reconstruiu com os moldes da década, com esculturas psicodélicas e chafarizes coloridos. A praça é bonita, mas qual era o direito daquele prefeito de fazer isso com o jardim da cidade? E se hoje, o prefeito atual achar que a praça é feia e a reconstruí-la de novo? Qual será a identidade da cidade, se ela torna-se mutante, e não vemos nela o passado?

Engraçado que a maioria dos brasileiros façam viagens para a Europa e apreciem a forma como eles preservaram a arquitetura de diferentes épocas, mas em seu próprio país deixam que megacorporações e outras pessoas de autoridade sejam capazes de modificar o ambiente em que vivem.

Não seria legal se pudéssemos ver a evolução da cidade, conforme a época? Em Paraty-RJ, isso é perceptível, todo o centro da cidade foi mantido para o turismo, a fiação de luz e energia passou a ser subterrânea para manter o aspecto da época e para melhor apreciarmos a paisagem. Porém tem alguns furos, a caminho da periferia, vemos casas da década de 50, depois vemos casas atuais e por fim, ranchos e hotéis para os turistas.

Cidades planejadas como Brasília, são maravilhosas, e transmitem uma sensação de ordem, que não nos passa, por exemplo, em São Paulo. A pesar de existirem leis que limitam o tamanho das casas e dos prédios para criar certa harmonia na cidade, tais leis são corrompidas facilmente quando alguém poderoso quer construir fora de tais leis. E assim temos uma irregularidade.

As cidades que não foram planejadas têm características peculiares de outras épocas e de outros lugares, como casas em estilo oriental ou futuristas. Pode ser que muitas pessoas não apreciem, mas acredito que haja uma beleza única nesse ambiente de junção entre as culturas. Mesmo que nem todos apreciem esse ambiente “complexo” em suas formas, as pessoas têm que aprender a respeitá-lo e conservá-lo, pois Paris, por exemplo, é um patrimônio não só Francês, e sim da humanidade.

O Projeto Vênus, apesentado no vídeo acima, possui uma beleza única e ainda que suas propostas sustentáveis sejam tentadoras acredito que só poderia ser empregado em um lugar inóspito, quando, por exemplo, nas áreas anecúmenas da Sibéria ou ainda quando conquistarmos algum outro planeta. Porque seria um crime destruir as cidades atuais para construir algo moderno em cima, mesmo que isso favoreça o ser humano. É até considerado crime pela ONU a destruição de patrimônios históricos, pois não cabe a nós pessoas do presente destruir algo que foi construído no passado e que o futuro pode ver, estudar e entender o mundo.

Pode parecer que não, mas a arquitetura nos ajuda muito a entender o mundo. Os casarões cafeicultores antigos tinham características próprias que mostravam seu poder, como os lustres exteriores que eram perfeitas obras primas feitas em vidro, ou ainda a altura e o tamanho da casa. O poder do cafeicultor de ter uma casa de 50 quartos, morando só ele e a mulher.

As Igrejas também são profundamente retrato da sociedade passada, como as góticas que são de uma magnitude de difícil compreensão porque surgiram durante o período que se denomina na literatura, Classicismo, onde o Antropocentrismo e a razão eram o alicerce da sociedade. Sendo assim, as Igrejas tornaram-se enormes, verdadeiras construções incompreensíveis de tantos detalhes e beleza; para os homens ao entrarem na Casa de Deus, pensarem o quão pequenos são diante do divino. Os órgãos rodeiam toda a construção e ensurdecem os homens com os Cantos Gregorianos para inferiorizar ainda mais o homem, pois a Igreja temia o Antropocentrismo que tiraria seu poder.

O vento sempre seguiu seu curso

Um salgueiro em meio à ventania que o açoita, submete-se. Qualquer animalzinho que procure proteção dentro dele conseguirá, pois o salgueiro não se rebela contra o vento, deixa-o açoitá-lo para poder proteger aos animaizinhos e a si mesmo. O vento mal percebe o que faz ao atingir a árvore: leva suas sementes para o chão, germinando-as indiretamente. Depois de algum tempo existem tantos salgueiros que criam um muro contra o vento. Qualquer animalzinho fraco pode viver dentro desse conjunto de salgueiros, inclusive salgueiros mais fracos.

As mulheres são como esses salgueiros. Durante a Idade Média viviam submetidas aos homens, à sociedade, trancafiadas nos quartos. Os homens germinavam-nas como o vento germina o salgueiro, sem amor, nem sem a intenção de fecundar suas sementes.

Umas aprenderam que para poder participar dessa sociedade, era preciso submeter-se e fazer algumas coisas. Aquelas que se rebelaram viviam na infelicidade, trancafiadas em suas casas. Mesmo que as que se submetiam não eram felizes plenamente. Na realidade ninguém é. Mas elas aprenderam a agradar as pessoas, homens e outras mulheres, a se submeter à Igreja, às normas da sociedade, protegendo seus filhos e a si mesmas. Eram jogos de interesses e raramente existia o amor que muitas pessoas ainda pensam que existiam na época onde a mulher era submissa.

Era só um período de dormência, de conformidade e crescimento. As mulheres eram salgueiros isolados rudemente maltratados pelos ventos. Apesar dos nobres serem criados com mulheres para aprender como se tratar uma mulher, esse tratamento era de superioridade e ainda sim, o número de homens ignorantes era muito maior do que hoje, ou então o número de mulheres que não se deixam inferiorizar hoje é maior que dos homens ignorantes, pois estes ainda persistem a viver dessa maneira.

As mulheres perceberam que assim, unidas, seriam mais fortes. As que cresceram ao redor daquelas submissas aprenderam a unir-se a elas, para proteger as mais fracas e seus filhos. Tornaram-se muros.

Ainda há mulheres que vivem isoladamente, no alto de uma montanha, como um salgueiro, ferida pelo vento cortante. Mas isso é uma escolha dessa mulher. Ela tem direito de escolher ser assim.

O que ocorre com as mulheres no Oriente Médio, onde só no Egito temos 90% das mulheres circuncidadas, não é algo para nós, ocidentais, julgar ou querer fazer uma revolução por acreditar que é um absurdo o modo como elas vivem. A questão cultura é sempre um fator que não podemos esquecer, temos que entender que mostrar a estas mulheres que podem viver melhor é a atitude correta. A forma como conseguiram se quisessem e que devem ter direitos iguais aos homens e a todos os outros cidadãos devem ser expostas, mesmo que ainda assim queiram ser submissas à seus maridos e à sua religião.

Podemos informá-las, demonstrar o modo como vivemos. Mostrar que existem grupos de mulheres como existem florestas de salgueiros, onde não importa como sejam as personalidades dessas mulheres, não importa se são mais fracas, mais fortes, mais novas ou mais velhas, mais quietas ou mais extrovertidas, mais elegantes ou mais vulgares, mais ricas ou mais pobres. Há mulheres que se uniram e que elas podem fazê-lo se assim escolherem.

Ainda no Ocidente existem muitas mulheres que se calam ao apanhar do marido, mesmo com a possibilidade de denunciá-lo, mas não cabe a nós julgá-las, pois não sabemos as suas causas, mesmo se é por quererem proteger os filhos, ou até mesmo por amor, não cabe julgarmos e sim aceita-las. Deixá-las livres para escolher se querem ou não fazer parte desse grupo de mulheres-árvores.

O Despertar do Butoh

Um cheiro forte de café invade suas narinas a ponto de fazê-las tremer, faz suas pálpebras abrirem suavemente em uma manhã qualquer. Ao espreguiçar-se percebe tão lento como se ainda houvesse um sono enorme em você. Os seus movimentos tornam-se puramente conscientes e de repente uma câimbra começa pelo dedão do pé direito e você percebe que logo irá invadir sua perna e não saberá o que fazer como já ocorreu outras vezes. A dor, como previsto sobe pela sua perna e é insuportável, alcança seu joelho e a sua única ação parece ser puxá-la para cima, como se fizesse um spaccato, e a dor esvaece aos poucos. Todo esse percurso durou horas e você sente que teve plenamente consciência de seus movimentos, desde a dilatação do nariz com o odor do café até o primeiro passo que dá ao levantar da cama, mas parece que tudo isso demorou horas para acontecer, mesmo assim não sente-se culpado de ter demorado tanto tempo para levantar da cama, e o resto do dia inteiro seus movimentos progridem dessa forma intensa e lenta.

Será que todas as pessoas conseguem tentar sentir seu próprio corpo? Como o nosso corpo executa os movimentos tão rapidamente, muitos não tem consciência deles enquanto os fazem. Não sentimos todos os nossos músculos e muitas pessoas não sabem o processo biológico complexo que ocorre para isso. Algumas pessoas malham algumas partes do corpo, mas não conseguem sentir ou mover todos os próprios músculos devido aos equipamentos que condicionam seu corpo ao movimento repetitivo, fazendo que outros músculos se atrofiem lentamente.

A cena que abri esse texto já me ocorreu inúmeras vezes inclusive no meio da noite, pela falta de oxigênio que meus músculos sofriam por me exercitar tanto ao dançar. Mas nunca me arrependi disso, pois é maravilhoso sentir seu próprio corpo. Algumas vezes senti alguma parte do meu corpo se movendo que nunca havia sentido antes. E isso me deixava feliz, como se alguém me dissesse uma qualidade que eu tinha que eu nunca antes notara.

Essa consciência do corpo é muito buscada através do Butoh, uma dança contemporânea iniciada no Japão pós-2°Gerra Mundial.

Há uma dança, denominada Bugaku, que perduraram 1200 anos no Japão nas mãos da alta sociedade, e após a 2°Guerra foi evidenciada. Aliás não só essa dança, o Japão inteiro ficou exposto ao mundo, toda a sua cultura e seu povo. A sexualidade já era falada no resto do mundo, coisa que no Japão era desprovida de voz. As mulheres sempre submissas, e os homens sempre imponentes o que escondia dos outros, o que estava dentro deles mesmos. E de repente, há pessoas de cores de pele, de cabelo e olhos diferentes das deles, que falam diferentes, que usam roupas diferentes. Estavam expostos.

Imagine se em vez de levantar, de acordar com o cheiro do café, se em vez de abrir minhas pálpebras eu não conseguisse me levantar. Como se todo o meu corpo estivesse morto por querer, por acomodar-se assim devido às 8 horas que dormi, como se por inércia ele devesse continuar ali, quieto, com a respiração lenta e o escuro em minha mente, como se estivesse quase morta. É assim que vejo muitas pessoas, e o próprio Japão antes da Guerra. Tudo o que ocorria era muito sigiloso, e poucos sabiam. E de repente a exposição.

Tal exposição é incrivelmente representada pelo Botoh. Uma dança e uma filosofia contemporânea, que surge em meio ao contexto que contei. É a expressão desses novos sentimentos nunca antes sentidos. Tatsumi Hijikata e Kazuo Ohno, os criadores da arte Butoh, acharam nas vanguardas europeias que encontraram o choque cultural, o expressionismo, o cubismo e o surrealismo, e as danças milenares japonesas, como Nô e Bugaku, a inspiração para a criação de sua arte.

Não há uma coreografia, e sim movimentos que são conhecidos pelo Bugaku, que imitam a natureza e a força de guerreiros samurais em suas batalhas, que se perderam no tempo e que nunca retornaram, pois todos foram mortos na 2°Guerra.

Mas como esses movimentos perduraram? Como manter todos os séculos de cultura em meio ao ocidente?

Jean Cocteau me esclareceu isso: “A obra continua a viver como os relógios no pulso de soldados mortos”. Quer dizer que, a arte sempre continua a viver, mesmo que imperceptivelmente dentro das pessoas. Há os que conseguem expor. E praticar o Butoh é para qualquer que esteja disposto e que tenha conhecido alguém que já morreu.

Não devemos temer a morte, pois a vida só existe devido à morte. E às vezes “vivemos demais”, nos movemos rápidos demais, pensamos rápidos demais, e não paramos para ver a morte. Não paramos nem para perceber a sombra que segue os nossos pés, a companheira mais fiel de todos os homens. Se, não pararmos como vamos saber quem somos? Como conseguiremos nos expressar, se todos os dias acordamos, e fazemos as mesmas coisas sem se importar com o antes e o depois?

Muitas pessoas acham inútil conhecer o passado de sua família e de sua nação. Mas será que se perceberem, ao ter filhos, que eles são a continuação de suas vidas? E que assim como eles, vocês e eu somos a continuação de outras vidas? E perpetuamos nesse mundo sem propósito porque temos a liberdade suficiente para escolher qual propósito queremos?

Tudo isso é o que eu refleti ao ver uma dança… O Butoh. Porque ele é o caos da dança. Os artistas se pintam de branco, usam quimonos muitas vezes de uma cor só, diferentemente se seus antepassados que dançavam Bugaku.

Há uma sombra preta em torno dos olhos, e um circular vermelho exposto no canto de um dos olhos, e a boca pintada como uma boneca de porcelana.

Os movimentos são muito lentos, pois há um esforço maior que o físico, que vem do interior. É a execução de todos os músculos, por isso a necessidade da lentidão, além do que, não há nada de errado com a lentidão e a reflexão que se faz ao realizar essa dança.

Os dançarinos não creem que estão dançando sozinhos, e sim com sua sombra. Em memória dos mortos expressam os seus puros sentimentos. Se expõem para eles, como o seu país se expõe ao mundo.

“A Dança é um caminho de vida, não uma organização de movimentos. Minha arte é uma arte de improvisação. É muito perigosa. Eu tento revelar com meu corpo todo peso e mistério da vida, seguir minhas memórias até o útero de minha mãe.” Kazuo Ohno.

 

Reflexões sobre tubarões e bajulações

No conto poético de Bertold Brecht “Se os tubarões fossem homem”, é narrado que os tubarões criariam escola, teatro e um grande aquário para os peixes, se fossem homens. Estes peixes saberiam que seriam engolidos pelos tubarões, mas mesmo assim sentiriam se satisfeitos de fazer tal sacrifício, visto que os tubarões são divinos, que adoram os peixes, que elogiam suas obras de arte e suas ações, dão medalhas quando ganham uma batalha e cuidam de suas feridas.

Nesse conto a bajulação trouxe benefícios para os tubarões visto que os peixes não fugiriam na hora de matá-los. Essa prática é usada por muitos políticos que dão coisas para agradar os eleitores enquanto tiram por outro lado. Assim evitam protestos e insatisfações. Isso nos mostra como, se não soubermos analisar a situação em que encontramos e quem somos, seremos enganados e por nossa culpa.

Às vezes, ao recebermos um elogio, discernirmos que este foi falso, mesmo assim agradecemos. Segundo uma pesquisa da Hong Kong University, bajulações mesmo que sejam falsas e a rejeitarmos, nos fazem bem e aumenta a nossa confiança. Por outras vezes, se somos elogiados demais por algo que fizemos como pintarmos um quadro,  temos cuidado quando fazemos outro, por medo de não sermos elogiados de novo, sentiremos que retrocedemos e que não atingimos a expectativa que os outros tem sobre nós.

Se os outros não nos elogiarem, como saberemos se realmente somos bons em algum aspecto? Mas se não soubermos “nos enxergar” seremos facilmente iludidos, e assim será fácil usufruírem de seus interesses a nossas custas.

O Clássico das animações japonesas

O nome Ghibli vem de um apelido italiano dado aos aviões que sobrevoavam o Deserto do Saara na Segunda Guerra Mundial, que metaforicamente representaria o “sopro do vento” que vivamente invadiria a mente dos jovens japoneses, mas felizmente, o objetivo teve alcance maior e atingiu a mente de jovens do mundo inteiro. Foi fundado em 1985 e é comandado pelos diretores Hayao Miyazaki e Isao Takahata. As Trilhas Sonoras do Studio Ghibli são, em sua maioria, feitas pelo compositor Joe Hisaishi, o que dá uma beleza ainda mais preciosa aos filmes devido a originalidade.

A estreia do Studio foi o Nausicaä do Vale do Vento baseado no conto do folclore japonês A princesa que amava insetos, a história fictícia trás valores muito belos como respeitar as florestas e os insetos, que normalmente os consideramos asquerosos. Em 1984 já estavam considerando esses valores, no início da história conta que a decadência do Vale do Vento e de todo o mundo tinha sido a grande poluição e tragédia advinda das Indústrias dos homens, o que é uma grande possibilidade de ocorrer no mundo real se não nos reeducarmos de novo.

As fotografias de todas as animações são no mínimo perfeitas e encantadoras. A beleza da criatividade, dos planetas estranhos, dos seres vivos monstruosos parecendo extraterrestes nos dá a dimensão do trabalho do Studio Ghibli. Os finais dos filmes são inconfundíveis, não são nada parecido com o que costumamos ver apesar de muitas vezes ser finais felizes. Todas as animações roteirizadas por Miyazaki tem uma semelhança incrível no fim do filme que é o casal de crianças sempre presente e que nunca ficam juntos, nos dá essa perspectiva de que irão se apaixonar, mas só nos mostra a felicidade e a amizade que eles tem. Em Laputa – um castelo no céu, Sheeta diz a Pazu: Quando você caiu do céu, o meu coração estava agitado, sabia que algo de maravilhoso ia me acontecer, o que é muito romântico e dá à alguns a impressão de amizade colorida.

Os protagonistas sempre têm características maravilhosas, valores e qualidades admiráveis, com personalidades bem marcantes, como Pazu, de novo em Laputa – um castelo no céu, que é um menino determinado, corajoso e carinhoso, fazendo muitos sacrifícios para ajudar a estranha menina que conheceu a pouco tempo, cuidando dela como se fosse um homenzinho.

O céu é palco de muitas tramas do Studio Ghibli, o que é muito sonhador e confortante que me lembra a música do fechamento de Fullmetal Alchemist, que dizia mais ou menos assim: quero ser como o céu para você, e assim te acompanhar em todos os lugares que você for, você irá olhá-lo e se recordar do lugar para onde retornar.

Apesar de parecer infantil para muitos, os animes são profundos e maduros. Sempre tem muitas coisas ocorrendo durante as cenas de forma muito dinâmica, o filme que tem essa característica mais evidente é Princesa Mononoke que tem um número de quadros superior à… feitos a mão. As tramas sempre oscilam do cômico para o trágico, do sério para o sentimental em pouco tempo, caracterizando ainda mais o dinamismo. A minha animação, por enquanto, predileta do Miyazaki é A viagem de Chihiro, por que ainda não assisti a todos.

Os Estúdios Disney fecharam com os Estúdios Ghibli um acordo conhecido como Disney-Tokuma, aproveitando o interesse norte-americano sobre os mangás e animes, passando a distribuir em vídeo todos os longas animados do estúdio japonês, além de distribuir nos cinemas filmes que alçariam o nome de Miyazaki e de Ghibli ao estrelato ocidental e mundial, como Princesa Mononoke (1997) e, mormente, A Viagem de Chihiro (2001), laureado com o Urso de Ouro no Festival de Berlim 2002 e o Oscar de Melhor filme Animado em 2003, considerado o filme de Ghibli de maior sucesso internacional.

Também adorei Sussuros do coração único longa-metragem dirigido por Yoshfumi Kondô no Studio, é mais maduro emocionalmente, e não tem tantas agitações por ser no “mundo real”, a protagonista, Shizuku, é uma estudante, uma moça que lê vários livros e se encontra diante de um mistério doce sobre um gato e um nome de um menino que pegara os mesmos livros antes que ela na biblioteca. Ela fica imaginando como ele é e perguntando as pessoas sobre ele, o que é normal quando queremos conhecer alguém e se envolver, é como se quiséssemos saber o caráter e as semelhanças da pessoa com você antes de se apaixonar por ela, como se fosse um anticorpo. É engraçado a decepção que ela tem ao descobrir quem ele é. Um dos momentos mais emocionantes e belos do filme é quando cantam Take me home, country roads, em japonês.

http://site.studioghibli.com.br/

Se os tubarões fossem homens

Se os tubarões fossem homens, construiriam no mar, grandes gaiolas para os peixes pequenos, com todo tipo de alimento, tanto animal como vegetal.

Cuidariam para que as gaiolas tivessem sempre água fresca, e tomariam toda espécie de medidas sanitárias. Se, por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana, então lhe fariam imediatamente um curativo, para que ele não lhes morresse antes do tempo.

Para que os peixinhos não ficassem melancólicos, haveria grandes festas aquáticas de vez em quando, pois os peixinhos alegres têm melhor sabor do que os tristes.

Naturalmente haveria também escolas nas gaiolas. Nessas escolas os peixinhos aprenderiam como nadar em direção às goelas dos tubarões. Precisariam saber geografia, por exemplo, para localizar os grandes tubarões que vagueiam descansadamente pelo mar.

O mais importante seria, naturalmente, a formação moral dos peixinhos. Eles seriam informados de que nada existe de mais belo e mais sublime do que um peixinho que se sacrifica contente, e que todos deveriam crer nos tubarões, sobretudo, quando dissessem que cuidam de sua felicidade futura.

Os peixinhos saberiam que esse futuro só estaria assegurado se estudassem docilmente. Acima de tudo, os peixinhos deveriam evitar toda inclinação baixa, materialista, egoísta, marxista, e avisar imediatamente os tubarões se um dentre eles mostrasse tais tendências.

Se os tubarões fossem homens, naturalmente fariam guerras entre si, para conquistar gaiolas e peixinhos estrangeiros. Nessas guerras eles fariam lutar os seus peixinhos, e lhes ensinariam que há uma enorme diferença entre eles e os peixinhos dos outros tubarões. Os peixinhos, eles iriam proclamar, são notoriamente mudos, mas silenciam em línguas diferentes, e por isso não podem se entender.

Cada peixinho que na guerra matasse alguns outros, inimigos, que silenciam em outra língua, seria condecorado com uma pequena medalha de sargaço e receberia o título de herói.

Se os tubarões fossem homens, naturalmente haveria também arte entre eles. Haveria belos quadros, representando os dentes dos tubarões em cores soberbas, e suas goelas como jardins onde se brinca deliciosamente.

Os teatros do fundo do mar mostrariam valorosos peixinhos nadando com entusiasmo em direção às goelas dos tubarões, e a música seria tão bela, que a seus acordes todos os peixinhos, com a orquestra na frente, sonhando, embalados nos pensamentos mais doces, se precipitariam nas gargantas dos tubarões. Também não faltaria uma religião, se os tubarões fossem homens. Ela ensinaria que a verdadeira vida dos peixinhos começa apenas na barriga dos tubarões.

Além disso, se os tubarões fossem homens também acabaria a ideia de que os peixinhos são iguais entre si. Alguns deles se tornariam funcionários e seriam colocados acima dos outros. Aqueles ligeiramente maiores poderiam inclusive comer os menores. Isso seria agradável para os tubarões, pois eles teriam, com maior frequência, bocados maiores para comer. E os peixinhos maiores, detentores de cargos, cuidariam da ordem entre os peixinhos, tornando-se professores, oficiais, construtores de gaiolas etc.

Em suma, haveria uma civilização no mar, se os tubarões fossem homens.

 

Bertolt Brecht em “Histórias do sr. Keuner

Edifícios

O post de hoje será sobre os edifícios maiores do mundo e os maiores do Brasil.

Para começar, do menor pro maior, começamos com o Brasil para termos uma noção de comparação de tamanho. Na lista dos 10 maiores arranha-céus do Brasil o tamanho varia de 158 a 170 metros de altura.

Edifício Itália

Altura:  150 metros
Elevadores:  19
Andares:  46
Capacidade:  dez mil pessoas
Localização: Sâo Paulo

Edifício Itália é o segundo maior edifício do Brasil. Como destaques podemos citar o andar térreo que contém um teatro e uma galeria e os restantes andares são usados para escritório. No seu topo, como maior destaque se encontra o Terraço Itália, restaurante que permite uma visão de 360°, é um dos maiores pontos turísticos de São Paulo. Abaixo a foto ilustra a luxuosidade e a dá-nos uma noção da visão que proporciona o restaurante.

Terraço Itália: Como o próprio nome sugere, o restaurante é especializado em comida italiana.

A construção do edifício começou em 1960 e foi inaugurado em 1965, e significou a consolidação da influência dos imigrantes italianos no Brasil.

Mirante do Vale

Altura:  170 metros
Elevadores:  12
Andares:  51
Localização: São Paulo

Mirante do Vale, ou Edifício Condomínio Mirante do Vale, é o maior prédio do Brasil e se compararmos em escala de América Latina, ele é o 18° maior do mundo, para percebermos que o forte do Brasil não construção muito verticalizada. O Mirante do Vale não é muito conhecido e a fama de maior arranha-céu do Brasil constantemente é dada ao Edifício Itália, citado acima. A construção de 1959-1960 e inauguração em 1966, foi polêmica, pois a construção de uma estrutura de concreto desse tamanho era imprevista pela engenharia nacional da época, dizendo que teria de ser estrutura metálica, comumente usada em edifícios. Construído por Zarzur, arquiteto que teve a ideia de usar concreto armado, carregava o nome de Palácio de Zarzur, mas depois de sucessivas reclamações, houve um mito de que o nome daria azar para o progresso econômico vinculado ao prédio. Por isso o nome foi alterado para Mirante do Vale.

Agora veremos outra realidade, tamanhos muito maiores dos maiores edifícios do mundo.

Petronas Twin Towers

Altura: 452 metros
Telhado: 410 metros
Andares:  88
Elevadores:  78
Custo:  US$ 1,6 bilhões
Localização:  Kuala Lampur, Malásia

Fontes divergem quanto a posição do Petronas Twin Towers (ou Torres Petronas) em relação a maior altura do mundo, porque alguns consideram a antena, outros até o telhado, outros altura do último andar. As posições variam de 4° a 6° maior do mundo. Como podemos ver na foto são duas torres gêmeas com uma passarela interligando as duas. Construído em 1992 e terminado em 1998, foi o primeiro edifício a ocupar a posição de mais alto do mundo que não seja norte-americano, superando o Sears Tower. O nome Petronas Twin Towers se deve ao fato de ser propriedade da companhia governamental de petróleo Petronas da Malásia. O arquiteto argentino César Pelli esteve encarregado de construir uma obra arquitetônica com características islâmicas, já que todos edifícios foram projetados por britânicos. A duplicidade dos prédios já é uma evidencia da tradição islâmica, que é a simetria geométricas. Para ambientar mais à realidade religiosa do país, há um sala de orações voltada pra Meca. Sobre o passadiço entre as torres, houve uma simulação de incêndio dos bombeiros para transportar 15 mil pessoas de uma torre para outra, e provou-se resistente o suficiente.

Shanghai World Financial Center

Altura:  492 metros
Andares:  101
Elevadores:  31
Localização:  Xangai, China
Custo:  1 bilhão de dólares

Shanghai World Financial Center (SWFC), é atualmente o quarto maior edifício do mundo. Começou a ser contruído em 1997 e o continente asiático passou por uma série de crises e a obra foi parada, conseguindo ser terminada somente em 2008. Como peculiaridade desse arranha-céu, pode-se citar a abertura no seu topo, a qual durante a construção gerou muitas discussões e protestos, pois era uma abertura circular e diziam que remetia ao círculo do sol nascente da bandeira japonesa, e como já sabemos que a rivalidade entre os dois países é grande, qualquer ato pode surgir como pretexto para polêmicas. Depois, mandou-se que refizesse esse detalhe e colocasse um trapézio no lugar, deixando neutro e livre das más línguas. O prédio é multi-uso, sendo usado como escritórios, hotéis, salões de conferência, terraço de observação e lojas no primeiro andar.

Taipei 101

Altura:  509 metros (com antena)
Andares:  101
Elevadores:  67
Localização:  Taipei, Taiwan
Custo:  1758000000 dólares

Taipei é o terceiro maior prédio do mundo atualmente, e particularmente o considero um dos mais interessantes. Localizado em uma região com alta atividade sísmica e de tufões, exigiu muita tecnologia e reflexão por parte dos engenheiros. A ideia de construir estruturas altas surgiu com William Le Baron Jenney, que ao ver sua esposa por o livro sobre a gaiola teve a brilhante sacada de construir um prédio baseando-se nessa ideia, pois as vigas distribuíam o peso morto das paredes, dando uma nova linha de pensamento pra época. Com o Taipei 101, a sacada de William foi posta em prática.

 Um dos projetistas do arranha-céu, o arquiteto C. P. Wang se inspirou na estrutura do bambu, um ícone da cultura chinesa. Como os terremotos acontecem em Taiwan a cada 10 anos, em média, a alternativa de comparar o bambu, um material com grande elasticidade por haver vazios espaçados uniformemente entre sua estrutura cilíndrica, como vemos abaixo


Adaptando essa concepção, o arquiteto distribuiu as treliças horizontais gigantes a cada 8 andares do edifício.

Como manter um prédio livre dos tufões que chegam à velocidade de 160 km/h? o mesmo arquiteto que se baseou na estrutura do bambu, encontrou uma solução para melhorar a estabilidade contra os tufões. Dessa vez se baseou em uma ideia que os poloneses dominaram há séculos. Com um veleiro estreito, leve, os ventos podem facilmente virá-lo. Daí os poloneses pensaram em adicionar um anexo ao lado para melhorar o balanço do veleiro e ao mesmo tempo atingir velocidade maiores, como ilustrado na figura:

A mesma linha de raciocínio usou para diminuir os esforços dos ventos no edifício:

 Ok, agora mesmo ele sendo forte contra tufões, o balanço do prédio é inevitável, assim como um carro em uma estrada esburacada, ele não irá tombar, porém balançará bastante. Em um carro isso é um pouco desagradável, mas imagina em um edifício, imagina sua casa tremendo, é um desconforto enorme. Para contornar essa situação, construiu-se entre o 92° e o 87° andar uma bola de ferro gigante com o peso de 680 toneladas para diminuir o balanço do prédio pela inércia. Com a ajuda dessa e das demais tecnologias, o arranha-céu suporta um terremoto de 7 graus na escala Richter e ventos de até 450 km/h.

Abraj Al Bait Towers

Altura:  601 metros
Andares:  95
Área:  1500000 m²
Localização:  Meca, Arábia Saudita

O complexo de 7 edifícios, também chamado Mecca Royal Hotel Clock Tower, sendo o maior dentre eles o Hotel Tower com os 601 metros e os demais variando de 240 a 260 metros. Como citei na descrição, a sua área é a maior já construída, 1500000 m². Ainda possui outros recordes como a maior torre de relógio do mundo, maior mostrador de relógio do mundo( 21000 lâmpadas, podendo ser visto o relógio a uma distância de 30 quilômetros. O relógio foi projetado por alemães e suíços e custou cerca de 800 milhões de dólares) e é o segundo maior edifício do mundo. Começou a ser construído em 2004 e concluído em 2011.

Burj Khalifa

Altura:  828 metros
Andares:  160
Elevadores:  57
Custo:  4,1 bilhões de dólares
Área:  2 km²
Localização:  Dubai, Emirados Árabes Unidos

Burk Khalifa (Torre de Khalifa) é o maior edifício do mundo atualmente, com seus soberanos 828 metros de altura, localizado em um centro econômico altamente forte da região, onde a construção civil se inova e evolui a cada dia. Começou a ser construído em 2004 e terminado em 2009, e inaugurado em 4 de janeiro de 2010. O Burj Khalifa possui um centro de observação a 442 metros do solo. Com o aço usado na construção do edifício daria para fazer uma estrada férrea atravessando 1/4 da circunferência terrestre. Visto de cima, o arranha-céu tem o formato da flor-de-lótus, sagrada no oriente.
O prédio ganhou alguns recordes (2009):

Estrutura mais alta livre de cabos: 589.5 metros
Edifício com mais andares: 160
Concreto vertical (para o edifício): 601.0 metros
Concreto vertical (para qualquer construção): 601.0 metros

É muito importante lembrar que esses dados foram obtidos até abril de 2012, pois essas posições varião pois como o mercado da construção civil está aquecido e os edifícios estão subindo cada vez mais, em pouco tempo construirão novos e novos edifícios maiores. Podemos nos perguntar, por que construir um prédio tão alto? A resposta é bem simples, para o construtor, em uma área superficial pequena, a oportunidade de oferecer hotéis, lojas, salas empresariais, museus e mais uma infinidade de possibilidades, é muito grande pois como são muitos andares, consequentemente mais dinheiro entrando no bolso. Além do aspecto econômico, para países com território pequeno, é uma grande oportunidade de aproveitar o espaço, quanto mais verticalizado, maior a chance de aproveitar as terras.

Vendo a comparação das alturas, do Brasil e os demais países sedes dessas estruturas gigantescas, achamos que 828 metros é algo absurdamente grande. Isso não deixa de ser verdade se basearmos na altura do maior edifício brasileiro. Porém a Arábia Saudita já tem em planos construir o maior arranha-céu do mundo, Kingdom Tower com custo preliminar de 28 bilhões de dóalres e com altura de 1600 metros!!!!!! Quase o dobro da altura do Burj Khalifa.

A roupa comprada sem reflexão não deve ser vestida

Muitos, inclusive atores, modelos e influentes famosos dizem em seus discursos que almejam um mundo melhor, além de muitos conhecidos nossos do dia a dia. Para melhorar o mundo temos que conhecê-lo, não simplesmente ver os defeitos e criticar, além de ver o que falta, temos que entender os acontecimentos e o que ocorria com as pessoas. Para conseguir mudar o mundo precisamos não só de história, mas ela associada à literatura, à música, às pinturas, à arquitetura, e, por que não à moda. Por isso não penso que a moda seja algo tão banal. Não só hoje em dia, mas há muito tempo houve lançamento de moda, trazendo as novas tendências e pregando algumas coisas que fazem muitos pensar que se não seguirem aquilo serão antiquados. Esta moda que acha que sabe o que diz é banal, e torna banal àqueles que a seguem cegamente.

Não é esta moda que digo, e sim aquela que acompanha o homem. Antes a roupa servia apenas para proteger do frio e era pele de animais. Como hoje a sustentabilidade é algo muito valorizado, as peles passaram a ser sintéticas, e não servem mais para proteger do frio, são muito mais que isso.

A moda se industrializou e encontramos poucos que querem “ser costureiros”. A palavra moda esvazia-se de sentido, no Brasil, daqueles que vão a desfiles como o Fashion Week, muitos nada entendem do assunto, apenas deslumbram-se por poder adquirir peças caríssimas e de grandes estilistas. As mídias acompanham superficialmente tais desfiles, o que contribui para a crítica negativa da moda, a população não entende moda, porque uma roupa faz sucesso e outra não, talvez por isso não seja considerada por muitos, ou até seja senso comum que moda não é arte. Mesmo assim, precisa ser criticada, porque, como disse Colin MacDowell: “Quando nunca se rejeita nada, as críticas positivas perdem o sentido”, ou seja, se não sabemos o que é ruim, como saberemos o que é bom?

“A moda não está na passarela, está na rua” (Adrienne Chanel). Eu, você e todos que andam pelas ruas a faz, e não os vestidos que a Dior lança atualmente que ninguém, a não ser Lady Gaga, sai com ele na rua, e que custam mais que sua casa.

É uma lástima, nesses desfiles vemos um milhão de pessoas, antes nos desfiles da Chanel e Saint-Laurent, eram fechados para 80 pessoas que davam valor para aquilo e criticavam, não iam apenas para consumir, era para admirar a alta costura. Hoje, com a massificação da cultura, vemos massificação do próprio corpo, os modelos são padronizados, tem que ter acima de 1,73 de altura, no máximo 65 kg, ser proporcional e simétrica se for mulher, e por serem padronizadas, padronizam a mulher mundial. A japonesa tem estatura média de 1,50, como poderia ser modelo? Ou ainda, será que não pode pesar acima de 65 kg e ainda ser bonita? Penso que a beleza está na diversidade. Por isso modelos como Twiggy são verdadeiros ícones de sua época, anos 60, com seus cílios postiços, pequena segundo o padrão (1, 57m e 42 kg), cabelos curtos tipo hominho, parecia para muitos uma bonequinha andrógena assexuada. Acredito que quando se tem o cabelo curto e se a mulher for feminina, tal feminidade deve aparecer em outros elementos do corpo, Twiggy fez certinho. Hoje em dia, parece que se substituirmos as modelos por cabides a roupa será a mesma coisa. Não tem mais graça desfiles para mim.

O salto Anabela (que eu abomino), o cinto fino e a disseminação do xadrez, surgiram durante a 2° Guerra Mundial, pela necessidade surgiram coisas criativas que fazem sucesso até hoje, como o frio era intenso, as mulheres tiveram que “se virar” e aí costuravam peças de roupa e edredons para criar casacos, o cinto ficou fino por que o couro na França era escasso, havia em sua grande parte sido “tomado” pela Alemanha, e o salto de madeira substituía o couro das solas. Dior naquela época foi um “salvador”.

O batom tem formato de bala, já perceberam? Antes eram líquidos e vinham em caixinhas redondas pequenas, mas depois da 1° Guerra Mundial, a indústria que havia sido de balas virou de batons para continuarem a usar as mesmas máquinas, anos mais tardes, com a 2° Guerra, o batom tornou-se escasso devido à substituição de novo da produção por balas.

O xadrez hoje é símbolo de escoceses e de punks, na realidade datam algumas descobertas de 3 a.C., porém seu uso foi intensamente caracterizado no século XVIII para diferenciar as famílias e clãs tanto na Escócia, como na Dinamarca, Inglaterra e Alemanha. Tal hábito me é fascinante, assim como os brasões das famílias, pena que se perderam e hoje não damos importância a não ser que a Dolce&Gabbana o insira em sua próxima coleção, e ainda consideramos original.

Existem grifes que nos fazem acreditar que aquela roupa é única e que ao possui-la teremos originalidade. Hoje, tal originalidade é vendida, podemos achar em qualquer lugar, basta esforço, algo que nos caracterize de alguma forma, mas que também caracterizará outros. Por isso é muito importante questionar. Não vejo nenhum problema em usar roupas de marca, existem muitas coisas muito lindas, de qualidade e que não são caras. É viável pagar 500 reais em um sobretudo da Colcci, mas não acredito ser útil pagar 1150 euros em uma bolsa estilo carteira para festas, que cabe um batom e um celular, da nova coleção da Saint-Laurent.(http://www.ysl.eu/en_GB/shop-products/Women/Handbags/Chyc/ysl-chyc-clutch-in-brown-python_804440386.html?recref=#!{“products”:{“265701EMF0G”:{“size”:”U”,”color”:”2123″}}})

No Brasil existem estilistas que parecem trazer para seus desfiles uma copia mais moderna de estilistas mais antigos ou de outras partes do mundo. A mulher brasileira é diferente da Americana, da Francesa e da Japonesa, e a mesma coisa o Homem, não adianta querer trazer tendências de outras partes do mundo e de outras épocas apenas, precisa ser pesquisado e entendido o que a população quer e veste. Existe o Clássico que cairá bem sempre, como o Pin-up, consagrado por Betty Grable e copiado até hoje por Katy Perry, o preto básico, invenção de Chanel e eternizado por Audrey Hapburn, entre outros estilos que nunca morrerão.

O que vemos no Brasil é infelizmente uma homogeneidade com os Estados Unidos. A calça Jeans se enraizou no vestuário brasileiro, assim como bonés e camisas: I ❤ NY. Acontece que a imagem é uma droga, ao vemos ela, associamos a muitas coisas, acreditamos que se formos daquele jeito, estará tudo bem. Essa é uma das mais antigas e mais usadas técnicas de venda utilizadas pela publicidade, que é uma celebridade usando algum produto e associamos aquilo à qualidade. Por isso prefiro as palavras, e tento fugir desse vício que é a imagem, vendo sempre a tênue linha entre vaidade e futilidade. “A beleza é cara”, diz a ex editora da Vogue Regina Guerreiro, “Com ela se tem muitas coisas fáceis, mas coisas superficiais”. Por vermos Angelina Jolie usar Ralph & Russo, que se usarmos seremos bela, elegante e deslumbrante que nem ela.

Mas o que adianta ter roupas de marca, por que temos? Muitas vezes pessoas compram certas marcas por status quo, e que não combinam com a pessoa, percebemos isso logo quando vemos alguém assim, por que sua roupa, apesar de marca, nada tem a ver com sua personalidade e estilo. Isso é muito trivial. Devemos usar aquilo que nos agrada e nos faz sentir bem e bonito(a), independentemente da marca, e do lugar que se comprou, se é da Marisa ou se é Opera Rock.

Por isso parafraseei Platão: “A vida sem reflexão não deve ser vivida”. A mesma coisa a moda, se não houver sentido para você compra-la, não compre. O status quo que você procura não está nas roupas, depois de ter condição para comprar as mais caras roupas das marcas mais finas, você terá o que? Quando se ascende socialmente para a alta classe, o que terá a se diferenciar dos outros ali presentes? Você terá o dinheiro igual a eles, terá condição de comprar o que quiser igual a eles, quem será você?

Não seria aproveitar muito mais seu tempo e dinheiro indo a um museu do que um desfile? Ir atrás do conhecimento, gastar dinheiro com um curso do que com uma bolsa? Mas se você tiver condições de fazer os dois e quiser, se satisfazer você fazer essas coisas, que mal há?

A desigualdade social existe desde o início da civilização, e não foi ela, nem o comunismo que conseguiram fazer com que houvesse uma união de toda a população para pensar sobre como afetamos o ambiente em que vivemos e a vida de outras pessoas. Isso por arrogância, por nos importarmos só com nós mesmos. A existência de 7 bilhões de pessoas afeta muito mais o planeta do que no século XVIII. O consumo, o lixo, as ideias, as ações de cada pessoa pesam muito mais hoje, podemos destruir o mundo.

Tal destruição ocorre lentamente e através de pequenos atos, o consumo é o principal deles, existe dois porquês: ou por as pessoas pensarem e julgarem que produtos estabelecem um status quo, ou por que os produtos são descartáveis, quebram e temos que comprar de novo. Impressoras possuem chips que as programam para funcionar durante cinco anos, existe uma lâmpada que funciona há 100 anos, por que essa tecnologia não é usada em todas as lâmpadas? A resposta é óbvia.

Já que vivemos em um mundo onde comprar é ser, não podemos nos iludir achando que essas tecnologias serão de acesso a todos, e que assim os problemas acabam. Os problemas ambientais que causamos anteriormente os lixos do passado, as tragédias humanas, como o Holocausto, onde alguns sofrem até hoje e outros creem ser um tipo de conspiração.

Os problemas que causamos no passado e os que podemos causar para o futuro. Como diz Marcelo Gleiser: “Estamos em uma guerra entre o nosso passado e o nosso futuro, e ela só pode ser lutada no presente”. Seguir os passos da Itália, por exemplo, seria uma prova real de que nos importamos com o planeta. Lá todas as fontes de energia são alternativas e todas as usinas nucleares foram fechadas. Importam algum petróleo, por que há transnacionais que o levam à população e ainda existem pessoas com carros movidos à gasolina.

 

Caído no chão

Viver em sociedade, segundo Nietzsche, era como pertencer a um relógio mecânico, onde, se todas as suas peças estiverem em sua devida posição, funcionará normalmente. Cada peça, uma pessoa. Mas essa visão foi quebrada, o relógio agora, em meio ao turbulento consumo e a diminuição do espaço-tempo, cai da parede. O jovem dentro desse contexto está estagnado, deixando a vida levar por não saber direito quão sua função dentro desse relógio, não sabe sequer que horas são.

Por conta das mudanças que o adolescente sofre constantemente, este se torna principal alvo do capitalismo porque procuram a que estilo e que grupo pertencem, transitando de um em outro, consumindo coisas diferentes. Quando os jovens mudam necessitam comprar algo que pensam ser único e os individualizará, apesar de apresentar tendências flexíveis personalizáveis, a moda ainda sim é massificada, e ainda controlada por poucos. E para vender mais a homogeneidade é essencial, assim os adultos assemelham-se cada vez mais com os jovens por causa das roupas. Acabam gerando seres frágeis, dão tudo o que não tiveram na juventude para seus filhos e para si mesmos. Assim a engrenagem do relógio se quebra. Os valores se invertem e as referências se esvaem.

Consequentemente cria-se este padrão do qual os jovens não conseguem sair, criar identidade e autonomia. Sentem-se angustiados, sentindo a falta de exemplos, descartados pela falta de valores. E pior, não tem noção de que isso acontece. Veem a vida diante de seus olhos passar e não sabem como agir. A nostalgia por não conseguirem ser adultos e o quererem voltar à infância é sentida por todas as classes sociais.

Esse vazio que sentem é a fata de valores eternos, daqueles que duram para sempre, como perceber que a vida é agora e dar valor a isso, entendendo que cada um tem sua parte dentro do sistema. Só de acordo com uma meritocracia o relógio voltará a funcionar.

O Artista da Capela Sistina

Certa manha do inverno de 1494, o jovem Michelangelo Buonarroti olhava pela janela a cidade coberta de branco. A neve que caíra durante a noite inteira cobrira as ruas, praças, igrejas e palácios, transformando Florença numa cidade de mármore. Mas a bela paisagem entristecia Michelangelo, pois lhe recordava que seu amigo e patrono, o duque Lorenzo de Médici, não mais existia. Lorenzo fora o primeiro a reconhecer o talento do jovem escultor, o recebera em seu palácio e lhe encomendara várias esculturas em mármore.

Agora, depois da morte do duque, seu filho Piero assumira seu lugar, mas era um bobo vaidoso e não via utilidade para artistas da estatura de Michelangelo. Gostava de festas, jogos e cavalos, admirava mais um cavalariço que sabia montar bem do que um mero escultor.

Uma batida na porta despertou Michelangelo de devaneio. Viu que era um dos impudentes mensageiros de Piero. O mensageiro olhou para cima e, dando com o escultor na janela, gritou:

– Desça daí, Michelangelo! É seu dia de sorte. Piero me mandou buscar o famoso escultor para uma encomenda.

Michelangelo custou a acreditar. Teria ouvido bem? Seria uma brincadeira do jovem?

– Tem certeza? – perguntou Michelangelo. – Piero nunca me chamou ao palácio.

– Pois está chamando agora. Tem um bloco de mármore enorme para você usar. Ande logo.

Michelangelo vestiu seu manto e correu escada abaixo e seguiu o mensageiro em silêncio, mas seu coração saltava a cada passo.

– É seu dia de sorte mesmo hein? – escarnecia o mensageiro cruzando a praça cheia de neve. – Trabalhar de novo para a nobre família Médici, pode existir coisa melhor?

Pouco depois chegaram ao palácio. Encontraram Piero com alguns amigos, junto à janela do aposento no segundo andar.

– Aí está! – exclamou Piero. – Deve ter pensado que eu nunca chamaria você, jovem mestre! Mas estamos precisando da sua arte hoje. Você tem mesmo muito talento, não tem, meu amigo?

Michelangelo olhou diretamente nos olhos de Piero.

– Seu pai achava que sim – respondeu sério.

Piero enrubesceu levemente, mas virou-se para a janela e continuou:

– Vou dar um jantar essa noite e quero mostrar uma bela estátua sua aos meus convidados. O material está no jardim: camadas de mármore branco com que você tanto sonha, cobrindo todo o chão. É claro que amanhã de manhã o sol derreterá sua obra de arte, mas nada dura para sempre não é?

Michelangelo empertigou-se. Não podia crer no que ouvia. Ele, Michelangelo, orgulho de Florença, fazer uma estátua de neve!

Sentiu a raiva subir em seu peito, apertar seu coração, prender sua garganta. Viu o sorriso zombeteiro de Piero e seus amigos. Teve vontade de matar, esmagar todos eles, queria sair correndo e se esconder para nunca mais ser visto por aqueles arrogantes.

Alguma coisa dentro dele no entanto o fez permanecer ali. Era um momento difícil de suportar, mas Michelangelo confiava em si mesmo. Sabia que nada seria um obstáculo à sua arte. As ondas de raiva e humilhação se desfizeram e ele encontrou uma resposta:

– Atenderei a seu pedido, nobre Médici.

Abandonou-os e momentos depois chegava ao ardim, aliviado por estar só, o olhar fixo no imaculado lençol branco estendido a seus pés.

– Vou mostrar que até a neve serve para meu trabalho – murmurou.

Começou a trabalhar com presteza. Empilhou a neve, fez um monte bem batido socando. Passou horas empilhando a neve até conseguir um bloco rígido. A massa de gelo ganhava vida. Uma figura vigorosa nascia no jardim. Afastava-se para avaliar o trabalho e voltava, alheio a tudo, exceto à sua arte.

Enfim ficou pronta a enorme estátua de neve.

Deu por terminada. Era um belo trabalho. Amanhã nada restaria dele, mas por algumas horas faria Florença mais bela. Uma exclamação de assombro arrancou Michelangelo de sua contemplação da própria obra. Piero estava parado atrás dele, boquiaberto diante do imenso homem de neve. O sorriso de escárnio tinha se transformado num brilho de admiração nos olhos de Piero, mas o olhar deslumbrado logo deu lugar a uma nuvem de tristeza.

– Neve!… Neve, não – murmurou. – E uma coisa tão bela deveria durar para sempre.

– Como poderia o tempo respeitar, se só fiz em uma tarde?

Os anos se passaram. Michelangelo conquistou a admiração de toda a Itália. Um dia foi chamado a Roma para atender uma encomenda do papa Júlio II. Cheio de entusiasmo, foi às minas de mármore de Carrara, disposto a selecionar os melhores blocos. Encantado com as pedras gigantescas, via no interior de cada uma um ser à espera de libertação por meio de seu cinzel. Necessitava só tirar os excessos, as estátuas estavam prontas.

Perguntaram várias vezes à ele por que tinha algumas esculturas inacabadas, e ele respondia que a estátua não estava mais ali.

Quando chegou a Roma, porém, o Papa havia mudado de ideia, levou-o até a Capela Sistina, um grande retângulo de altas paredes e teto em abóboda.

– Vamos decorar o teto! – disse o papa. – Você vai pintá-lo.

Michelangelo empalideceu.

– Mas sou escultor! Não sou pintor! – protestou. – Chame Rafael. Ele é excelente pintor.

– Claro que não. Rafael está ocupado. Além disso vi desenhos seus, são melhores.

Michelangelo olhou para o teto alto. Centenas de metros quadrados para se cobrir de pinturas – levaria muito tempo. Pensou nos blocos de mármore parados, inúteis por tanto tempo e estremeceu. Não era o que queria fazer! Mas engoliu a seco a raiva e o desapontamento. Não era fácil dizer não ao papa, e aceitou.

Achava um trabalho torturante, as tintas caiam em seu rosto, queimavam seus olhos, e cada vez mais odiava o papa.

– Sou escultor, não pintor! – resmungava.

Há muitos anos não pintava e receava ser incapaz. Pediu a ajuda de artistas, mas logo desistiu por perceber que atrapalhavam suas ideias e dispensou-os. Apagou tudo e recomeçou. Trabalhou sozinho no silêncio pensando que tinha que ser bem feito. Utilizando uma técnica chamada afresco, em que a pintura é feita sobre uma argamassa de cal e areia. Como esse tipo de trabalho seca rápido, antes de botar a mão na massa o italiano teve de estudar bastante quais imagens planejava recriar.

Um dia horrorizado que a superfície recém-pintada começou a mofar.

– Eu avisei que não sou pintor, Vossa Santidade! – gritou – Tudo o que já fiz estragou.

Depois descobriu que só tinha posto água demais no gesso e não prejudicara o resultado. Prosseguindo, começava a pintar o raiar do dia quando não enxergava mais as cores. Muitas noites não saia da Capela, acostumando-se tanto àquela posição sob o andaime. Mal parava para comer, contentando-se geralmente de pão. Adoeceu de exaustão e mesmo assim, prosseguia.

– Quando vai terminar? – perguntou certa vez o Papa.

– Aprendi que o aquilo que se faz com tempo, o tempo respeita. Pergunte à Piero, pediu-me para fazer uma escultura em uma tarde, depois entristeceu-se que no dia seguinte sumira!

Gradualmente emergiram do teto as mais perfeitas dormas criadas pelas mãos humanas. Deus pai separando a luz e as trevas, a criação de Adão e Eva, a expulsão do paraíso, o dilúvio, mais de trezentas figuras, sublimes, plenas da mesma força e grandiosidade, uma após da outra do pincel de Michelangelo.

Passados quatro anos longos de fadiga e isolamento, a imensa tarefa foi terminada. O andaime retirado. As portas abertas. Quando Rafael viu a magnitude da obra, agradeceu por nascer no mesmo século que Michelangelo. E o Papa Júlio II viu a obra pela primeira vez, atordoou-se, ajoelhou-se e orou: “Senhor, não imputes a mim o pecado que cometo, sinto esplendores irreais na minha alma, que se arrepia, quando chegar o dia do juízo”.

Como Michelangelo havia dito, o tempo respeitara sua obra, que persistiu durante os séculos até hoje.

Convite

Sucesso e fracasso são palavras muito além de antagônicas, são destruidoras de sonhos entre pessoas que os desejam, mas só uma delas fisgará o peixe grande, as demais lhes restam o sofrimento de tentar de novo ou desistir. Para alcançar o que se almeja, somos colocados no Coliseu junto a leões, não temos que só querer algo, temos que enfrentar muitos obstáculos e pessoas. E como fracasso é algo condicionado ao homem, da mesma forma de que temos certeza de que iremos morrer, tenha certeza, um dia vamos fracassar em algo. Penso que a graça da vida não é ela ter fim, e sim ter um proposito, independentemente se você o alcançou ou não, pelo menos tentou, pelo menos você via algum sentido. Será que as pessoas que convivem comigo tiveram alguma influência?

Muitas vezes parece que as pessoas, independente de qual o caminho que foi escolhido para alcançar a vitória, você será reconhecido por ter chegado aonde chegou. “Os fins justificam os meios”, de Maquiavel, é exatamente esta frase que muitas vezes somos expostos.  Já em “O velho e o mar”, 1952, Ernest Hemingway nos propõe perceber a importância da trajetória, considero-a a melhor parte de todo qualquer processo. Nada mais delicioso que fazer sua própria comida, ou ainda, ganhar seu próprio dinheiro com seu próprio trabalho. Este livro é uma história honesta, clara e que, por aparentar simples, torna-se complexa, não é a toa que ganhou o Nobel de Literatura em 1954.

As coisas mais simples que surgiram ou inventaram são absurdamente simples, mas ninguém além daquele criador pensara antes, isso as torna complexa e única.

Quando Santiago, o velho do livro, consegue pescar o peixe que tanto queria, o mar fica calmo, tudo fica tranquilo, inclusive a alma do velho cansado de tantos esforços. Surge, então, dois tubarões, que seriam novos problemas e obstáculos, como depois de ter concluído a faculdade, que era seu sonho, você sente uma calma interior, então, vem o tubarão, e você se tem outros sonhos, como criar seu próprio negócio, casar ou continuar estudando.

Mas o velho pescador vai através do alto mar solitário à procura de um peixe, e mesmo assim crê que “As aves tem uma vida mais dura que a nossa”, valorizando sua própria vida. Se passássemos para o mundo real, não importa quantas pessoas temos amizades ou estão do seu lado ou gostam de você, você estará sozinho em “alto mar”, como um velho pescador. Vejo o título do livro grande spoiler do livro, “O velho e o mar”, o velho é alguém que já viveu “tudo o que tinha que viver”, enquanto que o mar é toda a travessia a ser vivida, e essa travessia pode ser boa, quando o mar está generoso, o velho pescador o chama de é “La mar”, no feminino, e quando a travessia está ruim, o mar está cruel, então o velho pescador o chama de “el mar”, no masculino. Tal alternância é a constante da vida, nos fazendo dar valor ao bom pois conhecemos o ruim, à felicidade, por que conhecemos o sofrimento, e assim em diante…

Ficção Científica

Existiram vários personagens na história da humanidade que inventaram muitas coisas sem querer, outros inventaram com o propósito de assim melhorarem a vida das pessoas, como Santos Dumont que, em 1932, viu sua invenção usada em combate durante a Revolução Constitucionalista em São Paulo contra o Governo de Getúlio Vargas. Imaginem a mente de Dumont perturbada, aos 59 anos, envolto de angústia a ponto de suicidar-se por ver-se criador de algo que estava sendo usado para um fim ruim, a guerra.
As máquinas de lava louça e roupas, micro-ondas, aspiradores de pó, computadores, ar condicionados, são invenções que possibilitam o homem possuir mais tempo para poder pensar, estudar e ser. Nós, muitas vezes, não percebemos como seriam nossas vidas sem tais máquinas, não damos valor a isso, e quanto mais tempo elas nos disponibilizam, mais tempo necessitamos. Um homem trabalhar na zona rural é improdutivo e gera muitos prejuízos comparados às novas colheitadeiras. Isso não é ficção científica.

Da década de 1970 até hoje produzimos mais conhecimento que todo o tempo da humanidade produziu, devido muitas vezes às tecnologias que facilitaram nossas vidas. Porém a tecnologia está associada ao grande capital, hoje, controlado por megacorporações. Gandhi já dizia isso em 1947: “O poder da máquina pode contribuir para o progresso econômico, mas alguns capitalistas utilizam esse poder sem se preocupar com os interesses do homem comum, por isso nossa condição está hoje deteriorada”.
Em vez de produzirmos e investirmos em pesquisas para o bem social, investimos no novo Ipod, que apesar de ser um equipamento fantástico que disponibilizou a compra de músicas originais e por baixo preço, é supervalorizado.
Steve Jobs disse: “As pessoas não sabem o que precisam até mostrarmos para elas.” Diante do materialismo dialético, o qual as propagandas e empresas nos dizem que merecemos tal produto, Jobs ironiza seu próprio ato. Foi um homem muito inteligente ao perceber que os aperfeiçoamentos que fazia para seus produtos eram cobiçados e inclusive confundidos pelas pessoas como necessidades.
Realmente necessito de um Iphone 4?
Tenho convicção de que se esse dinheiro em vez de ser usado para pesquisas de novos aplicativos, fosse aplicado para pesquisa de câncer, com certeza teríamos evoluído muito próximos de chegar à cura de alguns tipos.
O avanço tecnológico além de o homem estar o limitando a certas áreas, não é acompanhado pelo avanço dos indivíduos. A sensibilidade humana tem-se perdido e isso inova a sociedade. Acredito que não estamos mais convivendo em uma sociedade orgânica, como descrevia Durkheim, e sim numa nova sociedade, artificial.
O trabalho na sociedade vista como um organismo era derivado de talento e de especialização. Já na artificial, com o desenvolvimento descontrolado da tecnologia, o trabalho contribui para a formação de indivíduos que são incapazes de entender e analisar o mundo em que vivem e tornam-se alienados. Tudo isso porque os principais valores humanos estão sendo perdidos e muitos outros transformados. As pessoas se perdem devido às inúmeras opções de ser humano, e acabam por ser nada. Será possível retomar tais valores antes de começarmos a criar robôs, como Kara, do vídeo abaixo?

 

Quem veio primeiro: o ovo ou a galinha?

Requiem for a Dream

Podemos intervir na mente daqueles que se suicidam minutos antes? Temos como fazer o drogado em fase terminal parar de usar drogas, sendo que sem elas, ele sente dor? A resposta mais ouvida com certeza será constituída de uma só palavra: não.

Um menor de idade, pobre, que está faminto, sem esperanças de um futuro, assistindo sempre à mortes; e seus pais, desempregados, que vivem nas periferias e favelas; onde não existem muitas opções de sustento e vendo sua família em situação ruim. Este, assim como qualquer ser vivo, fará tudo o que for necessário para sobreviver. E para isso, precisamos de dinheiro. Para alguém que não tem estudos, nem perspectiva de vida, ser influenciado pelo tráfico será fácil.

Agora, um artista famoso, rico, casas grandes, viagens, dinheiro, mulheres. Para este, com dinheiro, esses prazeres tão comuns não são mais o suficientes para se satisfazer . Ou ainda, por querer expressar rebeldia, um jovem de classe média, quer pertencer à um determinado grupo “diferenciado”. E ainda, a exposição da mídia para as drogas. Ambos procuraram drogas, e acharam que são livres, originais, únicos. Quando na verdade essa liberdade é falsa.

Agora a pergunta: Quem procura quem? Qual a ligação entre o menor pobre faminto, e as duas outras pessoas e o traficante de drogas?

Os traficantes de droga existem porque os drogados existem? Ou os drogados existem por que os traficantes de droga existem? Vejamos que a questão não é mais se é errado ou certo, bom ou ruim as pessoas usarem drogas, isso já é senso comum. O principal problema é que o tráfico é como um produto que está no supermercado, e que se as pessoas pararem de o comprar, ele sairá de linha. Ou seja, o tráfico de drogas é financiado pelos consumidores de drogas. E não é que devemos desconsiderar a culpa que os traficantes adultos exercem sobre as crianças e jovens, e sim entender o que acontece realmente.

A solução para combater a violência e o tráfico de drogas, muito praticado por crianças, é principalmente, combater o consumo de drogas. Que plantem maconha, estes que querem usá-las em vez de financiar o tráfico. Ou ainda, que esse menor de idade, mesmo que sua família seja desestruturada e fragilizada material e emocionalmente, tenha opções de vida e estudo, para viver melhor, para ter uma perspectiva de vida, para desenvolver-se. A educação é tudo.