Category: Imagens


Foram anunciados dia 16/08/2012  os 11 trabalhos vencedores do 24° concurso anual de fotografias entre os viajantes da National Geographic Traveler 2012, as conhecidas “Fotos de Viagem”. O concurso teve participação de 6.615 fotógrafos de 152 países, que apresentaram 12.000 fotos, com as seguintes categorias: Momentos espontâneos, Retratos de Viagem, Cenários Exteriores, Sentido do Lugar.

 

1 – Olhando dentro de um outro Mundo, por Fred Aisne. Vencedor por mérito. “Esta é a grande árvore de Carvalho Japonês, no Portland Japenese Gardens. Tentei trazer uma perspectiva diferente desta árvore, freqüentemente fotografada.”

 

 

2 – Borboleta, fotógrafo Cedric Huin, ganhou o primeiro lugar com essa fotografia. “Esta imagem foi feita nas terras do Quirguistão do Corredor Wakhan. A intimidade deste momento com a vida cotidiana, fotografada dentro de uma tenda familiar, está em contraste total com o ambiente hostil que essas tribos nômades vivem. Essas tribos vivem isoladas, as vilas mais próximas estão a semanas de caminhada. Apesar de estar localizada a uma altitude de 4.300 metros em uma das áreas mais remotas do Afeganistão, estão equipados com painéis solares, antenas parabólicas e celulares. Formas ancestrais de vida, com toques de modernidade.”

Alexandra Avakian: “A luz e textura capturada neste retrato são pintura, e a predominância da cor vermelha é rica. O conteúdo da foto é surpreendente porque o fotógrafo capturou tanto a forma como nômades de vida tradicional e alguns de seus modernos apetrechos, o espectador fica com a satisfação visual de algo que vai contra o clichê. Formas triangulares tendem a adicionar dinamismo para fotos. Nesta foto aparecem em vários lugares, incluindo o joelho do assunto principal, o cotovelo, e um lenço branco.

Eu dormia na tenda convidado do nômades quirguistãos nas montanhas remotas enquanto em missão para a revista Elle; o local é de difícil acesso e fora do caminho batido para a maioria dos viajantes, e, portanto, de valor educativo, bem como estética.”

 

 

3 – Surf submarino. Trabalho da fotógrafa Lucia Griggi, a qual possui um grande acervo de fotos do mar e de surfistas. Vencedora por mérito. “Foto tirada em Cloud Break em um recife exterior de Fiji, o surfista mrgulha com sua prancha para furar as ondas do mar agitado”.

 

 

4 – Meu Balão. Obra do fotógrafo Vo Anh Kiet. Vencedor do segundo lugar. “As crianças Hmong brincam com balões em um dia de neblina na província de Mos Chau Ha Giang, Vietnã. A foto foi tirada em janeiro de 2012”.

A fotógrafa Alexandra Avakian, uma das juradas, compartilhou seus pensamentos sobre o vencedor do Segundo lugar. ”A fotografia é como um sonho, e é atemporal não só porque é preto e branco e não há modernidade, mas também porque isso esquematiza uma atividade que as crianças de todo lugar do planeta fazem com balões. A névoa e o fundo ameno fazem isso parecer como uma memória. É tão bom quanto as fotografias no álbum seminal de fotos preto e branco, “The Family of Man”. Às vezes as melhores cenas para se filmar não estão em lugares óbvios pra viajantes mas para serem encontradas em qualquer lugar distante – tanto quanto Hmong Village”.

 

 

5 – A Vila de Gásadalur. Obra do fotógrafo Ken Bower. Vencedor por mérito. “A vila de Gásadalur e a ilha de Mykines no fundo. Até que um túnel fosse construído em 2004, os 16 moradores que viviam em Gásadalur tinham uma caminhada árdua ou a cavalo sobre a montanha íngreme de 400 metros para chegar a qualquer outra aldeia.”
“A aldeia e a ilha Gasadalur Michines em segundo plano. Foi um raro dia de sol nas Ilhas Faroe, e eu tive que esperar as nuvens de luz para criar uma aparência suave. Eu usei uma velocidade lenta do obturador para 1 minuto e 10 segundos para mostrar o mar calmo das ilhas isoladas “.

 

 

 

6 – Felicidade de Bagan. Autoria do fotógrafo Peter DeMarco. Vencedor por mérito. “Mais de 2.000 templos budistas preenchem as planícies de Bagan. A melhor maneira de ver Bagan, além de um passeio em um balão de ar quente, é de bicicleta. É fácil sair do caminho batido e viver a sua mais selvagem fantasia no estilo Indiana Jones.”

 

 

 

7 – Velhos com Djellaba, Foto de SauKhiang Chau. Vencedor por mérito. “A Última Ceia de Da Vinci? Não, são apenas alguns velhos de Chefchaouen com djellaba, sentados e conversando.”

 

 

8 – Nadando na chuva, foto de Camila Massu. Vencedora por mérito. “Minha irmã no sul do Chile. Estávamos sentadas em casa, junto à lareira, quando de repente começou a chover torrencialmente. Corremos para dentro do lago para aproveitar o momento!”

 

 

 

9 – Perdida no tempo – Uma floresta anciã, foto de Ken Thorne. Vencedor por mérito. “Perto da cidade de Morondava, na costa ocidental de Madagáscar, encontra-se uma antiga floresta de árvores de baobá. Não há nada como caminhar entre esses gigantes. Algumas das árvores aqui possuem mais de mil anos de idade. É um lugar espiritual, quase mágico.”

 

 

 

10 – Devotos, por Andrea Guarneri.Vencedor do terceiro lugar. “Durante a celebração de Páscoa, em Trapani. Os devotos carregam as cenas da paixão de Cristo em seus ombros toda a noite.”

A fotógrafa Alexandra Avakian, uma das juradas, compartilhou seus pensamentos sobre o vencedor do terceiro lugar:  ”

A luz sobre o ícone de Jesus é tão crítico para o sucesso da imagem como as variadas expressões nos rostos dos homens depois de uma noite cansativa carregando estátuas representando a Paixão de Cristo. Reconhecendo quando e como equilibrar os diferentes tipos de luz na mesma foto é algo que pode fazer a diferença entre uma imagem enlameada e desinteressante e que é bom, estética, e cheio de conteúdo. Esta foto foi tirada no porto na cidade de pesca de atum de Trapani, Sicília, uma terra conhecida por suas procissões religiosas. O fotógrafo estava trabalhando de madrugada para levar esse tiro, muitas vezes uma necessidade em qualquer cobertura de um lugar e / ou evento.”

 

 

 

11 – Vencedor pelo voto do público, por Michelle Schantz. “A casa é iluminada pelas Luzes do Norte em Finmmark, na Noruega.”

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Manet

Sua cartola definitivamente é uma grande marca, é uma extensão do corpo. Em todos os seus retratos e auto-pinturas, ele fazia questão de pôr a cartola, mostrando que era uma pessoa importante.

Entre 1832 e 1883 viveu Édouard Manet, de família rica e burguesa parisiense surge este pintor realista. Mas um realismo diferente da maioria dos realistas de sua época: era aristocrático, não tinha intenções sociais e polêmico. Viveu numa época que os artistas já não queriam mais ser influenciados pela Antiguidade Clássica, com a intenção de melhorar a realidade e sim representá-la, e o que ocorria no momento era a industrialização. Então as obras voltaram-se para a realidade vivida. Mas Manet e sua aristocracia o fizeram desprender-se desse padrão, expondo como via o mundo, por isso é considerado precursor do Impressionismo.

Manet – Almoço na Relva

Nesse quadro as personagens representadas eram pessoas conhecidas na época, o que gerou polêmica. Este é o primeiro traço do realismo, depois notamos a mulher saindo da água, mais a frente frutas e roupas espalhadas. Não há preocupação com a beleza ideal m nenhum momento. As cores privilegiam a nossa atenção para a mulher nua. Os elementos são dispersos, como na realidade. Além disso este quadro de Manet se baseou numa gravura de Rafael, ou seja é uma releitura, acredito que isso também desagradou os críticos. Os críticos “acharam” esta obra o ser anti-acadêmica e politicamente suspeito que tanto procuravam em Manet, o fazendo perder prestígio. Da tempestade que se seguiu em torno desta pintura surgiram discussões acadêmicas da arte que estava surgindo. Os críticos também tinham muito a dizer sobre suas habilidades técnicas: a iluminação dura frontal, vinda do “nada” e a eliminação de tons médios abalou idéias de formação acadêmica tradicional. No entanto, foi uma obra importante, pois foi o advento do impressionismo.

Execução de Maximiliano – Manet

Como quase todos os pintores, houve sua fase “azul”, que ocorreu no início de sua carreira, e também uma fase em que mostra as tendências artísticas do tempo em que vivia. Além de mostrar, por exemplo, em Execução de Maximiliano, a influência e metalinguagem ao quadro abaixo de Goya.

 Os fuzilamentos de 3 de maio de 1808 – Francisco Goya

Em ambos os quadros o rosto das vítimas são diferentes, cada feição transmite uma emoção, mostrando sua individualidade. Além disso, os rostos dos guardas não é mostrado – exceto um dos guardas na obra de Manet – acredito que isso ocorre porque a intenção dos pintores é mostrar que violência não tem rosto. Assim o tema da repressão aparece em todos os detalhes dos quadros, um manifesto que expõe a luta de liberdade contra a tirania.

O Balcão – Manet

A diferença do claro e do escuro, com a luz refletindo nos vestidos, na camisa do homem e no vaso, para focar nossa atenção novamente para quais elementos o artista deseja, além de criar a impressão da moça sentada estar mais a frente, a outra mais atrás e o homem pelo fundo. Outra característica que dá essa impressão nota-se nos rostos, a moça sentada tem traços mais fortes que pode-se dizer bem definidos comparado aos rostos esboçados das outras duas figuras. O braço da moça mais a frente também é mais detalhado. Tudo isso dá essa sensação de vários planos: o quadro, a moça sentada e o cachorro no primeiro plano, depois a mulher em pé e as venezianas, e por fim, o homem e o interior – imperceptível- da casa. Como Manet gostava de fazer releituras ao seu modo, acredito que por isso Magritte fez uma releitura de sua obra O Balcão ao seu próprio estilo também, ou seja, conceitual. No releitura feita por Magritte, as figuras da obra de Manet foram substituídas por caixões, no entanto, o resto da composição mantém-se. Os caixões, podem simbolizar a única certeza da vida: a morte. Ou ainda, algo mais profundo, a arte de Manet e dos artistas de sua época morreram. Foram substituídas por outras. Nesta fotografia de Alain Jacquet (1939-2008), fez uma, digamos, releitura da releitura. Muito interessante. E mais uma obra que faz releitura á Manet, versão de Olympia  por Larry Rivers.

Roma eternizou-se

A arquitetura é o registro mais fascinante que podemos encontrar de uma época, pois diferente das outras artes, ela não é uma palavra ou uma imagem, é uma ação que se fez permanecer. E uma forma de arte tão simples de ser encontrada: basta ir a um lugar e perceberá diferentes construções que foram construídas em diferentes épocas. Apesar dessa facilidade tem pessoas que não dão valor nenhum para esses detalhes, quem sabe por falta de conhecimento. Há alguns estilos arquitetônicos que estamos tão familiarizados que não fazemos ideia do que ocorreu para ser assim. Ao questionar, pesquisei e decidi fazer esse post sobre uma das coisas que mais adoro na arquitetura, que são as obras romanas.

A arquitetura grega influencia o mundo até hoje, exemplo disso é o Memorial do Lincoln (que me faz lembrar o filme “Mr. Smith goes to Washington”) foi construído em 1922 com 36 colunas, uma para cada estado na época de Lincoln. O arquiteto Henry Bacon deu valor para o estilo dórico, que é o mais simples e o menos apreciado da era grega, mas seria bom conseguirmos ver a beleza dele.

Tais colunas são belas, mas os romanos aprenderam que os tetos em arcos, influência dos etruscos são mais viáveis, já que permite a ampliação do espaço entre duas colunas, pois as tensões no arco são atribuídas de modo mais equilibrado. O Marco Vipsânio Agripa (que significa: Construído por Marco Agripa, filho de Lúcio, pela terceira vez cônsul), vulgo Panteão é um exemplo de obra arquitetônica, é um templo, mas diferente dos de hoje, sua função era abrigar as esculturas dos deuses romanos. Ainda contém uma abertura no centro da abóboda e mesmo que chover, a água não caí dentro. É realmente uma grandiosa obra.


Construído no século I a.C., com 50 km de extensão e 49 m de altura, Le Pont du Gard ainda mantem-se de pé sobre o rio Gardon através dos seus 22 séculos de idade. Apresenta sempre uma inclinação mínima em seus arcos para que a água pudesse correr.

Desde os romanos, engenheiros tem procurado construir obras arquitetônicas não só úteis, mas harmoniosas e leves, como a Millennium Brigde, ponte sobre o Tâmisa, em Londres. Inaugurada pela rainha Elizabeth II em 2000, com 350 m de extensão, estilo futurista e sustentada pelas estaias, sofreu pequenos erros de cálculo e agora treme muito devido a ressonância, sendo assim foi fechada e reaberta em 2002.

Existem muitos que erguem construções que caem como se fossem feitas para serem destruídas, por surgirem sem um ideal, só nasceram fruto de dinheiro. A frequência natural dessa ponte é igual a do vento, erro básico de engenharia:

Voltando a Roma e suas obras, chegamos à Pompéia e Herculano, cidades subterradas pela erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.C., infelizmente, como as escavações começaram um pouco tarde, em 1738, muito se perdera, mas muitas coisas interessantes foram reveladas, principalmente sobre as casas. Estas eram divididas em: Domus, casa para nobres; Villa, que eram casas de campo; e a Insula, um tipo de condomínio com mais de um andar. As Domus e as Villas sempre tinham piscinas, eram sustentadas por implúvio (água da chuva que era recolhida). Havia uma técnica, denominada Ilusão de Bloco saliente, onde pintavam a parede de forma que a tornava parecida com o mármore. Também era costume pintar janelas com paisagens e quadros de pessoas.

A técnica para pintar as paredes chama-se afrescos que funciona assim: sobre a parede úmida, é aplicado cal, e em cima uma camada de gesso bem lisa e fina. Começa a desenhar com o carvão e depois aplicação das cores com a evaporação da água, a cor adere ao gesso e o gás carbônico do ar combina-se com a cal e transforma-se em carbonato de cálcio completando a adesão do pigmento a parede.

Sarolta Ban

Sarolta Ban é um fotógrafa amadora famosa pela foto-manipulação, nascida em Budapeste, Hungria. Era designer de jóias mas depois descobriu a foto-manipulação digital e isso se tornou sua paixão e atividade principal.
“Eu gosto de usar elementos comuns e combiná-los, eu posso dar-lhes várias histórias e personalidades. Espero que os significados das minhas fotos nunca sejam muito limitados, são abertas, de alguma forma, cada espectador pode transformá-los em um aspecto pessoal. Então, eu estou feliz se encontrar pessoas diferentes e significados diferentes em minhas imagens. “
Como ela disse, vários elementos se repetem em suas fotos, como chaves, pássaros, árvores, pedras, escadas, cães, ursos, barcos e outros. É uma comutação desses elementos sem uma única interpretação, deixando sua obra mais interativa que expositiva. O toque surrealista é muito presente e a ambientação obscura.

Para quem quiser conferir mais imagens dessa artista:  http://www.saroltaban.com

Jeitos

As coisas funcionam de alguma maneira
E por trás de todas as ações está o desejo da felicidade
Puro e inquieto, ele se esconde esperando
A dor e o fim à dor,
Se a vontade própria não o pôs,
O tempo porá.
Mist.

O Despertar do Butoh

Um cheiro forte de café invade suas narinas a ponto de fazê-las tremer, faz suas pálpebras abrirem suavemente em uma manhã qualquer. Ao espreguiçar-se percebe tão lento como se ainda houvesse um sono enorme em você. Os seus movimentos tornam-se puramente conscientes e de repente uma câimbra começa pelo dedão do pé direito e você percebe que logo irá invadir sua perna e não saberá o que fazer como já ocorreu outras vezes. A dor, como previsto sobe pela sua perna e é insuportável, alcança seu joelho e a sua única ação parece ser puxá-la para cima, como se fizesse um spaccato, e a dor esvaece aos poucos. Todo esse percurso durou horas e você sente que teve plenamente consciência de seus movimentos, desde a dilatação do nariz com o odor do café até o primeiro passo que dá ao levantar da cama, mas parece que tudo isso demorou horas para acontecer, mesmo assim não sente-se culpado de ter demorado tanto tempo para levantar da cama, e o resto do dia inteiro seus movimentos progridem dessa forma intensa e lenta.

Será que todas as pessoas conseguem tentar sentir seu próprio corpo? Como o nosso corpo executa os movimentos tão rapidamente, muitos não tem consciência deles enquanto os fazem. Não sentimos todos os nossos músculos e muitas pessoas não sabem o processo biológico complexo que ocorre para isso. Algumas pessoas malham algumas partes do corpo, mas não conseguem sentir ou mover todos os próprios músculos devido aos equipamentos que condicionam seu corpo ao movimento repetitivo, fazendo que outros músculos se atrofiem lentamente.

A cena que abri esse texto já me ocorreu inúmeras vezes inclusive no meio da noite, pela falta de oxigênio que meus músculos sofriam por me exercitar tanto ao dançar. Mas nunca me arrependi disso, pois é maravilhoso sentir seu próprio corpo. Algumas vezes senti alguma parte do meu corpo se movendo que nunca havia sentido antes. E isso me deixava feliz, como se alguém me dissesse uma qualidade que eu tinha que eu nunca antes notara.

Essa consciência do corpo é muito buscada através do Butoh, uma dança contemporânea iniciada no Japão pós-2°Gerra Mundial.

Há uma dança, denominada Bugaku, que perduraram 1200 anos no Japão nas mãos da alta sociedade, e após a 2°Guerra foi evidenciada. Aliás não só essa dança, o Japão inteiro ficou exposto ao mundo, toda a sua cultura e seu povo. A sexualidade já era falada no resto do mundo, coisa que no Japão era desprovida de voz. As mulheres sempre submissas, e os homens sempre imponentes o que escondia dos outros, o que estava dentro deles mesmos. E de repente, há pessoas de cores de pele, de cabelo e olhos diferentes das deles, que falam diferentes, que usam roupas diferentes. Estavam expostos.

Imagine se em vez de levantar, de acordar com o cheiro do café, se em vez de abrir minhas pálpebras eu não conseguisse me levantar. Como se todo o meu corpo estivesse morto por querer, por acomodar-se assim devido às 8 horas que dormi, como se por inércia ele devesse continuar ali, quieto, com a respiração lenta e o escuro em minha mente, como se estivesse quase morta. É assim que vejo muitas pessoas, e o próprio Japão antes da Guerra. Tudo o que ocorria era muito sigiloso, e poucos sabiam. E de repente a exposição.

Tal exposição é incrivelmente representada pelo Botoh. Uma dança e uma filosofia contemporânea, que surge em meio ao contexto que contei. É a expressão desses novos sentimentos nunca antes sentidos. Tatsumi Hijikata e Kazuo Ohno, os criadores da arte Butoh, acharam nas vanguardas europeias que encontraram o choque cultural, o expressionismo, o cubismo e o surrealismo, e as danças milenares japonesas, como Nô e Bugaku, a inspiração para a criação de sua arte.

Não há uma coreografia, e sim movimentos que são conhecidos pelo Bugaku, que imitam a natureza e a força de guerreiros samurais em suas batalhas, que se perderam no tempo e que nunca retornaram, pois todos foram mortos na 2°Guerra.

Mas como esses movimentos perduraram? Como manter todos os séculos de cultura em meio ao ocidente?

Jean Cocteau me esclareceu isso: “A obra continua a viver como os relógios no pulso de soldados mortos”. Quer dizer que, a arte sempre continua a viver, mesmo que imperceptivelmente dentro das pessoas. Há os que conseguem expor. E praticar o Butoh é para qualquer que esteja disposto e que tenha conhecido alguém que já morreu.

Não devemos temer a morte, pois a vida só existe devido à morte. E às vezes “vivemos demais”, nos movemos rápidos demais, pensamos rápidos demais, e não paramos para ver a morte. Não paramos nem para perceber a sombra que segue os nossos pés, a companheira mais fiel de todos os homens. Se, não pararmos como vamos saber quem somos? Como conseguiremos nos expressar, se todos os dias acordamos, e fazemos as mesmas coisas sem se importar com o antes e o depois?

Muitas pessoas acham inútil conhecer o passado de sua família e de sua nação. Mas será que se perceberem, ao ter filhos, que eles são a continuação de suas vidas? E que assim como eles, vocês e eu somos a continuação de outras vidas? E perpetuamos nesse mundo sem propósito porque temos a liberdade suficiente para escolher qual propósito queremos?

Tudo isso é o que eu refleti ao ver uma dança… O Butoh. Porque ele é o caos da dança. Os artistas se pintam de branco, usam quimonos muitas vezes de uma cor só, diferentemente se seus antepassados que dançavam Bugaku.

Há uma sombra preta em torno dos olhos, e um circular vermelho exposto no canto de um dos olhos, e a boca pintada como uma boneca de porcelana.

Os movimentos são muito lentos, pois há um esforço maior que o físico, que vem do interior. É a execução de todos os músculos, por isso a necessidade da lentidão, além do que, não há nada de errado com a lentidão e a reflexão que se faz ao realizar essa dança.

Os dançarinos não creem que estão dançando sozinhos, e sim com sua sombra. Em memória dos mortos expressam os seus puros sentimentos. Se expõem para eles, como o seu país se expõe ao mundo.

“A Dança é um caminho de vida, não uma organização de movimentos. Minha arte é uma arte de improvisação. É muito perigosa. Eu tento revelar com meu corpo todo peso e mistério da vida, seguir minhas memórias até o útero de minha mãe.” Kazuo Ohno.

 

Edifícios

O post de hoje será sobre os edifícios maiores do mundo e os maiores do Brasil.

Para começar, do menor pro maior, começamos com o Brasil para termos uma noção de comparação de tamanho. Na lista dos 10 maiores arranha-céus do Brasil o tamanho varia de 158 a 170 metros de altura.

Edifício Itália

Altura:  150 metros
Elevadores:  19
Andares:  46
Capacidade:  dez mil pessoas
Localização: Sâo Paulo

Edifício Itália é o segundo maior edifício do Brasil. Como destaques podemos citar o andar térreo que contém um teatro e uma galeria e os restantes andares são usados para escritório. No seu topo, como maior destaque se encontra o Terraço Itália, restaurante que permite uma visão de 360°, é um dos maiores pontos turísticos de São Paulo. Abaixo a foto ilustra a luxuosidade e a dá-nos uma noção da visão que proporciona o restaurante.

Terraço Itália: Como o próprio nome sugere, o restaurante é especializado em comida italiana.

A construção do edifício começou em 1960 e foi inaugurado em 1965, e significou a consolidação da influência dos imigrantes italianos no Brasil.

Mirante do Vale

Altura:  170 metros
Elevadores:  12
Andares:  51
Localização: São Paulo

Mirante do Vale, ou Edifício Condomínio Mirante do Vale, é o maior prédio do Brasil e se compararmos em escala de América Latina, ele é o 18° maior do mundo, para percebermos que o forte do Brasil não construção muito verticalizada. O Mirante do Vale não é muito conhecido e a fama de maior arranha-céu do Brasil constantemente é dada ao Edifício Itália, citado acima. A construção de 1959-1960 e inauguração em 1966, foi polêmica, pois a construção de uma estrutura de concreto desse tamanho era imprevista pela engenharia nacional da época, dizendo que teria de ser estrutura metálica, comumente usada em edifícios. Construído por Zarzur, arquiteto que teve a ideia de usar concreto armado, carregava o nome de Palácio de Zarzur, mas depois de sucessivas reclamações, houve um mito de que o nome daria azar para o progresso econômico vinculado ao prédio. Por isso o nome foi alterado para Mirante do Vale.

Agora veremos outra realidade, tamanhos muito maiores dos maiores edifícios do mundo.

Petronas Twin Towers

Altura: 452 metros
Telhado: 410 metros
Andares:  88
Elevadores:  78
Custo:  US$ 1,6 bilhões
Localização:  Kuala Lampur, Malásia

Fontes divergem quanto a posição do Petronas Twin Towers (ou Torres Petronas) em relação a maior altura do mundo, porque alguns consideram a antena, outros até o telhado, outros altura do último andar. As posições variam de 4° a 6° maior do mundo. Como podemos ver na foto são duas torres gêmeas com uma passarela interligando as duas. Construído em 1992 e terminado em 1998, foi o primeiro edifício a ocupar a posição de mais alto do mundo que não seja norte-americano, superando o Sears Tower. O nome Petronas Twin Towers se deve ao fato de ser propriedade da companhia governamental de petróleo Petronas da Malásia. O arquiteto argentino César Pelli esteve encarregado de construir uma obra arquitetônica com características islâmicas, já que todos edifícios foram projetados por britânicos. A duplicidade dos prédios já é uma evidencia da tradição islâmica, que é a simetria geométricas. Para ambientar mais à realidade religiosa do país, há um sala de orações voltada pra Meca. Sobre o passadiço entre as torres, houve uma simulação de incêndio dos bombeiros para transportar 15 mil pessoas de uma torre para outra, e provou-se resistente o suficiente.

Shanghai World Financial Center

Altura:  492 metros
Andares:  101
Elevadores:  31
Localização:  Xangai, China
Custo:  1 bilhão de dólares

Shanghai World Financial Center (SWFC), é atualmente o quarto maior edifício do mundo. Começou a ser contruído em 1997 e o continente asiático passou por uma série de crises e a obra foi parada, conseguindo ser terminada somente em 2008. Como peculiaridade desse arranha-céu, pode-se citar a abertura no seu topo, a qual durante a construção gerou muitas discussões e protestos, pois era uma abertura circular e diziam que remetia ao círculo do sol nascente da bandeira japonesa, e como já sabemos que a rivalidade entre os dois países é grande, qualquer ato pode surgir como pretexto para polêmicas. Depois, mandou-se que refizesse esse detalhe e colocasse um trapézio no lugar, deixando neutro e livre das más línguas. O prédio é multi-uso, sendo usado como escritórios, hotéis, salões de conferência, terraço de observação e lojas no primeiro andar.

Taipei 101

Altura:  509 metros (com antena)
Andares:  101
Elevadores:  67
Localização:  Taipei, Taiwan
Custo:  1758000000 dólares

Taipei é o terceiro maior prédio do mundo atualmente, e particularmente o considero um dos mais interessantes. Localizado em uma região com alta atividade sísmica e de tufões, exigiu muita tecnologia e reflexão por parte dos engenheiros. A ideia de construir estruturas altas surgiu com William Le Baron Jenney, que ao ver sua esposa por o livro sobre a gaiola teve a brilhante sacada de construir um prédio baseando-se nessa ideia, pois as vigas distribuíam o peso morto das paredes, dando uma nova linha de pensamento pra época. Com o Taipei 101, a sacada de William foi posta em prática.

 Um dos projetistas do arranha-céu, o arquiteto C. P. Wang se inspirou na estrutura do bambu, um ícone da cultura chinesa. Como os terremotos acontecem em Taiwan a cada 10 anos, em média, a alternativa de comparar o bambu, um material com grande elasticidade por haver vazios espaçados uniformemente entre sua estrutura cilíndrica, como vemos abaixo


Adaptando essa concepção, o arquiteto distribuiu as treliças horizontais gigantes a cada 8 andares do edifício.

Como manter um prédio livre dos tufões que chegam à velocidade de 160 km/h? o mesmo arquiteto que se baseou na estrutura do bambu, encontrou uma solução para melhorar a estabilidade contra os tufões. Dessa vez se baseou em uma ideia que os poloneses dominaram há séculos. Com um veleiro estreito, leve, os ventos podem facilmente virá-lo. Daí os poloneses pensaram em adicionar um anexo ao lado para melhorar o balanço do veleiro e ao mesmo tempo atingir velocidade maiores, como ilustrado na figura:

A mesma linha de raciocínio usou para diminuir os esforços dos ventos no edifício:

 Ok, agora mesmo ele sendo forte contra tufões, o balanço do prédio é inevitável, assim como um carro em uma estrada esburacada, ele não irá tombar, porém balançará bastante. Em um carro isso é um pouco desagradável, mas imagina em um edifício, imagina sua casa tremendo, é um desconforto enorme. Para contornar essa situação, construiu-se entre o 92° e o 87° andar uma bola de ferro gigante com o peso de 680 toneladas para diminuir o balanço do prédio pela inércia. Com a ajuda dessa e das demais tecnologias, o arranha-céu suporta um terremoto de 7 graus na escala Richter e ventos de até 450 km/h.

Abraj Al Bait Towers

Altura:  601 metros
Andares:  95
Área:  1500000 m²
Localização:  Meca, Arábia Saudita

O complexo de 7 edifícios, também chamado Mecca Royal Hotel Clock Tower, sendo o maior dentre eles o Hotel Tower com os 601 metros e os demais variando de 240 a 260 metros. Como citei na descrição, a sua área é a maior já construída, 1500000 m². Ainda possui outros recordes como a maior torre de relógio do mundo, maior mostrador de relógio do mundo( 21000 lâmpadas, podendo ser visto o relógio a uma distância de 30 quilômetros. O relógio foi projetado por alemães e suíços e custou cerca de 800 milhões de dólares) e é o segundo maior edifício do mundo. Começou a ser construído em 2004 e concluído em 2011.

Burj Khalifa

Altura:  828 metros
Andares:  160
Elevadores:  57
Custo:  4,1 bilhões de dólares
Área:  2 km²
Localização:  Dubai, Emirados Árabes Unidos

Burk Khalifa (Torre de Khalifa) é o maior edifício do mundo atualmente, com seus soberanos 828 metros de altura, localizado em um centro econômico altamente forte da região, onde a construção civil se inova e evolui a cada dia. Começou a ser construído em 2004 e terminado em 2009, e inaugurado em 4 de janeiro de 2010. O Burj Khalifa possui um centro de observação a 442 metros do solo. Com o aço usado na construção do edifício daria para fazer uma estrada férrea atravessando 1/4 da circunferência terrestre. Visto de cima, o arranha-céu tem o formato da flor-de-lótus, sagrada no oriente.
O prédio ganhou alguns recordes (2009):

Estrutura mais alta livre de cabos: 589.5 metros
Edifício com mais andares: 160
Concreto vertical (para o edifício): 601.0 metros
Concreto vertical (para qualquer construção): 601.0 metros

É muito importante lembrar que esses dados foram obtidos até abril de 2012, pois essas posições varião pois como o mercado da construção civil está aquecido e os edifícios estão subindo cada vez mais, em pouco tempo construirão novos e novos edifícios maiores. Podemos nos perguntar, por que construir um prédio tão alto? A resposta é bem simples, para o construtor, em uma área superficial pequena, a oportunidade de oferecer hotéis, lojas, salas empresariais, museus e mais uma infinidade de possibilidades, é muito grande pois como são muitos andares, consequentemente mais dinheiro entrando no bolso. Além do aspecto econômico, para países com território pequeno, é uma grande oportunidade de aproveitar o espaço, quanto mais verticalizado, maior a chance de aproveitar as terras.

Vendo a comparação das alturas, do Brasil e os demais países sedes dessas estruturas gigantescas, achamos que 828 metros é algo absurdamente grande. Isso não deixa de ser verdade se basearmos na altura do maior edifício brasileiro. Porém a Arábia Saudita já tem em planos construir o maior arranha-céu do mundo, Kingdom Tower com custo preliminar de 28 bilhões de dóalres e com altura de 1600 metros!!!!!! Quase o dobro da altura do Burj Khalifa.

O Artista da Capela Sistina

Certa manha do inverno de 1494, o jovem Michelangelo Buonarroti olhava pela janela a cidade coberta de branco. A neve que caíra durante a noite inteira cobrira as ruas, praças, igrejas e palácios, transformando Florença numa cidade de mármore. Mas a bela paisagem entristecia Michelangelo, pois lhe recordava que seu amigo e patrono, o duque Lorenzo de Médici, não mais existia. Lorenzo fora o primeiro a reconhecer o talento do jovem escultor, o recebera em seu palácio e lhe encomendara várias esculturas em mármore.

Agora, depois da morte do duque, seu filho Piero assumira seu lugar, mas era um bobo vaidoso e não via utilidade para artistas da estatura de Michelangelo. Gostava de festas, jogos e cavalos, admirava mais um cavalariço que sabia montar bem do que um mero escultor.

Uma batida na porta despertou Michelangelo de devaneio. Viu que era um dos impudentes mensageiros de Piero. O mensageiro olhou para cima e, dando com o escultor na janela, gritou:

– Desça daí, Michelangelo! É seu dia de sorte. Piero me mandou buscar o famoso escultor para uma encomenda.

Michelangelo custou a acreditar. Teria ouvido bem? Seria uma brincadeira do jovem?

– Tem certeza? – perguntou Michelangelo. – Piero nunca me chamou ao palácio.

– Pois está chamando agora. Tem um bloco de mármore enorme para você usar. Ande logo.

Michelangelo vestiu seu manto e correu escada abaixo e seguiu o mensageiro em silêncio, mas seu coração saltava a cada passo.

– É seu dia de sorte mesmo hein? – escarnecia o mensageiro cruzando a praça cheia de neve. – Trabalhar de novo para a nobre família Médici, pode existir coisa melhor?

Pouco depois chegaram ao palácio. Encontraram Piero com alguns amigos, junto à janela do aposento no segundo andar.

– Aí está! – exclamou Piero. – Deve ter pensado que eu nunca chamaria você, jovem mestre! Mas estamos precisando da sua arte hoje. Você tem mesmo muito talento, não tem, meu amigo?

Michelangelo olhou diretamente nos olhos de Piero.

– Seu pai achava que sim – respondeu sério.

Piero enrubesceu levemente, mas virou-se para a janela e continuou:

– Vou dar um jantar essa noite e quero mostrar uma bela estátua sua aos meus convidados. O material está no jardim: camadas de mármore branco com que você tanto sonha, cobrindo todo o chão. É claro que amanhã de manhã o sol derreterá sua obra de arte, mas nada dura para sempre não é?

Michelangelo empertigou-se. Não podia crer no que ouvia. Ele, Michelangelo, orgulho de Florença, fazer uma estátua de neve!

Sentiu a raiva subir em seu peito, apertar seu coração, prender sua garganta. Viu o sorriso zombeteiro de Piero e seus amigos. Teve vontade de matar, esmagar todos eles, queria sair correndo e se esconder para nunca mais ser visto por aqueles arrogantes.

Alguma coisa dentro dele no entanto o fez permanecer ali. Era um momento difícil de suportar, mas Michelangelo confiava em si mesmo. Sabia que nada seria um obstáculo à sua arte. As ondas de raiva e humilhação se desfizeram e ele encontrou uma resposta:

– Atenderei a seu pedido, nobre Médici.

Abandonou-os e momentos depois chegava ao ardim, aliviado por estar só, o olhar fixo no imaculado lençol branco estendido a seus pés.

– Vou mostrar que até a neve serve para meu trabalho – murmurou.

Começou a trabalhar com presteza. Empilhou a neve, fez um monte bem batido socando. Passou horas empilhando a neve até conseguir um bloco rígido. A massa de gelo ganhava vida. Uma figura vigorosa nascia no jardim. Afastava-se para avaliar o trabalho e voltava, alheio a tudo, exceto à sua arte.

Enfim ficou pronta a enorme estátua de neve.

Deu por terminada. Era um belo trabalho. Amanhã nada restaria dele, mas por algumas horas faria Florença mais bela. Uma exclamação de assombro arrancou Michelangelo de sua contemplação da própria obra. Piero estava parado atrás dele, boquiaberto diante do imenso homem de neve. O sorriso de escárnio tinha se transformado num brilho de admiração nos olhos de Piero, mas o olhar deslumbrado logo deu lugar a uma nuvem de tristeza.

– Neve!… Neve, não – murmurou. – E uma coisa tão bela deveria durar para sempre.

– Como poderia o tempo respeitar, se só fiz em uma tarde?

Os anos se passaram. Michelangelo conquistou a admiração de toda a Itália. Um dia foi chamado a Roma para atender uma encomenda do papa Júlio II. Cheio de entusiasmo, foi às minas de mármore de Carrara, disposto a selecionar os melhores blocos. Encantado com as pedras gigantescas, via no interior de cada uma um ser à espera de libertação por meio de seu cinzel. Necessitava só tirar os excessos, as estátuas estavam prontas.

Perguntaram várias vezes à ele por que tinha algumas esculturas inacabadas, e ele respondia que a estátua não estava mais ali.

Quando chegou a Roma, porém, o Papa havia mudado de ideia, levou-o até a Capela Sistina, um grande retângulo de altas paredes e teto em abóboda.

– Vamos decorar o teto! – disse o papa. – Você vai pintá-lo.

Michelangelo empalideceu.

– Mas sou escultor! Não sou pintor! – protestou. – Chame Rafael. Ele é excelente pintor.

– Claro que não. Rafael está ocupado. Além disso vi desenhos seus, são melhores.

Michelangelo olhou para o teto alto. Centenas de metros quadrados para se cobrir de pinturas – levaria muito tempo. Pensou nos blocos de mármore parados, inúteis por tanto tempo e estremeceu. Não era o que queria fazer! Mas engoliu a seco a raiva e o desapontamento. Não era fácil dizer não ao papa, e aceitou.

Achava um trabalho torturante, as tintas caiam em seu rosto, queimavam seus olhos, e cada vez mais odiava o papa.

– Sou escultor, não pintor! – resmungava.

Há muitos anos não pintava e receava ser incapaz. Pediu a ajuda de artistas, mas logo desistiu por perceber que atrapalhavam suas ideias e dispensou-os. Apagou tudo e recomeçou. Trabalhou sozinho no silêncio pensando que tinha que ser bem feito. Utilizando uma técnica chamada afresco, em que a pintura é feita sobre uma argamassa de cal e areia. Como esse tipo de trabalho seca rápido, antes de botar a mão na massa o italiano teve de estudar bastante quais imagens planejava recriar.

Um dia horrorizado que a superfície recém-pintada começou a mofar.

– Eu avisei que não sou pintor, Vossa Santidade! – gritou – Tudo o que já fiz estragou.

Depois descobriu que só tinha posto água demais no gesso e não prejudicara o resultado. Prosseguindo, começava a pintar o raiar do dia quando não enxergava mais as cores. Muitas noites não saia da Capela, acostumando-se tanto àquela posição sob o andaime. Mal parava para comer, contentando-se geralmente de pão. Adoeceu de exaustão e mesmo assim, prosseguia.

– Quando vai terminar? – perguntou certa vez o Papa.

– Aprendi que o aquilo que se faz com tempo, o tempo respeita. Pergunte à Piero, pediu-me para fazer uma escultura em uma tarde, depois entristeceu-se que no dia seguinte sumira!

Gradualmente emergiram do teto as mais perfeitas dormas criadas pelas mãos humanas. Deus pai separando a luz e as trevas, a criação de Adão e Eva, a expulsão do paraíso, o dilúvio, mais de trezentas figuras, sublimes, plenas da mesma força e grandiosidade, uma após da outra do pincel de Michelangelo.

Passados quatro anos longos de fadiga e isolamento, a imensa tarefa foi terminada. O andaime retirado. As portas abertas. Quando Rafael viu a magnitude da obra, agradeceu por nascer no mesmo século que Michelangelo. E o Papa Júlio II viu a obra pela primeira vez, atordoou-se, ajoelhou-se e orou: “Senhor, não imputes a mim o pecado que cometo, sinto esplendores irreais na minha alma, que se arrepia, quando chegar o dia do juízo”.

Como Michelangelo havia dito, o tempo respeitara sua obra, que persistiu durante os séculos até hoje.

Sanna Dullaway

Sanna Dullaway é uma artista sueca que trabalha com restauração fotográfica. Fiquei encantando ao pensar nessa possibilidade de restaurar fotos marcantes do passado, seria como pra quem viu na época estar revivendo o momento. Podemos pensar: Ahh mas e as fotos coloridas hoje em dia? Não são já recordações? Não é esse ponto que eu estou tocando. O que acabo de dizer é alguns momentos ficaram marcados na história e não poderiam ter a mesma veracidade de hoje em dia, é como transportar a tecnologia pra antigamente, um trabalho admirável. Suas obras receberam críticas, as fotos clássicas, e a artista as fez por diversão. O Photoshop exigiu muito estudo de Sanna para interpretar os tons entre preto e branco para determinar cada cor, aproximando o máximo possível da realidade. Algumas fotos como a sátira do American Way of Life ou do budista tibetano queimado vivo como protesto ou da primeira negra a estudar num colégio de brancos são alguns ápices chocantes, que talvez devem ser alvos grandes dos críticos.

Monge que se queimou como protesto

Crítica ao American Way of Life

Primeira negra em uma escola para brancos

Che Guevara

Alfred Hittchcock

Joshua Hoffine

Eu acredito que o horror está envolvido com a imprevisibilidade e iminência da morte, e a implicação de que não há certezas na existência. As experiências do horror residem nessa confrontação com a incerteza. O horror nos diz que nossa fé na segurança é uma ilusão, e que os monstros estão ao nosso redor.”

Crianças: alguns tem medo, poucos as amam, muitos as odeiam. São muito associadas a filmes e histórias de terror, devido ao antagonismo: pureza X crueldade. Quando Joshua diz “o horror está envolvido com (…) a implicação de que não há certezas na existência”, acredito estar referindo, também, ao questionamento de bem ou mal, se existem e se realmente podemos associar as crianças à pureza e monstros à crueldade. No mundo infantil os personagens tem características muito marcantes para que haja compreensão, porém existem pessoas que até hoje vêem o mundo com esse paradoxo. Sendo que as pessoas são muito mais complexas e não podemos ter certeza ou dizer que alguém é mal ou bom, todos temos os ambos.

Acabamos por muitas vezes vê-las como demoníacas devido essa associação, imperatividade e falta de atenção são mal interpretados e acabam taxando-as de algum distúrbio mental. Sendo que elas apenas tem curiosidade sobre tudo e querem aprender e entender o que acontece, não conseguindo ficar por muito tempo ouvindo a “Tia” da escola explicar o BABÁ.

O fotógrafo Joshua Hoffine nos trás de volta à infância e a nossa ex-imaginação fértil que nos faziam acreditar em monstros no armário, homem do saco e bruxas nos perseguindo. Devido a falta de questionamentos sobre os filmes e histórias de terror, as crianças acabam por absorver o conteúdo como real. Suas fotos expõe o que nossas imaginações criavam, dando uma verossimilhança para isso, por causa dos cenários sombrios.

Joshua também fez uma sessão de fotos baseada nas obras de H.P. Lovecraft, chamada Pickman’s Masterpiece.

 

10 lugares peculiares da Terra

O planeta Terra possui paisagens incrivelmente lindas. Estamos acostumados a pensar sobre a beleza convencional, de uma montanha coberta de grama e que no final encontramos uma cachoeira com 50 metros de altura e embaixo pedras e mais pedras, das mais diferentes cores e texturas. Claro, isso é só uma das visões estereotipadas sobre a encantadora natureza. Porém, quando vemos imagens diferentes, objetos diferentes, animais fora do comum, associamos ao estranho e nem sempre ao belo logo de cara e até mesmo consideramos de outro planeta. Como já disseram em muitos filmes e músicas: O estranho tem sua beleza. Sem dúvidas, são enigmáticas e maravilhosas cenas de lugares do mundo, nem ao menos sabemos que existem. Separei algumas delas:

1 – A Floresta de Pedra de Madagascar

Os picos de calcário, com até 120 metros de altura, foram modelados devido a chuvas fortes ao longo de milhares de anos, dando essa aparência incomum. O acesso para o ser humano é difícil e consequentemente inóspito para nós. Entretanto, há muitas espécies animais e vegetais, sendo no pico os mais aptos a sobreviver em lugares desérticos e no solo os de ambiente úmido.

2 – Ilha de Socotra

Socotorá ou Socotra é um pequeno arquipélago formado por quatro ilhas no Oceano Índico, em frente à costa do Chifre da África (Corno de África), a 250 km a leste do cabo Guardafui e a uns 380 km a sudeste da costa do Iémen, que administra Socotorá em nome do Sultanato de Mahra e Socotorá. Socotra é uma das ilhas de origem continental mais isoladas do mundo, separando-se provavelmente da África como uma falha durante o Plioceno médio, no mesmo conjunto de eventos que abriu o Golfo de Áden para o noroeste. O clima em geral é desértico tropical, com poucas chuvas, concentradas no inverno e mais abundantes nas maiores alturas do que nas zonas costeiras. O clima é fortemente influenciado pela monção. De junho a setembro tradicionalmente a ilha era inacessível por causa dos fortes ventos.

3 – Solar de Uyuni, o lago de sal boliviano

Solar de Uyuni é a maior planície salgada do mundo. Apresenta 12.000 km² de área, ou seja, maior que o Lago Titicaca, situado na fronteira entre Peru e Bolívia. Estima-se que contenha 10 bilhões de toneladas de sal, e uma de suas atrações turísticas são os hotéis de sal. Ao lado do lago de sal, como podemos ver na foto acima, existem também desertos imensos, com verdadeiras esculturas criadas pelo vento.

4 – Dry Valleys, na Antártida

O vale seco da Antártida é considerado por geólogos o local mais parecido com o solo marciano no nosso planeta. Curiosamente, este lugar da Antártida quase nunca neva e apenas faz um frio de doer. Não há qualquer planta visível num raio de quilômetros. Há também um lago permanentemente congelado, com vários metros de espessura. Abaixo desse lago, habitam microorganismos em uma água extremamente salgada.

5 – Kilkuk, no Canadá

Todo ano, com calor intenso do verão, as águas do lago Spotted evaporam, deixando pequenos lagos coloridos, concetrados de minerais. É um fenômeno raro no planeta. O lago mede 15 acres e encontra-se numa propriedade privada

6 – O Campo de Golfe do Diabo – Vale da Morte, EUA

O nome “Campo de golfe do diabo” deve-se por praticamente não haver vidas e ter o solo irrelugar com rochas que produzem cristalizações. O lugar fica no fundo do Vale da Morte, e é um dos lugares mais profundos dos EUA. O vale da morte é um dos lugares mais secos e quentes do planeta.

7 – Columnar Basalt

Há milhões de anos, lavas de vulcão passaram por esses locais e resfriaram tomam esses formatos estranhos de basalto. Essas fotos não são somente de um lugar, mas de três locais diferentes que ocorrem o mesmo fenômeno. Alguns desses lugares são: Irlanda do norte, Escócia. Estima-se que a idade de tais formações seja de 60 milhões.

8 – Mina Naica, a caverna de cristal, México

A mina de Naica é conhecida por ter os maiores blocos de selenita do mundo, chegando até 11 metros de comprimento e 4 metros de diâmetro. As principais matérias extraídas da caverna são zinco, prata e chumbo.

9 – Plitvice Lakes, Croácia

Plitvice Lakes é um parque nacional que possui 16 lagoas e dezenas de cachoeiras. As cenas acima são de uma beleza sem limites, um dos lugares mais lindos que já vi. Sua formação geológica formada pelo carbonato de cálcio colore a água, produzindo uma miríade de lagos azul turquesa, cercados por uma exuberante flora.

10 – Vale da Lua – Chapada dos Veadeiros, Brasil

Para terminar, fechei com um deleite para visão de qualquer um e em território nacional. O nome obviamente vem da paisagem assemelhar-se com o relevo da lua, esculpido com chuva e vento. As formações rochosas são de quartzo, com aflorações de cristais para todo canto.

Agora me pergunto, será que existem mais lugares maravilhosos que o homem ainda não descobriu?

René Magritte

René François Ghislain Magritte (1898 – 1967). Pintor belga. Mas… Não foi um simples pintor, era um pintor surrealista realista. O que isso quer dizer? Bom, quer dizer que suas imagens tem elementos do nosso cotidiano, mas que, a forma como são pintadas, nos perturbam por terem elementos surreais, puramente fazem paradoxos com a realidade. E temos a sensação tal e igual André Breton citou sobre o surrealismo: “O desmoronamento do intelecto.” Tentara estudar na Academia Real de Artes em Bruxelas, mas destestara o conservadorismo da escola, e a abandona. Depois de certo tempo, descobre que detesta outras coisas, ao precisar de dinheiro, monta uma agência de publicidade, e declara:

“Detesto o meu passado e o de todos. Detesto a resignação, a paciência, o heroismo profissional e os sentimentos bonitos obrigatórios. Também detesto as artes decorativas, o folclore, a publicidade, as vozes dos anúncios, o aerodinamismo, os escuteiros, o cheiros das bolas de naftalina, acontecimentos do momento e pessoas embriagadas”.

La Trahison des Images

Suas obras levantam muitos questionamentos que para serem, de alguma forma, interpretados, teremos que fazer uma reflexão muito profunda de suas representações e significados. Por exemplo, em  “La Trahison des Images” ou “A traição das imagens”, vemos a frase “Ceci n’est pas une pipe”, que diz: Isso não é um “cachimbo”. Uma completa contradição, que nos envolve e nos faz refletir. Chego a pensar que é uma ironia, visto que ele “limita-se” a explorar e extrair o surrealismo da realidade. Em outras ocasiões chego a pensar que, realmente isso não é um cachimbo, e talvez a representação deste. Por que se eu pintar a árvore que estou vendo do lado de fora da minha janela, ela não será a mesma, nem para mim, nem para ninguém que as olhe. Por que o objeto real, o cachimbo e a árvore tem uma “coisa”, como se fosse uma essência, que no quadro não tem. Por que ao olhar para a árvore, talvez vejamos a mesma coisa, mas na hora de reproduzi-la ou mesmo descrevê-la, ela será diferente. Se cada homem for representar e descrever essa mesma árvore, nenhuma será a árvore existente. Somente seriam imagens que aproximariam duas realidades, a das pessoas e a do mundo, que ninguém conhece. Cheguei a essas conclusões citadas, primeiramente, ironia, por causa da legenda, e na segunda, por causa da legenda mais o título da obra.

Encontrei essa charge na internet, quando procurei a obra de Magritte, e achei muito engraçada.

La clef des songes

Novamente, Magritte “brinca” com os significados, em “La cheg des songes”, que a tradução seria A chave (interpretação) dos sonhos, designando um ovo: l’acacia (a acácia), um sapato feminino: la lune (a lua), um chapéu masculino: la neige (a neve), uma vela acesa: le plafond (o teto), um copo: l’orage (a tempestade) e, enfim, o martelo é chamado le désert (o deserto). A falsa denominação é uma forma do artista explorar significados, ou aparências ocultas entre os objetos. Por que, se relacionarmos com o título do quadro, veremos o sentido, que em nossos sonhos, as imagens aparecem assim, sem ligação. Outra interpretação é que, esses objetos poderiam ter inúmeros nomes, assim como temos apelidos, e eles não mudam quem somos. No filme Dogtooth, há esse exemplo, os pais ensinam o nome dos objetos trocados, ou seja, ensinam que o saleiro se chama telefone, e assim por diante.

Not to be Reproduced

Magritte quebra dogmas do senso comum sobre as perspectivas, com suas ironias, objetos em disposição aleatória do espaço e metáforas. Não é atoa que sua obra é conhecida como ” visual thinking”, visto que nenhuma de suas obras são apenas para serem admiradas, são obras para serem pensadas. E, apesar de o surrealismo estar sempre ligado à loucura, acredito que o surrealismo é genial, e Magritte, um gênio, que é totalmente diferente de Duchamp, onde o surrealismo está na ausência total de sentido. Em “Not be Reprudeved”

L’Empire des lumière

Esse quadro chega a ser impressionista no meu ponto de vista, por que vemos a casa, o lago e as árvores e temos a noção de noite. Mas ao olharmos para o céu, vemos o azul e as nuvens, e temos a sensação de dia. O que significaria? Acredito que ele quebra a discussão de quem é mais belo, a noite ou o dia. Como no filme “Meia-noite em Paris”, já postado anteriormente aqui,  há uma discussão, entre Gabrielle e Gil, sobre se Paris é mais bela de dia ou à noite. Magritte faz a junção dos dois momentos e temos uma belíssima obra. Com certeza a discussão entre o casal do filme se cessaria se conseguissem imaginar, como Magritte, a imagem durante a noite e o dia ao mesmo tempo.

Gonconda

Não tenho um comentário sobre essa obra. Homens de chapel coco, todos de sobreturo, caindo. Novamente, a imagem só tem elementos reais, mas o fato dos homens estarem parados assim no espaço, sempre me remeteu a chuva. Mas hoje, depois de assistir o clipe da música de Rufus Wainwright, Across the universe, ao olhar “Gonconda” de novo, tive a impressão de que todos os homens estavam parados, visto a sombra deles nos prédios.

Michals Duane

Michals Duane nasceu na Pensilvânia, nos Estados Unidos da América, em 1932. Michals cresceu no seio de uma família de emigrantes eslovenos. Começou a interessar-se pela fotografia aos 14 anos, quando iniciou as suas aulas de pintura no Instituto Carnegie. Licenciou-se na Universidade de Denver e matriculou-se na Parsons School of Design, em 1956, com o intuito de se tornar um designer gráfico. Ao fim de um ano começou a trabalhar na área da publicação, embora nunca tenha perdido o interesse pelas belas artes, em especial pelos trabalhos de artistas surrealistas como Magritte e Balthus, e assim como estes inspiradores, Duane também passa através de seus trabalhos muito além de estética. Existe conceitos por trás e as imagens dele acabam contando histórias, como nas obras de fotos sequenciadas, que são suas obras mais famosas.

Paradise Regained 1968

Grandpa Goes to Heaven 1989

Narciso

Mesmo sendo diferente dos outros fotógrafos, por não ter estúdio, conquistou muito por analisar e filosofar em cima de seus trabalhos que retratavam pessoas e ambientes, inclusive gays. Trabalhou para as consagradas EsquireMademoiselle e, a espetacular Vogue.

Suas fotos são bastante exóticas e com conceitos muito diferenciados. Suas obras fizeram com que eu refletisse sobre Mérito e Reconhecimento que os artistas tanto almejavam, mas alguns ainda almejam. Muitas pessoas confundem querer ser reconhecidas com ser a melhor do mundo em alguma coisa. E ser o melhor do mundo, ou fazer tudo para ganhar um prêmio, para quebrar records e ser famosos, não trará felicidade se não o artista não tiver mérito, sentira, certamente, um vazio.

“Photography deals exquisitely with appearances, but nothing is what it appears to be.”

É inegável que as representações de nus proliferam na Pintura, na Escultura ou na Fotografia. Será que o corpo humano é tão belo ou todos os artistas, inclusive Duane, são voyeurs compulsivos?

A linha que separa a arte erótica da pornografia é ténue e a nossa predisposição genética faz com que, em vez de achar belo, nos atraimos sexualmente.

The Unfortunate Man

Em 1995, publicou uma homenagem a Walt Whitman, intitulada “Salute, Walt Whitman”.

 

Álbum Synchronicity dos The Police

Leonardo Da Vinci

Esses dias, mais uma vez, History Channel me decepcionou. Ao ver um suposto documentário de historiadores sobre Leonardo Da Vinci, fiquei entusiasmada. Mas ao ver que o documentário continha conspirações sobre a inteligencia e conhecimento de Da Vinci serem provindas de Aliens, fiquei indignada por não acreditarem na sua capacidade, desliguei a televisão e vim pesquisar mais sobre sua vida e obra.

Nascido em 1452, na vila italiana de Vinci, na Toscana, situada no vale do rio Arno, dentro do território dominado à época por Florença. Era filho ilegítimo de Messer Piero Fruosino di Antonio da Vinci, um notário florentino, e Caterina,uma camponesaque pode ter sido uma escrava oriunda do Oriente Médio. Leonardo não tinha um sobrenome no sentido atual; “da Vinci” significa que era de Vinci: seu nome completo de batismo era “Leonardo di ser Piero da Vinci”, que significava “Leonardo, (filho) de (Mes)ser Piero de Vinci”. O próprio assinava seus trabalhos como “Leonardo” ou “Io Leonardo” (Eu, Leonardo). Ele não usou o nome do pai por causa do estado ilegítimo. Vivera na época do Renascentismo, época de conhecimento e descobertas; mas também de muita renegação por parte dos tradicionalistas e violência.

A figura de Leonardo está presente em diversos mitos, como associações com a consagrada seita secreta Pitagórica, ou interpretações místicas a respeito de suas obras, entretanto eu não  posso afirmar nem especular tais nomes, mas os Pitagóricos se uniam para discutir experiências e conceitos, estudar e cultivar conhecimento. Estudavam matemática, geometria e filosofia e tinham um código para entrar em seus encontros, que era mostrar o pentágono que era ‘tatuado’ em seus pulsos. Conta a lenda, que quando surgia um traidor, além de expulso era amarrado e jogado em alto mar… mas como disse antes não posso afirmar nada, porém acredito nessa história.

Ser filho bastardo lhe impediu de ter aulas de latim e grego, línguas todos os livros eram escritos. Nesse instante tornou-se autodidata. Por algum problema cognitivo, escrevia de trás para frente, e era canhoto. Tal ‘defeito’ o fez mais tarde esconder seus conhecimentos, que por escrever espelhado ninguém entendia ou percebia o que estava escrito. Escrever com a mão esquerda fez com que, mais tarde, ao entrar para um ateliê, visse que todos escreviam com a direita, e assim passou a ser ambidestro, o que facilitava e agilizava o tempo de suas pinturas. Para historiaores e especialistas sua escrita espelhada, e às vezes fazer anagramas, são vistas um código que protefia seus esboços contra espiões e cópias.

Vejo, através de suas obras, como esse renomeado pintor era observador, detalhista e organizado. Seus estudos sobre animais e o corpo humano (que roubava dos cemitérios durante à noite para desenvolver seus estudos) são super específicos e com certeza ajudaram muito as gerações futuras de medicina, de artes e da população inteira que conheceria então o corpo. Tais fascínios pela natureza, principalmente pelos pássaros o fez criar esboços de máquinas para o homem voar. Por ser filho ilegítimo, apesar de seus conhecimentos medicinais e descobertas, não podia ser médico nem advogado. Por isso seu pai o enviou para ser artesão e escultor em Florença.

Destacou-se e assim, por que na época usavam a técnica de têmpora (tinta feita com ovo), e então Da Vinci acrescentou óleo. O que deu mais vivacidade as obras, e assim, seu Mestre, decidiu que ele pintaria todos os rostos de todas as encomendas. Mas se envolveu com escândalo enorme, pois ele estava com um garoto de programa, que poderia o levar a morte se comprovado, pois o homossexualismo era proibido. Foi preso, mas solto por falta de provas, mas obviamente era homossexual, pois estava sempre com homens mais novos e mostrava sua fascinação pelo corpo masculino em muitas obras. Nunca casou, nem teve filhos, muito menos os queria.

“João Batista”

Só teve um aprendiz, Giacomo, adotado aos 10 anos por Leonardo, por volta de 1500, atribui-se a ele o papel de aprendiz, ou filho, ou servo (alguns arriscam dizer que foi também um amante), ou até mesmo um importante modelo para algumas de suas obras como, por exemplo, o ‘Retrato de um homem velho e um jovem’, ‘João Batista’ e até mesmo ‘Um Apostolo’. Giacomo é chamado por Da Vinci de Salai, que significa “pequeno demônio” e constam suas artes nos diários codificados do artista.

 “Retrato de um homem velho e um jovem”

O por que Da Vinci desenhava e calculava tais objetos voadores é lógico, ao contrário do documentário que vi, onde forçava a ideia de que o homem não teria capacidade de criar tantas coisas sem a ajuda de uma força mais inteligente (alienígena). Porém, com certeza Leonardo Da Vinci era um sonhador, que queria voar e ver assim como os pássaros os campos, e assim como os peixes, o céu (submarinos). É impressionante por que, mesmo sem as leis de Newton, conseguiu, só por observar a natureza, reproduzir e transformar em máquinas, que dão certo.

São muitos os seus desenhos e projetos, por volta de 6 mil, são perfeitos e cheios de detalhes. E muitos desses projetos funcionariam se tivessem tentado desenvolvê-lo na época. Se isso acontecesse, por exemplo, o relógio de pulso seria inventado antes, visto que só foi inventado quando surgiram os aviões. E Da Vinci, tinha esboços de paraquedas, e a BBC fez um documentário onde reproduziu tais obras e verificou se estas funcionassem.

(…)

Em Milão, Leonardo trabalhou para o Duque Ludovico Sforza  como engenheiro, porém, naquela época não era uma profissão tão valorizada e assim ganhava menos que um bobo da corte. Fez descobertas notáveis, estudou e descobriu como funcionava o olho humano, ao dessecá-los e cortá-os de várias formas. Até então acreditava que os olhos emitiam luz.

A juventude de Ginevra

A expressão facial da jovem é o mais intrigante na pintura. Olhando percebemos a incerteza dos seus sentimentos intriga as pessoas; não se sabe se está cansada, triste, serena, zangada, ou seja, um rol de sentimentos inacabáveis que a expressão facial lhe atribui. Uma jovem que oculta o íntimo, modesta, ausente de jóias, tem como maior adorno a própria beleza natural. Seu rosto simétrico perfeitamente calculado chega a ser infantil e angelical, exceto pela expressão nula no olhar.

Dama com arminho

 Cecília Gallerani, esta é a amante de Sforza e a face de um dos retratos mais famosos da Renascença. Sforza declarou: “Mas como que você faz? Tirou alguma parte da alma de Cecília para fazer essa obra, parece que está viva dentro do quadro!”

Ao discutir com a Marie, minha amiga, sobre o suposto desaparecimento de conhecimentos, obras e culturas da humanidade, me lembrei de que somente 15 das pinturas de Da Vinci sobreviveram. O que exatamente aconteceu? Com certeza há alguma obra dele na parede de algum descendente de alguém que o comprou ou ganhou, e esse alguém nem imagina que essa obra seja de Da Vinci, ou nem saiba quem é Da Vinci. Outros desses quadros foram estragados enquanto os reformavam, por isso não há nenhum aqui de pássaros ou peixes, os que ele mais desenhou.

“Leda e o Cisne”

Ao procurar “Leda”, achei várias versões, isso deve-se que Da Vinci morreu antes de acabá-la, e assim, Giacomo Salai, então a finalizaria como “obra póstuma”. Esta obra de Leonardo diz respeito a um mito da Grécia Antiga, no qual o deus Zeus se apaixona por Leda, enquanto esta se banha em um rio. Zeus assume a forma de um cisne, seduz a jovem, e ela o coloca no colo e o acaricia. Na mesma noite, ela deita-se com seu marido, Tíndaro, rei de Esparta. No mito grego, Leda dá à luz a dois ovos. Em um deles estão Helena de Tróia e Castor (como sendo filhos de Tíndaro, a parte mortal); do outro ovo nascem Pólux e Clitemnestra, filhos de Zeus, imortais.

Segundo conta a história e seus diários, Leonardo tem um encontro final com sua mãe antes da morte da mesma.  Acredito que esse fato determinou o conteúdo de suas obras posteriores, já que até então pintava o que mandavam ou homens. Acredito nisso por causa de sempre que pintou mulheres, eram a figura central, em “Monalisa”, “Leda e o Cisne”, “Cabeça de mulher”, “Madona do Fuso”, “Virgem dos Rochedos” entre outras… Levando em conta que Da Vinci calculava meticulosamente a posição das figuras de suas pinturas: pode-se deduzir que ela seja uma representação importante de uma mulher central em sua vida? Ou uma mulher inexistente, por quem aguardava? Ou uma amante nunca revelada? Ou ainda, sua própria mãe falecida?!

Por que Leonardo Da Vinci pintava tantas mulheres? Bem, aparentemente, por tantos fatos e historiadores o denunciarem como homossexual, tenho minhas dúvidas.. Quem sabe, na verdade, Da Vinci tenha reprimido sua sexualidade para estudar e ensinar, e assim, seu subconsciente expõe através de suas obras o desejo sexual inexistente? A partir de tal hipótese que levantei, concluo que as obras de Da Vinci são de grande valia psicanalítica. Infelizmente não cabe a mim tentar analisar mais que isso, seria de uma ousadia ou moral, que não me pertence, ainda.

Michael Kvium

Michael Kvium, ator e pintor dinamarquês. As obras aqui publicadas foram feitas entre 1986 e 1995, onde, apesar de ser um pintor contemporâneo, parece ser bastante realista ao mostrar relacionamentos humanos. Suas imagens são muito envolventes, além de descreverem mais do que palavras, elas fazem com que sentimos a mesma coisa que ela, e temos a mesma impressão, ou impressão parecida, por que as pessoas reconhecem tais imagens em algum momento da vida, que viram ou viveram. Mesmo que a interpretação de obras de arte, na minha opinião, seja livre, Kvium parece transmitir a mesma mensagem à todos, e denunciar através delas a feiura. Não são quadros belos, porém ainda sim, é arte. Por que gostar ou não de um quadro, filme, música ou escultura, não determina se esse quadro, filme, música ou escultura é ou não arte.

“Cena de Rodeio”

A primeira obra prima de Michael Kvium que vi, e inicialmente o choque me tomou. Esta mulher “monstro” está nua e é grande e gorda, em cima dela, está um pequeno homem, representando como esta está numa situação de submissão perante à ele. Como se esta não soubesse da capacidade, a força e o valor que ela tem. Por causa do mundo machista que domina, o pequeno homem domina a grande mulher, e na realidade eles são assim, porém eles se veem como a sombra os reflete: o homem maior e a mulher menor. Kvium não está retratando uma mulher feia, de forma submissa e feia, ele está retratando duas visões, a realidade e o como este casal se sente. Acredito que foi exatamente este o propósito de Michael Kvium quis mostrar. E o rosto e olhos dessa mulher passiva mostravam grande sofrimento, as olheiras de cansada de resistir e de sofrer.

“Mãe”

Já nesta imagem, que infelizmente é pequena, Kvium demonstra de novo a mulher perdendo sua humanidade e respeito. Enquanto lava louças, o marido toca seus seios. E essa cena é muito desagradável para mim. A mulher está dominada, subjugada ao aspecto sexual, perdendo seu valor e se tornando vítima inocente da mesma forma que os animais dominados e criados pelo homem.

Nome desconhecido

Suas obras não são para agradar as pessoas, por isso não são bonitas. A intenção real é levantar questionamentos, que nos fazem ver o que, normalmente, ignoramos que existe e ver a beleza no feio, e ainda, desaprová-la. Por isso vejo o lado positivo de suas obras: esperança de mudança para melhor, por que apesar de chocar, a realidade é bem pior, e assim, nos motiva a mudá-la. Essa é uma das razões do por que se pintar o feio.


As obras de Kvium lembram-me muito das obras de Francis Bacon, que também mostrava um lado desagradável dos seres humanos. Além disso, percebemos muitos elementos do movimento barroco em ambos artistas, sempre querendo expor os dois lados da situação, usando muito a contraposição de luz e sombra, como em Cena de Rodeio, onde a mulher se vê pequena por ser dominada pelo homem, porém é grande. A obra “Figure with meat”, a seguir de Bacon, se assemelha à anterior de Kvium. Com ar mórbido e confuso.

Também vi semelhança das obras de Kvium com as de Francisco Goya, como na obra “Saturno”, onde um monstro come uma mulher.

Escher

Maurits Cornelis Escher, mais conhecido por Escher apenas, nasceu 1898 na Holanda. É um artista gráfico famoso pelas suas xilogravuras, litografias e meio-tons. Em suas imagens, a metamorfose, a exploração do infinito e o a interposição de imagens criando outra diferente e principalmente a ilusão de óptica caracterizam seu estilo que influenciou muitos artistas hoje renomados.

 

Jim Warren

O artista Jim Warren nasceu na Califórnia, 24 de novembro de 1949. É um pintor e ilustrador famoso e premiado o qual quebra as regras, brinca com as imagens pintando sonhos e ilusões de maneira fantástica. Assim como Rob Gonsalves, procura ultrapassar a barreira entre realidade e o sonho, fundindo-os. Usa bastante figuras de membros humanos, cavalos e o mar.

Norman Rockwell

Norman Rockwell nasceu em Nova Iorque  em 3 de fevereiro de 1894. Rockwell, pintor e ilustrador, era muito popular nos Estados Unidos, especialmente em razão das 321 capas da revista The Saturday Evening Post que realizou durante mais de quatro décadas, e das ilustrações de cenas da vida estadunidense. O fato de ser manco, durante a juventude, o tornou grande observador, e logicamente, um grande desenhista.  É dele as imagens clássicas, que estão nos sonhos de todos os apaixonados pela Coca, em especial da do Papai Noel, que transformou inclusive a roupa do bom velhinho, anteriormente toda branca para a atual, utilizando as cores temas do Coca-Cola.

Em 1937 passou a fotografar e assim desenhar o que ali estava, percebemos que as expressões faciais que ele reproduz são muito mais marcantes, um pouco caricatura, um pouco foto. Fotos do cotidiano norte-americano, centenas de fotos, em que as condensava em uma só, totalmente caracterizada pela sua subjetividade. Pois suas fotos eram sempre mais simples do que os seus desenhos, por que ele as incrementava,  dava cores, luzes e sombras aos seus desenhos. Observe as fotos que o inspiraram e seus desenhos à seguir, que confirmam o que eu digo:

Salvador Dali

Salvador Dali, nascido em Catalunha, Espanha. Apesar de ser um dos pintores mais consagrados mundialmente, Dali não foi reconhecido muito bem na época de sua faculdade, sendo expulso da Academia de Madrid.  O que o faz ir para Paris, e torna-se amigo de Federico García Lorca e Luis Buñuel. Suas influencias artísticas vieram das obras de Picasso e de Miró, e estilisticas de Diego Velázquez. Em 1929, produziu um curta-metragem, Um cão andaluz, junto com Buñuel, e no ano seguinte, A idade do ouro, um longa-metragem baseado num conto do Marquês de Sade.  A sua amizade com Buñuel deve ter acabado, acredito, por tê-lo denunciado como ateu e comunista, o que o fez não conseguir carreira em Hollywood. Mas o próprio Salvador Dali declarava-se anarquista. Não é fácil entender como sua mente funcionava.

Dali como pintor:

Acredito que tinha muitos conceitos por trás de suas obras, elas não eram apenas soltas e sem sentido, o surrealismo faz totalmente sentido em muitas de suas obras, por exemplo, Face da Guerra, onde temos um rosto mostrando dor e angústia, e dentro de cada um de seus orifícios aparece mais um rosto, e assim infinitamente. Mostrando como a guerra é destruidora, os rostos estão magros, parecem caveiras. Caveiras dentro de caveiras… morte. E as serpentes em posição de ataque, apavorando o ‘homem’.

Face da Guerra – 1940

Rinoceronte vestido con puntilhas
(escultura, feita em 1956. Pesa cerca de 3.600 quilos)

Crianças Geopoliticas Assistindo ao Nascimento do Novo Homem – 1943

Nessa obra, acredito que Dalí quis representar sua esperança, que pós-guerra, o mundo mudaria, renasceria. O homem representado, ao sair do ‘ovo’, sai com força e dor, está querendo sair dessa realidade, e a África sangra, os continentes estão derretendo, e o mundo está mole. A criança assistindo à esse nascimento está assustada, como se fosse uma ameaça tal acontecimento. Realmente a obra inteira, apresenta um certo pessimismo. Não é o primeiro quadro que Dali faz da Guerra, nem o primeiro em que demonstra sua visão do mundo e do homem como vázios.

A Persistência da Memória – 1931

Os quadros estão derretendo sob a influência de uma forte luz, fiquei imaginando como pode ser que isso represente a uma quebra de ilusão que Dali nos oferece, por sempre acreditarmos nas horas, ele as destrói e as representa sob essa influencia que as deforma, logo, ‘não devemos segui-la’. Isso nos transmite a impossibilidade de medirmos o tempo também, além do que o tempo, como cansamos de ouvir, é subjetivo. Se estamos entediados, o tempo tende a parecer longo, se estamos bem, dizemos que este passa rápido demais. E ainda, tem a defasagem que hoje sabemos que a nossa medida de tempo tem.

Slava Groshev

Apesar de parecer muito com obras digitais, as obras desse grande artista contemporâneo confundem por seu estilo – realismo. Mas o artista usa pincel e tela para reproduzir aquilo que deseja. É uma obra que aparenta objetiva, por representar a realidade de forma científica – ou seja, como realmente é, registrando todos os detalhes, como se fosse só para relatar o mundo como ele é, sem máscaras, conceitos ou subjetividades impressionistas, por exemplo. Mas engana-se, na técnica realista, a filosofia não é essa. No simples, há o complexo. O difícil de entender. Antes as pinturas realistas eram ‘denúncias sociais’, mas Groshev as cria de forma diferente. São ultrarrealistas. Olhamos para ela e vemos beleza. Uma beleza do real, que não conseguimos ver, apesar de viver no mundo. Não reparamos a beleza de pequenas particularidades das pessoas…Uma pinta, as mexas do cabelo, os olhares, as curvas…. Fico pensando ao olhá-las, se ele conhece pessoas tão lindas assim, como a menininha loira que está em várias pinturas…