Category: Filmes


Delicatessen

Título Original:  Delicatessen

País:  França

Ano:  1991

Duração:  99 minutos

Gêneros:  Comédia, Fantasia, Romance

Direção:  Jean-Pierre Jeunet, Marc Caro

Roteiro:  Gilles Adrien, Jean-Pierre Jeunet, Marc Caro

Elenco:

Dominique Pinon
Marie-Laure Dougnac
Jean-Claude Dreyfus

Formato:  RMVB

Tamanho:  320 MB

Legendado: Português

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Comentário:

Cheio de hibridismos de gênero, Jeunet consegue estabelecer enlaces de uma produção romântica com mistérios, passando através de uma cena dramática, para uma cômica sutilmente, o que dá ao humor negro criado pelo Diretor uma empatia pelos telespectadores.

Muitos até mesmo nem chegam a perceber o humor negro, pela naturalidade como narra os fatos e as progressões narrativas parecerem rotineiras. Completamente diferente de A arte do pensamento negativo, Delicatessen não ridiculariza os acontecimentos mórbidos que ocorrem com os personagens, parece-me propor várias reflexões sobre a vida, tornando mais digerível e até uma experiência agradável (como fora para mim).

A premissa da ideia geral da história, segundo minha interpretação, foi baseada nos moradores serem mutáveis. São desgraçados “por natureza” devido à situação que vivem; ao prédio que vivem; e à sociedade que vivem. É praticamente um “Naturalismo Cinematográfico”, porque os morados viviam e pagavam impostos ao Dono do prédio que continha uma Delicatessen em seu primeiro andar. Em troca, as pessoas pediam três refeições. Mas como acontecera uma crise na época (parece remeter uma das grandes guerras, apesar da sinopse contextualizar em um futuro apocalíptico), os personagens que eram “boas” transformaram-se devido ao momento em que viviam. Como não tinham dinheiro para pagar a carne, o açougueiro aceitava alimentos e outras ofertas (sexuais, por exemplo). Por não ter dinheiro para comprar carne, passou a matar diversas pessoas, e vendê-las como se fossem carne de animal. Os moradores de seu prédio conheciam este fato e acolheram sem intervenções. Inclusive ajudando muitas vezes o açougueiro em seu pesado trabalho, como o genro, que aceita que a sogra seja a próxima vítima, e ainda auxilia cuidando de uma armadilha, para a velha cair e parecer ter morrido pela queda.

Por causa desses acontecimentos temos o psicofisiologismo, que é a imagem desses personagens como demonstração de suas ações. Ou seja, não sabemos quais são os pensamentos do açougueiro ou da Madame que dorme com ele por comida. Entretanto, como suas aparências são nos mostradas como depreciativas, vemos que a psique destas mesmas também é. Isso porque a imagem revelou o interior das personagens. Notemos quando tem uma fila, no início do filme, com umas 5 pessoas na fila, esperando para ser atendido, uma delas é a Madame. Ele a atende primeiro, deixando claro o seu interesse por ela. E depois, quando esta sai, observa seu andar e seu corpo como se fosse um animal, um porco!

Sem necessidade de falas ou subentendidos, Jeunet expõe o que os personagens são com sequências curtas e muito fáceis de entender, é a vida real. Assim também fazia o Mestre Hitchcock, que só utilizava do diálogo somente quando não havia recurso para reproduzir o que se pretendia, logo não havia narradores-personagens para demonstrar todas as suas ideias como em Clube da Luta. A intenção era reproduzir uma obra puramente através da imagem.

O mistério e medo surgem quando um palhaço, Louison, que está desempregado. As personagens, por causa de sua transformação, devido à crise, são mal-humoradas e antipáticas com o novo morador que desconhece da artimanha canibal, exceto duas crianças e Julie, a filha do Açougueiro, o tratam bem. Logo o açougueiro vê que este trabalha direito para pagar a pensão, então o deixa em paz… Por algum tempo. É quando percebe o seu envolvimento com a sua filha que se choca, e ela implora para mantê-lo vivo por mais algum tempo. Quebrando com o clima de inocência que tínhamos da moça, além de entendermos que ela “assisti tudo e não faz nada”, o pai diz que não é a primeira vez que ela pede para ele deixar de matar algum rapaz.

Mesmo que Julie se irrite e compartilhe com Louison seus temores, este parece muitas vezes no meio da obra dizendo: “No fundo são pessoas boas”. Ele prefere ignorar o caráter daquelas pessoas (individualista) ou ainda, crer que os motivos delas para fazerem isso são muito fortes (romântico). Acho que são estas as maiores partes do humor negro, em meio a tantas atrocidades, o protagonista dizer simplesmente que está tudo bem. Acredito que, devido a esta visão fantasiosa, que a fotografia do filme apareça tão saturada e viva, por Louison querer distorcer as certas coisas devido aos contrastes e ao fantástico, igual ao circo. Isso é nítido nas horas que começa a compor música com serra, com o pincel, com os sons humanos dos vizinhos. É uma fotografia magnífica, que inclusive me remete à lomografia e ao em O Fabuloso Destino de Amélie Poulain.

É muito agradável perceber estas ideias nos filmes de Jeunet. Encontramos muitos símbolos minuciosos, que nem consegui escrever sobre ele de tão fascinada que fiquei, além do que, não tive tempo. Parece que Amélie é um filme romântico, e o Delicatessen um naturalista, qual será o estilo do próximo filme que verei de Jeunet?

NOTA IMDB

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Toki wo Kakeru Shoujo

Título Original: Toki wo Kakeru Shoujo

País:  Japão

Ano:  2006

Duração:  98 minutos

Gêneros:  Ficção Científica, Animação, Romance, Comédia, Drama

Direção: Mamoru Hosoda

Roteiro:  Satoko Okudera, Yasutaka Tsutsui

Formato:  AVI

Tamanho:  700 MB

Legendado: Português

Sinopse:

A animação baseada em mangá de sucesso voltado para o público juvenil aborda o cotidiano de uma colegial que sofre um acidente numa linha de trem e percebe que tem um dom sobrenatural de transitar pelo tempo.

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Comentário:

Pessoas, prédios, carros, casas, bicicletas, raios de sol e sombras, animais, família, livros, roupas, nomes, números, músicas, bolas, som de cigarras… Caos. A vida e todos os minuciosos detalhes que tem. Retratados como se fossem um dos animes de Miyazaki, mas esta história só tem esta influência com o grande desenhista japonês.

Chego a me perguntar muitas e muitas vezes se o que vivo é real ou um sonho. Quando me deparo com obras belas, singulares e ficcionais, acredito que tudo é possível, porque é essa a ideia da história bem contada. E do talento e esforço para se contar uma boa história. O coração das pessoas se enche de esperanças ao deparar com tais histórias surpreendentemente irreais que parecem ter ocorrido. A emoção que Makoto exprime no anime é muito grande, e comparável à de uma pessoa na vida real. Mesmo a sua aparência, criado por Yoshiyuki Sadamoto, sendo bem simplista e as emoções bem marcadas. Mas todos estes detalhes não são apenas para preencher a animação como uma forma de mostrar o talento do Estúdio e do desenhista, pois só tem a favorecer a história, mostrando o contexto atual.

Poderia parecer clichê o fato de suas ações aparentemente inocentes cobrarem um preço alto em outras pessoas, mas o fato de Makoto não “ir para o lado negro da força”, dá a nós uma afinidade com a protagonista, querendo que ela não se dê mal, pois vemos sua inocência. Em vez de fazer coisas para si mesma, resolve ajudar o amigo enxergar a menina que gosta dele, repete inúmeras vezes cenas que foram, para ela, especiais e únicas.

Talvez se tivéssemos esse poder, também preferiríamos querer reviver certas ocasiões de nossa vida do que hoje, porque agora estamos pensando no que faríamos. Porém ninguém sabe o que pode acontecer quando se tem um poder na palma da mão, será que refletiríamos? Mas saber de antemão o que irá acontecer no futuro acaba com as surpresas da vida e a naturalidade dos relacionamentos.

O ambiente do filme nos remete a “Whisper of the heart”, do estúdio Ghibli. Mas o Estúdio Madhouse tem muita qualidade em seus animes seriados, dentre eles estão HunterXHunter, Death Note e Devil May Cry.

mas nada é feito com ostentação, tudo funciona a favor da história e da ambientação. Certas cenas do “mundo parado”, em especial, são pura poesia, chegando a arrepiar de tão belas.

Makoto é independente, ativa e destemida. Trata seus amigos, Kousuke e Chiaki, de igual para igual, jogando beisebol com eles como se fosse um garoto, além de ser estabanada, e ao mesmo tempo é sensual e fofa. Não usa nada mais que camisa polo branca, tem cabelos curtos e simples, não usa nenhuma maquiagem. O fato de a personagem ser tanta coisa assim, só mostra a complexidade das suas personagens, o Estudio Madhouse não deixa pra trás a maturidade nas produções, retratando como é de fato na vida real.

NOTA IMDB

Porco Rosso

Título Original: Kurenai no buta

País:  Japão

Ano:  1992

Duração:  94  minutos

Gêneros: Aventura, Animação, Romance, Fantasia

Direção: Hayao Miyazaki

Roteiro:  Hayao Miyazaki

Formato:  RMVB

Tamanho:  229 MB

Legendado: Português

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Parte 1 / Parte 2 / Parte 3

Comentário:

Acredito que o nome Porco Rosso possa fazer referência ao o Barão Manfred von Richthofen, morto em combate em 1918, aos 26 anos, conhecido como Barão Vermelho.  Foi o mais famoso e o mais célebre da aviação de todos os tempos. Apesar de ter abatido uma quantidade impressionante de aviadores franceses, ingleses e canadenses, foi profundamente admirado e respeitado por seus adversários. Isto porque, assim como von Richthofen, Marco, conhecido como Porco Rosso, é um piloto exemplar, que fora militar, mas que agora dedicava-se a pequenos trabalhos, além de ter diversos inimigos que o respeitam e admiram seu talento, apesar de não gostarem dele.

Tenho cada vez mais convicção da influência de Miyazaki e do Studio Ghibli nos animes atuais é muito grande. Um tema que é muito frequente em animes e que os otakus adoram é Piratas do Céu, como Last Exile, Erementar Gerad, inclusive mais um do próprio Miyazaki: Laputa – Um Castelo no Céu.

Os vilões de Miyazaki são sempre verossímeis e se assemelham as pessoas que, na vida real, acreditamos ser “más”, mas com a convivência percebemos os motivos que as levaram a ser assim. Mamma Aiuto é o líder da gangue dos céus, apesar de no início da trama nos deparar com eles como sendo maus, ao desenvolvimento vemos como são humanizados, se apaixonam por Fio e a tratam bem. O que é o diferencial da maioria dos filmes, até em filmes adultos encontramos vilões que são muito maus o tempo todo com todas as pessoas.

Porco vive em uma ilha isolada, e depois de salvar umas garotinhas é obrigado a fazer uns concertos em seu avião. Passa então, pelo Hotel Adriano, onde notamos certa intimidade com Gina, a dona. Uma mulher que é apreciada por todos pela beleza, simpatia e voz.

Ao partir para Milão para os concertos, descobre que todos os antigos mecânicos não estavam mais lá, Piccolo, o dono da loja diz que eles “se foram”, criando, sutilmente, a ideia de que eles estão mortos, visto que a história se passa no período entre Guerras. Depara-se com uma mocinha bonitinha que irá arrumar seu avião, inicialmente cético em relação a sua habilidade como mecânica, mas depois de ver sua dedicação no projeto, Porco a aceita como uma engenheira competente e genial. Sem homens para ajudar no projeto, Piccolo chama uma equipe só de mulheres para reparar o avião, todas mulheres e filhas dos seus filhos mecânicos que “se foram”. Esforçadas e competentes terminam o projeto criado por Fio. Mais uma vez nos deparamos com as heroínas de Miyazaki.

Decidida a partir com Porco para verificar seu trabalho e receber o dinheiro, Fio vê a oportunidade de aventuras. Inicialmente relutante com a ideia de levá-la, acaba a aceitando por sua insistência.

Quando chegam à Ilha de Porco, vários Piratas do céu estão aguardando para atacá-los e destruir o precioso avião vermelho, mas Fio agilmente fala com eles sobre moral e valores dos Piratas do Céu, de como são mais e que suas mães ficariam envergonhadas se assim fizessem. Num monólogo muito bonito e inteligente, Fio diz: “Cresci ouvindo histórias sobre pilotos de hidro-avião”. Que eram os melhores e mais honrados, porque o mar e o céu lavavam suas almas. Assim eram mais valentes que os marinheiros e mais orgulhosos que os pilotos normais.” Assim, Porco percebe sua bondade por oferecer-se como prêmio da luta entre Curtis e Porco.

Apesar de Gina sempre dizer para Marco procurar algum modo de quebrar o feitiço, e seu amigo Ferrarin insistir para que volte para a aeronáutica, onde ficara seguro, Marco insiste e diz: “Prefiro ser um porco do que um fascista”.

Fio herda a loja de seu avô. Tudo acaba bem no fim do filme. Uma curiosidade é que Piccolo, a companhia de avião retratado no filme, pode ser uma referência para o italiano aeronaves fabricantes Caproni e Piaggio, porque o jato mostrado na última cena é muito semelhante do Caproni C-22J, um avião desenhado por Carlo Ferrarin. E Ferrarin é o nome utilizado no filme para o amigo Marco de piloto da Força Aérea.

Nota IMDB

Anticristo

Título Original: Antichrist

País:  Dinamarca

Ano:  2009

Duração:  109  minutos

Gêneros: Thriller, Drama

Direção: Lars Von Trier

Roteiro:  Lars Von Trier

Elenco:

Charlotte Gainsbourg
Willem Dafoe

Formato:  AVI

Tamanho:  790 MB

Legendado: Português

Sinopse:

Um casal devastado pela morte de seu único filho se muda para uma cabana isolada na floresta Éden, onde coisas estranhas e obscuras começam a acontecer. A mulher é uma intelectual escritora que não consegue se livrar do sentimento de culpa pela morte do filho, e ele, um psicanalista, tenta exercer seu meio de trabalho para ajudar a esposa. Anticristo é divido em partes: Prólogo e Epilogo e ainda capítulos que se passam na floresta de Éden: Dor, Luto, Desespero e Os três Mendigos.

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Comentário:

Principalmente agora entendo porque Lars divide seus filmes em um prólogo e capítulos. Resolvi fazer uma experiência, que me mostrou o quão interessante é o que nós, expectadores, vemos em cada uma das partes do filme. E então, assim conforme assistia ao filme, eu relatava um pouco, e a minha visão dos personagens e da situação mudou completamente. Antes, depois de assistir aos filmes do Lars até o fim é que escrevia. Nesse momento minha mente já tinha refletido sobre as situações, tornando mais fácil comentar do filme.

Epílogo

Em preto e branco vemos uma fotografia admirável. Uma das cenas de cinema que se tornou polêmica: um casal tomando banho, a água escorre pelo rosto de um homem que aparenta ter um pouco mais de 40 anos. A mulher, parecendo mais jovem, porém um rosto de uma beleza incompreensível pelos traços diferentes do comum. Ambos beijam-se e segundos depois a cena da penetração do sexo que se inicia. Em câmera lenta, os movimentos parecem suaves e a trilha sonora  eles mudam de lugar, e por fim chegam a cama, a babá eletrônica está com o som desligado. Apesar do filho ir até a porta do quarto e assistir a cena durante um segundo, os pais nada ouvem os barulhos que ele faz, como jogar os bonecos de cima da mesa no chão. Temos a impressão de que ambos estão realmente envolvidos em seu ato intenso e nada escutam ou veem. O bebê, parece que voluntariamente, joga-se da janela. E quando a mulher chega ao auge do orgasmo é o momento que o bebê cai lentamente para o cão branco pela neve.

Capítulo 1: Sofrimento

Depois de um longo período no hospital, a mulher retorna para casa e começa um tratamento terapêutico com o marido. Nesse momento ela afirma coisas que o deixam surpreendidos, como dizer que ele sempre fora distante dela e do filho, que só se interessara por ela agora, que era sua paciente, agora que ela tornara-se um dos seus trabalhos. A evidência de que realmente ele era distante, é quando descobrimos que ela colocava os sapatos ao contrário em Nick, o bebê.

O casal é como que expulso do mundo e vai para a floresta Éden (que trás o caos), como se fossem Adão e Eva expulsos do paraíso por terem pecado, e o pecado foi cometido pela mulher igual à história bíblica. A mulher é o anticristo.

Capítulo 2: Dor — o caos reina

O homem tenta ser imparcial, não demonstra desespero nem sofrimento diante das situações. Estreita-se em anotar as ações da mulher para analisa-la. Depara-se com um topo constituído de medos que vai tentando adivinhar.

De repente, aos 55 minutos, sua esposa fica bem, e ele não consegue entender isso, e pior, não consegue ficar feliz por ela ter se “curado” do sofrimento. Por a esposa o agradecer, ele olha catatônico já que não acreditava ser a sua competência que teria a ajudado. Então sua esposa declara: “Você não consegue ficar feliz por mim, não é?”. Na realidade, acredito que ele se decepcionou e se surpreendeu  com o fato.

Capítulo 3: Desespero — Genocídio

Ao descobrir o tema da tese da esposa (as torturas e mortes sofridas por mulheres durante a Idade Média) o Homem começa um percurso que o levará ao encontro do medo que está no topo da pirâmide, o medo domina a Mulher: ela mesma.

Ao conversar com a esposa, depara-se com um sofisma criado por ela: Se a natureza é má, e a mulher é regida pela natureza, logo a mulher também é má. Por isso que ocorreu genocídio com mulheres, e que na realidade elas, por serem más, que provocaram a própria morte.

Revolta-se com tal lógica absurda e falha. Infelizmente ela não pensa o quão errado é seu pensamento, mas pensa que o homem, novamente, está sendo arrogante.

Quando a mulher conta o que as castanhas caindo são as lágrimas da árvore o marido diz ser comovente, mas sua arrogância não deixa que ele veja como a mulher ou que ele concorde com ela, então ele diz ser infantil o que ela disse mesmo se pensar o mesmo. Apesar de sua arrogância não deixa-lo mostrar, ele sofre e chora, mas suas lágrimas não saem pelos olhos, escorrem dentro de si mesmo. Acredito que a cena ele está ao lado da cabana e as castanhas caem, mostrem seu sofrimento retraído para dentro de si. As castanhas caem aos montes, como lágrimas, como suas próprias lágrimas. Assim, a sua mulher não pode vê-lo chorar nem sofrer. Ele acredita que dessa forma, ocultando o que sente poderá ajuda-la.

Muitos homens acreditam que, na hora que sua mulher está chorando, ele não deve chorar, pois isso prova que existe fraqueza nele, e por acreditar que é seu dever consolá-la e fazê-la bem. Mas isso não o fará bem, e ainda pode dar impressão de frieza, pois como ele não chora diante daquela situação triste, a mulher pode pensar que ele não sente o que ela sente, e assim não irá entendê-la, portanto desisti de tentar explica-lo.

Já quando, em um casal, seja gay ou não, o parceiro demonstra o que sente ao outro, ambos podem se ajudar. Parece difícil, mas certamente que funciona. Porque ambos falaram o que sentem da situação, e se entenderão, só assim poderão fazer bem a si mesmos. Mesmo que um acabe por não dizer nada que console aquele que está mal, se ele disser o que sente, o outro irá compreendê-lo e poderá se ajudar sozinho. As pessoas sempre se curam sozinhas quando não há outro meio, o que é necessário para isso é só o tempo e a paciência. Mesmo que as feridas façam marcas, a dor irá passar. A marca só irá permanecer para lembrar você da dor que passou naquela hora.

Quando um sofre, e o outro omite o sofrimento, este só irá aumentar e corroer o que sentem um pelo outro, e por fim o marido não irá conseguir ajudar a mulher, ou a mulher não irá ajudar o marido, ou ainda em um casal gay, os parceiros não se ajudarão.

No filme, apesar de ser um terapeuta, as coisas que ele tenta fazer para ajudar parecem não funcionar ou ter resultados mínimos. Talvez porque ele disse que não seria bom que tivessem relações sexuais nesse período, porém não conseguiu. Novamente a mulher se mostra o Anticristo, o seduzindo de forma selvagem.

Mulher revolta-se com a infelicidade do marido, principalmente por ele não aceitar que ela está melhor, visto que quis fazer um novo exercício terapêutico com ela. Sendo assim, ela mostra o mal que há dentro dela. O mal que ela crê existir. Torna-se uma ninfomaníaca, e o pior, que o marido submete-se a essa situação. Em meio a discussões ela o agarra e violentamente começa a transar com ele. O auge e o cúmulo da loucura surgem quando ela pensa que o marido irá abandoná-la por descobrir o que fizera com o filho, desespera-se, e isso aparece na cena em que, ela o bate, e então ele a agarra para conter sua fúria, mas ela já começa a se insinuar, abaixa as calças dele e sobe em cima dele. Em meio a beijos e tapas, é revelado o desespero. Realmente é grotesca a forma como eles transam, ainda mais por ela dizer, nesse instante, que ele vai deixa-la, que ele não a ama e ainda que não acredita nele. Assim, bate com um pedaço de tora em seu pênis e o marido fica inconsciente.

Com ele nesse estado ela o tortura, colocando uma lixa de pedra em forma de roda. É assustador pensar que eles são casados e tiveram um filho, quer dizer que eles se conheciam e diziam que se amavam. E de repente a mulher enlouquece e o tortura. É realmente perigoso se envolver com alguém. Uma hora a pessoa está bem, é dócil, mostra que ama você e te trata bem. Em outro, enlouquece e o tortura. É claro que a possibilidade de ficar com alguém que se transforme assim é muito pouca, mas diante de um psicopata, por exemplo, não percebemos o quão cruel é a mente que ele possui.

Quando vemos que ela trocava os sapatos dos pés do filho, como uma singela tortura, que o faz chorar. Compreendemos um pouco o porque ela sofrera daquela forma, por arrepender-se do pecado.

Capítulo 4: Os três Mendigos – dor, sofrimento e desespero.

Pedido de desculpas, e começa a desenterrá-lo e o ajuda. Para depois dizer: “Quando os três mendigos chegarem, alguém tem que morrer.” O veado representa a dor – por ter parido; a raposa, o sofrimento – por ter “comido” a si mesma; e o corvo, o desespero – por o marido, escondido na toca estar desesperado, e o corvo insistir em piar, fazendo com que a mulher o ache.

Ela pede para que ele a masturbe enquanto chora. E então algo surpreendente revelador acontece! A cena inicial retorna e mostra-nos que ela vira que o filho tinha saído da grade. E entendemos que ela representa o Anticristo, que seria a natureza humana.

Ela corta o próprio clitóris! Então eu pensei que ela se mutilou por ter mutilado o marido antes, ou como um castigo que se aplica por todos os pecados que cometera.

Ele encontra acha a chave-inglesa e retira o peso da perna. Enforca a Mulher, matando-a com as próprias mãos. Depois disso, ele faz uma fogueira e queima o corpo dela, como as práticas antigas da Idade Média.

Epílogo:

Novamente as cenas em preto e branco, com a mesma música do prólogo do filme. O Homem fragilizado pelos machucados, arrastando-se sob um tronco de madeira, sobe a montanha. Ele vê de novo os três mendigos (corvo, veado e raposa), e ao olhar para trás aparecem várias mulheres sem rosto indo a seu encontro.

É muito importante lembrar que é um filme que foi dedicado à Andrei Tarkovski, o que explica muita coisa.

Nota IMDB

O Serviço de Entregas da Kiki

Título Original: Majo no takkyûbin

País:  Japão

Ano:  1989

Duração:  103  minutos

Gêneros: Aventura, Animação, Família

Direção: Hayao Miyazaki

Roteiro:  Hayao Miyazaki, Eiko Kadono

Formato:  RMVB

Tamanho:  229 MB

Legendado: Português

Sinopse:

Kiki é uma jovem bruxa em treinamento, que acabou de completar treze anos. De acordo com a tradição, todas as bruxas com essa idade devem deixar suas casas, para aprender a viver por conta própria. Kiki, junto com seu gato Jiji, voa para longe para viver na cidade de Korico. Depois de chegar lá, tem de arrumar emprego e aprender o verdadeiro significado de sua nova vida, principalmente depois que perdeu o poder de voar. Mais uma obra mágica do gênio Hayao Miyazaki, que ganhou o Oscar de Melhor Filme de Animação pelo incrível A Viagem de Chihiro. Uma longa jornada cheia de aprendizado, magia e muita emoção.

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Parte 01 / Parte 02 / Parte 03

Comentário:

Em O Serviço de Entregas da Kiki há uma preparação para que Kiki se torne uma bruxa, a qual funciona como uma metáfora para o amadurecimento, o que acontece em muitos filmes de Miyazaki. Esta preparação acontece quando as bruxas completam 13 anos, tem que sair de casa durante um ano, para aprender a se virarem sozinhas com o objetivo de descobrirem os seus dons. Kiki escolhe uma cidade grande e litorânea, pois nunca havia visto o mar, nem estado em uma metrópole. Mas o seu encantamento vai sumindo conforme ela lida com o dia-a-dia da grande cidade.

Faz amizade com uma padeira que a acolhe em sua casa, e por estar grávida, pede ajuda para Kiki no serviço da padaria. Além disso, Kiki tem seu próprio negócio: entregas. Com a ajuda de sua vassoura entrega dentro e fora da cidade. Complicações engraçadas e embaraçosas acontecem no início, divertindo e emocionando muito, principalmente as crianças.

Ainda sim existe a parte dramática da história sendo tratada sutilmente, que é o fato de Kiki tentar ter amigos, querer ir a festas, usar roupas iguais as jovens de sua idade, mas perceber que muitos a olham com estranheza. Em meio a essa situação, entra num conflito consigo mesmo, adoece e entristece. Provavelmente sente falta da casa de seus pais no interior, com seus amigos, onde podia andar na rua sem dar atenção à carros ou à olhares estranhos. O propósito de Kiki, descobrir o seu dom parece distante, insegura e impaciente, Kiki acaba tendo sua magia enfraquecida.

É um clichê Kiki conseguir utilizar sua magia só no último momento para salvar o seu único amigo da cidade, mas é o que geralmente acontece com as pessoas quando querem fazer algo e não conseguem, só conseguem em meio à pressão, à necessidade.

O desenho sempre muito perfeito, com todos os planos cheios de detalhes, nenhum espaço vazio, o que faz o irreal convencer muito pela aproximação do real através do ambiente onde se passa a história. Kiki é uma protagonista agradável, que conta uma história inocente e educadora.

NOTA IMDB

O Sétimo Selo

Título Original: Det Sjunde Inseglet

País:  Suécia

Ano:  1957

Duração:  89  minutos

Gêneros: Drama, Fantasia

Direção: Ingmar Bergman

Roteiro:  Ingmar Bergman

Elenco:

Bibi Andersson
Max Von Sydow

Formato:

Tamanho:  365 MB

Legendado:  Português

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Comentário:

A introdução de O Sétimo Selo é muito poética, Antonius Block, um cavaleiro medieval, acaba de voltar das Cruzadas, depois de ver e causar tantos sofrimentos em nome de Deus questiona-se sobre o que ocorreu. Assim a Morte surge para leva-lo, porém ele precisa de mais tempo para ter conhecimento e encontrar as respostas de suas perguntas, sendo assim pede para a morte jogar uma partida de xadrez com ele, para conseguir tempo.

O xadrez é um jogo que requer puramente raciocínio e suposições, não há necessidade de sorte, como Antonius quer respostas lógicas, acredito que, por isso, este jogo fora escolhido.

O título refere-se ao livro bíblico Apocalipse, que narra que na mão de Deus há um livro com sete selos e a abertura de cada um destes implica num malefício sobre a humanidade, mas a abertura do sétimo é o que leva efetivamente ao fim dos tempos. O fim dos tempos, ao meu ver é representado na obra como a peste e a morte de todos os personagens, exceto o casal de artistas. Talvez por Bergman acreditar que a arte é a única salvação para a humanidade. Em meio a tanta miséria, Mia e Jof são felizes, pois são artistas.

O senso de humor aparece na cena em que Morte serra uma árvore para levar o artista, mas não consegue. Mostrando, a meu ver, novamente como Bergman acreditava na arte. Outro momento de humor ocorre quando as peças negras são sorteadas para serem jogadas pela Morte, que diz para o Cavaleiro, “Bem apropriado não acha?”. Como esses momentos são poucos e sutis, quis reforçar, retratando em meu comentário.

Apesar dos questionamentos do cavaleiro Antonius Block parecer blasfêmia acredito que a intenção do Bergman não é dizer que Deus não existe, ou criticar os religiosos, e sim mostrar que não importa se Deus, Diabo, Inferno, ou Céu existam, as situações são criadas pelos homens, como dizia Aristóteles: “Para problemas humanos, soluções humanas”. Bergman nos mostra que a única coisa certa é que morremos e sempre põe questões existenciais em seus filmes, o que o torna único e perfeito como diretor. No filme a morte é personificada e atinge todos através da Peste que ocorreu durante a Idade Média.

O clássico é algo presente em todos os tempos, algo que nunca morre que sempre acontece independentemente se está na Idade Média ou em 2012, sendo assim as obras de Bergman são clássicas. Exemplo disso é a incomunicabilidade do casal, que Bergman sempre retrata impressionantemente, presente também em O Sétimo Selo: Mia e Jof. Um casal feliz, que tem um filho e vivem em uma carroça fazendo arte, mas Mia, interpretada pela magnífica Bibi Andersson, não vê o mundo da mesma forma que seu marido. Enquanto Jof escreve músicas, cria metáforas para os acontecimentos, Mia só sabe dizer para ele se calar  pois as pessoas o consideraram louco já que ela não entende o que ele quer dizer. Diferente das pessoas que dizem que os homens não entendem as mulheres, aqui está uma mulher que não entende seu marido, o que é pouco retratado em filmes.

 Nota IMDB

Título Original: Sleeper

País:  EUA

Ano:  1973

Duração:  89  minutos

Gêneros: Comédia, Ficção Científica

Direção: Woody Allen

Roteiro:  Marshall Brickman,  Woody Allen

Elenco: Diane Keaton Woody Allen

Formato: AVI

Tamanho:  699 MB

Legendado:  Português

Sinopse:

Um clarinetista (Woody Allen) que foi congelado em 1973 é trazido de volta 200 anos depois por um grupo contrário ao poder vigente, que tenta derrubar o governo opressor. No entanto, ele quer conhecer este novo mundo mas as inúmeras modificações ocorridas nestes dois séculos o coloca em diversas confusões.

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Parte I e Parte II

Comentário:

O que é preciso para apreciar as obras desse diretor? Bom, acredito que muitas vezes ao assistirmos um filme de um diretor que nunca vimos antes estranhamos, mas com o decorrer dos filmes vamos entendendo a forma como o diretor vê o mundo, e assim podemos definitivamente apreciar ou não sua obra. Muitas críticas ruins aos diretores que são “difíceis de entender”, ou que tem muitas digressões são frequentes, dizem que não sabem se comunicar. Mas, com o tempo, se tornam admiráveis e idolatrados. Acontece sempre que os diretores que conseguem ser claros atingem a massa, e os que são mais subjetivos não. De certo é o que ocorreu com os primeiros filmes de Woody Allen visto que não tinha técnica cinematográfica e assim seus roteiros eram um pouco confusos e irregulares, porém muito criativos. Mesmo assim, sua criatividade não foi suficiente para o sucesso e apreciação das pessoas nos EUA, e sim na Europa. Só conseguiu certo prestígio nos EUA após Anne Hall (1977), porém escândalos na sua vida pessoal (divórcio) fizeram que as bilheterias norte-americanas caíssem após Maridos e Esposas (1992). Triste, mas é esse o fardo de ser um diretor de Hollywood: as pessoas confundem seu mérito com suas obras devido as suas ações em vida, esquecendo que todos erram, e que um artista também é alguém humano. Enfim introduzi assim este comentário sobre O Dorminhoco para mostrar que os filmes de Woody Allen não são para todos os gostos, há aqueles que não veem a mínima graça e aqueles que dão gargalhadas (eu). Nenhum dos diálogos é escrito à toa, são sempre muito inteligentes e dinâmicos. Isso permanece em O Dorminhoco, assim como o protagonista que tem a mesma personalidade na maioria de seus filmes: sempre histérico, cômico, que frequenta um psicólogo freudiano, até em Meia-noite em Paris, o ator Owen Wilson, aprendeu minuciosamente a ser como Woody Allen para atuar. A sociedade criada pelo diretor para O Dorminhoco faz apologia a 1984, com o Líder (uma espécie de presidente do mundo) governando e controlando a vida de todos, e mesmo que todos saibam disso, pouco parecem se importar, como no momento em que Luna diz à Miles para não se preocupar que a polícia o prenda, pois “só vão restaurar o seu cérebro”. E em outro momento em que dizem: “O mundo está cheio de coisas maravilhosas. Por que as pessoas enlouquecem e começam a odiar tudo? Por que existe uma resistência? Temos o orb, a teletela, o orgasmatron… o que mais eles querem?” Outro personagem retruca: “Somos artistas, reagimos apenas à beleza…”. No filme a resistência é um grupo revolucionário, o orb é uma droga meio LSD em forma de bola que funciona através do toque, a telatela é a tevê interativa, e o orgasmatron é um simulador de sexo já que todos afirmam (creem) ser frígidos. Já que todos são registrados, Miles cai numa confusão, pois a Resistência quer que ele coordene o golpe de estado. Apesar de ser traído pela Luna, ela percebe que por estar junto dele também está sendo perseguida e decide apoiá-lo. Mas Miles é capturado e sofre uma lavagem cerebral, enquanto isso Luna está lendo “O Capital”, “Manifesto Comunista” entre outros, alia-se a Resistência, vive selvagemente, totalmente o oposto de sua luxuosa vida. Saiu de um extremo para outro sem analisar o que de fato ocorria, assim, quando Miles retorna ao normal a critica: “Lê alguns livros e se torna uma pseudo-intelectual, neo-fascista, freudiana-marxista” E o diálogo final, que muitos ateus já passaram por uma situação parecida: “Diane Keaton: Você não acredita na ciência. E também que os sistemas políticos funcionem. E também não acredita em deus. Então… no que você acredita?
Woody Allen: Sexo e morte.”

NOTA IMDB

Fahrenheit 451

Título Original: Fahrenheit 451

País:  França

Ano:  1966

Duração:  112  minutos

Gêneros:  Drama, Ficção Científica, Thriller

Direção: François Truffaut

Roteiro:  François Truffaut, Ray Bradbury

Elenco:

Oskar Werner
Julie Christie

Formato: RMVB

Tamanho:  446 MB

Legendado:  Português

Sinopse:

Romance distópico de ficção científica soft, escrito por Ray Bradbury (1920-2012) e publicado pela primeira vez em 1953. O conceito inicial do livro começou em 1947 com o conto “Bright Phoenix” (que só seria publicado na revista Magazine of Fantasy and Science Fiction em 1963). O conto original foi reformulado na novela The Fireman, e publicada na edição de fevereiro de 1951 da revista Galaxy Science Fiction. A novela também teve seus capítulos publicados entre março e maio de 1954 em edições da revista Playboy. Escrito nos anos iniciais da Guerra Fria, o livro é uma crítica ao que Bradbury viu como uma crescente e disfuncional sociedade americana.

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PARTE1 PARTE2 PARTE3 PARTE4 PARTE5

Comentário:

Pílulas para insônia, depressão, excitação. Para nos deixar acordado, nos deixar concentrado, para síndrome do pânico. Para emagrecer, para engordar, para engravidar e não engravidar. Será que Fahrenheit 451 é mesmo sobre o futuro, ou é a sociedade de 1966, que persiste até hoje, camuflada de aspectos futuristas? Realmente na época em que Ruy Bradbury escreveu o livro (1953), que deu origem ao filme, erámos muito diferentes de hoje em dia?

A situação, na atualidade, só tem piorado. Transformamo-nos em viciados em televisão, cigarros, bebidas, e assim nos distraímos e as coisas realmente importantes que ocorrem no mundo e dentro até de nossas próprias casas são desvalorizadas. Política torna-se coisa de político, e os cidadãos se despem de suas obrigações e direitos. Como no filme, Linda – esposa de Montag – mantinha com o marido uma relação supérflua e fria, sem nem sequer lembrar-se de quando o conhecera.

Li alguns comentários sobre Fahrenheit 451 no Filmow, e vi que algumas pessoas achavam sem explicação a sociedade transformar-se assim, e ainda questionarem o porquê as pessoas não tinham a vontade de ideias e coisas novas como temos hoje em dia. Vejo uma clara resposta a essas perguntas: o tempo. Truffaut não mostra o tempo que se passou, mas a alienação vem ocorrendo há anos e cada vez mais acelerada. Desde pequena acreditei no Efeito Estufa, e agora os cientistas estão falando que isso é mentira e que na realidade o planeta está resfriando. Logo vemos como que as informações muitas vezes são enganosas e que devemos questionar sobre o que ocorre no mundo por este nos influenciar, para isso estudo, curiosidade e questionamentos são muito importantes na vida de uma pessoa que não quer se deixar alienar.

A “Família”, como é chamada a sociedade na película, promove através da televisão uma coesão social desejada há séculos, inclusive por dar oportunidade às pessoas, denominadas primos, de “interagir” com a história contada na televisão, o que é claro é enganação. É perceptível que as falas haviam sido gravadas. Montag também entende isso e tenta desiludir a mulher, que contrariada, continua na sua alienação.

Incrível pensar que toda a vida de Montag se faz questionar quando a professora lhe pergunta se já lera algum livro. Este atordoado, nega, mas inquieta-se e então procura ler algum para entender porque são proibidos. Logo, apaixona-se. Às vezes a rotina e a repetição nos faz distrair e assim não questionamos o que está acontecendo, não nos perguntamos se está tudo bem, se somos felizes, se viver como os outros vivem é a melhor maneira de viver. As perguntas atordoam as pessoas, mas devem ser feitas, mesmo se as pessoas contrariarem as ideias que temos, mesmo se discordarem do óbvio, o importante é que elas reflitam, e assim você também irá refletir.

O primeiro sonho que Montag tem é após ler, é fantástico e psicodélico, com as memórias do que passou nos últimos dias retornando de forma embaralhada. Percebemos a influência de Hitchcock nesse momento, por admirá-lo instaura nesse filme a experiência de usar a técnica do “diretor bárbaro”, que dizia que os sonhos eram ótimas formas de expressar-se cinematograficamente, ou seja, apenas através de imagens.

Outra influência é a introdução do filme, ela é a narração dos diretores, produtores, atores, etc. que estão por trás do filme, o que nos deixa curiosos. As introduções dos filmes de Hitchcock são maravilhosas e todos os seus filmes são milimetricamente pensados. Truffaut apesar das influências, deixa sua marca novamente: o baixo orçamento e o final do filme, que é questionador e o roteiro acaba em aberto, como em Os Incompreendidos.

Estranho que essa sua produção tenha como idioma original o inglês, já que no momento que entrevistava Hitchcock dizia não fazer sentido filmar um filme na França ou em qualquer país em inglês. Mas acredito que haja um fundamento nisso, pois como os EUA têm influencia mundial desde a época que o filme foi gravado, eu acredito que era uma forma de mostrar que essa realmente será a “língua do futuro” e realmente, hoje em dia, quem não tem inglês é descartado, por exemplo, de um emprego.

A ideia por trás da proibição e queima dos livros é ensinada nas escolas para as crianças como algo que pega fogo, para os adultos como algo que faz as pessoas tornarem-se anti-sociais e melhores que as outras. Realmente tem pessoas que acreditam que por lerem, são melhores que as outras que não leem. O que é uma infeliz utopia, como seria bom se para melhorarmos quem somos só lêssemos livros. A realidade não é assim, todo o conhecimento que os livros podem passar podem não ser transmitidos e muitas vezes se os são, há pessoas que não conseguem aplicar tais conhecimentos em sua vida. Não é porque uma pessoa gosta de romances amorosos, que conseguirá ser um amante ou um romântico, nem porque alguém lê política, que tal pessoa tornara-se um bom político. Seria maravilhoso se todos pudessem aplicar todos os nossos conhecimentos em vida, acontece que somos seres humanos imperfeitos e erramos independente de quantos livros tenha lido ou escrito.

Não sei se essa reflexão foi intenção de Truffaut, mas veio claramente a minha mente. Feliz seríamos se fosse simples assim, ler e então ser, e então viver, aplicando o conhecimento que tivemos. Às vezes aprendemos algo ao errarmos e mesmo assim, sem querer, erramos de novo. Mesmo assim, acredito que ler nos fazem refletir e tentar melhorar quem somos, veremos nos erros dos personagens as suas causas e consequências e assim pensaremos até que ponto tudo o que foi feito foi válido e se não for, pensaremos no como deveria ser feito. Brincando com o jogo do “se…”.

Além disso, a ideia da queima de livros pelo fictício Estado Autoritário é uma nítida referência às ditaduras que ocorriam no mundo inteiro – nazistas, comunistas, latinas, fascistas, as que ocorriam e que AINDA ocorrem no Oriente Médio e na África.

Bradbury definiu que Ficção científica “é uma ótima maneira de fingir que você está falando do futuro quando na realidade está atacando o passado recente e o presente”.

NOTA IMDB

A Janela Aberta

Título Original:  A Janela Aberta

País:  Brasil

Ano:  2002

Duração:  10  minutos

Gêneros:  Curta, Ficção

Direção:  Philippe Barcinski

Roteiro:  Philippe Barcinski

Elenco:

Enrique Diaz
Eugênio Puppo

Sinopse:

Um homem deitado em sua cama tenta se lembrar se fechou a janela de seu apartamento. Tentando reconstituir os passos de seu dia-a-dia, numa linha de raciocínio, aparentemente, simples, revela-se dono de uma mente obsessiva e patologicamente perturbada.

Comentário:

Contada a história de forma bem dinâmica, com trilhas sonoras criando um suspense incrível e gradual, o curta de Phillipe barcinski tem um diferencial, assim como muitos curtas brasileiros (que acredito serem muito fortes). O diferencial está no título, o protagonista associa todos os fatos à janela, num quebra-cabeças de acontecimentos sem tanta importância se forem analisados separadamente. Dizem os psicólogos e neurologistas que na hora de dormir é bom treinar nossa memória recordando fatos do dia-a-dia que aconteceram nos mínimos detalhes, onde estava cada objeto, os fatos e etc. Enquanto assistia isso não saia da minha cabeça, já que o curta é movido das lembranças do personagem. O nosso personagem tem hábitos peculiares como cada dia da semana atravessar o tapete de um modo, lavar os pés na pia, colocar sobre a estante um objeto diferente. Todos elementos foram aproveitados e a inserção do outro personagem, um encanador talvez, ajudou a ligar esses fatos. Vários atos foram associados ao encanador. Cada dia o tapete era usado pra ele andar de um modo, no último o encanador tirou; os objetos eram colocados na estante, no último de novo foi retirado do local; o quadro que ele mexia depois de fechar a janela, o encanador quebrou e ocasionou o corte do pé; o pão que oferecia todo dia, cortou a mão com a faca; a infiltração de água, que o encanador quebrou a parede. Enfim, ficou muito bem amarrada essa história. Agoram, existem possíveis interpretações do final para justificar o homem morto dentro do armário. Como já disse os fatos foram associados ao encanador, provavelmente o homem morto é o encanador, mas como ele morreu? Aí que está a pergunta mais importante. A minha interpretação é que o encanador interferiu em todas coisas que o dono da casa fazia, tirou o tapete, a mesa e ainda por cima fez o outro cortar o pé, por sua culpa, além de quebrar a parede da sala, e isso pode ter enraivecido o homem. Não seria o caos pensar que ele pode ter assassinado o encanador pois alguém com tantos toques, seguindo-os religiosamente todo dia, seria como tirar a comida de alguém com muita fome alterar essa rotina.

Os Incompreendidos

Título Original: Les Quatre Cents Coups

País:  França

Ano:  1959

Duração:  93  minutos

Gêneros:  Drama, Policial

Direção: François Truffaut

Roteiro:  François Truffaut, Marcel Moussy

Elenco:

Claire Maurier
Jean-Pierre Léaud
Albert Rémy
Guy Decomble
Georges Flamant

Formato: RMVB

Tamanho:  323 MB

Legendado:  Português

Sinopse:

Os Incompreendidos (Les quatre cents coups) é um filme francês de 1959, do gênero drama, dirigido por François Truffaut. O filme narra a história do jovem parisiense Antoine Doinel, um garoto de 14 anos que se rebela contra o autoritarismo na escola e o desprezo dos pais Gilberte e Julien Doinel. Rejeitado, Doinel passa a faltar as aulas para freqüentar cinemas ou brincar com os amigos, principalmente René. Com o passar do tempo, as censuras o direcionarão, vivenciará descobertas e cometerá delitos em busca de atenção.

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Comentário:

Primeiro longa-metragem de François Truffaut, produzido em 1959, inspirado na infância do próprio diretor. Sendo intimista e de baixo custo, Os Incompreendidos, caracteriza a Nouvelle Vague, fazendo Truffaut ganhar prêmio de melhor diretor em Cannes, mostrando o reconhecimento do estilo.

A Nouvelle Vague torna-se muito evidente, por causa a realidade que o filme cria: as cenas serem feitas tão de perto e serem “de verdade” – é só lembrarmos a cena em que Antoine está correndo e percebemos esse realismo, com a câmera trêmula, a cena sob um fundo silencioso, quebrado depois de alguns minutos pela trilha sonora do filme “Générique Et Car de Police” de Jean Constantin. A referência literária de Honoré de Balzac também é outro marco do movimento. Essas características são a negação do Cinema Industrial.

Antoine Doniel é um menino de 14 anos que faz alusão à Truffaut em uma sequência de 5 filmes, que mostram 5 fases da vida desta personagem: Os Incompreendidos (59), Beijos Proibidos (68), Domicílio Conjugal (70), O amor em fuga (79). O protagonista de Os Incompreendidos é Jean-Pierre Léaud, que interpreta espontaneamente, digno das atitudes de seu personagem. Querendo ser livre, Doniel não aceita as imposições escolares, e com a ausência dos pais vê a possibilidade da liberdade através das faltas à escola para ir aos parques, cinemas e andar pelas ruas de Paris com seu amigo René. Os pais não aceitando que a culpa do comportamento do filho é deles, preferem submetê-lo à uma espécie de reformatório, o desprezando. Ou seja, tratam o filho como se fosse uma comida, que depois de fazê-la, vendo que não ficara com o gosto muito bom, jogaram no lixo. É assim que a sociedade age muitas vezes cria seres diferentes que não aceita.

Mesmo estudando desde a infância, tem as pessoas que não querem estudar, as não querem ser nada, as que são incertas do que serão e as que não conseguem ser nada, mesmo com ensino superior, estas pessoas são claramente marginalizadas de alguma forma pela sociedade. Impor que todas as pessoas sejam iguais é um erro, talvez esse seja o maior erro da escolaridade obrigatória, porém se o homem não conhecer como saberá o que não quer para si? Mesmo com as incertezas, Doniel tentara estudar e esforçar-se, porém como suas “respostas” eram diferentes do senso comum, ele acabava sendo descartado e humilhado. O que de mal há nele em tentar parafrasear algum texto para produzir o próprio?

Os sintomas hitchcockianos em Truffaut, infelizmente, me foram imperceptíveis nesse filme. Acredito que esses sintomas existam pela sua admiração por Hitchcock que entrevistara e fizera um livro. Mas se tais sintomas inexistirem ficarei feliz por apesar de admirar algo, Truffaut tente ser original.

‘ Tive uma pequena reflexão quando um dia desses na Bodeguita, um amigo meu disse que não via necessidade de estudar a história do cinema, mas preferi engolir a seco a dizer algo no momento, necessitei de tempo para dizer o que pensei na hora, e eis aqui: Saber os nomes dos grandes gênios do cinema e da mídia, de nada mais valem para você a não ser dizer que os conhece. E conseguir perceber a beleza das películas, muitos conseguem. Mas se, ao contrário de muitos, entender o que tais diretores quiseram ao produzir seus filmes, o que está por trás de suas mentes, o que ocorrera na época que o levou a pensar tão diferente do que pensamos hoje. Usar de nossas experiências, trazendo nossos conhecimentos, principalmente de sociologia e da História do Cinema, para escrever e analisar uma película trará de uma essência e originalidade exclusivamente sua e profunda. Inclusive porque muitas vezes, certos filmes tiveram prestígio social não pela sua beleza, mas pela época em que foi feito, e por quem foi feito.

NOTA IMDB

Pom Poko

Título Original: Heisei Tanuki Gassen Ponpoko

País:  Japão

Ano:  1994

Duração:  111  minutos

Gêneros:  Fantasia, Infantil, Aventura, Animação

Direção: Isao Takahata

Roteiro:  Hayao Miyazaki, Isao Takahata

Formato: RMVB

Tamanho:  CD1 184MB/ Cd2 207 MB

Legendado:  Português

Sinopse: 

O crescimento de Tóquio durante os anos 60 originou uma explosão urbanística nos subúrbios; montanhas foram aplanadas e florestas abatidas. Os tanuki, uma espécie de guaxinins, vêem-se ameaçados pelo desenvolvimento dos humanos: a área habitável reduz-se, bem como os recursos alimentares. A falta de comida conduz a guerras internas

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Cd1   Parte 1     Parte 2        Parte 3

Cd2  Parte 1      Parte 2       Parte 3

Comentário:

Produzido 10 anos depois de Nausicaä, Pom Poko é mais nipônico, digamos, por causa das referências culturais com os animais antropomórficos, dominadores da arte marcial, além dos Tanukis estarem presentes até em templos, por serem símbolos mitológicos sagrados. Como sempre, Hayao com sua influência nos valores ambientais, mas com uma dinâmica em sua narrativa diferente das outras obras do Studio Ghibli.

A história mostra como as atitudes humanas afetam a vida dos animais de forma fantasiosa, é claro. Uma rápida e forte urbanização ocorre, alguns animais vão embora, mas os tanukis começam a disputar território e comida. Ingenuamente tentam assustar os humanos, na tentativa de os expulsar. Vendo o fracasso, começam a invadir o território humano, para isso usam da televisão como meio para entender a vida humana, disfarçando-se deles vão trabalhar, e com o tempo vão esquecendo quem são diante da vida moderna. Há uma forte crítica à tv, pois os tanukis sobrem uma lavagem cerebral, começam a comer comida humana, a se intoxicar. Viciam-se em jogos e bebidas alcoólicas.

Tem valores maravilhosos, e acredito que as animações do Studio Ghibli formaram a moral de muitos japoneses e habitantes de todo o mundo. O objetivo de Hayao Miyazaki e Isao Takahata voaram mais longe.

Mais sobre o Studio Ghibli, com dicas de animações: https://fourhandedbrains.wordpress.com/2012/05/09/studio-ghibli/

Nota IMDB

O Castelo Animado

Título Original: Hauru no ugoku shiro

País:  Japão

Ano:  2004

Duração:  120 minutos

Gêneros:  Romance, Ficção Científica, Aventura, Animação

Direção: Hayao Miyazaki

Roteiro:  Hayao Miyazaki, Diana Wynne Jones, Cindy Davis Hewitt

Formato: RMVB

Tamanho:  386 MB

Legendado:  Português

Sinopse: 

Sofia é uma jovem de 18 anos que trabalha na chapelaria de seu pai. Em uma de suas raras idas à cidade ela conhece Hauru, um mágico bastante sedutor mas de caráter duvidoso. Ao confundir a relação existente entre eles, uma feiticeira lança sobre Sofia. O Castelo Animado foi indicado ao Oscar e ganhou vários prêmios ao redor do mundo.

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Comentário

Enquanto as animações ocidentais aparecem cada vez mais sofisticadas, com efeitos de computação gráfica que deixam o público indeciso quanto ao estúdio mais competente, o diretor Hayao Miyazaki e o Studio Ghibli não trocam por nada seu estilo de animação. E ainda são muito admirados por sua competência, os desenhos ainda feitos à mão em grandes quantidades, e maravilhosamente criativos. Os traços transparentes e inconfundíveis mesclando-se perfeitamente com poucos detalhes computadorizados, em cenários deliciosos que estúdio ocidental nenhum poderia imaginar.

O filme tem um tema mais forte que em outras animações, a guerras não é humanos contra a natureza, e sim fantasia um grande conflito entre feiticeiros e impressionantes máquinas de destruição, ao mesmo tempo tem cenas que dão alívio e nunca nos sentimos mal por um clima pesado que poderia ter sido criado pela trama por causa do tema, mas Miyazaki consegue genialmente nos desfiar disso, o que torna suas animações ideais para qualquer idade, inclusive crianças. Miyazaki nos faz refletir, mas nos tira boas risadas com seus personagens fantasiosos e complexos. Diferentemente de Pom Poko, O Castelo Animado é para um público mais maduro.

Nota IMDB

Leiam mais sobre as obras de Miyazaki e se encante com o Studio Ghibli, estamos postando sempre sobre suas incríveis produções: https://fourhandedbrains.wordpress.com/2012/05/09/studio-ghibli/

Encontro Marcado

Título Original:  Meet Joe Black

País:  EUA

Ano:  1998

Duração:  178 minutos

Gêneros:  Drama, Fantasia, Mistério, Romance

Direção:   Martin Brest

Roteiro:  Aude Bronson-Howard, Bo Goldman, David C. Robinson, Emmanuel Lubezki, Jeff Reno, Kevin Wade, Ron Osborn

Elenco:

Brad Pitt
Anthony Hopkins
Claire Forlani

Formato: RMVB

Tamanho:  618 MB

Legendado:  Português

Sinopse:

Em Nova York, uma médica residente (Claire Forlani) conhece por acaso um recém-chegado na cidade (Brad Pitt).

Eles se sentem atraídos, mas logo após se despedirem ele morre em um acidente.

Em seguida, a própria Morte decide por utilizar o corpo desta vítima e vai falar com um magnata da mídia (Anthony Hopkins), dizendo que está ali para levá-lo mas, como pretende conhecer os hábitos dos humanos, propõe retardar esta partida se o milionário tornar esta “férias” interessantes e instrutivas.

Ironicamente, a filha do magnata a jovem médica que tinha se sentido atraída por um desconhecido no início da história.

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Comentário:

As metáforas são criadas a todo instante pela película, mas as interpretações são únicas, cada pessoa encara a vida de certa forma, e a partir disso tem ideias, valores e ações diferentes. Encaro Encontro marcado como pura metáfora.

A mais incrível delas é no primeiro diálogo entre A morte (Brad Pitt) e William Parrish (Anthony Hopkins), em que a morte diz: “Diga-me, quero saber: Passarei despercebido?”. Acho magnífico porque as pessoas podem viver de diversas formas, mas elas escolhem sempre encarar a vida de duas formas, uma é viver através do trabalho, e outra forma é fazer da vida uma obra de arte. Viver através do trabalho é o que a maioria das pessoas fazem, não entendem que viver é uma arte e que não precisamos ser artistas para fazê-la uma obra de arte. As ações, os conselhos, os filhos, os amigos, os amores, todas as coisas que fazemos e todo o nosso legado poderá ficar para sempre gravado nas mentes de outras pessoas, e até pela humanidade inteira. Mas isso é uma escolha. E mesmo que se assim escolhermos, não seremos reconhecidos muitas vezes de imediato, em longo prazo tornamos nossa vida uma obra de arte. Vamos meticulosamente planejando e agindo, mas isso se quiser fazer-se importante na vida das outras pessoas, se quiser conviver de fato.

O nosso trabalho, independente de qual seja, tem papel importante, pois o planeta é um organismo, e cada pessoa uma organela de uma célula que tem funções importantes, e se decidir fazê-las tornara-se parte do mundo. Há pessoas que se fazem excluídas, por quererem ser assim, e acabam passando despercebidas, trabalham, e vivem do trabalho. As coisas que fazem são só para elas e tudo o que produzem também.

Não é o caso de William Parrish, líder de uma empresa e que, por achar-se velho, vê na beirada da morte e já começa a planejar o que acontecerá depois de sua partida. Começa a alucinar, a conversar com a morte. Preocupa-se com o que as filhas estão fazendo com a sua vida, quer que elas tenham suas vivas movidas ao amor, como ele viveu, e ainda vive. Pensa na esposa que morreu todos os dias, quer que seus bens, sua empresa continuem viva, que se lembrem dele. E por isso, a Morte pergunta para ele: “Passarei despercebido?”

Acredito que essa é uma pergunta que todas as pessoas deveriam fazer, deveriam entender também que seus filhos são continuação de sua vida, por isso eles são importantes. E por isso os pais sempre se intrometem muito na vida dos filhos, querem o melhor para eles, saber o que vai acontecer e se estão preparados para o mundo. Os privam de muitas coisas e lhes dão muitas outras. Às vezes dão coisas de mais. Aliás a maioria dos pais dá coisas de mais, dá aos filhos aquilo que não tiveram. Se isso é bom ou é ruim, o tempo mostrará. Mas as pessoas são complexas e depois de um certo tempo, se sempre ganharem coisas, elas perderão o valor e tornaram-se banais. Por isso William Parrish já com a ideia de morrer, decidiu fazer as coisas que não fazia antes. Jantar todos os dias com a família, mostrar interesse na filha mais velha, que vive lhe questionando sobre tudo, no filme tal ato é focado na festa de aniversário do pai. E por encará-lo como seu funeral, William sente-se perturbado pelas perguntas da filha.

Já que vi metáfora neste filme, queria dizer que podemos filosofar sobre tudo o que vimos, ouvimos e presenciamos, e apesar de apresentar algumas falhas, Encontro Marcado pode render bons frutos, é só lembrarmos de que não é só um filme, e que podemos sempre torna-los algo a mais. Podemos imaginar como será daqui pra frente, podemos pressupor coisas e, esquecer as cenas que não nos agradam, podemos encarar o filme, mesmo com seu misticismo, como simbólicas e representativas. Só nos basta lembrar que “A beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla.” David Hume.

Nota IMDB


Nausicaä do Vale do Vento

Título Original: Kaze no Tani no Nausicaa

País:  Japão

Ano:  1984

Duração:  117  minutos

Gêneros:  Drama, Aventura, Animação

Direção: Hayao Miyazaki

Roteiro:  Hayao Miyazaki

Formato: RMVB

Tamanho:  256 MB

Legendado:  Português

Sinopse: 

Após “A Guerra dos Sete Dias de Fogo”, causada pelos humanos por uma fictícia Revolução Industrial, surge uma floresta que exala gases venenosos. Apenas insetos e um ser conhecido como Ohmu vivem por lá. Nausicaä, filha do rei do Vale do Vento, tem uma estranha empatia pela floresta, e se vê obrigada a cuidar e proteger dela.

Download:

http://www.mediafire.com/?ywzmimfyjy1

http://www.mediafire.com/?imzjufyyjtj

http://www.mediafire.com/?5daozjmmrdt

Comentário:

Nausicaä do Vale do Vento foi inspirada em uma personagem que tem pouco destaque em Odisseia, de Homero, cujo o diretor, Hayao Miyazaki tinha fascinação, e o conto japonês A princesa que amava insetos. A história de Miyazaki trás valores muito belos como respeitar as florestas, os insetos e, como marca registrada, a amizade é sempre destacada. Nausicaä é sensível, forte e corajosa, sem falar muito percebemos tudo isso através de seus atos.

A personagem Nausicaä em Odisseia era uma princesa bonita e sonhadora, moradora da ilha de Feácia, gostava de tocar harpa e tinha uma decidida paixão pela natureza. Ela salvou Odisseu quando este apareceu ensanguentado na praia. Pressionado pelos pais de Nausicaä, Odisseu partiu sem demora, o que acarretou na tristeza da bela princesa. Nausicaä não desejou casar-se, tornando-se então a primeira mulher menestrel. Percebe-se então que a história de Miyazaki é muito mais criativa e envolvente, mas decidi mostrar quem era a Nausicaä inspiradora.

Diferente de outras animações voltada para o público jovem, os personagens não possuem características extremas, Nausicaä, em um momento perde o controle e mata alguns homens do exército de outro Vale que atacaram e mataram seu pai, mostrando a complexidade dos seres humanos, sem a antítese de bem X mal e sim o paradoxo bem & mal. Com isso já percebemos que a trama é muito mais madura e realista do que outras animações, e também é educativa e filosófica.

Nota IMDB

Leiam mais sobre as obras de Miyazaki e se encante com o Studio Ghibli, estamos postando sempre sobre suas incríveis produções: https://fourhandedbrains.wordpress.com/2012/05/09/studio-ghibli/

 

2 Coelhos

Título Original: 2 Coelhos

País:  Brasil

Ano:  2012

Duração:  108  minutos

Gêneros:  Ação, Policial

Direção: Afonso Poyart

Roteiro:  Afonso Poyart, Izaías Almada

Elenco:

Caco Ciocler
Fernando Alves Pinto
Alessandra Negrini

Formato: AVI

Tamanho:  704 MB

Legendado:  Português

Sinopse: 

Edgar (Fernando Alves Pinto) encontra-se na mesma situação que a maioria dos brasileiros: espremido entre a criminalidade, que age impunemente, e a maioria do poder público, que só age com o auxilio da corrupção. 2 Coelhos é um enigmático suspense de ação onde cada minuto vale mais que todo o passado.

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Comentário

O cinema brasileiro tem um histórico incrível, mas nos últimos tempos temos vistos muitos filmes estilo novela global, com certeza não é o caso de 2 Coelhos. O cenário brasileiro tinha que criar uma identidade, assim como o Cinema Novo no passado. Poucos filmes sobressaem do clichê em nosso país, e a maioria deles são espetaculares como O cheiro do ralo, Vip’s e Mangue negro, que tem um enredo, estética e personalidade muito únicos, porém o investimento, gosto e divulgações são rasos. Mas com certeza será o 2 Coelhos que agradará mais os espectadores, essa é uma maravilhosa trama cheia de adrenalina, inteligência, e investimento, tanto financeiro (só 4 milhões) quanto de empenho. E originalidade, apesar da visível influencia dos filmes de ação norte-americanos, como Snatch – Porcos e Diamantes, também imperdível. Digo que 2 Coelhos é original pela história, visão de mundo do protagonista e por ser brasileiro, o que é inovador e alternativo. Até a trilha sonora contém várias músicas nacionais, poucas internacionais, incluindo Radiohead, e em muitas cenas, devido a tensão, há a ausência de música.

A cena em que a atriz Alessandra Negrini luta com bonequinhos animados estilo videogame, mostrando seu ataque de pânico, demorou em torno de 3 meses para ser finalizada. Essa é outra característica do filme, Edgar, o protagonista, tem um vício por jogos e para mostrar como ele vê o mundo, o diretor decidiu colocar muitas cenas de videogame como onde joga GTA, e bate o carro, logo nos minutos iniciais do filme. Edgar parece muitos brasileiros que não tem objetivos na vida, estagnado em seu mundinho de pornografia e videogames aos trinta anos de idade. Ao final do filme vemos que estamos um pouco enganados quanto a isso, que Edgar é um justiceiro e nada melhor do que, pela situação crítica no Brasil, conflitar, ocultamente, político corrupto com assaltantes e traficantes. E outra coisa que o filme mostra muito bem sobre o Brasil: a polícia nunca aparece, e isso não é porque é ficção, e sim porque é ASSIM que acontece por aqui.

Com uma história fragmentada, os efeitos com certeza superam qualquer outra película nacional, mas o filme não vem acompanhado só da superficialidade da fotografia que nos encanta, e sim de várias reflexões. Sendo assim a pessoa que gosta de filmes de ação e perseguição vai admirar, e talvez só no fim do filme entendesse a trama, não superando o desafio que aquela que gosta de pensar ao ver um filme conseguirá, que é matar 2 coelhos com uma cajadada só, ou seja, perceber através dos mínimos detalhes o que está acontecendo, e também pode gostar muito.

A frase de efeito do filme: “Às vezes a gente precisa se distanciar do papel, pra enxergar o desenho todo com mais clareza.”

Para o enriquecimento do estreante Afonso Poyart no cinema, 2 Coelhos ganhará a versão hollywoodiana: http://omelete.uol.com.br/cinema/2-coelhos-filme-de-afonso-poyart-vai-ganhar-versao-hollywoodiana/

RECOMENDAÇÃO: Para aqueles que não gostam de spoiler, não assistam o trailer.

Nota IMDB

A viagem de Chihiro

Título Original: Sen to Chihiro no Kamikakushi

País:  Japão

Ano:  2001

Duração:  125  minutos

Gêneros:  Animação, Aventura, Fantasia

Direção: Hayao Miyazaki

Roteiro:  Hayao Miyazaki

Formato: RMVB

Tamanho:  406 MB

Legendado:  Português

Sinopse: O “Alice no país das maravilhas” japonês. Premiado com o Urso de Ouro no Festival de Berlim 2002 e o Oscar de Melhor filme Animado em 2003.

Leia mais sobre essa e outras obras clássicas da animação japonesa: https://fourhandedbrains.wordpress.com/2012/05/09/studio-ghibli/

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Nota IMDB

O Clássico das animações japonesas

O nome Ghibli vem de um apelido italiano dado aos aviões que sobrevoavam o Deserto do Saara na Segunda Guerra Mundial, que metaforicamente representaria o “sopro do vento” que vivamente invadiria a mente dos jovens japoneses, mas felizmente, o objetivo teve alcance maior e atingiu a mente de jovens do mundo inteiro. Foi fundado em 1985 e é comandado pelos diretores Hayao Miyazaki e Isao Takahata. As Trilhas Sonoras do Studio Ghibli são, em sua maioria, feitas pelo compositor Joe Hisaishi, o que dá uma beleza ainda mais preciosa aos filmes devido a originalidade.

A estreia do Studio foi o Nausicaä do Vale do Vento baseado no conto do folclore japonês A princesa que amava insetos, a história fictícia trás valores muito belos como respeitar as florestas e os insetos, que normalmente os consideramos asquerosos. Em 1984 já estavam considerando esses valores, no início da história conta que a decadência do Vale do Vento e de todo o mundo tinha sido a grande poluição e tragédia advinda das Indústrias dos homens, o que é uma grande possibilidade de ocorrer no mundo real se não nos reeducarmos de novo.

As fotografias de todas as animações são no mínimo perfeitas e encantadoras. A beleza da criatividade, dos planetas estranhos, dos seres vivos monstruosos parecendo extraterrestes nos dá a dimensão do trabalho do Studio Ghibli. Os finais dos filmes são inconfundíveis, não são nada parecido com o que costumamos ver apesar de muitas vezes ser finais felizes. Todas as animações roteirizadas por Miyazaki tem uma semelhança incrível no fim do filme que é o casal de crianças sempre presente e que nunca ficam juntos, nos dá essa perspectiva de que irão se apaixonar, mas só nos mostra a felicidade e a amizade que eles tem. Em Laputa – um castelo no céu, Sheeta diz a Pazu: Quando você caiu do céu, o meu coração estava agitado, sabia que algo de maravilhoso ia me acontecer, o que é muito romântico e dá à alguns a impressão de amizade colorida.

Os protagonistas sempre têm características maravilhosas, valores e qualidades admiráveis, com personalidades bem marcantes, como Pazu, de novo em Laputa – um castelo no céu, que é um menino determinado, corajoso e carinhoso, fazendo muitos sacrifícios para ajudar a estranha menina que conheceu a pouco tempo, cuidando dela como se fosse um homenzinho.

O céu é palco de muitas tramas do Studio Ghibli, o que é muito sonhador e confortante que me lembra a música do fechamento de Fullmetal Alchemist, que dizia mais ou menos assim: quero ser como o céu para você, e assim te acompanhar em todos os lugares que você for, você irá olhá-lo e se recordar do lugar para onde retornar.

Apesar de parecer infantil para muitos, os animes são profundos e maduros. Sempre tem muitas coisas ocorrendo durante as cenas de forma muito dinâmica, o filme que tem essa característica mais evidente é Princesa Mononoke que tem um número de quadros superior à… feitos a mão. As tramas sempre oscilam do cômico para o trágico, do sério para o sentimental em pouco tempo, caracterizando ainda mais o dinamismo. A minha animação, por enquanto, predileta do Miyazaki é A viagem de Chihiro, por que ainda não assisti a todos.

Os Estúdios Disney fecharam com os Estúdios Ghibli um acordo conhecido como Disney-Tokuma, aproveitando o interesse norte-americano sobre os mangás e animes, passando a distribuir em vídeo todos os longas animados do estúdio japonês, além de distribuir nos cinemas filmes que alçariam o nome de Miyazaki e de Ghibli ao estrelato ocidental e mundial, como Princesa Mononoke (1997) e, mormente, A Viagem de Chihiro (2001), laureado com o Urso de Ouro no Festival de Berlim 2002 e o Oscar de Melhor filme Animado em 2003, considerado o filme de Ghibli de maior sucesso internacional.

Também adorei Sussuros do coração único longa-metragem dirigido por Yoshfumi Kondô no Studio, é mais maduro emocionalmente, e não tem tantas agitações por ser no “mundo real”, a protagonista, Shizuku, é uma estudante, uma moça que lê vários livros e se encontra diante de um mistério doce sobre um gato e um nome de um menino que pegara os mesmos livros antes que ela na biblioteca. Ela fica imaginando como ele é e perguntando as pessoas sobre ele, o que é normal quando queremos conhecer alguém e se envolver, é como se quiséssemos saber o caráter e as semelhanças da pessoa com você antes de se apaixonar por ela, como se fosse um anticorpo. É engraçado a decepção que ela tem ao descobrir quem ele é. Um dos momentos mais emocionantes e belos do filme é quando cantam Take me home, country roads, em japonês.

http://site.studioghibli.com.br/

A Outra História Americana

Título Original: American History X

País:  EUA

Ano:  1998

Duração:  119  minutos

Gêneros:  Drama, Policial

Direção: Tony Kaye

Roteiro:  David McKenna

Elenco:

Edward Norton
Edward Furlong
Elliot Gould
Fairuza Balk
Beverly D’Angelo

Formato: AVI

Tamanho:  700 MB

Legendado:  Português

Sinopse:

Derek (Edward Norton) busca vazão para suas agruras tornando-se líder de uma gangue de racistas.

A violência o leva a um assassinato, e ele é preso pelo crime.

Três anos mais tarde, ele sai da prisão, e tem que convencer seu irmão (Edward Furlong), que está prestes a assumir a liderança do grupo, a não trilhar o mesmo caminho.

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Legenda

Comentário:

Skinhead Nazi é a denominação para uma ramificação da cultura skinhead, que inclusive abrange um grupo forte em Portugal que são comunistas e anarquistas, posicionando contra o preconceito e racismo, existem alguns em São Paulo, e na mesma cidade temos os Neuland (grupo neonazista separatista que pretendia separar regiões do Brasil e criar nelas um regime nazista).

Ao ouvir o nome skinhead muitos podem já associar a nazistas, mas esta é só uma vertente que se inicia com a banda inglesa Skrewdriver em 1977. Com letras conservadoras acabaram por influenciar muitos jovens xenofóbicos que acreditavam que a origem dos problemas sociais eram as minorias. O número de alistados da British National Front, partido político de extrema direita, racista que só aceita cidadãos brancos, aumentou muito nas décadas de 1970 e 1980. Tal partido critica a veracidade do Holocausto e apoia revisão histórica. Um absurdo. O número de votos em 2010 chegou a ser superior a 10.500, mas felizmente nunca ocuparam assentos no parlamento inglês.

O nazismo não é brincadeira, e apesar do nome nazismo só surgir após a Segunda Guerra Mundial, ele existe sobre outras formas através de outros filósofos. Rogério Lopes (UFMG) considera Nietzsche um precursor espiritual do nazismo que foi mal interpretado por Hitler e assim serviu de influência. Isso é muito triste.

A ideia positivista de Comte (“O homem é fruto da raça, meio e momento histórico”) instigou muitos outros pensadores, inclusive o desenvolvimento de teses como o Determinismo Geográfico, totalmente falho e que foi “quebrado” no século passado com argumentos contra. Infelizmente muitos ainda pensam que além do Determinismo, a mente de negros, homossexuais, estrangeiros ou judeus são menores e funcionam diferente. Apesar de tantas pesquisas hoje em dia serem lançadas, muitos parecem preferir viver dois séculos atrás.

Existem livros, inclusive foram publicados no Brasil, que dizem que o Holocausto não ocorreu, entre eles “O Judeu Internacional”, de Henry Ford, e “Protocolos dos Sábios do Sião”.

Ao ver as influências do nazismo, procuramos ver quais são as influências de Derek em “A outra história americana”. No momento em que Danny está escrevendo sobre seu irmão, diz que sua atitude neonazista tinha começado com seu pai. Então há um flashback, sempre em preto e branco, para uma cena de almoço, onde facilmente Derek é influenciado e muda de opinião rapidamente sobre a cultura negra que está aprendendo na escola pelos comentários preconceituosos do pai. Acontece que tal cena não convence muito que as atitudes de Derek tenham sido vindas de influencias paternas, o que torna essa argumentação fraca. Seria melhor que a história tivesse sido explorada nesse aspecto, se realmente quisesse convencer quem assistisse o filme.

Depois que Derek sai da cadeia, completamente mudado, algumas pessoas podem pensar que é uma história de recuperação, mas é muito mais que isso. Fora os comentários que ouvi de pessoas da minha idade que concordam com as ideias neonazistas e até dizem que o filme poderia ser muito melhor, mas por não poder pregar o nazismo, Derek é punido. Não acredito que Derek tenha sido punido por isso, a intenção não era mostrar como ele foi punido e como isso transformou suas ideias. Na realidade percebemos que Derek e Danny são muito inteligentes, mas acabam escondendo suas verdadeiras ideias ou fingem que realmente aquilo que seguem é o que ocorre. Mas Danny, por exemplo, parece questionar. Se não fosse a inteligência deles, Derek teria morrido na cadeia e Danny teria sido morto muito antes.

Edward Norton, que ganhou 15 kg de massa muscular para o papel, atua muito bem durante todo o filme. A nuance do personagem não parece ser falsa devido à Norton, quando mata os dois negros que roubavam seu carro, sorri e podemos até nos arrepiar com medo do seu olhar de desprezo para os dois ladrões. Em outro momento, quando Derek já saiu da cadeia, o olhar que Norton nos passa quando olha a suástica em seu peito e tampa com a mão é maravilhoso, uma cena de arrependimento linda. Edward Furlong é muito eficiente e consegue se destacar apesar de atuar com o ofuscante Norton. É um filme para refletir, que não foca a violência como seu principal tema.

“A vida é curta demais para desperdiçar com o ódio, raiva, preconceito, há tantos sentimentos melhores, por que não aproveitá – los?”

 

NOTA IMDB

Bonecas Russas

Título Original: Les Poupées Russes

País:  França

Ano:  2005

Duração:  100  minutos

Gêneros:  Drama, Romance, Comédia

Direção: Cédric Klapisch

Roteiro:  Cédric Klapisch, Anne Schotte, Dominique Colin

Elenco:

Romain Duris
Audrey Tautou
Kelly Reilly
Cécile de France

Formato: RMVB

Tamanho:   431 MB

Legendado:  Português

Sinopse:

Continuação de “Albergue Espanhol”, não precisa tê-lo visto para assistir e apreciar “Bonecas Russas”, com trinta e poucos anos, Xavier, o protagonista trabalha como escritor de telenovelas e jornalista free-lancer, mas sonha poder ser livre para escrever suas próprias histórias, mas antes precisa ter histórias. Está em busca do verdadeiro amor.

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Comentário:

Escrevia novelas medíocres para a televisão, sendo sempre guiado pelos clichês que a maioria das pessoas quer ver, e principalmente: um final feliz. Apesar de prezar tanto o amor e não aceitar muitas vezes tais clichês vive em um deles…

Este é Xavier, interpretado por Romain Duris, que é um escritor frustrado por não conseguir dedicar tempo e criatividade à sua obra-prima devido ao mundo atual que exige produtividade. Além disso, diz em revolta: “Como posso escrever uma história de amor? Não sei nada sobre o amor!” Como se necessitasse viver algo para escrever, excluindo a imaginação dos possíveis “E SE…” que muitos de nós (eu) adoramos fazer. É como pensar que todos os romances realmente tivessem acontecido com seus personagens, como pensar que Hemingway ficou velho, morreu e depois escreveu “O Velho e o Mar”, ou que, de fato, Machado de Assis tenha psicografado a vida de Brás Cubas. Bom, mas percebemos ainda mais a personalidade romântica e utópica de Xavier depois de dormir com a Barbie, satisfeito, cavalgando um belo alazão sob o céu azul.

Incrível a câmera nos pensamentos do protagonista, como quando escreve os episódios da novela, além de imaginar pessoas que passaram por sua vida, amantes e amigos, imaginando as possibilidades; durante as entrevistas de emprego, aparece vários de Xavier tocando flautas, ou seja, ele na verdade tentara distrair seus futuros chefes com as melhores características de si mesmo, e quando fantasia Martine explicando para o filho por que não se casou.

Apesar de parecer tão “romântico” e querer convencer que é uma vítima constante das mulheres, não me convence, ele mesmo as tratou como se fossem bonecas, tinha relacionamentos descartáveis com elas, em busca da Barbie. E, sempre se punha de vítima, falando que era solitário e que não arranjava ninguém, mas e Cássia, a bela negra que conhecera e tão descaradamente maltratara? Xavier parecia um ser inconsciente e hipócrita por dizer-se solitário, sendo que haviam inúmeras mulheres com quem dormira que se tentasse, poderia ter uma relação mais profunda e assim, conhece-la. É tão nítido isso que a primeira com quem teve uma relação profunda, com Wendy, já acredita piamente ser a mulher de sua vida. E mesmo assim, a trai por uma Barbie. Prefere ir ver a fútil, mas belíssima modelo a ficar com Wendy.

Enfim Xavier vê o quão idiota é e como foi descartado fácil da noite com a modelo. Nesse momento me veio à mente “Caso do Vestido” de Drummond, e pensei: se Wendy realmente amá-lo, o aceitará de volta.

Então vem a bela metáfora do título do filme: Xavier pensa que as mulheres com quem se relacionou eram como bonecas russas (que vem dispostas uma dentro da outra em um degrade, onde nunca se sabe qual delas é a última) porém, mesmo indo morar com Wendy, reflete que nunca se sabe qual é a última. Aí já mostra o erro das pessoas de começarem um relacionamento já questionando se será a última pessoa, se irá acabar. Quando pensamos que não dará certo, e por que de fato não vai dar. Ou ainda, quando pensamos que já conquistamos a pessoa e nos confortamos aconchegadamente em seu sofá é que tomamos um tapa na cara e percebemos que estamos perdendo aquele que tanto sonhamos…

Mesmo sendo de outros países e com outros hábitos, há a semelhança incrível entre os personagens de desejar o amor verdadeiro. Existe um momento na vida em que alguns jovens achando-se velhos (30 anos), acreditam ter a obrigação de ficar com alguém, e se angustiam ao ficar com outros que não são o ‘amor de suas vidas’, numa repetitiva procura que parece sem fim, entrando numa rotina, apesar de sair com várias pessoas, as julga sempre como iguais. Essa repetição pode sempre desagradar se você não a faz por que quer, ou seja, se você é um polígamo apenas por não ter encontrado o amor verdadeiro, por outro lado, às vezes queremos retornar a um momento de felicidade, repeti-lo parece ser a única forma de sermos felizes, e nos tornamos nostálgicos, como os adultos sempre falam que queriam voltar a serem crianças. Acontece que os que passam por essa necessidade de querer o amor verdadeiro, se reprimem e se controlam devido à insegurança.

Quanto mais o deseja, mas ele parece distante, quer tanto e tanto que não consegue ver com os próprios olhos o que está diante de si mesmo, necessitam de óculos.

O mito de Platão, Banquete, conta que os seres humanos eram hermafroditas até que Deus os separou em duas metades, que, a partir daí, procuram sua outra metade e o amor já existe no ato de procurar a metade perdida de nós mesmos. É um mito muito lindo e romântico, apesar de que, existem pessoas que não servem para amar. Dos lábios de alguns bissexuais, já ouvi afirmar que, existem tantas pessoas no mundo que eles(bissexuais) foram repartidos em mais de duas metades, e por isso consegue amar mais de uma pessoa. Será realmente isso? Ou seria apenas mais uma desculpa para ficar mais de uma pessoa? Será que de fato, podemos amar mais de um? Será que todo mundo consegue amar?

Nota IMDB

Trainspotting

Título OriginalTrainspotting

País:  Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte

Ano:  1996

Duração:  94  minutos

Gêneros:  Drama

Direção: Danny Boyle

Roteiro:  Irvine Welsh, John Hodge

Elenco:

Jonny Lee Miller
Kevin McKidd
Robert Carlyle
Ewan McGregor

Formato: RMVB

Tamanho:   305 MB

Legendado:  Português

Sinopse:

O filme conta a vida de um grupo de jovens viciados em heroína em Edimburgo, na Escócia, é uma adaptação de John Hodge para o romance de Irvine Welsh.

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Comentário:

Ewan McGregor, só ele poderia entrar tão lindamente em uma privada cheia de defecações, que me deram náuseas a ponto de não saber se vomitaria ou se continuaria a vê-lo mergulhar, surrealmente, em uma privada. É uma metáfora, nojenta e bela, de que Rent, o personagem interpretado por McGregor, está fazendo consigo mesmo: entrando na merda. Só este ator poderia ser atropelado e rir, passar mal glamourosamente em um tapete vermelho. E continuar lindo com sua abstinência de heroína e olhos vermelhos, tendo séries crises de alucinações, com cena referente a “O Exorcista”.

Trainspotting não é um filme qualquer, adolescente, moralista e clichê que aborda drogas no estilo “documentário escolar”. É muito mais profundo que isso, é um Junkie, com temáticas humanas, como a miséria, a coisificação, a merdificação daqueles viciados. A depressão que sentiu Rent quando parou de usá-la, e o mesmo sentimento que incentivou o ingênuo, bom e viril escocês Tommy às drogas. A reafirmação de Sick Boy, a violência de Begbie – o alcoólatra hipócrita que admite não querer usar heroína por não quer “ter porcaria no sangue”, mas droga-se de cigarros e do bom e velho álcool, e a prisão e solidão de Spud. Sentimento de autodestruição e falta de amor-próprio de todos.

Estes meninos vivem com a boa e velha ideologia sartriana da liberdade total, mas esquecem-se das consequências e isso que torna a obra bela, a mudança e desenvolvimento dos personagens conforme o passar do tempo, a mudança do jeans para o terno.

Há fortes homenagens a outras obras constantemente que, se não conhecermos, podemos ver o filme como polêmico e não apreciar todo seu valor por não perceber esses detalhes. Não é preciso procurar artigos antigos, tenho certeza que teve muitas críticas negativas, mas não acredito que tenha incentivado tanto a violência. Quando assisti senti um incentivo ao uso de drogas, aqueles que são influenciáveis podem pensar só na frase: “Pense no melhor orgasmo que já teve, multiplique por mil e ainda não chegará perto”.

Muito intensa, apesar das inúmeras consequências, aqueles adeptos às drogas podem pensar ser bom usá-la. Acontece que a história nos mostra uma coisa que simplesmente muitos ignoram: as drogas dão prazer. Mas trazem problemas. Poderia dizer o que da triste cena do bebê morto? Roxo de uma morte possivelmente provinda de um sufocamento, por ninguém ter dado aqueles famosos tapinhas em suas costas… Fiquei um pouco chocada, mas era como se já fosse esperado, afinal, que futuro aquele bebê teria em meio aqueles doidos? Nem a mãe sabia quem era o pai… Isso deixa como a droga pode desumanizar o homem.

Assim como “Laranja Mecânica”, há música clássica em trechos violentos. Outra referência à obra de Stanley Kubrick é o aparecimento brilhante do melhor bar do mundo: Moloko Vellocet.

As referências não param, quando estão na Inglaterra, nada melhor do que passar na Abbey Road igual aos Beatles. Os quatro amigos com ternos e malas, na mais alta elegância indo negociar venda de heroína.

Não tenho certeza se, na cena onde Rent está dançando na noite em que apaixona-se por Diane, atrás dele está um pôster do Taxi Driver.

O quadro do Pop-Art de Andy Warhol que ocupa a parede do quarto da jovem com quem Rent faz o bom e velho entra-e-sai. E até chocar a preocupação deste quando descobri que ela é menor de idade, o medo humano de ser preso. Isso mostra como não é um rebelde, como tem ideologias, já demonstradas desde o início, e ainda acreditar na hipocrisia da sociedade por dizer que a mãe tem um “vício socialmente aceito” por pílulas sei lá para que serve que toma todos os dias. Ainda afirma que “Quem precisa de motivos para se viver quando se tem heroína?”, mostrando a consciência de não ter motivos para viver e por isso usa a heroína.

Não sei como Boyle conseguiu livrar-se de ser um diretor de cinema trash, como Extermínio consegue ser um dos melhores filmes de junkie da minha vida, e com a cena em que Spud, durante um café da manhã, briga com a mãe da namorada por causa de um lençol, e caí suas necessidades básicas em cima de todo mundo que está comendo. Como isso não soou trash? Danny Boyle teve seu melhor empenho e criatividade, provavelmente as referencias em Trainspoitting mostram o bom gosto do diretor.

Encerra-se a trama com Rent afirmando que ‘quer parar de ser mau’, porém era tão companheiro dos amigos, emprestava dinheiro, dividia a cama, entrou em encrencas por causa dos amigos que, era bonzinho demais, ingênuo até. Com Begbie sempre mandando o que ele fazer. Encheu-se, viu que não era carrasco, e foi viver, procurar um motivo para viver, o incentivo para viver, infelizmente foi aquele dinheiro…

Nota IMDB