A complexidade e instabilidade humana me levam a crer que não sou alguém, e que não daria a mesma resposta se a mesma pergunta me fosse lançada (Quem é você?)

Hoje poderia responder uma coisa e semana que vem outra totalmente diferente porque para o ser humano e as ocasiões da vida fazem, com que ou eu reafirme meus valores ou que eu mude-os. E também não somos nada, porque nós respondemos a esta pergunta comparando-nos a outras pessoas, usando classificações, como ‘romântico’. Logo, sem os outros não saberíamos quem somos.

Mas o que somos mesmo é só isso? Comparações e adjetivos?

Ao elogiar alguém de inteligente, será que minha impressão foi transmitida? Será que a definição de inteligente escrita no dicionário, é a mesma que eu quero dar àquela pessoa?

Se eu conviver com essa pessoa será que não existirão momentos em que irei questionar sua inteligência? Isso provavelmente ocorre, porque ninguém é 100% algo, assim como ninguém tem certeza 100% dos sentimentos ou das decisões. Assim como a vida não é linda nem é feia, as pessoas não são uma coisa OU outra, e sim várias simultaneamente. Existem contextos e o olhar humano que ao incidir naquele instante tem uma impressão da situação.

Será que eu poderia dizer que houve um retrocesso até hoje? Onde o homem tinha três características que deveriam ser mantidas pelas leis: Igualdade, Liberdade e Fraternidade; que são puramente interligadas quando se vive na sociedade, mas que não funcionam para todo mundo.

Até aquele ditado que diz: “A minha liberdade termina aonde a do outro começa” é falho. Porque mesmo em sociedade podemos ser livres, mas existem consequências. Se a liberdade de todas as pessoas evoluísse juntas, como um casal de namorado, onde o homem faz algo e a mulher tem direito a fazer o mesmo.

Mesmo que alguns humanos odeiem a fraternidade, são forçados a tê-la. Primeiro porque o que o outro faz me atinge, e vice versa. Mesmo que não nos importamos com alguém, somos hipócritas em importar-se, para que não nos atinja, porque somos egoístas.

Como havia dito, acredito que haja esse retrocesso porque somos vistos como coisas por nós mesmos. Podemos ser comprados, explorados. Somos palavras isoladas para um dono de mercado. Somos um consumidor para a coca-cola. Somos um empregado para o chefe. Um número para o governo e suas estatísticas.

Isso por conta da individualidade. Nós somos esta concepção, quando vamos almoçar e o pedido vem errado, vemos o garçom como mal profissional, apesar de aquela vez poder ser a primeira dele, e ele ter perdido o pai no dia passado. Dizemos que nunca mais voltaremos àquele restaurante, porque pensamos que por pagar, eles não podem errar. Assim isso se reflete em nós mesmos, por isso tudo é tão pressionado para nós também, por pressionarmos os outros.

Imagem do filme Na natureza selvagem.

 

 

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