Um salgueiro em meio à ventania que o açoita, submete-se. Qualquer animalzinho que procure proteção dentro dele conseguirá, pois o salgueiro não se rebela contra o vento, deixa-o açoitá-lo para poder proteger aos animaizinhos e a si mesmo. O vento mal percebe o que faz ao atingir a árvore: leva suas sementes para o chão, germinando-as indiretamente. Depois de algum tempo existem tantos salgueiros que criam um muro contra o vento. Qualquer animalzinho fraco pode viver dentro desse conjunto de salgueiros, inclusive salgueiros mais fracos.

As mulheres são como esses salgueiros. Durante a Idade Média viviam submetidas aos homens, à sociedade, trancafiadas nos quartos. Os homens germinavam-nas como o vento germina o salgueiro, sem amor, nem sem a intenção de fecundar suas sementes.

Umas aprenderam que para poder participar dessa sociedade, era preciso submeter-se e fazer algumas coisas. Aquelas que se rebelaram viviam na infelicidade, trancafiadas em suas casas. Mesmo que as que se submetiam não eram felizes plenamente. Na realidade ninguém é. Mas elas aprenderam a agradar as pessoas, homens e outras mulheres, a se submeter à Igreja, às normas da sociedade, protegendo seus filhos e a si mesmas. Eram jogos de interesses e raramente existia o amor que muitas pessoas ainda pensam que existiam na época onde a mulher era submissa.

Era só um período de dormência, de conformidade e crescimento. As mulheres eram salgueiros isolados rudemente maltratados pelos ventos. Apesar dos nobres serem criados com mulheres para aprender como se tratar uma mulher, esse tratamento era de superioridade e ainda sim, o número de homens ignorantes era muito maior do que hoje, ou então o número de mulheres que não se deixam inferiorizar hoje é maior que dos homens ignorantes, pois estes ainda persistem a viver dessa maneira.

As mulheres perceberam que assim, unidas, seriam mais fortes. As que cresceram ao redor daquelas submissas aprenderam a unir-se a elas, para proteger as mais fracas e seus filhos. Tornaram-se muros.

Ainda há mulheres que vivem isoladamente, no alto de uma montanha, como um salgueiro, ferida pelo vento cortante. Mas isso é uma escolha dessa mulher. Ela tem direito de escolher ser assim.

O que ocorre com as mulheres no Oriente Médio, onde só no Egito temos 90% das mulheres circuncidadas, não é algo para nós, ocidentais, julgar ou querer fazer uma revolução por acreditar que é um absurdo o modo como elas vivem. A questão cultura é sempre um fator que não podemos esquecer, temos que entender que mostrar a estas mulheres que podem viver melhor é a atitude correta. A forma como conseguiram se quisessem e que devem ter direitos iguais aos homens e a todos os outros cidadãos devem ser expostas, mesmo que ainda assim queiram ser submissas à seus maridos e à sua religião.

Podemos informá-las, demonstrar o modo como vivemos. Mostrar que existem grupos de mulheres como existem florestas de salgueiros, onde não importa como sejam as personalidades dessas mulheres, não importa se são mais fracas, mais fortes, mais novas ou mais velhas, mais quietas ou mais extrovertidas, mais elegantes ou mais vulgares, mais ricas ou mais pobres. Há mulheres que se uniram e que elas podem fazê-lo se assim escolherem.

Ainda no Ocidente existem muitas mulheres que se calam ao apanhar do marido, mesmo com a possibilidade de denunciá-lo, mas não cabe a nós julgá-las, pois não sabemos as suas causas, mesmo se é por quererem proteger os filhos, ou até mesmo por amor, não cabe julgarmos e sim aceita-las. Deixá-las livres para escolher se querem ou não fazer parte desse grupo de mulheres-árvores.

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