No conto poético de Bertold Brecht “Se os tubarões fossem homem”, é narrado que os tubarões criariam escola, teatro e um grande aquário para os peixes, se fossem homens. Estes peixes saberiam que seriam engolidos pelos tubarões, mas mesmo assim sentiriam se satisfeitos de fazer tal sacrifício, visto que os tubarões são divinos, que adoram os peixes, que elogiam suas obras de arte e suas ações, dão medalhas quando ganham uma batalha e cuidam de suas feridas.

Nesse conto a bajulação trouxe benefícios para os tubarões visto que os peixes não fugiriam na hora de matá-los. Essa prática é usada por muitos políticos que dão coisas para agradar os eleitores enquanto tiram por outro lado. Assim evitam protestos e insatisfações. Isso nos mostra como, se não soubermos analisar a situação em que encontramos e quem somos, seremos enganados e por nossa culpa.

Às vezes, ao recebermos um elogio, discernirmos que este foi falso, mesmo assim agradecemos. Segundo uma pesquisa da Hong Kong University, bajulações mesmo que sejam falsas e a rejeitarmos, nos fazem bem e aumenta a nossa confiança. Por outras vezes, se somos elogiados demais por algo que fizemos como pintarmos um quadro,  temos cuidado quando fazemos outro, por medo de não sermos elogiados de novo, sentiremos que retrocedemos e que não atingimos a expectativa que os outros tem sobre nós.

Se os outros não nos elogiarem, como saberemos se realmente somos bons em algum aspecto? Mas se não soubermos “nos enxergar” seremos facilmente iludidos, e assim será fácil usufruírem de seus interesses a nossas custas.

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