O nome Ghibli vem de um apelido italiano dado aos aviões que sobrevoavam o Deserto do Saara na Segunda Guerra Mundial, que metaforicamente representaria o “sopro do vento” que vivamente invadiria a mente dos jovens japoneses, mas felizmente, o objetivo teve alcance maior e atingiu a mente de jovens do mundo inteiro. Foi fundado em 1985 e é comandado pelos diretores Hayao Miyazaki e Isao Takahata. As Trilhas Sonoras do Studio Ghibli são, em sua maioria, feitas pelo compositor Joe Hisaishi, o que dá uma beleza ainda mais preciosa aos filmes devido a originalidade.

A estreia do Studio foi o Nausicaä do Vale do Vento baseado no conto do folclore japonês A princesa que amava insetos, a história fictícia trás valores muito belos como respeitar as florestas e os insetos, que normalmente os consideramos asquerosos. Em 1984 já estavam considerando esses valores, no início da história conta que a decadência do Vale do Vento e de todo o mundo tinha sido a grande poluição e tragédia advinda das Indústrias dos homens, o que é uma grande possibilidade de ocorrer no mundo real se não nos reeducarmos de novo.

As fotografias de todas as animações são no mínimo perfeitas e encantadoras. A beleza da criatividade, dos planetas estranhos, dos seres vivos monstruosos parecendo extraterrestes nos dá a dimensão do trabalho do Studio Ghibli. Os finais dos filmes são inconfundíveis, não são nada parecido com o que costumamos ver apesar de muitas vezes ser finais felizes. Todas as animações roteirizadas por Miyazaki tem uma semelhança incrível no fim do filme que é o casal de crianças sempre presente e que nunca ficam juntos, nos dá essa perspectiva de que irão se apaixonar, mas só nos mostra a felicidade e a amizade que eles tem. Em Laputa – um castelo no céu, Sheeta diz a Pazu: Quando você caiu do céu, o meu coração estava agitado, sabia que algo de maravilhoso ia me acontecer, o que é muito romântico e dá à alguns a impressão de amizade colorida.

Os protagonistas sempre têm características maravilhosas, valores e qualidades admiráveis, com personalidades bem marcantes, como Pazu, de novo em Laputa – um castelo no céu, que é um menino determinado, corajoso e carinhoso, fazendo muitos sacrifícios para ajudar a estranha menina que conheceu a pouco tempo, cuidando dela como se fosse um homenzinho.

O céu é palco de muitas tramas do Studio Ghibli, o que é muito sonhador e confortante que me lembra a música do fechamento de Fullmetal Alchemist, que dizia mais ou menos assim: quero ser como o céu para você, e assim te acompanhar em todos os lugares que você for, você irá olhá-lo e se recordar do lugar para onde retornar.

Apesar de parecer infantil para muitos, os animes são profundos e maduros. Sempre tem muitas coisas ocorrendo durante as cenas de forma muito dinâmica, o filme que tem essa característica mais evidente é Princesa Mononoke que tem um número de quadros superior à… feitos a mão. As tramas sempre oscilam do cômico para o trágico, do sério para o sentimental em pouco tempo, caracterizando ainda mais o dinamismo. A minha animação, por enquanto, predileta do Miyazaki é A viagem de Chihiro, por que ainda não assisti a todos.

Os Estúdios Disney fecharam com os Estúdios Ghibli um acordo conhecido como Disney-Tokuma, aproveitando o interesse norte-americano sobre os mangás e animes, passando a distribuir em vídeo todos os longas animados do estúdio japonês, além de distribuir nos cinemas filmes que alçariam o nome de Miyazaki e de Ghibli ao estrelato ocidental e mundial, como Princesa Mononoke (1997) e, mormente, A Viagem de Chihiro (2001), laureado com o Urso de Ouro no Festival de Berlim 2002 e o Oscar de Melhor filme Animado em 2003, considerado o filme de Ghibli de maior sucesso internacional.

Também adorei Sussuros do coração único longa-metragem dirigido por Yoshfumi Kondô no Studio, é mais maduro emocionalmente, e não tem tantas agitações por ser no “mundo real”, a protagonista, Shizuku, é uma estudante, uma moça que lê vários livros e se encontra diante de um mistério doce sobre um gato e um nome de um menino que pegara os mesmos livros antes que ela na biblioteca. Ela fica imaginando como ele é e perguntando as pessoas sobre ele, o que é normal quando queremos conhecer alguém e se envolver, é como se quiséssemos saber o caráter e as semelhanças da pessoa com você antes de se apaixonar por ela, como se fosse um anticorpo. É engraçado a decepção que ela tem ao descobrir quem ele é. Um dos momentos mais emocionantes e belos do filme é quando cantam Take me home, country roads, em japonês.

http://site.studioghibli.com.br/

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