Título Original: Les Poupées Russes

País:  França

Ano:  2005

Duração:  100  minutos

Gêneros:  Drama, Romance, Comédia

Direção: Cédric Klapisch

Roteiro:  Cédric Klapisch, Anne Schotte, Dominique Colin

Elenco:

Romain Duris
Audrey Tautou
Kelly Reilly
Cécile de France

Formato: RMVB

Tamanho:   431 MB

Legendado:  Português

Sinopse:

Continuação de “Albergue Espanhol”, não precisa tê-lo visto para assistir e apreciar “Bonecas Russas”, com trinta e poucos anos, Xavier, o protagonista trabalha como escritor de telenovelas e jornalista free-lancer, mas sonha poder ser livre para escrever suas próprias histórias, mas antes precisa ter histórias. Está em busca do verdadeiro amor.

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Comentário:

Escrevia novelas medíocres para a televisão, sendo sempre guiado pelos clichês que a maioria das pessoas quer ver, e principalmente: um final feliz. Apesar de prezar tanto o amor e não aceitar muitas vezes tais clichês vive em um deles…

Este é Xavier, interpretado por Romain Duris, que é um escritor frustrado por não conseguir dedicar tempo e criatividade à sua obra-prima devido ao mundo atual que exige produtividade. Além disso, diz em revolta: “Como posso escrever uma história de amor? Não sei nada sobre o amor!” Como se necessitasse viver algo para escrever, excluindo a imaginação dos possíveis “E SE…” que muitos de nós (eu) adoramos fazer. É como pensar que todos os romances realmente tivessem acontecido com seus personagens, como pensar que Hemingway ficou velho, morreu e depois escreveu “O Velho e o Mar”, ou que, de fato, Machado de Assis tenha psicografado a vida de Brás Cubas. Bom, mas percebemos ainda mais a personalidade romântica e utópica de Xavier depois de dormir com a Barbie, satisfeito, cavalgando um belo alazão sob o céu azul.

Incrível a câmera nos pensamentos do protagonista, como quando escreve os episódios da novela, além de imaginar pessoas que passaram por sua vida, amantes e amigos, imaginando as possibilidades; durante as entrevistas de emprego, aparece vários de Xavier tocando flautas, ou seja, ele na verdade tentara distrair seus futuros chefes com as melhores características de si mesmo, e quando fantasia Martine explicando para o filho por que não se casou.

Apesar de parecer tão “romântico” e querer convencer que é uma vítima constante das mulheres, não me convence, ele mesmo as tratou como se fossem bonecas, tinha relacionamentos descartáveis com elas, em busca da Barbie. E, sempre se punha de vítima, falando que era solitário e que não arranjava ninguém, mas e Cássia, a bela negra que conhecera e tão descaradamente maltratara? Xavier parecia um ser inconsciente e hipócrita por dizer-se solitário, sendo que haviam inúmeras mulheres com quem dormira que se tentasse, poderia ter uma relação mais profunda e assim, conhece-la. É tão nítido isso que a primeira com quem teve uma relação profunda, com Wendy, já acredita piamente ser a mulher de sua vida. E mesmo assim, a trai por uma Barbie. Prefere ir ver a fútil, mas belíssima modelo a ficar com Wendy.

Enfim Xavier vê o quão idiota é e como foi descartado fácil da noite com a modelo. Nesse momento me veio à mente “Caso do Vestido” de Drummond, e pensei: se Wendy realmente amá-lo, o aceitará de volta.

Então vem a bela metáfora do título do filme: Xavier pensa que as mulheres com quem se relacionou eram como bonecas russas (que vem dispostas uma dentro da outra em um degrade, onde nunca se sabe qual delas é a última) porém, mesmo indo morar com Wendy, reflete que nunca se sabe qual é a última. Aí já mostra o erro das pessoas de começarem um relacionamento já questionando se será a última pessoa, se irá acabar. Quando pensamos que não dará certo, e por que de fato não vai dar. Ou ainda, quando pensamos que já conquistamos a pessoa e nos confortamos aconchegadamente em seu sofá é que tomamos um tapa na cara e percebemos que estamos perdendo aquele que tanto sonhamos…

Mesmo sendo de outros países e com outros hábitos, há a semelhança incrível entre os personagens de desejar o amor verdadeiro. Existe um momento na vida em que alguns jovens achando-se velhos (30 anos), acreditam ter a obrigação de ficar com alguém, e se angustiam ao ficar com outros que não são o ‘amor de suas vidas’, numa repetitiva procura que parece sem fim, entrando numa rotina, apesar de sair com várias pessoas, as julga sempre como iguais. Essa repetição pode sempre desagradar se você não a faz por que quer, ou seja, se você é um polígamo apenas por não ter encontrado o amor verdadeiro, por outro lado, às vezes queremos retornar a um momento de felicidade, repeti-lo parece ser a única forma de sermos felizes, e nos tornamos nostálgicos, como os adultos sempre falam que queriam voltar a serem crianças. Acontece que os que passam por essa necessidade de querer o amor verdadeiro, se reprimem e se controlam devido à insegurança.

Quanto mais o deseja, mas ele parece distante, quer tanto e tanto que não consegue ver com os próprios olhos o que está diante de si mesmo, necessitam de óculos.

O mito de Platão, Banquete, conta que os seres humanos eram hermafroditas até que Deus os separou em duas metades, que, a partir daí, procuram sua outra metade e o amor já existe no ato de procurar a metade perdida de nós mesmos. É um mito muito lindo e romântico, apesar de que, existem pessoas que não servem para amar. Dos lábios de alguns bissexuais, já ouvi afirmar que, existem tantas pessoas no mundo que eles(bissexuais) foram repartidos em mais de duas metades, e por isso consegue amar mais de uma pessoa. Será realmente isso? Ou seria apenas mais uma desculpa para ficar mais de uma pessoa? Será que de fato, podemos amar mais de um? Será que todo mundo consegue amar?

Nota IMDB

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