Título OriginalTrainspotting

País:  Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte

Ano:  1996

Duração:  94  minutos

Gêneros:  Drama

Direção: Danny Boyle

Roteiro:  Irvine Welsh, John Hodge

Elenco:

Jonny Lee Miller
Kevin McKidd
Robert Carlyle
Ewan McGregor

Formato: RMVB

Tamanho:   305 MB

Legendado:  Português

Sinopse:

O filme conta a vida de um grupo de jovens viciados em heroína em Edimburgo, na Escócia, é uma adaptação de John Hodge para o romance de Irvine Welsh.

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Comentário:

Ewan McGregor, só ele poderia entrar tão lindamente em uma privada cheia de defecações, que me deram náuseas a ponto de não saber se vomitaria ou se continuaria a vê-lo mergulhar, surrealmente, em uma privada. É uma metáfora, nojenta e bela, de que Rent, o personagem interpretado por McGregor, está fazendo consigo mesmo: entrando na merda. Só este ator poderia ser atropelado e rir, passar mal glamourosamente em um tapete vermelho. E continuar lindo com sua abstinência de heroína e olhos vermelhos, tendo séries crises de alucinações, com cena referente a “O Exorcista”.

Trainspotting não é um filme qualquer, adolescente, moralista e clichê que aborda drogas no estilo “documentário escolar”. É muito mais profundo que isso, é um Junkie, com temáticas humanas, como a miséria, a coisificação, a merdificação daqueles viciados. A depressão que sentiu Rent quando parou de usá-la, e o mesmo sentimento que incentivou o ingênuo, bom e viril escocês Tommy às drogas. A reafirmação de Sick Boy, a violência de Begbie – o alcoólatra hipócrita que admite não querer usar heroína por não quer “ter porcaria no sangue”, mas droga-se de cigarros e do bom e velho álcool, e a prisão e solidão de Spud. Sentimento de autodestruição e falta de amor-próprio de todos.

Estes meninos vivem com a boa e velha ideologia sartriana da liberdade total, mas esquecem-se das consequências e isso que torna a obra bela, a mudança e desenvolvimento dos personagens conforme o passar do tempo, a mudança do jeans para o terno.

Há fortes homenagens a outras obras constantemente que, se não conhecermos, podemos ver o filme como polêmico e não apreciar todo seu valor por não perceber esses detalhes. Não é preciso procurar artigos antigos, tenho certeza que teve muitas críticas negativas, mas não acredito que tenha incentivado tanto a violência. Quando assisti senti um incentivo ao uso de drogas, aqueles que são influenciáveis podem pensar só na frase: “Pense no melhor orgasmo que já teve, multiplique por mil e ainda não chegará perto”.

Muito intensa, apesar das inúmeras consequências, aqueles adeptos às drogas podem pensar ser bom usá-la. Acontece que a história nos mostra uma coisa que simplesmente muitos ignoram: as drogas dão prazer. Mas trazem problemas. Poderia dizer o que da triste cena do bebê morto? Roxo de uma morte possivelmente provinda de um sufocamento, por ninguém ter dado aqueles famosos tapinhas em suas costas… Fiquei um pouco chocada, mas era como se já fosse esperado, afinal, que futuro aquele bebê teria em meio aqueles doidos? Nem a mãe sabia quem era o pai… Isso deixa como a droga pode desumanizar o homem.

Assim como “Laranja Mecânica”, há música clássica em trechos violentos. Outra referência à obra de Stanley Kubrick é o aparecimento brilhante do melhor bar do mundo: Moloko Vellocet.

As referências não param, quando estão na Inglaterra, nada melhor do que passar na Abbey Road igual aos Beatles. Os quatro amigos com ternos e malas, na mais alta elegância indo negociar venda de heroína.

Não tenho certeza se, na cena onde Rent está dançando na noite em que apaixona-se por Diane, atrás dele está um pôster do Taxi Driver.

O quadro do Pop-Art de Andy Warhol que ocupa a parede do quarto da jovem com quem Rent faz o bom e velho entra-e-sai. E até chocar a preocupação deste quando descobri que ela é menor de idade, o medo humano de ser preso. Isso mostra como não é um rebelde, como tem ideologias, já demonstradas desde o início, e ainda acreditar na hipocrisia da sociedade por dizer que a mãe tem um “vício socialmente aceito” por pílulas sei lá para que serve que toma todos os dias. Ainda afirma que “Quem precisa de motivos para se viver quando se tem heroína?”, mostrando a consciência de não ter motivos para viver e por isso usa a heroína.

Não sei como Boyle conseguiu livrar-se de ser um diretor de cinema trash, como Extermínio consegue ser um dos melhores filmes de junkie da minha vida, e com a cena em que Spud, durante um café da manhã, briga com a mãe da namorada por causa de um lençol, e caí suas necessidades básicas em cima de todo mundo que está comendo. Como isso não soou trash? Danny Boyle teve seu melhor empenho e criatividade, provavelmente as referencias em Trainspoitting mostram o bom gosto do diretor.

Encerra-se a trama com Rent afirmando que ‘quer parar de ser mau’, porém era tão companheiro dos amigos, emprestava dinheiro, dividia a cama, entrou em encrencas por causa dos amigos que, era bonzinho demais, ingênuo até. Com Begbie sempre mandando o que ele fazer. Encheu-se, viu que não era carrasco, e foi viver, procurar um motivo para viver, o incentivo para viver, infelizmente foi aquele dinheiro…

Nota IMDB

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