Título Original: Le Rayon Vert

País:  França

Ano:  1986

Duração:  98  minutos

Gêneros:  Drama, Romance

Direção: Eric Rohmer

Roteiro:  Eric Rohmer, Marie Rivière, Sophie Maintigneux

Formato: RMVB

Tamanho:   380 MB

Legendado:  Português

Sinopse:

Paris. Delphine (Marie Rivière) é uma secretária que não sabe o que fazer após sua companheira de férias desistir da viagem duas semanas antes da partida. Ela não quer viajar sozinha, mas está sem namorado e não tem facilidade para fazer novas amizades. Uma velha amiga a leva a Cherbourg mas, arrependida, poucos dias depois ela retorna a Paris. Delphine vai aos Alpes, mas logo retorna novamente. Sua última tentativa é para a praia, mas também desanima e resolve tomar o trem para Paris. É quando, já na estação, o olhar de um homem cruza com o seu, o que faz pensar em ficar.

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Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4

Comentário:

Até os 30 minutos finais da película eu acreditei que não seria necessário ler O raio verde, de Júlio Verne, para entender algo do filme de Eric Rohmer. Foi nesse momento então que como se o diretor estivesse em um diálogo comigo, mostrou-me que era sim, muito fundamental conhecer a história e entender os personagens de 1880, para ter um olhar mais preciso, talvez, mais profundo.

Delphine, sutil criação de Rohmer de uma mulher que nada lhe interessa ou agrada, que chora frequentemente, e poderia estar assim por ser uma romântica que se viu decepcionada pelo fim do último relacionamento que, às vezes parecia não admitir, como para algumas amigas durante um café.

A câmera segue os passos da protagonista que anda sem rumo, dá-nos angustia, nos transfere a tristeza que parece ser infinita da protagonista que sente-se mal compreendida. Percebemos a superstição que a protagonista não sabe opinar se tem ou não crença nas cartas que encontra no meio do seu caminho e na astrologia.

A história do filme poderia ser considerada fraca ou demasiada, por isso disse que a leitura do livro pode ser decisiva para alguns. Poderia transpor todos os comparativos das personagens do livro e do filme, explicando-os sem que interferisse na leitura, caso meu caro leitor o fizesse.

No filme, a maioria de seus conhecidos diz a Delphine que deveria divertir-se e procurar alguém, era o Senhor Aristobulus Ursiclos no livro de Verne, que é um petulante gênio em manifestações concretas do mundo, explicando tudo com argumentos físicos e sem demonstrar algum interesse realmente sentimental, uma figura que pode ser bem representada no filme pela estrangeira norueguesa, que admitia esconder-se das pessoas com quem se relacionava, como um jogo, vivendo para divertir-se apenas. As pessoas que tentavam agradar Delphine eram os tios da Senhorita Campbell. Porém uma grande diferença e uma grande semelhança que hão de serem notáveis entre as duas protagonistas: apesar de procurarem incansavelmente o raio verde, que em ambas as obras passam a ter sentido metafórico, visto que há demonstrações no livro, como a Senhorita Campbell não visto o raio verde mesmo depois de tantos esforços e não emburrar-se como sempre ficara quando não o via, devido a presença de seu real amor. Depois por esta personagem dizer que aquele que ver o raio verde por uma vez na vida, terá claro o seu coração e o dos outros enxergar. Bom, interpreto isso puramente como o amor, apesar de tal palavra nunca ter sido escrita no livro, parece-me pressuposto no livro e no filme.

A diferença está na personalidade, enquanto podemos não nos simpatizar tanto com Sta. Campbell por ser mimada e ter todos os seus desejos atendidos como se fosse uma princesa de contos de fada, vemos Delphine, uma humilde secretária que acredita nada ter de especial ou que interessasse às outras pessoas, porém não via semelhança entre ela e qualquer ser deste mundo. Já esta podemos acreditar muito mais em seus valores e buscas, na sua realidade alguns se identificar com a situação e sentir pena em outros momentos. É a personagem que, com tantas características pessimistas, que está sempre infeliz e insatisfeita, que nos faz pensar até em concordar na fala uma amiga no parque, apontando para a estátua de um homem nu: “O que você precisa é de um homem assim: bonito e sujo”, ou na cena em que está lendo “O idiota” de Dostoievsky nos faz pensar que está assim por ler tal livro. Delphine teria tudo para repugnar e fazer as pessoas parar de assistir ao filme, como isso não ocorre, devemos assumir que Rohmer é no mínimo genial.

 Nota IMDB

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