Título Original: Comprar, Tirar, Comprar

País:  Espanha

Ano:  2011

Duração:  52  minutos

Gêneros:  Documentário

Direção: Cosima Dannoritzer

Sinopse:

Comprar, Descartar, Comprar é o nome do documentário dirigido por Cosima Dannoritzer sobre uma das leis que movem a economia capitalista de mercado, a obsolescência programada, ou seja, a redução intencional da vida de um produto ocasionada em sua produção para incrementar o seu consumo. Pilhas que ‘morrem’ após 18 meses de ser estreiadas, impressoras que se autobloqueiam ao chegar a um número determinado de impressões, lâmpadas que queimam após exatas mil horas de uso… Por que, apesar dos avanços tecnológicos, os productos de consumo duram cada vez menos? Quer saber onde terminam?

Comentário;

A obsolescência planejada é como se fosse a origem do consumismo exacerbado. Um exemplo adotado no documentário: a lâmpada. Como uma das primeiras vítimas da diminuição a vida útil para 1000 horas somente. Vamos fazer algumas contas: De 1901 a 2001, a lâmpada funcionou sem parar. Um dia: 24 horas. Um ano: 24×365 horas. Cem anos: 100x24x365 horas, o que totaliza 876000 horas. Por outro lado, veremos a 1000 horas, de acordo com a norma. Supondo uma família use uma lâmpada na sala de estar, e que ela use das 8 às 11 horas, período de 3 horas. Dividindo-se as 1000 horas por 3, descobrimos uma média 333 dias de vida útil da lâmpada comum, ou seja, MENOS DE UM ANO. 876000 horas versus 1000 horas, há algo bem distorcido por trás disso. A produção capitalista segue o ritmo das máquinas de criar, criar e lucrar, acima de tudo. Um carro, por exemplo. No início, tinha uma lataria frágil, mas com a tecnologia, aprimorou para receber um impacto e não se destruir. Conforme o tempo passou, o argumento das montadoras mudou. Por um lado, fisicamente pensando, faz sentido a ideia de que a lataria menos rígida absorve o impacto, salvando a vida do motorista. Por outro lado, qualquer batida, mínima possível em uma traseira de um carro logo à frente é capaz de amassar consideravelmente a ponto de dar um prejuízo que pesa bastante na carteira do descuidado. A tecnologia do cinto de segurança + Airbag foi muito mais utilizada nos carros mais modernos, com a carcaça menos resistente, por que não mantiveram a resistência, investiram nela, e avançaram com a segurança? Caímos de novo na obsolescência planejada, “Troque seu carro, está velho”, “Quebrou a peça? Compre outra”. É interessante que a obsolescência planejada só é praticada com convém aos bolsos do comércio e da indústria. Por exemplo, o inverso ocorre com os alimentos. Não são vendidos pensando em estragar rápido, pelo contrário, são inseridas uma enorme variedade de conservantes para alongar o prazo de validade, objetivando o lucro e não a saúde dos consumidores. Como sempre o lucro é o que move a economia, o consumo excessivo, o bem-estar é algo caro, quer comer algo saudável? Pagará caro pra isso. E o governo está por trás disso, e impõe normas, leis, e quem vende é só uma marionete que deve obedecer ao comandante. A propaganda tem grande função no consumismo, como despertar a ideia de necessidade em algo totalmente descartável. Quantas vezes eu vi naqueles programas da Polishop uns objetos tipo faca elétrica, liquidificador próprio pra fazer tal suco em especial que não precisa descascar a fruta. Enfim, são tecnologias inúteis, use sua força, e corte a melancia com uma faca normal, descasque a fruta antes de fazer o suco, pra que comprar algo que poupa esforços tão mínimos?
O documentário mostra cronologicamente as alterações da obsolescência planejada e os estragos que provocou em cada época. Particularmente, gostei da abordagem ambiental de expor onde toda essa bugiganga vai parar, em países de terceiro mundo, como se fosse o lixo do mundo. Como dizem os sociólogos, com o ritmo infinito de consumismo, em uma economia finita, os resultados serão desastrosos. A consciência que o planeta está se deteriorando é muito menos que a dos economistas de ganhar dinheiro. Em vez de criarmos produtos para durar o máximo possível e ajudar o meio onde vivemos, produzimos inutilidades se preocupando com nosso próprio nariz.

 

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