Título Original: Les Amours Imaginaires

País:  França

Ano:  2010

Duração:  95  minutos

Gêneros:  Drama, Romance

Direção: Xavier Dolan

Roteiro:  Xavier Dolan

Elenco:

Monia Chokri
Niels Schneider
Xavier Dolan

Formato: RMVB

Tamanho:   330 MB

Legendado:  Português

Sinopse:

Francis e Marie são amigos inseparáveis. No entanto, suas vidas mudam quando conhecem Nicolas, charmoso rapaz do interior que acaba de se mudar para Montreal.

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Comentário:

Ele é realmente Adônis, o deus grego; o mais bonito e culto que conheciam, ou pelo menos achavam que ele assim era. Chegara à procura de amigos, tratando todos iguais, e mesmo assim Marie e Francis se consideravam especiais. Apesar de aparentarem muitas vezes indiferentes, estavam querendo um grande amor, ansiosos para isso, procurando-o. Tal indiferença contrasta com a briga na floresta que fica pressuposto que é por causa de Nicolas, este, com um sorriso, fumando, assiste a luta, como se tivesse plena consciência de ser amado pelos dois. Afinal, tinha ou não tal consciência?

Como disse antes Marie e Francis queriam um amor, mas, durante o filme, tem encontros casuais com outras pessoas, e as cenas de tais casos nos instigam se são imaginárias ou reais, por causa das cores, das músicas, da beleza, parece ser algo irreal. Se são reais ou não, tais casos eram desmerecidos tanto por Marie quanto por Francis, se por acaso pensassem em dar valor, e dedicarem-se a eles pelo menos um pouco, talvez encontrassem o amor que procuravam em Nicolas. Percebemos que preferiam tratar tais casos com inferioridade, como se não fossem dignos, como Marie quando vai à cabelereira diz: “O sexo não é o importante, e sim acordar com o vento da respiração daquele que te ama passando pelo seu pescoço”, deixando claro que aqueles casos não eram nada.

Encontramo-nos então na contradição de sensibilidade X frieza, será que não foram capazes de encontrar o amor naqueles casos? Ou será que realmente, esperar o amor com tanta angústia o faria surgir? Com certeza, esperaram tanto que imaginaram tê-lo surgido. O mínimo tocar que Nicolas desse a eles os fariam acreditar que este era o amor da sua vida, que tais ações fazia por ter interesse por eles. Porém percebemos a sua inocência, como este não tinha segundas intenções e que não percebia o que acontecia. Mas só conseguimos perceber isso no fim do filme, porque, Xavier Dolan nos engana propositalmente, faz acreditar que há um triângulo amoroso, por dormirem juntos, por estarem sempre juntos. O diretor quer que enxerguemos com os olhos dos dois amigos, e isso nos cria, pelo menos criou em mim, uma sensação de nostalgia.

Marie torna-se hipócrita, em uma das relações casuais, parece entediada, o parceiro nota que esta está fumando mais que a última vez, nota a estranheza, pergunta se está apaixonada, esta diz que não. Depois afirma que com outras pessoas imagina atrizes famosas, menos quando está com ela, e ao perguntar se ela faz o mesmo, a resposta é não. Mente. Está apaixonada, e pensa em Nicolas, seu deus. Quando o vê dançar no dia do aniversário dele, as luzes da balada a fazem ver, hora Nicolas, hora a estátua de Adônis de Michelangelo.

Depois quando este diz admirar Audrey Hepburn, Marie corta o cabelo, e apesar de ter os olhos parecidos, marca mais ainda com o delineador somente em cima do olho, igual Audrey em “Bonequinha de Luxo”. Sente-se amada e desejada. Zomba de Francis para Nicolas, depois de dizer que ele é sensível e imagina coisas, ou seja, romances. Sendo que ela faz o mesmo, sem querer admitir.

Será que Nicolas realmente disse “eu te amo” naquele momento? Será que aquela Marie, que se mostra ser o tempo todo racional e fria, poderia ser capaz de criar um amor platônico, inalcançável? Bom, é essa a proposta do genial Xaviar Dolan, com apenas 22 anos, nos faz refletir. Com as cenas em slow motion querendo enfatizar os momentos, cada detalhe, peça de roupa bem escolhida, que se torna essencialmente imprescindível pelos dois amigos apaixonados pelo mesmo cara em comum. A trilha sonora sempre adequada, como os sons dos violoncelos quando fazem amor.

Com certeza Dolan é uma pessoa extremamente detalhista, talvez perfeccionista, sempre mencionando artistas do passado, as comparações que os próprios personagens fazem com filmes antigos, algumas ideologias, dando um ar extremamente suave para aqueles que já estão familiarizados com tais menções durante o filme, é claro que pode ocorrer de alguém não assistir o filme com o mesmo olhar que eu e não ter a mesma impressão que a minha devido aos detalhes. As roupas de marca e o quão caras são, como quando Francis compra uma blusa para dar de aniversário à Nicolas; a câmera enfatiza e para por alguns segundos no preço altíssimo daquela peça.

Os comentários durante que surgem durante o filme, histórias familiares, e realmente é essa a intenção, mostrar como todos os seres humanos estão sujeitos a tais trágicos amores imaginários… Contadas de forma intensa, há o último comentário da moça de óculos, que diz que a rejeição deveria ser simples, como uma guilhotina, um simples não, mas isso não ocorre, as pessoas tem medo ou, preferem prolongar, “matar aos poucos” tal sentimento. Em outro momento, a moça que tinha um namorado alemão, diz ter-se acomodado com a presença dele, que quando este morava longe, amava a distância, a saudade, ter que pegar avião para ir vê-lo. Agora, com sua presença, acabou-se. E pior, ambos sabiam disso, mas, não podia acabar, e todo o dinheiro gasto para ele vir morar com ela? Sentia pena? Realmente… Não era amor. Outra moça diz que adorava quando o namorado atrasava-se para os encontros e dava desculpas a ela. Este último comentário que cito acredito ser muito fora do senso comum, e esta contradição de coisas comum que podem acontecer, e desejos estranhos que as pessoas sentem, é o que traz a beleza e originalidade deste filme.

 Nota IMDB

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