Viver em sociedade, segundo Nietzsche, era como pertencer a um relógio mecânico, onde, se todas as suas peças estiverem em sua devida posição, funcionará normalmente. Cada peça, uma pessoa. Mas essa visão foi quebrada, o relógio agora, em meio ao turbulento consumo e a diminuição do espaço-tempo, cai da parede. O jovem dentro desse contexto está estagnado, deixando a vida levar por não saber direito quão sua função dentro desse relógio, não sabe sequer que horas são.

Por conta das mudanças que o adolescente sofre constantemente, este se torna principal alvo do capitalismo porque procuram a que estilo e que grupo pertencem, transitando de um em outro, consumindo coisas diferentes. Quando os jovens mudam necessitam comprar algo que pensam ser único e os individualizará, apesar de apresentar tendências flexíveis personalizáveis, a moda ainda sim é massificada, e ainda controlada por poucos. E para vender mais a homogeneidade é essencial, assim os adultos assemelham-se cada vez mais com os jovens por causa das roupas. Acabam gerando seres frágeis, dão tudo o que não tiveram na juventude para seus filhos e para si mesmos. Assim a engrenagem do relógio se quebra. Os valores se invertem e as referências se esvaem.

Consequentemente cria-se este padrão do qual os jovens não conseguem sair, criar identidade e autonomia. Sentem-se angustiados, sentindo a falta de exemplos, descartados pela falta de valores. E pior, não tem noção de que isso acontece. Veem a vida diante de seus olhos passar e não sabem como agir. A nostalgia por não conseguirem ser adultos e o quererem voltar à infância é sentida por todas as classes sociais.

Esse vazio que sentem é a fata de valores eternos, daqueles que duram para sempre, como perceber que a vida é agora e dar valor a isso, entendendo que cada um tem sua parte dentro do sistema. Só de acordo com uma meritocracia o relógio voltará a funcionar.

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