Sucesso e fracasso são palavras muito além de antagônicas, são destruidoras de sonhos entre pessoas que os desejam, mas só uma delas fisgará o peixe grande, as demais lhes restam o sofrimento de tentar de novo ou desistir. Para alcançar o que se almeja, somos colocados no Coliseu junto a leões, não temos que só querer algo, temos que enfrentar muitos obstáculos e pessoas. E como fracasso é algo condicionado ao homem, da mesma forma de que temos certeza de que iremos morrer, tenha certeza, um dia vamos fracassar em algo. Penso que a graça da vida não é ela ter fim, e sim ter um proposito, independentemente se você o alcançou ou não, pelo menos tentou, pelo menos você via algum sentido. Será que as pessoas que convivem comigo tiveram alguma influência?

Muitas vezes parece que as pessoas, independente de qual o caminho que foi escolhido para alcançar a vitória, você será reconhecido por ter chegado aonde chegou. “Os fins justificam os meios”, de Maquiavel, é exatamente esta frase que muitas vezes somos expostos.  Já em “O velho e o mar”, 1952, Ernest Hemingway nos propõe perceber a importância da trajetória, considero-a a melhor parte de todo qualquer processo. Nada mais delicioso que fazer sua própria comida, ou ainda, ganhar seu próprio dinheiro com seu próprio trabalho. Este livro é uma história honesta, clara e que, por aparentar simples, torna-se complexa, não é a toa que ganhou o Nobel de Literatura em 1954.

As coisas mais simples que surgiram ou inventaram são absurdamente simples, mas ninguém além daquele criador pensara antes, isso as torna complexa e única.

Quando Santiago, o velho do livro, consegue pescar o peixe que tanto queria, o mar fica calmo, tudo fica tranquilo, inclusive a alma do velho cansado de tantos esforços. Surge, então, dois tubarões, que seriam novos problemas e obstáculos, como depois de ter concluído a faculdade, que era seu sonho, você sente uma calma interior, então, vem o tubarão, e você se tem outros sonhos, como criar seu próprio negócio, casar ou continuar estudando.

Mas o velho pescador vai através do alto mar solitário à procura de um peixe, e mesmo assim crê que “As aves tem uma vida mais dura que a nossa”, valorizando sua própria vida. Se passássemos para o mundo real, não importa quantas pessoas temos amizades ou estão do seu lado ou gostam de você, você estará sozinho em “alto mar”, como um velho pescador. Vejo o título do livro grande spoiler do livro, “O velho e o mar”, o velho é alguém que já viveu “tudo o que tinha que viver”, enquanto que o mar é toda a travessia a ser vivida, e essa travessia pode ser boa, quando o mar está generoso, o velho pescador o chama de é “La mar”, no feminino, e quando a travessia está ruim, o mar está cruel, então o velho pescador o chama de “el mar”, no masculino. Tal alternância é a constante da vida, nos fazendo dar valor ao bom pois conhecemos o ruim, à felicidade, por que conhecemos o sofrimento, e assim em diante…

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