Existiram vários personagens na história da humanidade que inventaram muitas coisas sem querer, outros inventaram com o propósito de assim melhorarem a vida das pessoas, como Santos Dumont que, em 1932, viu sua invenção usada em combate durante a Revolução Constitucionalista em São Paulo contra o Governo de Getúlio Vargas. Imaginem a mente de Dumont perturbada, aos 59 anos, envolto de angústia a ponto de suicidar-se por ver-se criador de algo que estava sendo usado para um fim ruim, a guerra.
As máquinas de lava louça e roupas, micro-ondas, aspiradores de pó, computadores, ar condicionados, são invenções que possibilitam o homem possuir mais tempo para poder pensar, estudar e ser. Nós, muitas vezes, não percebemos como seriam nossas vidas sem tais máquinas, não damos valor a isso, e quanto mais tempo elas nos disponibilizam, mais tempo necessitamos. Um homem trabalhar na zona rural é improdutivo e gera muitos prejuízos comparados às novas colheitadeiras. Isso não é ficção científica.

Da década de 1970 até hoje produzimos mais conhecimento que todo o tempo da humanidade produziu, devido muitas vezes às tecnologias que facilitaram nossas vidas. Porém a tecnologia está associada ao grande capital, hoje, controlado por megacorporações. Gandhi já dizia isso em 1947: “O poder da máquina pode contribuir para o progresso econômico, mas alguns capitalistas utilizam esse poder sem se preocupar com os interesses do homem comum, por isso nossa condição está hoje deteriorada”.
Em vez de produzirmos e investirmos em pesquisas para o bem social, investimos no novo Ipod, que apesar de ser um equipamento fantástico que disponibilizou a compra de músicas originais e por baixo preço, é supervalorizado.
Steve Jobs disse: “As pessoas não sabem o que precisam até mostrarmos para elas.” Diante do materialismo dialético, o qual as propagandas e empresas nos dizem que merecemos tal produto, Jobs ironiza seu próprio ato. Foi um homem muito inteligente ao perceber que os aperfeiçoamentos que fazia para seus produtos eram cobiçados e inclusive confundidos pelas pessoas como necessidades.
Realmente necessito de um Iphone 4?
Tenho convicção de que se esse dinheiro em vez de ser usado para pesquisas de novos aplicativos, fosse aplicado para pesquisa de câncer, com certeza teríamos evoluído muito próximos de chegar à cura de alguns tipos.
O avanço tecnológico além de o homem estar o limitando a certas áreas, não é acompanhado pelo avanço dos indivíduos. A sensibilidade humana tem-se perdido e isso inova a sociedade. Acredito que não estamos mais convivendo em uma sociedade orgânica, como descrevia Durkheim, e sim numa nova sociedade, artificial.
O trabalho na sociedade vista como um organismo era derivado de talento e de especialização. Já na artificial, com o desenvolvimento descontrolado da tecnologia, o trabalho contribui para a formação de indivíduos que são incapazes de entender e analisar o mundo em que vivem e tornam-se alienados. Tudo isso porque os principais valores humanos estão sendo perdidos e muitos outros transformados. As pessoas se perdem devido às inúmeras opções de ser humano, e acabam por ser nada. Será possível retomar tais valores antes de começarmos a criar robôs, como Kara, do vídeo abaixo?

 

Anúncios