Archive for março, 2012


Comprar, Jogar Fora, Comprar

 

Título Original: Comprar, Tirar, Comprar

País:  Espanha

Ano:  2011

Duração:  52  minutos

Gêneros:  Documentário

Direção: Cosima Dannoritzer

Sinopse:

Comprar, Descartar, Comprar é o nome do documentário dirigido por Cosima Dannoritzer sobre uma das leis que movem a economia capitalista de mercado, a obsolescência programada, ou seja, a redução intencional da vida de um produto ocasionada em sua produção para incrementar o seu consumo. Pilhas que ‘morrem’ após 18 meses de ser estreiadas, impressoras que se autobloqueiam ao chegar a um número determinado de impressões, lâmpadas que queimam após exatas mil horas de uso… Por que, apesar dos avanços tecnológicos, os productos de consumo duram cada vez menos? Quer saber onde terminam?

Comentário;

A obsolescência planejada é como se fosse a origem do consumismo exacerbado. Um exemplo adotado no documentário: a lâmpada. Como uma das primeiras vítimas da diminuição a vida útil para 1000 horas somente. Vamos fazer algumas contas: De 1901 a 2001, a lâmpada funcionou sem parar. Um dia: 24 horas. Um ano: 24×365 horas. Cem anos: 100x24x365 horas, o que totaliza 876000 horas. Por outro lado, veremos a 1000 horas, de acordo com a norma. Supondo uma família use uma lâmpada na sala de estar, e que ela use das 8 às 11 horas, período de 3 horas. Dividindo-se as 1000 horas por 3, descobrimos uma média 333 dias de vida útil da lâmpada comum, ou seja, MENOS DE UM ANO. 876000 horas versus 1000 horas, há algo bem distorcido por trás disso. A produção capitalista segue o ritmo das máquinas de criar, criar e lucrar, acima de tudo. Um carro, por exemplo. No início, tinha uma lataria frágil, mas com a tecnologia, aprimorou para receber um impacto e não se destruir. Conforme o tempo passou, o argumento das montadoras mudou. Por um lado, fisicamente pensando, faz sentido a ideia de que a lataria menos rígida absorve o impacto, salvando a vida do motorista. Por outro lado, qualquer batida, mínima possível em uma traseira de um carro logo à frente é capaz de amassar consideravelmente a ponto de dar um prejuízo que pesa bastante na carteira do descuidado. A tecnologia do cinto de segurança + Airbag foi muito mais utilizada nos carros mais modernos, com a carcaça menos resistente, por que não mantiveram a resistência, investiram nela, e avançaram com a segurança? Caímos de novo na obsolescência planejada, “Troque seu carro, está velho”, “Quebrou a peça? Compre outra”. É interessante que a obsolescência planejada só é praticada com convém aos bolsos do comércio e da indústria. Por exemplo, o inverso ocorre com os alimentos. Não são vendidos pensando em estragar rápido, pelo contrário, são inseridas uma enorme variedade de conservantes para alongar o prazo de validade, objetivando o lucro e não a saúde dos consumidores. Como sempre o lucro é o que move a economia, o consumo excessivo, o bem-estar é algo caro, quer comer algo saudável? Pagará caro pra isso. E o governo está por trás disso, e impõe normas, leis, e quem vende é só uma marionete que deve obedecer ao comandante. A propaganda tem grande função no consumismo, como despertar a ideia de necessidade em algo totalmente descartável. Quantas vezes eu vi naqueles programas da Polishop uns objetos tipo faca elétrica, liquidificador próprio pra fazer tal suco em especial que não precisa descascar a fruta. Enfim, são tecnologias inúteis, use sua força, e corte a melancia com uma faca normal, descasque a fruta antes de fazer o suco, pra que comprar algo que poupa esforços tão mínimos?
O documentário mostra cronologicamente as alterações da obsolescência planejada e os estragos que provocou em cada época. Particularmente, gostei da abordagem ambiental de expor onde toda essa bugiganga vai parar, em países de terceiro mundo, como se fosse o lixo do mundo. Como dizem os sociólogos, com o ritmo infinito de consumismo, em uma economia finita, os resultados serão desastrosos. A consciência que o planeta está se deteriorando é muito menos que a dos economistas de ganhar dinheiro. Em vez de criarmos produtos para durar o máximo possível e ajudar o meio onde vivemos, produzimos inutilidades se preocupando com nosso próprio nariz.

 

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Amores Imaginários

Título Original: Les Amours Imaginaires

País:  França

Ano:  2010

Duração:  95  minutos

Gêneros:  Drama, Romance

Direção: Xavier Dolan

Roteiro:  Xavier Dolan

Elenco:

Monia Chokri
Niels Schneider
Xavier Dolan

Formato: RMVB

Tamanho:   330 MB

Legendado:  Português

Sinopse:

Francis e Marie são amigos inseparáveis. No entanto, suas vidas mudam quando conhecem Nicolas, charmoso rapaz do interior que acaba de se mudar para Montreal.

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Comentário:

Ele é realmente Adônis, o deus grego; o mais bonito e culto que conheciam, ou pelo menos achavam que ele assim era. Chegara à procura de amigos, tratando todos iguais, e mesmo assim Marie e Francis se consideravam especiais. Apesar de aparentarem muitas vezes indiferentes, estavam querendo um grande amor, ansiosos para isso, procurando-o. Tal indiferença contrasta com a briga na floresta que fica pressuposto que é por causa de Nicolas, este, com um sorriso, fumando, assiste a luta, como se tivesse plena consciência de ser amado pelos dois. Afinal, tinha ou não tal consciência?

Como disse antes Marie e Francis queriam um amor, mas, durante o filme, tem encontros casuais com outras pessoas, e as cenas de tais casos nos instigam se são imaginárias ou reais, por causa das cores, das músicas, da beleza, parece ser algo irreal. Se são reais ou não, tais casos eram desmerecidos tanto por Marie quanto por Francis, se por acaso pensassem em dar valor, e dedicarem-se a eles pelo menos um pouco, talvez encontrassem o amor que procuravam em Nicolas. Percebemos que preferiam tratar tais casos com inferioridade, como se não fossem dignos, como Marie quando vai à cabelereira diz: “O sexo não é o importante, e sim acordar com o vento da respiração daquele que te ama passando pelo seu pescoço”, deixando claro que aqueles casos não eram nada.

Encontramo-nos então na contradição de sensibilidade X frieza, será que não foram capazes de encontrar o amor naqueles casos? Ou será que realmente, esperar o amor com tanta angústia o faria surgir? Com certeza, esperaram tanto que imaginaram tê-lo surgido. O mínimo tocar que Nicolas desse a eles os fariam acreditar que este era o amor da sua vida, que tais ações fazia por ter interesse por eles. Porém percebemos a sua inocência, como este não tinha segundas intenções e que não percebia o que acontecia. Mas só conseguimos perceber isso no fim do filme, porque, Xavier Dolan nos engana propositalmente, faz acreditar que há um triângulo amoroso, por dormirem juntos, por estarem sempre juntos. O diretor quer que enxerguemos com os olhos dos dois amigos, e isso nos cria, pelo menos criou em mim, uma sensação de nostalgia.

Marie torna-se hipócrita, em uma das relações casuais, parece entediada, o parceiro nota que esta está fumando mais que a última vez, nota a estranheza, pergunta se está apaixonada, esta diz que não. Depois afirma que com outras pessoas imagina atrizes famosas, menos quando está com ela, e ao perguntar se ela faz o mesmo, a resposta é não. Mente. Está apaixonada, e pensa em Nicolas, seu deus. Quando o vê dançar no dia do aniversário dele, as luzes da balada a fazem ver, hora Nicolas, hora a estátua de Adônis de Michelangelo.

Depois quando este diz admirar Audrey Hepburn, Marie corta o cabelo, e apesar de ter os olhos parecidos, marca mais ainda com o delineador somente em cima do olho, igual Audrey em “Bonequinha de Luxo”. Sente-se amada e desejada. Zomba de Francis para Nicolas, depois de dizer que ele é sensível e imagina coisas, ou seja, romances. Sendo que ela faz o mesmo, sem querer admitir.

Será que Nicolas realmente disse “eu te amo” naquele momento? Será que aquela Marie, que se mostra ser o tempo todo racional e fria, poderia ser capaz de criar um amor platônico, inalcançável? Bom, é essa a proposta do genial Xaviar Dolan, com apenas 22 anos, nos faz refletir. Com as cenas em slow motion querendo enfatizar os momentos, cada detalhe, peça de roupa bem escolhida, que se torna essencialmente imprescindível pelos dois amigos apaixonados pelo mesmo cara em comum. A trilha sonora sempre adequada, como os sons dos violoncelos quando fazem amor.

Com certeza Dolan é uma pessoa extremamente detalhista, talvez perfeccionista, sempre mencionando artistas do passado, as comparações que os próprios personagens fazem com filmes antigos, algumas ideologias, dando um ar extremamente suave para aqueles que já estão familiarizados com tais menções durante o filme, é claro que pode ocorrer de alguém não assistir o filme com o mesmo olhar que eu e não ter a mesma impressão que a minha devido aos detalhes. As roupas de marca e o quão caras são, como quando Francis compra uma blusa para dar de aniversário à Nicolas; a câmera enfatiza e para por alguns segundos no preço altíssimo daquela peça.

Os comentários durante que surgem durante o filme, histórias familiares, e realmente é essa a intenção, mostrar como todos os seres humanos estão sujeitos a tais trágicos amores imaginários… Contadas de forma intensa, há o último comentário da moça de óculos, que diz que a rejeição deveria ser simples, como uma guilhotina, um simples não, mas isso não ocorre, as pessoas tem medo ou, preferem prolongar, “matar aos poucos” tal sentimento. Em outro momento, a moça que tinha um namorado alemão, diz ter-se acomodado com a presença dele, que quando este morava longe, amava a distância, a saudade, ter que pegar avião para ir vê-lo. Agora, com sua presença, acabou-se. E pior, ambos sabiam disso, mas, não podia acabar, e todo o dinheiro gasto para ele vir morar com ela? Sentia pena? Realmente… Não era amor. Outra moça diz que adorava quando o namorado atrasava-se para os encontros e dava desculpas a ela. Este último comentário que cito acredito ser muito fora do senso comum, e esta contradição de coisas comum que podem acontecer, e desejos estranhos que as pessoas sentem, é o que traz a beleza e originalidade deste filme.

 Nota IMDB

Pagan’s Mind – Heavenly Ecstasy

Pagan’s Mind é uma banda de prog/power metal formada em 2000 pelo vocalista Nils K. Rue, pelo baterista Stian Kristoffersen e pelo guitarrista Thorstein Aaby. Segue o estilo escandinavo tradicional que é o power metal com influências até do jazz, com voz marcante do vocalista Nils. Com cinco lançamentos, a banda ainda inclui no seu “currículo” um disco ao vivo em 2009, Live Equation. Suas letras falam de consciência e ficção científica e, como o nome sugere, de deuses antigos.

Ano:  2011

País:  Noruega

Membros:

Nils K. Rue – Vocal
Steinar Korkmo – Guitarra
Jorn Viggo Lofstad – Guitarra
Stian Kristoffersen – Bateria
Ronny Tegner – Baixo

Comentário:

Heavenly Ecstasy é o quinto álbum de estúdio da banda. Sinto às vezes que a tecnologia rouba um pouco da atenção em todos os setores. Por exemplo, um jogo possui recursos gráficos espetaculares, mas só serve pra maquiar o grande fracasso que está por trás. Mas no caso das capas de cds, isso é um ponto a favor, que na maioria das vezes está surpreendendo positivamente, a capa do álbum é bem chamativa e atrai pra ouvirmos. Sempre o nome Pagan’s Mind me interessou, achei a escolha muito boa. Sobre o álbum, de fato, senti uma influência menos prog nesse, as quebradas de “Infinity Divine” e “Celestial Entrance” perderam um pouco do foco. Em algumas músicas parecia uma influência meio heavy, tipo a “Walk Away in Silence”.  Mas algo que a banda nunca perdeu, que acho uma marca registrada, são os vocais distorcidos, editados em estúdio mesmo, dão uma atmosfera futurista, moderna. Meu som preferido é “Intermission”, que inclusive conta com um video, que disponiblizei, logo abaixo.

01. Contact
02. Eyes Of Fire
03. Intermission
04. Into The Aftermath
05. Walk Away In Silence
06. Revelation To The End
07. Follow Your Way
08. Live Your Life Like A Dream
09. The Master’s Voice
10. Never Walk Alone
11. When Angels Unite
12. Create Your Destiny
13. Power Of Mindscape

Tamanho:  154 MB

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Caído no chão

Viver em sociedade, segundo Nietzsche, era como pertencer a um relógio mecânico, onde, se todas as suas peças estiverem em sua devida posição, funcionará normalmente. Cada peça, uma pessoa. Mas essa visão foi quebrada, o relógio agora, em meio ao turbulento consumo e a diminuição do espaço-tempo, cai da parede. O jovem dentro desse contexto está estagnado, deixando a vida levar por não saber direito quão sua função dentro desse relógio, não sabe sequer que horas são.

Por conta das mudanças que o adolescente sofre constantemente, este se torna principal alvo do capitalismo porque procuram a que estilo e que grupo pertencem, transitando de um em outro, consumindo coisas diferentes. Quando os jovens mudam necessitam comprar algo que pensam ser único e os individualizará, apesar de apresentar tendências flexíveis personalizáveis, a moda ainda sim é massificada, e ainda controlada por poucos. E para vender mais a homogeneidade é essencial, assim os adultos assemelham-se cada vez mais com os jovens por causa das roupas. Acabam gerando seres frágeis, dão tudo o que não tiveram na juventude para seus filhos e para si mesmos. Assim a engrenagem do relógio se quebra. Os valores se invertem e as referências se esvaem.

Consequentemente cria-se este padrão do qual os jovens não conseguem sair, criar identidade e autonomia. Sentem-se angustiados, sentindo a falta de exemplos, descartados pela falta de valores. E pior, não tem noção de que isso acontece. Veem a vida diante de seus olhos passar e não sabem como agir. A nostalgia por não conseguirem ser adultos e o quererem voltar à infância é sentida por todas as classes sociais.

Esse vazio que sentem é a fata de valores eternos, daqueles que duram para sempre, como perceber que a vida é agora e dar valor a isso, entendendo que cada um tem sua parte dentro do sistema. Só de acordo com uma meritocracia o relógio voltará a funcionar.

Iced Earth – Dystopia

Iced Earth é uma banda de power metal com traços de thrash/heavy tradicional, fundado pelo guitarrista Jon Schaffer, que é o único membro original no line-up atual. O guitarrista ainda escreve as músicas, com temáticas como um álbum temático sobre o Spawn (The Dark Saga, um dos álbuns mais famosos da banda), horror show. É interessante citar como curiosidade, que o vocalista mais marcante da banda, Matthew Barlow saiu da banda em 2001, inconformado pelo ataque terrorista de 11 de setembro e decidiu ser policial. Voltou a banda anos depois e saiu definitivamente com um show na Alemanha, dedicando mais tempo à sua família.

Ano:  2011

País:  EUA

Membros:

Stu Block – Vocal
Jon Schaffer – Guitarra base, acústica e backing vocals
Troy Seele – Guitarra solo
Freddie Vidales – Baixo e backing vocals
Brent Smedley – Bateria

Comentário:

“Dystopia” é o décimo segundo álbum da banda. Conversando com um amigo nas férias, caimos em uma questão interessante: as músicas da época do The Dark Saga sempre tinham um formato parecido, começava bem suave, com um dedilhado com efeito e de repente vinha um riff com influências thrash/heavy com as vozes agressivas de Matthew. Não sou muito conhecedor da discografia do Iced Earth e me perdoem os fãs da banda se falei algum absurdo. Baixei o álbum com a indicações de ter sido o melhor álbum de power metal de 2011, o que me espantou muito, pois houve, no estilo, muitos bons lançamentos. Mas enfim, não se deve levar esses rankings muito a sério. Entretanto a surpresa foi ótima, foi o álbum que mais gostei, a voz de Stu Block me agradou muito, com aqueles agudos bem à la Tim Ripper, que também passou pela banda. A voz de Block segue a linha de Barlow, mas em minha opinião deram mais vida às músicas. A faixa-título “Dystopia” é um daqueles sons que só se ouve uma vez por ano algo novo desse nível, intro excelente, refrão excelente, ingredientes essenciais para uma música grudenta fazer sucesso. Além de tudo, o que admirei bastante foi esse esterótipo que discuti com meu amigo ter sumido completamente da minha cabeça, o álbum é equilibrado e nada enjoativo.

1. Dystopia
2. Anthem
3. Boiling Point
4. Anguish of Youth
5. V
6. Dark City
7. Equilibrium
8. Days Of Rage
9. End Of Innocence
10. Soylent Green
11. Iron Will
12. Tragedy And Triumph

Tamanho:  112 MB

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O Artista da Capela Sistina

Certa manha do inverno de 1494, o jovem Michelangelo Buonarroti olhava pela janela a cidade coberta de branco. A neve que caíra durante a noite inteira cobrira as ruas, praças, igrejas e palácios, transformando Florença numa cidade de mármore. Mas a bela paisagem entristecia Michelangelo, pois lhe recordava que seu amigo e patrono, o duque Lorenzo de Médici, não mais existia. Lorenzo fora o primeiro a reconhecer o talento do jovem escultor, o recebera em seu palácio e lhe encomendara várias esculturas em mármore.

Agora, depois da morte do duque, seu filho Piero assumira seu lugar, mas era um bobo vaidoso e não via utilidade para artistas da estatura de Michelangelo. Gostava de festas, jogos e cavalos, admirava mais um cavalariço que sabia montar bem do que um mero escultor.

Uma batida na porta despertou Michelangelo de devaneio. Viu que era um dos impudentes mensageiros de Piero. O mensageiro olhou para cima e, dando com o escultor na janela, gritou:

– Desça daí, Michelangelo! É seu dia de sorte. Piero me mandou buscar o famoso escultor para uma encomenda.

Michelangelo custou a acreditar. Teria ouvido bem? Seria uma brincadeira do jovem?

– Tem certeza? – perguntou Michelangelo. – Piero nunca me chamou ao palácio.

– Pois está chamando agora. Tem um bloco de mármore enorme para você usar. Ande logo.

Michelangelo vestiu seu manto e correu escada abaixo e seguiu o mensageiro em silêncio, mas seu coração saltava a cada passo.

– É seu dia de sorte mesmo hein? – escarnecia o mensageiro cruzando a praça cheia de neve. – Trabalhar de novo para a nobre família Médici, pode existir coisa melhor?

Pouco depois chegaram ao palácio. Encontraram Piero com alguns amigos, junto à janela do aposento no segundo andar.

– Aí está! – exclamou Piero. – Deve ter pensado que eu nunca chamaria você, jovem mestre! Mas estamos precisando da sua arte hoje. Você tem mesmo muito talento, não tem, meu amigo?

Michelangelo olhou diretamente nos olhos de Piero.

– Seu pai achava que sim – respondeu sério.

Piero enrubesceu levemente, mas virou-se para a janela e continuou:

– Vou dar um jantar essa noite e quero mostrar uma bela estátua sua aos meus convidados. O material está no jardim: camadas de mármore branco com que você tanto sonha, cobrindo todo o chão. É claro que amanhã de manhã o sol derreterá sua obra de arte, mas nada dura para sempre não é?

Michelangelo empertigou-se. Não podia crer no que ouvia. Ele, Michelangelo, orgulho de Florença, fazer uma estátua de neve!

Sentiu a raiva subir em seu peito, apertar seu coração, prender sua garganta. Viu o sorriso zombeteiro de Piero e seus amigos. Teve vontade de matar, esmagar todos eles, queria sair correndo e se esconder para nunca mais ser visto por aqueles arrogantes.

Alguma coisa dentro dele no entanto o fez permanecer ali. Era um momento difícil de suportar, mas Michelangelo confiava em si mesmo. Sabia que nada seria um obstáculo à sua arte. As ondas de raiva e humilhação se desfizeram e ele encontrou uma resposta:

– Atenderei a seu pedido, nobre Médici.

Abandonou-os e momentos depois chegava ao ardim, aliviado por estar só, o olhar fixo no imaculado lençol branco estendido a seus pés.

– Vou mostrar que até a neve serve para meu trabalho – murmurou.

Começou a trabalhar com presteza. Empilhou a neve, fez um monte bem batido socando. Passou horas empilhando a neve até conseguir um bloco rígido. A massa de gelo ganhava vida. Uma figura vigorosa nascia no jardim. Afastava-se para avaliar o trabalho e voltava, alheio a tudo, exceto à sua arte.

Enfim ficou pronta a enorme estátua de neve.

Deu por terminada. Era um belo trabalho. Amanhã nada restaria dele, mas por algumas horas faria Florença mais bela. Uma exclamação de assombro arrancou Michelangelo de sua contemplação da própria obra. Piero estava parado atrás dele, boquiaberto diante do imenso homem de neve. O sorriso de escárnio tinha se transformado num brilho de admiração nos olhos de Piero, mas o olhar deslumbrado logo deu lugar a uma nuvem de tristeza.

– Neve!… Neve, não – murmurou. – E uma coisa tão bela deveria durar para sempre.

– Como poderia o tempo respeitar, se só fiz em uma tarde?

Os anos se passaram. Michelangelo conquistou a admiração de toda a Itália. Um dia foi chamado a Roma para atender uma encomenda do papa Júlio II. Cheio de entusiasmo, foi às minas de mármore de Carrara, disposto a selecionar os melhores blocos. Encantado com as pedras gigantescas, via no interior de cada uma um ser à espera de libertação por meio de seu cinzel. Necessitava só tirar os excessos, as estátuas estavam prontas.

Perguntaram várias vezes à ele por que tinha algumas esculturas inacabadas, e ele respondia que a estátua não estava mais ali.

Quando chegou a Roma, porém, o Papa havia mudado de ideia, levou-o até a Capela Sistina, um grande retângulo de altas paredes e teto em abóboda.

– Vamos decorar o teto! – disse o papa. – Você vai pintá-lo.

Michelangelo empalideceu.

– Mas sou escultor! Não sou pintor! – protestou. – Chame Rafael. Ele é excelente pintor.

– Claro que não. Rafael está ocupado. Além disso vi desenhos seus, são melhores.

Michelangelo olhou para o teto alto. Centenas de metros quadrados para se cobrir de pinturas – levaria muito tempo. Pensou nos blocos de mármore parados, inúteis por tanto tempo e estremeceu. Não era o que queria fazer! Mas engoliu a seco a raiva e o desapontamento. Não era fácil dizer não ao papa, e aceitou.

Achava um trabalho torturante, as tintas caiam em seu rosto, queimavam seus olhos, e cada vez mais odiava o papa.

– Sou escultor, não pintor! – resmungava.

Há muitos anos não pintava e receava ser incapaz. Pediu a ajuda de artistas, mas logo desistiu por perceber que atrapalhavam suas ideias e dispensou-os. Apagou tudo e recomeçou. Trabalhou sozinho no silêncio pensando que tinha que ser bem feito. Utilizando uma técnica chamada afresco, em que a pintura é feita sobre uma argamassa de cal e areia. Como esse tipo de trabalho seca rápido, antes de botar a mão na massa o italiano teve de estudar bastante quais imagens planejava recriar.

Um dia horrorizado que a superfície recém-pintada começou a mofar.

– Eu avisei que não sou pintor, Vossa Santidade! – gritou – Tudo o que já fiz estragou.

Depois descobriu que só tinha posto água demais no gesso e não prejudicara o resultado. Prosseguindo, começava a pintar o raiar do dia quando não enxergava mais as cores. Muitas noites não saia da Capela, acostumando-se tanto àquela posição sob o andaime. Mal parava para comer, contentando-se geralmente de pão. Adoeceu de exaustão e mesmo assim, prosseguia.

– Quando vai terminar? – perguntou certa vez o Papa.

– Aprendi que o aquilo que se faz com tempo, o tempo respeita. Pergunte à Piero, pediu-me para fazer uma escultura em uma tarde, depois entristeceu-se que no dia seguinte sumira!

Gradualmente emergiram do teto as mais perfeitas dormas criadas pelas mãos humanas. Deus pai separando a luz e as trevas, a criação de Adão e Eva, a expulsão do paraíso, o dilúvio, mais de trezentas figuras, sublimes, plenas da mesma força e grandiosidade, uma após da outra do pincel de Michelangelo.

Passados quatro anos longos de fadiga e isolamento, a imensa tarefa foi terminada. O andaime retirado. As portas abertas. Quando Rafael viu a magnitude da obra, agradeceu por nascer no mesmo século que Michelangelo. E o Papa Júlio II viu a obra pela primeira vez, atordoou-se, ajoelhou-se e orou: “Senhor, não imputes a mim o pecado que cometo, sinto esplendores irreais na minha alma, que se arrepia, quando chegar o dia do juízo”.

Como Michelangelo havia dito, o tempo respeitara sua obra, que persistiu durante os séculos até hoje.

Sanna Dullaway

Sanna Dullaway é uma artista sueca que trabalha com restauração fotográfica. Fiquei encantando ao pensar nessa possibilidade de restaurar fotos marcantes do passado, seria como pra quem viu na época estar revivendo o momento. Podemos pensar: Ahh mas e as fotos coloridas hoje em dia? Não são já recordações? Não é esse ponto que eu estou tocando. O que acabo de dizer é alguns momentos ficaram marcados na história e não poderiam ter a mesma veracidade de hoje em dia, é como transportar a tecnologia pra antigamente, um trabalho admirável. Suas obras receberam críticas, as fotos clássicas, e a artista as fez por diversão. O Photoshop exigiu muito estudo de Sanna para interpretar os tons entre preto e branco para determinar cada cor, aproximando o máximo possível da realidade. Algumas fotos como a sátira do American Way of Life ou do budista tibetano queimado vivo como protesto ou da primeira negra a estudar num colégio de brancos são alguns ápices chocantes, que talvez devem ser alvos grandes dos críticos.

Monge que se queimou como protesto

Crítica ao American Way of Life

Primeira negra em uma escola para brancos

Che Guevara

Alfred Hittchcock

Convite

Sucesso e fracasso são palavras muito além de antagônicas, são destruidoras de sonhos entre pessoas que os desejam, mas só uma delas fisgará o peixe grande, as demais lhes restam o sofrimento de tentar de novo ou desistir. Para alcançar o que se almeja, somos colocados no Coliseu junto a leões, não temos que só querer algo, temos que enfrentar muitos obstáculos e pessoas. E como fracasso é algo condicionado ao homem, da mesma forma de que temos certeza de que iremos morrer, tenha certeza, um dia vamos fracassar em algo. Penso que a graça da vida não é ela ter fim, e sim ter um proposito, independentemente se você o alcançou ou não, pelo menos tentou, pelo menos você via algum sentido. Será que as pessoas que convivem comigo tiveram alguma influência?

Muitas vezes parece que as pessoas, independente de qual o caminho que foi escolhido para alcançar a vitória, você será reconhecido por ter chegado aonde chegou. “Os fins justificam os meios”, de Maquiavel, é exatamente esta frase que muitas vezes somos expostos.  Já em “O velho e o mar”, 1952, Ernest Hemingway nos propõe perceber a importância da trajetória, considero-a a melhor parte de todo qualquer processo. Nada mais delicioso que fazer sua própria comida, ou ainda, ganhar seu próprio dinheiro com seu próprio trabalho. Este livro é uma história honesta, clara e que, por aparentar simples, torna-se complexa, não é a toa que ganhou o Nobel de Literatura em 1954.

As coisas mais simples que surgiram ou inventaram são absurdamente simples, mas ninguém além daquele criador pensara antes, isso as torna complexa e única.

Quando Santiago, o velho do livro, consegue pescar o peixe que tanto queria, o mar fica calmo, tudo fica tranquilo, inclusive a alma do velho cansado de tantos esforços. Surge, então, dois tubarões, que seriam novos problemas e obstáculos, como depois de ter concluído a faculdade, que era seu sonho, você sente uma calma interior, então, vem o tubarão, e você se tem outros sonhos, como criar seu próprio negócio, casar ou continuar estudando.

Mas o velho pescador vai através do alto mar solitário à procura de um peixe, e mesmo assim crê que “As aves tem uma vida mais dura que a nossa”, valorizando sua própria vida. Se passássemos para o mundo real, não importa quantas pessoas temos amizades ou estão do seu lado ou gostam de você, você estará sozinho em “alto mar”, como um velho pescador. Vejo o título do livro grande spoiler do livro, “O velho e o mar”, o velho é alguém que já viveu “tudo o que tinha que viver”, enquanto que o mar é toda a travessia a ser vivida, e essa travessia pode ser boa, quando o mar está generoso, o velho pescador o chama de é “La mar”, no feminino, e quando a travessia está ruim, o mar está cruel, então o velho pescador o chama de “el mar”, no masculino. Tal alternância é a constante da vida, nos fazendo dar valor ao bom pois conhecemos o ruim, à felicidade, por que conhecemos o sofrimento, e assim em diante…

Teses e Antíteses

Por vezes as noites duram meses

Por vezes os meses, oceanos

E por vezes os braços que apertamos

Nunca mais são os mesmos

E nossos próprios braços não são os mesmos

 

E por vezes encontramos em nós

Em um dia

O que a noite nos fez em muitos anos

E por vezes lendo Fernando Pessoa entendo que poetas são os que

Por vezes fingem que lembram que suas vidas não são o que são

E escrevem uma, querendo esconder a real

Por vezes então, chego que não sou poeta
E por vezes por escrever, penso que sim

Por vezes penso que seria feliz se não fosse detalhista

Por vezes esqueço que tinha que pensar com a mente,

E penso com o coração,

E perdendo a razão, ignorando minha mente,

Sofrendo

 

Por vezes lembro que por vezes

Que se pensasse pela mente

lá no fundo pensaria pelo coração

 

Por vezes sorrimos ou choramos, ou e choramos

E por vezes por vezes

num segundo ao seu lado

tornam-se anos

Allen/Lande – The Showdown

Ano:  2011

País:  Suécia/EUA

Membros:

Russel Allen – Vocal
Jorn Lande – Vocal
Magnus Karlsson –  guitarra baixo, teclado
Jaime Salazar – bateria

Comentário:

“The Showdown”, quando lançado, foi um alívio pra mim, pois pensei que não veria a dupla Allen/Lande mais em ação, depois de 3 anos sem nenhuma música nova. Com mais uma capa com luta entre dois seres místicos (será que tem a ver com a monstruosidade dos dois vocalistas? Pergunta que não quer me calar, pois nos três cds isso acontece), já vamos nos preparando para mais um power metal com qualidade. A dupla reveza bem seus potenciais vocais, algumas cantadas exclusivamente por Jorn ou por Russel, mas o melhor mesmo é escutar ambos na mesma faixa. Refrões poderosos são com certeza a maior atração, gostei de todos e ainda as músicas estão mais orquestradas que os cds anteriores e solos mais temáticos e igualmente bons. Destaque enorme pro riff da “Maya”, aquele piano realmente é lindo. As baladas como “Copernicus”, “Bloodlines” são ótimos sons. Mesmo sendo um álbum bom, comparado aos anteriores, achei o mais fraco, não tem aquela força indescritível. Dificilmente algo que sai da boca de Jorn é ruim.

01. The Showdown
02. Judgement Day
03. Never Again
04. Turn All Into Gold
05. Bloodlines
06. Copernicus
07. We Will Rise Again
08. The Guardian
09. Maya
10. The Artist
11. Eternity
12. Alias

Tamanho:  141 MB

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Ficção Científica

Existiram vários personagens na história da humanidade que inventaram muitas coisas sem querer, outros inventaram com o propósito de assim melhorarem a vida das pessoas, como Santos Dumont que, em 1932, viu sua invenção usada em combate durante a Revolução Constitucionalista em São Paulo contra o Governo de Getúlio Vargas. Imaginem a mente de Dumont perturbada, aos 59 anos, envolto de angústia a ponto de suicidar-se por ver-se criador de algo que estava sendo usado para um fim ruim, a guerra.
As máquinas de lava louça e roupas, micro-ondas, aspiradores de pó, computadores, ar condicionados, são invenções que possibilitam o homem possuir mais tempo para poder pensar, estudar e ser. Nós, muitas vezes, não percebemos como seriam nossas vidas sem tais máquinas, não damos valor a isso, e quanto mais tempo elas nos disponibilizam, mais tempo necessitamos. Um homem trabalhar na zona rural é improdutivo e gera muitos prejuízos comparados às novas colheitadeiras. Isso não é ficção científica.

Da década de 1970 até hoje produzimos mais conhecimento que todo o tempo da humanidade produziu, devido muitas vezes às tecnologias que facilitaram nossas vidas. Porém a tecnologia está associada ao grande capital, hoje, controlado por megacorporações. Gandhi já dizia isso em 1947: “O poder da máquina pode contribuir para o progresso econômico, mas alguns capitalistas utilizam esse poder sem se preocupar com os interesses do homem comum, por isso nossa condição está hoje deteriorada”.
Em vez de produzirmos e investirmos em pesquisas para o bem social, investimos no novo Ipod, que apesar de ser um equipamento fantástico que disponibilizou a compra de músicas originais e por baixo preço, é supervalorizado.
Steve Jobs disse: “As pessoas não sabem o que precisam até mostrarmos para elas.” Diante do materialismo dialético, o qual as propagandas e empresas nos dizem que merecemos tal produto, Jobs ironiza seu próprio ato. Foi um homem muito inteligente ao perceber que os aperfeiçoamentos que fazia para seus produtos eram cobiçados e inclusive confundidos pelas pessoas como necessidades.
Realmente necessito de um Iphone 4?
Tenho convicção de que se esse dinheiro em vez de ser usado para pesquisas de novos aplicativos, fosse aplicado para pesquisa de câncer, com certeza teríamos evoluído muito próximos de chegar à cura de alguns tipos.
O avanço tecnológico além de o homem estar o limitando a certas áreas, não é acompanhado pelo avanço dos indivíduos. A sensibilidade humana tem-se perdido e isso inova a sociedade. Acredito que não estamos mais convivendo em uma sociedade orgânica, como descrevia Durkheim, e sim numa nova sociedade, artificial.
O trabalho na sociedade vista como um organismo era derivado de talento e de especialização. Já na artificial, com o desenvolvimento descontrolado da tecnologia, o trabalho contribui para a formação de indivíduos que são incapazes de entender e analisar o mundo em que vivem e tornam-se alienados. Tudo isso porque os principais valores humanos estão sendo perdidos e muitos outros transformados. As pessoas se perdem devido às inúmeras opções de ser humano, e acabam por ser nada. Será possível retomar tais valores antes de começarmos a criar robôs, como Kara, do vídeo abaixo?

 

O Enigma de Outro Mundo

Título Original: The Thing

País:  EUA

Ano:  1982

Duração:  109 minutos

Gêneros:  Ficção Científica, Terror, Mistério, Suspense

Direção: John Carpenter

Roteiro:  Bill Lancaster, Dean Cundey, John W. Campbell Jr.

Elenco:

Kurt Russell
Keith David
David Clennon
Wilford Brimley

Formato: RMVB

Tamanho:  345 MB

Legendado:  Português

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Comentário:

Enigma de Outro Mundo, uma tradução que eu achei bem sacada, mais atraente que o nome original “The Thing”. John Carpenter, diretor do longa, é conhecido por seus filmes de ficção científica com terror, e The Thing é um dos seus maiores clássicos. Introduzindo a história com um fato chocante: um helicóptero perseguindo, buscando matar a qualquer custo um cão. Por quê? Eis um mistério que nos instiga. O clima denso de não sabermos os motivos, o que irá acontecer, começa a desaparecer quando o cão se transforma pela primeira vez em uma “coisa”. Que coisa é essa?  É o próximo passo. A busca por informações, de quem eram aqueles agentes noruegueses sobrevoando na neve para caçar um cachorro. Como havia cientistas e operários na base dos nossos heróis, a investigação se torna bem mais eficiente. Confesso que me assustei quando vi Kurt Russel numa película dessa combinação de gêneros, pois geralmente ele atua em filmes de ação, mas cumpriu razoavelmente bem sua parte. Com o processo de pesquisa, descobriu-se que se tratava de um ser extraterrestre com o poder de imitar fisicamente a vítima, logo após de morta. Com isso, a tensão toma conta de tudo. Há um ET e quer matar todas as pessoas para que sobreviva e vice-versa. Acredito que esse jogo psicológico de não poder confiar em ninguém influenciou filmes como “Caçadores de Mentes”, o qual o contexto apresentava a busca do assassino entre eles em um lugar com fuga quase impossível. Entretanto, a diferença se confirma com a constante mudança do suspeito, ou seja, o impostor agora pode ser um dos parceiros e um outro terem certeza que é humano, logo em seguida o alienígena matar e copiar o absolvido e dar as ordens para que procure em outra pessoa, gerando uma infinidade de possibilidades de fuga do ET. O que torna ainda mais tenso no ambiente é que não basta achar em qual corpo ele está e atear fogo nele, se seu corpo não for totalmente queimado ou destruído, uma célula apenas é capaz de se desenvolver e proliferar e conseguir um novo corpo para espalhar o medo por toda parte. Esse jogo de cão-e-gato gera muitos conflitos entre os operários e cientistas, quanto à forma de identificar em quem se encontra as células intrusas, já que a desconfiança, pondo as suas vidas em jogo, libera os instintos de sobrevivência em todos, alterando sua visão clara da realidade, deixando maior espaço para as emoções do momento. O clima de inverno rigoroso, deu um ar bem distinto, como se fosse uma ilha e não pudessem sair de lá, tendo que enfrentar aquela criatura terrível, sem alternativas. Não acredito na existência de seres fora da Terra, mas se tratando de uma ficção científica, foi um marco do cinema de terror dos anos 80. Para confirmar o sucesso, em 2011 foi lançado um remake, com a tradução original “A Coisa”.

 

Nota IMDB

O Cheiro do Ralo

 

Título Original: O Cheiro do Ralo

País:  Brasil

Ano:  2006

Duração:  112 minutos

Gêneros:  Comédia

Direção: Heitor Dahlia

Roteiro:  Heitor Dahlia, Lourenço Mutarelli, Marçal Aquino

Elenco:

Selton Mello
Alice Braga
Silvia Lourenço

Formato: RMVB

Tamanho:  326 MB

Sinopse:

Lourenço (Selton Mello) é o dono de uma loja que compra objetos usados. Aos poucos ele desenvolve um jogo com seus clientes, trocando a frieza pelo prazer que sente ao explorá-los, já que sempre estão em sérias dificuldades financeiras. Ao mesmo tempo Lourenço passa a ver as pessoas como se estivessem à venda, identificando-as através de uma característica ou um objeto que lhe é oferecido. Incomodado com o permanente e fedorento cheiro do ralo que existe em sua loja, Lourenço vê seu mundo ruir quando é obrigado a se relacionar com uma das pessoas que julgava controlar.

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Comentário:

O Cheiro do Ralo é um dos melhores filmes nacionais que já assisti, é complexo e com um clima que foge do senso comum. Durante a introdução do filme não percebemos tanto a sua originalidade e intenção. Mas o filme transforma-se conforme os minutos passam. Tem um humor negro muito sutil, concretizado em ninguém menos que Selton Mello e sua bela voz rouca.

Lourenço é um personagem muito complexo, com muitas nuance que Selton Mello conseguiu atuar e impressionar sem problemas, fez do repugnante, o apreciável. Com um paradoxo em sua personalidade, que é apresentado por “antes” e “depois” do surgimento do odor horrível exalado pelo ralo de seu escritório. Por que o ralo é a concretização da parte “ruim” de Lourenço, que vê, literalmente, sua vida indo pro ralo. Acreditando ter algo superior, o ralo é o caminho para o inferno. Muitos povos antigos viam o inferno totalmente diferente da concepção Cristã, acreditavam que eram como mangues fedorentos, Lourenço, visita o inferno fedorento ainda vivo. Começa então a abusar de seu pequeno império. Torna-se um tirano, em certa cena, muito feia por sinal, propõe para uma de suas clientes, uma viciada em drogas, que exponha seu corpo nu, porém faz questão de que ela afirme que se o fizer é por que assim quer, por que ele não a está obrigando. E de fato, não estava. Mas, acredito que ele necessitava ouvir aquilo para ficar com a consciência tranquila.

A película contém uma estética muito feia, o filme chega a ser nostálgico em certas horas, mas ainda sim é poético, com conteúdo e reflexões. Cinza, com poucos cenários, mas que não nos distraímos. Frases e diálogos inesquecíveis, que, mesmo que não consigamos captar de primeira seu significado, marcam-nos:

“Eu não quero casar com a bunda, quero comprar ela pra mim.” Que mostra o medo do protagonista de envolver-se com a garçonete, e ainda, de não acreditar conseguir. Depois, quando esta percebe a visão que ele tem dela, como se fosse um objeto comprável, sente-se prostituída e chora, dizendo que ele poderia ver de graça. O que é mais interessante, é que apesar de ter se mostrado tão ofendida, depois ela acaba se vendendo para ele, como se fosse inevitável ocorrer. Realmente existem pessoas que pensam que dinheiro compra tudo, mas o que importa é se você pensa isso, se pensar que as pessoas são coisas compráveis, você também se tornará comprável.

Lourenço compra objetos inúteis, o que mostra como sua vida é, como está rodeado de coisas que são inúteis e sem valor. Acha que tudo pode ser comprado. No fim, reflete, e mostra seu aprendizado, sua melhoria, como evoluiu em pensamento:

”De todas as coisas que eu tive, as que mais me valeram, das que mais sinto falta, são as coisas que não se pode tocar. São as coisas que não estão ao alcance das nossas mãos. São as coisas que não fazem parte do mundo da matéria.”

“Ele nunca me viu. Nunca soube o quando o amei. Ele foi. Eu fiquei. Ele é mais triste que eu. Porque talvez ele não tenha ninguém. E eu tenho ele. Meu pai Frankenstein.”

Lourenço conta sobre seu pai, inventa histórias absurdas. Até que surge um olho, que diz ser de seu pai, que morrera na Segunda Guerra Mundial, o que é uma grande mentira, por que o comprara. O Olho é um cumplice seu, o seu “grilo falante”. Lourenço diz que o olho ainda não viu de tudo, por isso o leva para todos os lugares, como se assim, este o impedisse de fazer as coisas que reprimiu. Diante de tantos delírios, chego a pensar que o Olho era seu próprio consciente.

As metonímias não param por aí, o quadril da garçonete é outra figura de linguagem concretizada. Em vez de dizer ou ser capaz de se apaixonar pela mulher inteira, apaixona-se somente por uma parte de seu corpo. E, por pensar que “Mulher é tudo igual se você bobear os convites vão pra gráfica”, acredita que isso aconteceria de novo. É um personagem muito instável, inseguro que tinha um relacionamento sério, e ia casar, mas, desistiu, aparentemente sem motivos. Depois tenta se justificar com a empregada, dizendo que a culpa foi do ralo, que estava fedendo. Podemos muito bem entender a metáfora nessa sua justificativa, estava o ralo fedendo, não literalmente como o filme demonstra, mas abstratamente, em sua vida, Lourenço sentia que estava fedendo, algo ali, em volta de si, na sua vida. Acreditou então que terminar o seu relacionamento seria a solução, por que ignorara que o problema poderia ser com ELE mesmo. Sua noiva parecia também ser perturbada, por que tentara suicídio depois da separação, e perseguia o ex., entretanto, será que o problema era só ela? Esse é o problema de muitas separações, ocorrem sem muita explicação, as pessoas acabam rompendo relacionamentos de anos e anos por motivos que elas mesmos desconhecem, só percebem que “o ralo tá fedendo”, e nunca pensam que o problema é com elas mesmos. A culpa é sempre do outro.

 

Nota IMDB

Powerglove – Saturday Morning Apocalypse

Powerglove é um banda de power metal formada em 2005. Nasceu como um projeto paralelo de vários artistas. A banda tem como tema as músicas de videogame e desenhos, não é a toa que seu nome, “Powerglove”, é um acessório do controle do nintendinho. O visual da banda segue essa tendência, usam roupas extravagantes, como se fossem heróis de crianças. A banda não compõe, apenas regrava os temas de jogos e desenhos adaptando para o estilo, com a maioria instrumental. O som agrada até mesmo quem não aprecia o estilo, por causa da nostalgia, de ser ouvida de um modo tão distinto do habitual, num clima épico que é o power metal.

Ano:  2010

País:  EUA

Membros:

Chris Marchiel – Guitarra
Nick Avila – Baixo
Bassil Silver – Bateria
Alex Berson – Guitarra

Comentário:

“Saturday Morning Apocalypse” é o segundo álbum de estúdio. Mas não é o segundo trabalho, e sim o terceiro. Em 2005 foi gravado “Total Pwnage” que já tocava clássicos como Mega Man, FInal Fantasy, Mortal Kombat. Sempre com algum ponto forte mais conhecido, e nostálgico para maioria, que apresentam em cada lançamento, e nesse cd foi a “Gotta Catch Em All” clássico do Pokémon que marcou a infância de muita gente( Só não é mais nostálgico porque a música está em inglês, o que não há diferença quando escutamos a versão instrumental). Esse disco ultrapassou a barreira do videogame e desenho, com faixas de filmes como “O Estranho Mundo de Jack” e “Transformers”, mas ainda confio que a banda não perca sua essência maior que é transformar as melodias incrivelmente grudentas para o estilo, desde 2005.

01. X-Men (X-Men)
02. Gotta Catch Em All (Pokémon)
03. The Real Adventures of Johnny Quest (As Aventuras de Johnny Quest)
04. This Is Halloween (O Estranho Mundo de Jack)
05. Batman (Batman)
06. Transformers (Transformers)
07. Inspector Gadget (Inspetor Bugiganga)
08. Heffalumps and Woozles (Winnie The Pooh) (Ursinho Pooh)
09. The Simpsons (Feat. Tony Kakko) (Simpsons)
10. The Flinstones (Flinstones)
11 – Gotta Catch Em All (Feat. Tony Kakko) (Pokémon)

Tamanho:  63 MB

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Joshua Hoffine

Eu acredito que o horror está envolvido com a imprevisibilidade e iminência da morte, e a implicação de que não há certezas na existência. As experiências do horror residem nessa confrontação com a incerteza. O horror nos diz que nossa fé na segurança é uma ilusão, e que os monstros estão ao nosso redor.”

Crianças: alguns tem medo, poucos as amam, muitos as odeiam. São muito associadas a filmes e histórias de terror, devido ao antagonismo: pureza X crueldade. Quando Joshua diz “o horror está envolvido com (…) a implicação de que não há certezas na existência”, acredito estar referindo, também, ao questionamento de bem ou mal, se existem e se realmente podemos associar as crianças à pureza e monstros à crueldade. No mundo infantil os personagens tem características muito marcantes para que haja compreensão, porém existem pessoas que até hoje vêem o mundo com esse paradoxo. Sendo que as pessoas são muito mais complexas e não podemos ter certeza ou dizer que alguém é mal ou bom, todos temos os ambos.

Acabamos por muitas vezes vê-las como demoníacas devido essa associação, imperatividade e falta de atenção são mal interpretados e acabam taxando-as de algum distúrbio mental. Sendo que elas apenas tem curiosidade sobre tudo e querem aprender e entender o que acontece, não conseguindo ficar por muito tempo ouvindo a “Tia” da escola explicar o BABÁ.

O fotógrafo Joshua Hoffine nos trás de volta à infância e a nossa ex-imaginação fértil que nos faziam acreditar em monstros no armário, homem do saco e bruxas nos perseguindo. Devido a falta de questionamentos sobre os filmes e histórias de terror, as crianças acabam por absorver o conteúdo como real. Suas fotos expõe o que nossas imaginações criavam, dando uma verossimilhança para isso, por causa dos cenários sombrios.

Joshua também fez uma sessão de fotos baseada nas obras de H.P. Lovecraft, chamada Pickman’s Masterpiece.

 

Tchaikovsky é um compositor romântico russo, ícone da música erudita de seu país e internacionalmente. Sua música mistura elementos característicos de sua nacionalidade com o ocidente, resultando em um som totalmente distinto. É conhecido por escrever óperas, sinfonias, concertos e obras para piano igualmente ótimas. Ainda compôs para ballet obras memoráveis como Lago dos Cisnes, O Quebra Nozes, A Bela Adormecida.

Ano:  2009

País:  Rússia

Comentário:

O cd é uma reunião de grandes clássicos de Tchaikovsky, infelizmente uma mídia é capaz de comportar apenas 120 minutos e podemos provar de poucas melodias do gênio. As três primeiras faixas são um concerto para a piano, seguindo uma sequência. A primeira, mais longa, com aproximadamente 21 minutos, dentre as três, foi a mais agradável aos meus ouvidos, pois abrangeu mais da versatilidade do compositor, alternando entre frases virtuosas e melodias vivas e emocionantes. Detalhe que a “Valsa, de O Lago dos Cisnes” não é aquela melodia famosíssima, que tocou recentemente no filme “Cisne Negro”.

01. A Allegro Non Troppo e Molto Maestoso – Allegro con Spirito
02. Andantino Semplice – Prestíssimo
03. Allegro con Fuoco
04. Abertura 1812, opus 49
05. Abertura-Fantasia Romeu e Julieta/ 3ª versão, de 1880
06. Valsa, de O Lago dos Cisnes

Tamanho:  130 MB

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The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore

Título Original:  The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore

País:  EUA

Ano:  2011

Duração:  15 minutos

Gêneros:  Curta, Animação, Aventura

Direção:  Brandon Oldenburg, William Joyce

Roteiro:  William Joyce

Comentário:

A complexidade e instabilidade humana me levam a crer que não sou alguém fixo, e que não daria a mesma resposta se a famosa pergunta: “quem é você?”, fosse-me proposta duas vezes.

Hoje poderia responder uma coisa e semana que vem outra totalmente diferente por que o ser humano e as ocasiões da vida fazem com que ou eu reafirme alguns valores ou que eu mude-os. O que eu poderia dizer hoje se alguém perguntasse quem sou é que o que acredito ser é uma mera comparação com outro que é daquela forma ou algum adjetivo, ou seja, estou sendo igual aquela pessoa ou aquele adjetivo quando digo que “sou”.

Mas o que somos mesmos é só isso? Comparações?

Se eu elogiar alguém de inteligente, será que a minha percepção foi transmitida? Será que o significado que está no dicionário é o mesmo que eu quis dar àquela pessoa?

Depois de assistir esse curta-metragem, tenho convicção do que é ser alguém. Depois de muito tempo pensando, cheguei à conclusão de que ser é procurar conhecer tudo. Ouvir todos os estilos de música para poder dizer: “EU gosto de Heavy metal”. É ler livros e descobrir qual é o que você gosta, mesmo que for aquele best-seller mundial que conta a história toda equivocada (eu não vou por entre aspas :P), pelo menos você sabe que não gosta dos clássicos.. É ir à maior quantidade de religiões possíveis para dizer: “Eu sou católica”, ou “Eu sou ateu”. Você experimentou para dizer o que é, você conheceu para isso. Tudo bem, minha ideia pode estar parecendo muito científica, por dizer das experiências, não é? Mas acredito que ser em pensamento só não fará você ser aquilo que é, acabará tornando-se outra pessoa, e daqui uns tempos pode-se não orgulhar-se disso. Porque “Se você pensar de um jeito e viver de outro, vai começar a pensar como vive”.

Ler para alguns podem não significar nada, preferem acreditar que a vida escrita nos livros não é real e que se aprende muito mais vivendo do que lendo. Já eu, acredito que ler é ser, conhecer, é tornar-se. Ao conhecer e descobrir o que você é, você vive. Como alguém que não busca conhecer nem a si nem o que diz ser, pode viver?

Em “The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore”, Morris quando acaba de ler o livro, vê-se velho. Mas acredito que na realidade não é um velho, e sim “estava” velho, por isso ao ir embora da biblioteca, voltou a ser jovem, por que os livros deram a ele experiências de pessoas que viveram muito e um amplo conhecimento, mas ele permanecia novo, com a mente aberta, e aguçada. Agora poderia dizer quem ele é. E assim, viver.

Às vezes desconsideramos algumas concepções, teorias ou aprendizagens por achá-las inútil, por querer manter um certo “caminho” de pensamento “erudito” já embutido. Por isso acredito que muitas pessoas têm dificuldades em entender artes contemporâneas. Acabamos por confundi-las com algo inútil, por termos seleção do que devemos ou não aprender, muitas vezes ligamos isso aos nossos sentimentos, acabando por confundir, por exemplo, não gostar de matemática com ela ser inútil. Por a pessoa pensar que vai fazer letras e achar que nunca vai precisar usar aquilo, permanecendo assim, ignorante nessa área.

O que está errado por que aquilo que menos se sabe é aquilo que mais devemos dedicar esforços e estudos. Devemos ver essa matéria, não como um filisteu, e sim como um desafio.

Os livros coloriram a vida das pessoas literalmente na animação. Enchiam as vidas das pessoas. No momento que Mr. Morris lia, por exemplo, livro velho, mostrou a troca entre o homem e o livro. Ele sentiu muitas emoções, e o livro permaneceu “vivo”. Se lermos, muitas coisas importantes permanecerão vivas para a humanidade, se as deixarmos de lado, poderão desaparecer. Existem livros, clássicos, que nunca morrerão.

 

Discurso sobre violência (Marilyn Manson)

O vídeo é um discuro de Marilyn Manson sobre a violência, trazendo-nos algumas possíveis causas da violência nos EUA. De modo geral, acredito que ninguém melhor para dscutir algum assunto que alguém que viveu aquilo. Esse é um caso. Manson sofreu violência tanto sexual quanto física, bullying. A sociedade norte-americana é muito vinculada aos esportes, vide as bolsas na faculdade para quem pratica e no ensino médio e fundamental, quem são os descolados? Os atletas. Achei o ponto de vista dessa raiz do problema ter uma parcela de culpa dos esportes, no mínimo, interessante, nunca havia pensado a respeito. E faz sentido, com os argumentos articulados inteligentemente pelo artista. Esse pensamento é tão arraigado no povo que não percebemos a influência que pode gerar. O contraponto entre nerds e os descolados esportistas. Nerds são a escoria e os esportistas, os maiorais. Mas são os nerds que avançam a ciência e evoluiu até mesmo nos, tão queridos, esportes. E os atletas? A função é o entretenimento.
Bom, é um grande discurso, espero que gostem.

Parte 1

 

 

Parte 2

O Pecado mora ao lado

Título Original: The Seven Year Itch

País:  EUA

Ano:  1955

Duração:  105 minutos

Gêneros:  Comédia, Romance

Direção: Billy Wilder

Roteiro:  Billy Wilder, George Axelrod, Milton R. Krasner, William TravillaGeorge Axelrod, Milton R. Krasner, William Travilla

Formato: AVI

Tamanho:  324 MB

Legendado:  Português/BR

Sinopse:

Richard Sherman (Tom Ewell) é um editor de livros que sente-se “solteiro” quando a mulher (Evelyn Keyes) e o filho (Burch Bernard) viajam em férias. Ele começa então a ficar cheio de idéias quando uma bela e sensual jovem (Marilyn Monroe), que é modelo e sonha ser atriz, torna-se a sua vizinha.

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Comentário:

Se eu voltasse no passado e encontrasse Billy Wilder perguntaria como Marilyn Monroe foi escalada para esse papel. Como uma adultera pode ser tão adorável? Escuto sempre a expressão: “Seria trágico se não fosse cômico”. Realmente essa frase se encaixa como uma luva para esse clássico.

As comédias românticas de Wilder inspiraram muito e deixam-nos muitos ensinamentos, “Se Meu Apartamento Falasse” é meu preferido. Para a época, “O Pecado mora ao lado”, 1955, impressionou, e teria sido ainda maior se a Fox não tivesse proibido Wilder mostrar que o casal tinha dormido junto, numa relação proibida. Seus roteiros são tão atuais, que quando assistimos seus filmes, parecem-nos familiar, visto as cópias ruins que assistimos, feitas por muitos outros diretores atuais tentam fazer.

Ao perceber que as cenas basicamente acontecem em torno dos dois personagens e que ocorrem em dois lugares, percebemos a simplicidade genial de Wilder. A comédia sutil, a crítica àquele homem que caiu num relacionamento monótono e sente-se culpado por isso, imaginando que sua esposa é maravilhosa, sem perceber que a culpa é dos dois e que não importa a quão maravilhosa a pessoa que você ame e conviva seja se não renovarem, recriarem e se apaixonarem de novo, o cotidiano te desgasta e acaba-se continuando no relacionamento por comodismo.

Gostar de alguém acontece rápido, mas manter-se gostando e amar alguém é muito mais que isso, dedica-se tudo, uma vida, para manterem-se num relacionamento estável e monogâmico. Por isso tento entender as pessoas que tem relacionamentos de semanas, mas elas não conheceram a pessoa com que esteve suficientemente para entender o que realmente sentiam e aceitar, além da personalidade, estilo e gosto, os defeitos do outro.

Marilyn diz que não gosta de homens que pensam ser o maioral, que preferem os tímidos que ficam quietos, e não esnobando você, mulher ou homem que está ali, apenas para se promover, como se necessitasse de uma afirmação sobre quem é. Acredito que a maioria das mulheres gostaria dos homens que Marilyn diz admirar, que cuidam de suas esposas, são carinhosos e prezam um relacionamento, mas infelizmente, por a mídia nos vender tanto outros padrões de homens, muitas acabam por “correndo atrás” daquele que a rejeita. E isso é lamentável.

Hoje temos uma noção de sensual não pelo que nos provoca ou achamos bonito, e sim por aquilo que nos “vendem”, “ditam”. Marilyn foi um ícone pop dos anos 50 e 60, e tinha mérito para isso. Era extremamente sensual, meiga, amável, simpática, artista e linda.

As fotos da cena a que nos acostumamos a ver, em que Marilyn está mais sensual, na verdade não são do filme e sim de uma sessão de fotos promocionais para o filme.

Se Richard era infeliz no seu casamento não fica tão claro, mas percebe-se a vontade dele em ter casos extraconjugais é evidente quando sua família vai viajar de férias. O psicológico dele é abalado pela falta de seu “apoio” – a família. Chega a associar-se com Dorian Gray, questionando sua própria moralidade, por imaginar promiscuidades enquanto está sozinho.

Ele se sente livre e solteiro novamente, como se nunca tivesse sido. Às vezes notamos algumas pessoas que não gostam tanto da pessoa com quem se relacionam, mas tem medo de terminar por acreditar não encontrar outra, ou então, pessoas que gostam daquela pessoa com quem se relacionam, mas vivem imaginando e, por a pessoa com quem estão demonstrar o quanto gostam dela, acreditam que podem fazer o que quiser, trair e até terminar para afirmarem para si mesmas que, solteiras, ficariam com muitas pessoas, pura ilusão.

NOTA IMDB

Princesa Mononoke

 

Título Original:  Mononoke-hime

País:  Japão

Ano:  1997

Duração:  134 minutos

Gêneros:  Animação, Aventura, Fantasia

Direção:  Hayao Miyazaki

Roteiro:  Hayao Miyazaki

Formato:  RMVB

Tamanho:  415 MB

Legendado:  Português/BR

Sinopse:

Um príncipe infectado por uma doença sabe que irá morrer a menos que encontre a cura. Sendo a sua última esperança, segue para o leste e, durante o caminho, encontra animais da floresta lutando contra a sua exploração, liderados pela princesa Mononoke.

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Parte 1          Parte 2           Parte 3

Comentário:

Hoje farei uma exceção, o comentário será um video quest, tirado do youtube, excelente por sinal.

Parte 1

 

Parte 2

 

Nota IMDB