Título Original: Pina

País: Alemanha

Ano:  2011

Duração:  106 minutos

Gêneros:  Documentário, Musical

Direção:  Wim Wenders

Roteiro:  Wim Wenders

Formato:  AVI

Tamanho:  700 MB

Legendado:  Português/BR

Sinopse:

Pina é um filme para Pina Bausch, de Wim Wenders, com o Tanztheater Wuppertal, sobre a obra da extraordinária coreógrafa alemã que morreu em 2009. É uma viagem sensual e deslumbrante através das coreografias dançadas no palco e em locais da cidade de Wuppertal – cidade que durante 35 anos foi a casa e o centro de criatividade de Pina Bausch.

Representante da Alemanha a uma vaga no Oscar 2012.

Observaçao: O download só está disponível em Torrent 😦

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Comentário:

Wim Wenders é um diretor que eu aprecio muito devido aos filmes “Asas do desejo” e “Tão longe, tão perto”, que são profundos e tem muito a se dizer sobre. Por ter feito muito tempo de ballet clássico, pude fazer contemporâneo. E admito que depois de trabalhar tantas técnicas, dançar ballet contemporâneo não me agrada. Sempre aprendi que deveria ser perfeito, todos os movimentos dentro do Clássico tem um significado e a simples mudança de sentido pode ocorrer se em vez da esquerda, você dançar para a direita, ou se em vez de dar uma pirouette andeor dar uma andedan. A dança contemporânea não é assim, seus significados variam de peça em peça. Uma vez assisti um ballet contemporâneo chamado “Carmem”, baseado na ópera, que era muito metafórico e cheio de significados, era maravilhoso e chocante, a Primeira Bailarina (principal) fumava charutos. Sei que é arte, e a respeito. E ainda a vejo como bela, mas eu não acredito que esse filme seja um documentário, porque quis transmitir histórias e relações que Pina tivera através de suas coreografias, mas, não sabemos exatamente o que cada coreografia significa. Muitas vezes a dança contemporânea não tem nenhum significado, às vezes é feita para “chocar”. Mesmo assim, o que posso dizer desse comentário a não ser que ele é vago?

Se ganhar o Oscar é por causa da estética e trilha sonora do filme, por que a profundidade que ele passa não é atingida pela maioria dos observadores. Acredito que nem mesmo os bailarinos possam entender a obra de Pina, a não ser que a dancem, que deixam sentir, sem se importarem com significado ou perfeição. Era para ser uma dança que qualquer pessoa poderia fazer, mas fica muito mais lindo com bailarinos profissionais e que tenham aqueles músculos perfeitos e técnicas de contração.

Pina é uma coreógrafa muito admirada, inteligente e intensa. “Não me interessa a maneira como as pessoas se movem, mas o que as faz se mover.” É uma das frases mais reais e lindas. Às vezes dançamos sem motivos e isso faz cair nossa qualidade, na dança o corpo é o instrumento principal, assim como o lápis é para o escritor; se este estiver mal, tudo sairá mal ou não ficará belo. Percebemos isso quando vemos duas bailarinas dançando um solo, por exemplo, a primeira tem a técnica perfeita, mas não demonstra expressão, já a segunda pode não ter a técnica perfeita, mas por ser tão expressiva e viva, a admiramos muito mais. Isso prova que na arte, em todos os seus meios, a técnica adquire um papel secundário, visto que é a manifestação do sentimento. Com certeza Pina ficaria triste se visse alguma de suas coreografias sendo interpretadas por alguém que não parece ter motivos para dançar, alguém que no palco pareça um boneco sem alma.

Hoje em dia a técnica é muito maior e ensinada a um número maior de pessoas. Antigamente, quando surgiu, a dança clássica era chamada de “ballet romântico” ou “ballet branco”, pois todos os dançarinos usavam figurinos brancos, e era romântico por que o movimento eram belos e todos desprovidos de técnica, ou você nascia com um corpo favorecido e a “bacia virada para a lua” ou você não poderia ser bailarino(a).

A técnica foi uma salvação para aqueles que querem ser bailarinos profissionais, pois o jeito como se trabalha o corpo, com força determinação e ensaios incessantes, dá a você condição para fazer qualquer peça hoje em dia. Tudo o que necessita é coragem e uns 10 anos de estudo e aprimoramento.

Já o moderno dá impressão de que qualquer pessoa pode dançar, e diferentemente da técnica do clássico, onde sua mente está vazia enquanto seu corpo trabalha, precisa de uma mente muito ativa e incansável, expressões intermináveis no rosto e força absoluta.

Quando o ballet moderno surgiu, com Merce Cunningham, tal dança ainda respeitava uma regra narrativa e temática; isto é, as relações dança e música, apesar de mais abertas, ainda permanecem na dependência uma da outra, e o espaço cênico continua a respeitar a perspectiva frontal da cena italiana do século XVII.

Nos anos 70, a alemã Pina Bausch inseriu elementos de teatro no balé moderno, quebrando todos os “dogmas” do clássico e do primeiro ballet moderno. Em suas obras há pessoas comuns andando nas ruas, repetindo à exaustão, faz parecer que os movimentos são “naturais”. Entretanto, no decorrer da representação de ações cotidianas, ela provoca o público com situações inesperadas, quando os bailarinos costumam cantar, gritar, falar e rir, colocando a plateia diante de sentimentos perturbadores. Por parecerem atores, o seu estilo é denominado “dança-teatro”.

Voltando ao documentário de Wenders, que não é simplesmente “jogado” para nós, apesar de assim parecer. Tem nele, as pessoas que andam em fila mostrando as estações do ano, o trem que, mesmo sem tocar no chão, leva os dançarinos pela cidade, e os quatro elementos trabalhados um de cada vez.

O espetáculo “Café Muller” e a coreografia masculina ao som de Caetano Veloso me fizeram lembrar muito Almodóvar. Em seu filme “Fale com ela”, esse espetáculo inicia o filme, e é tão surpreendente que nunca saiu da minha cabeça. Quando apareceu na tela durante Pina, fiquei exaltada, e depois intrigada com o que ela queria mostrar através daquelas imagens, a obra em partes parece fazer algum sentido, mas depois parece surreal. Em vários filmes do Almodóvar toca algum “Caetano”.

Como minha melhor amiga Marina sempre diz, às vezes alguém qualquer faz uma coisa e diz que é arte, e todos ao seu redor vaiam e julgam por aquela pessoa não ter nome ou reputação. Já outras vezes, por estar num museu, a mesma obra passa a valer milhões de dólares e ser considerada arte. O que é uma grande hipocrisia. Espero realmente que a obra de Pina tenha passado alguma coisa a mais para quem assiste pessoalmente, porque, admirá-la por causa de algumas cenas, que parecem sem nexo, parece-me muito difícil.

Esse é um filme, digamos, “experimental, cult, intelectual”.

NOTA IMDB

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