René François Ghislain Magritte (1898 – 1967). Pintor belga. Mas… Não foi um simples pintor, era um pintor surrealista realista. O que isso quer dizer? Bom, quer dizer que suas imagens tem elementos do nosso cotidiano, mas que, a forma como são pintadas, nos perturbam por terem elementos surreais, puramente fazem paradoxos com a realidade. E temos a sensação tal e igual André Breton citou sobre o surrealismo: “O desmoronamento do intelecto.” Tentara estudar na Academia Real de Artes em Bruxelas, mas destestara o conservadorismo da escola, e a abandona. Depois de certo tempo, descobre que detesta outras coisas, ao precisar de dinheiro, monta uma agência de publicidade, e declara:

“Detesto o meu passado e o de todos. Detesto a resignação, a paciência, o heroismo profissional e os sentimentos bonitos obrigatórios. Também detesto as artes decorativas, o folclore, a publicidade, as vozes dos anúncios, o aerodinamismo, os escuteiros, o cheiros das bolas de naftalina, acontecimentos do momento e pessoas embriagadas”.

La Trahison des Images

Suas obras levantam muitos questionamentos que para serem, de alguma forma, interpretados, teremos que fazer uma reflexão muito profunda de suas representações e significados. Por exemplo, em  “La Trahison des Images” ou “A traição das imagens”, vemos a frase “Ceci n’est pas une pipe”, que diz: Isso não é um “cachimbo”. Uma completa contradição, que nos envolve e nos faz refletir. Chego a pensar que é uma ironia, visto que ele “limita-se” a explorar e extrair o surrealismo da realidade. Em outras ocasiões chego a pensar que, realmente isso não é um cachimbo, e talvez a representação deste. Por que se eu pintar a árvore que estou vendo do lado de fora da minha janela, ela não será a mesma, nem para mim, nem para ninguém que as olhe. Por que o objeto real, o cachimbo e a árvore tem uma “coisa”, como se fosse uma essência, que no quadro não tem. Por que ao olhar para a árvore, talvez vejamos a mesma coisa, mas na hora de reproduzi-la ou mesmo descrevê-la, ela será diferente. Se cada homem for representar e descrever essa mesma árvore, nenhuma será a árvore existente. Somente seriam imagens que aproximariam duas realidades, a das pessoas e a do mundo, que ninguém conhece. Cheguei a essas conclusões citadas, primeiramente, ironia, por causa da legenda, e na segunda, por causa da legenda mais o título da obra.

Encontrei essa charge na internet, quando procurei a obra de Magritte, e achei muito engraçada.

La clef des songes

Novamente, Magritte “brinca” com os significados, em “La cheg des songes”, que a tradução seria A chave (interpretação) dos sonhos, designando um ovo: l’acacia (a acácia), um sapato feminino: la lune (a lua), um chapéu masculino: la neige (a neve), uma vela acesa: le plafond (o teto), um copo: l’orage (a tempestade) e, enfim, o martelo é chamado le désert (o deserto). A falsa denominação é uma forma do artista explorar significados, ou aparências ocultas entre os objetos. Por que, se relacionarmos com o título do quadro, veremos o sentido, que em nossos sonhos, as imagens aparecem assim, sem ligação. Outra interpretação é que, esses objetos poderiam ter inúmeros nomes, assim como temos apelidos, e eles não mudam quem somos. No filme Dogtooth, há esse exemplo, os pais ensinam o nome dos objetos trocados, ou seja, ensinam que o saleiro se chama telefone, e assim por diante.

Not to be Reproduced

Magritte quebra dogmas do senso comum sobre as perspectivas, com suas ironias, objetos em disposição aleatória do espaço e metáforas. Não é atoa que sua obra é conhecida como ” visual thinking”, visto que nenhuma de suas obras são apenas para serem admiradas, são obras para serem pensadas. E, apesar de o surrealismo estar sempre ligado à loucura, acredito que o surrealismo é genial, e Magritte, um gênio, que é totalmente diferente de Duchamp, onde o surrealismo está na ausência total de sentido. Em “Not be Reprudeved”

L’Empire des lumière

Esse quadro chega a ser impressionista no meu ponto de vista, por que vemos a casa, o lago e as árvores e temos a noção de noite. Mas ao olharmos para o céu, vemos o azul e as nuvens, e temos a sensação de dia. O que significaria? Acredito que ele quebra a discussão de quem é mais belo, a noite ou o dia. Como no filme “Meia-noite em Paris”, já postado anteriormente aqui,  há uma discussão, entre Gabrielle e Gil, sobre se Paris é mais bela de dia ou à noite. Magritte faz a junção dos dois momentos e temos uma belíssima obra. Com certeza a discussão entre o casal do filme se cessaria se conseguissem imaginar, como Magritte, a imagem durante a noite e o dia ao mesmo tempo.

Gonconda

Não tenho um comentário sobre essa obra. Homens de chapel coco, todos de sobreturo, caindo. Novamente, a imagem só tem elementos reais, mas o fato dos homens estarem parados assim no espaço, sempre me remeteu a chuva. Mas hoje, depois de assistir o clipe da música de Rufus Wainwright, Across the universe, ao olhar “Gonconda” de novo, tive a impressão de que todos os homens estavam parados, visto a sombra deles nos prédios.

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