Título Original:  The Virgin Suicides

País:  EUA

Ano:  1999

Duração:  97 minutos

Gêneros:  Drama, Mistério, Romance

Direção:  Sofia Coppola

Roteiro:  Sofia Coppola

Formato:  RMVB

Tamanho: MB

Legendado:  Português/BR

Sinopse:

Durante a década de 70, o filme enfoca os Lisbon, uma família saudável e próspera que vive num bairro de classe média de Michigan.

O Sr. Lisbon (James Woods) é um professor de matemática e sua esposa é uma rigorosa religiosa, mãe de cinco atraentes adolescentes, que atraem a atenção dos rapazes da região.

Porém, quando Cecília (Hanna Hall), de apenas 13 anos, comete suicídio, as relações familiares se decompõem rumo a um crescente isolamento e superproteção das demais filhas, que não podem mais ter qualquer tipo de interação social com rapazes.

Mas a proibição apenas atiça ainda mais as garotas a arranjarem meios de burlar as rígidas regras de sua mãe.

Download

Parte 1     Parte 2

Comentário:

Sofia Coppola, desde que ouvi esse nome, surgiu uma curiosidade dentro de mim sobre como ela deveria ser, se dirigia parecido com o pai, Francis Ford Coppola, se era mais uma diretora Hollywoodiana que não mudaria nada na história do cinema. Mas aí me interessei o seu primeiro filme: As Virgens Suicidas, que venceu na categoria de Melhor Diretor Estreante para Sofia Coppola, no MTV Movie Awards.

Assisti com calma e sem muitas expectativas. Por isso talvez, captei muitas coisas interessantes. Primeiro que Sofia não tem o mesmo olhar do pai nesse filme, apesar deste ser o produtor. Depois consegue passar uma visão delicada através da narrativa, que poderia ser um thriller psicológico extremamente forte. E isso, a parte psicológica do filme talvez não tenha sido explorada como deveria, o que faria o filme um pouco mais realista, ao meu ver.

Mesmo assim, prestigiar sua produção feminina é fácil, por que apesar da sexualidade exposta e do ódio sentido por Lux Lisbon (Kristen Dunst), não mostra o homem como um ser nojento e horrível. O que lemos e ouvimos de algumas mulheres, escritoras ou não. Esse aspecto é muito interessante, por que, em vez de explorar essa situação ruim, que daria uma audiência enorme para o público feminino só assiste filmes românticos que fazem chorar, Sofia Coppola apresenta para nós a delicadeza da situação de forma realista. O que mais Lux poderia fazer? Seus pais a deixaram, assim como suas irmãs, trancadas por causa de ter dormido fora de casa. Fugir? Para onde? Chorar, por que?

Sofia realmente tem um olhar muito peculiar, e que me agradou, por que, não é nem um pouco esperado e ainda por cima, não é o mesmo olhar que eu tenho.

A história é baseada no livro de Jeffrey Eugenides, sobre cinco irmãs suicidas. Todas sofrem com o isolamento, ignorância (demonstrada na cena em que a mãe associa a rebeldia da filha com seus discos de vinil de rock’n roll) e superproteção dos pais que lhes proibem qualquer tipo de contato social com rapazes ou até mesmo com outras adolescentes.

Não sabemos se é este motivo pelo qual, Cecília, a mais nova das irmãs suicida-se. Mas, assim como ela disse ao doutor: “Você nunca foi uma garota de treze anos.” Isso me faz refletir minha adolescência, e perceber que, de certa forma há pessoas que não conseguem fugir de um determinismo paternal, escolar ou outro. Como Cecília, que vivia nos anos 1970, ficava presa dentro de casa e não queria viver, certamente, tem algo muito errado acontecendo, ou algo que deveria acontecer. No fim do filme, os pais dizem não entender o por que tamanha tragédia, acreditam ter dado amor e afeto às filhas, mas não perceberam, até o último momento, que sufocavam as filhas, que não confiavam nelas, e ainda por cima, que aquilo que estavam dando não era amor. Por que se houvesse, nesse caso, elas continuariam a viver.

No momento em que Cecília vai ao psicólogo, este recomenda aos pais que as deixe conviver com outras pessoas, e especialmente rapazes. Os pais tentam, mas, assim como um cachorro quando fica preso muito tempo, tende a sair correndo quando você solta e não te dá ouvidos, as jovens moças se soltaram. Aquela fuga da casa dos pais, aquela pouca liberdade, já é suficiente para atiçar nelas o interesse de fugir das rígidas regras dos pais, e fazer o que quiser. Porém, tamanha rebeldia é respondida com tirania. Mas seus pais não são monstros, nem são pessoas ruins que fazem isso por que desejam a infelicidade de suas filhas, assim como muitos filhos pensam que são seus pais. Na verdade, eles só não sabem como é cuidar de alguém, ensinar alguém. São, muitas vezes, liberais de mais, outras, conservadores demais. E, ao se depararem com a juventude que tiveram, imaginam “horrores”, e tentam ao máximo, impedir que eles aconteçam, e por fim, sempre, se veem sozinhos, veem que não souberam “administrar”, cuidar, nem amar sua família, por que se preocuparam com coisas triviais, comuns dos pais, em vez de confiar naqueles que criaram e educaram.

Nesse filme, não percebemos intensamente o que passa na mente das meninas e não nos reconhecemos com seu cotidiano, isso por que Sofia Coppola parece não querer fazer, por ter criado quatro narradores masculinos, ou não ter conseguido criar essa interação: público X personagens.

Isso tem seus lados positivos, como apreciar a obra nostalgicamente, sem sermos pessimistas ou suicidas também.

Nota IMDB

Anúncios