Esses dias, mais uma vez, History Channel me decepcionou. Ao ver um suposto documentário de historiadores sobre Leonardo Da Vinci, fiquei entusiasmada. Mas ao ver que o documentário continha conspirações sobre a inteligencia e conhecimento de Da Vinci serem provindas de Aliens, fiquei indignada por não acreditarem na sua capacidade, desliguei a televisão e vim pesquisar mais sobre sua vida e obra.

Nascido em 1452, na vila italiana de Vinci, na Toscana, situada no vale do rio Arno, dentro do território dominado à época por Florença. Era filho ilegítimo de Messer Piero Fruosino di Antonio da Vinci, um notário florentino, e Caterina,uma camponesaque pode ter sido uma escrava oriunda do Oriente Médio. Leonardo não tinha um sobrenome no sentido atual; “da Vinci” significa que era de Vinci: seu nome completo de batismo era “Leonardo di ser Piero da Vinci”, que significava “Leonardo, (filho) de (Mes)ser Piero de Vinci”. O próprio assinava seus trabalhos como “Leonardo” ou “Io Leonardo” (Eu, Leonardo). Ele não usou o nome do pai por causa do estado ilegítimo. Vivera na época do Renascentismo, época de conhecimento e descobertas; mas também de muita renegação por parte dos tradicionalistas e violência.

A figura de Leonardo está presente em diversos mitos, como associações com a consagrada seita secreta Pitagórica, ou interpretações místicas a respeito de suas obras, entretanto eu não  posso afirmar nem especular tais nomes, mas os Pitagóricos se uniam para discutir experiências e conceitos, estudar e cultivar conhecimento. Estudavam matemática, geometria e filosofia e tinham um código para entrar em seus encontros, que era mostrar o pentágono que era ‘tatuado’ em seus pulsos. Conta a lenda, que quando surgia um traidor, além de expulso era amarrado e jogado em alto mar… mas como disse antes não posso afirmar nada, porém acredito nessa história.

Ser filho bastardo lhe impediu de ter aulas de latim e grego, línguas todos os livros eram escritos. Nesse instante tornou-se autodidata. Por algum problema cognitivo, escrevia de trás para frente, e era canhoto. Tal ‘defeito’ o fez mais tarde esconder seus conhecimentos, que por escrever espelhado ninguém entendia ou percebia o que estava escrito. Escrever com a mão esquerda fez com que, mais tarde, ao entrar para um ateliê, visse que todos escreviam com a direita, e assim passou a ser ambidestro, o que facilitava e agilizava o tempo de suas pinturas. Para historiaores e especialistas sua escrita espelhada, e às vezes fazer anagramas, são vistas um código que protefia seus esboços contra espiões e cópias.

Vejo, através de suas obras, como esse renomeado pintor era observador, detalhista e organizado. Seus estudos sobre animais e o corpo humano (que roubava dos cemitérios durante à noite para desenvolver seus estudos) são super específicos e com certeza ajudaram muito as gerações futuras de medicina, de artes e da população inteira que conheceria então o corpo. Tais fascínios pela natureza, principalmente pelos pássaros o fez criar esboços de máquinas para o homem voar. Por ser filho ilegítimo, apesar de seus conhecimentos medicinais e descobertas, não podia ser médico nem advogado. Por isso seu pai o enviou para ser artesão e escultor em Florença.

Destacou-se e assim, por que na época usavam a técnica de têmpora (tinta feita com ovo), e então Da Vinci acrescentou óleo. O que deu mais vivacidade as obras, e assim, seu Mestre, decidiu que ele pintaria todos os rostos de todas as encomendas. Mas se envolveu com escândalo enorme, pois ele estava com um garoto de programa, que poderia o levar a morte se comprovado, pois o homossexualismo era proibido. Foi preso, mas solto por falta de provas, mas obviamente era homossexual, pois estava sempre com homens mais novos e mostrava sua fascinação pelo corpo masculino em muitas obras. Nunca casou, nem teve filhos, muito menos os queria.

“João Batista”

Só teve um aprendiz, Giacomo, adotado aos 10 anos por Leonardo, por volta de 1500, atribui-se a ele o papel de aprendiz, ou filho, ou servo (alguns arriscam dizer que foi também um amante), ou até mesmo um importante modelo para algumas de suas obras como, por exemplo, o ‘Retrato de um homem velho e um jovem’, ‘João Batista’ e até mesmo ‘Um Apostolo’. Giacomo é chamado por Da Vinci de Salai, que significa “pequeno demônio” e constam suas artes nos diários codificados do artista.

 “Retrato de um homem velho e um jovem”

O por que Da Vinci desenhava e calculava tais objetos voadores é lógico, ao contrário do documentário que vi, onde forçava a ideia de que o homem não teria capacidade de criar tantas coisas sem a ajuda de uma força mais inteligente (alienígena). Porém, com certeza Leonardo Da Vinci era um sonhador, que queria voar e ver assim como os pássaros os campos, e assim como os peixes, o céu (submarinos). É impressionante por que, mesmo sem as leis de Newton, conseguiu, só por observar a natureza, reproduzir e transformar em máquinas, que dão certo.

São muitos os seus desenhos e projetos, por volta de 6 mil, são perfeitos e cheios de detalhes. E muitos desses projetos funcionariam se tivessem tentado desenvolvê-lo na época. Se isso acontecesse, por exemplo, o relógio de pulso seria inventado antes, visto que só foi inventado quando surgiram os aviões. E Da Vinci, tinha esboços de paraquedas, e a BBC fez um documentário onde reproduziu tais obras e verificou se estas funcionassem.

(…)

Em Milão, Leonardo trabalhou para o Duque Ludovico Sforza  como engenheiro, porém, naquela época não era uma profissão tão valorizada e assim ganhava menos que um bobo da corte. Fez descobertas notáveis, estudou e descobriu como funcionava o olho humano, ao dessecá-los e cortá-os de várias formas. Até então acreditava que os olhos emitiam luz.

A juventude de Ginevra

A expressão facial da jovem é o mais intrigante na pintura. Olhando percebemos a incerteza dos seus sentimentos intriga as pessoas; não se sabe se está cansada, triste, serena, zangada, ou seja, um rol de sentimentos inacabáveis que a expressão facial lhe atribui. Uma jovem que oculta o íntimo, modesta, ausente de jóias, tem como maior adorno a própria beleza natural. Seu rosto simétrico perfeitamente calculado chega a ser infantil e angelical, exceto pela expressão nula no olhar.

Dama com arminho

 Cecília Gallerani, esta é a amante de Sforza e a face de um dos retratos mais famosos da Renascença. Sforza declarou: “Mas como que você faz? Tirou alguma parte da alma de Cecília para fazer essa obra, parece que está viva dentro do quadro!”

Ao discutir com a Marie, minha amiga, sobre o suposto desaparecimento de conhecimentos, obras e culturas da humanidade, me lembrei de que somente 15 das pinturas de Da Vinci sobreviveram. O que exatamente aconteceu? Com certeza há alguma obra dele na parede de algum descendente de alguém que o comprou ou ganhou, e esse alguém nem imagina que essa obra seja de Da Vinci, ou nem saiba quem é Da Vinci. Outros desses quadros foram estragados enquanto os reformavam, por isso não há nenhum aqui de pássaros ou peixes, os que ele mais desenhou.

“Leda e o Cisne”

Ao procurar “Leda”, achei várias versões, isso deve-se que Da Vinci morreu antes de acabá-la, e assim, Giacomo Salai, então a finalizaria como “obra póstuma”. Esta obra de Leonardo diz respeito a um mito da Grécia Antiga, no qual o deus Zeus se apaixona por Leda, enquanto esta se banha em um rio. Zeus assume a forma de um cisne, seduz a jovem, e ela o coloca no colo e o acaricia. Na mesma noite, ela deita-se com seu marido, Tíndaro, rei de Esparta. No mito grego, Leda dá à luz a dois ovos. Em um deles estão Helena de Tróia e Castor (como sendo filhos de Tíndaro, a parte mortal); do outro ovo nascem Pólux e Clitemnestra, filhos de Zeus, imortais.

Segundo conta a história e seus diários, Leonardo tem um encontro final com sua mãe antes da morte da mesma.  Acredito que esse fato determinou o conteúdo de suas obras posteriores, já que até então pintava o que mandavam ou homens. Acredito nisso por causa de sempre que pintou mulheres, eram a figura central, em “Monalisa”, “Leda e o Cisne”, “Cabeça de mulher”, “Madona do Fuso”, “Virgem dos Rochedos” entre outras… Levando em conta que Da Vinci calculava meticulosamente a posição das figuras de suas pinturas: pode-se deduzir que ela seja uma representação importante de uma mulher central em sua vida? Ou uma mulher inexistente, por quem aguardava? Ou uma amante nunca revelada? Ou ainda, sua própria mãe falecida?!

Por que Leonardo Da Vinci pintava tantas mulheres? Bem, aparentemente, por tantos fatos e historiadores o denunciarem como homossexual, tenho minhas dúvidas.. Quem sabe, na verdade, Da Vinci tenha reprimido sua sexualidade para estudar e ensinar, e assim, seu subconsciente expõe através de suas obras o desejo sexual inexistente? A partir de tal hipótese que levantei, concluo que as obras de Da Vinci são de grande valia psicanalítica. Infelizmente não cabe a mim tentar analisar mais que isso, seria de uma ousadia ou moral, que não me pertence, ainda.

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