Michael Kvium, ator e pintor dinamarquês. As obras aqui publicadas foram feitas entre 1986 e 1995, onde, apesar de ser um pintor contemporâneo, parece ser bastante realista ao mostrar relacionamentos humanos. Suas imagens são muito envolventes, além de descreverem mais do que palavras, elas fazem com que sentimos a mesma coisa que ela, e temos a mesma impressão, ou impressão parecida, por que as pessoas reconhecem tais imagens em algum momento da vida, que viram ou viveram. Mesmo que a interpretação de obras de arte, na minha opinião, seja livre, Kvium parece transmitir a mesma mensagem à todos, e denunciar através delas a feiura. Não são quadros belos, porém ainda sim, é arte. Por que gostar ou não de um quadro, filme, música ou escultura, não determina se esse quadro, filme, música ou escultura é ou não arte.

“Cena de Rodeio”

A primeira obra prima de Michael Kvium que vi, e inicialmente o choque me tomou. Esta mulher “monstro” está nua e é grande e gorda, em cima dela, está um pequeno homem, representando como esta está numa situação de submissão perante à ele. Como se esta não soubesse da capacidade, a força e o valor que ela tem. Por causa do mundo machista que domina, o pequeno homem domina a grande mulher, e na realidade eles são assim, porém eles se veem como a sombra os reflete: o homem maior e a mulher menor. Kvium não está retratando uma mulher feia, de forma submissa e feia, ele está retratando duas visões, a realidade e o como este casal se sente. Acredito que foi exatamente este o propósito de Michael Kvium quis mostrar. E o rosto e olhos dessa mulher passiva mostravam grande sofrimento, as olheiras de cansada de resistir e de sofrer.

“Mãe”

Já nesta imagem, que infelizmente é pequena, Kvium demonstra de novo a mulher perdendo sua humanidade e respeito. Enquanto lava louças, o marido toca seus seios. E essa cena é muito desagradável para mim. A mulher está dominada, subjugada ao aspecto sexual, perdendo seu valor e se tornando vítima inocente da mesma forma que os animais dominados e criados pelo homem.

Nome desconhecido

Suas obras não são para agradar as pessoas, por isso não são bonitas. A intenção real é levantar questionamentos, que nos fazem ver o que, normalmente, ignoramos que existe e ver a beleza no feio, e ainda, desaprová-la. Por isso vejo o lado positivo de suas obras: esperança de mudança para melhor, por que apesar de chocar, a realidade é bem pior, e assim, nos motiva a mudá-la. Essa é uma das razões do por que se pintar o feio.


As obras de Kvium lembram-me muito das obras de Francis Bacon, que também mostrava um lado desagradável dos seres humanos. Além disso, percebemos muitos elementos do movimento barroco em ambos artistas, sempre querendo expor os dois lados da situação, usando muito a contraposição de luz e sombra, como em Cena de Rodeio, onde a mulher se vê pequena por ser dominada pelo homem, porém é grande. A obra “Figure with meat”, a seguir de Bacon, se assemelha à anterior de Kvium. Com ar mórbido e confuso.

Também vi semelhança das obras de Kvium com as de Francisco Goya, como na obra “Saturno”, onde um monstro come uma mulher.

Anúncios