Título Original:  Kynodontas

País:  Grécia

Ano:  2009

Duração:  94 minutos

Gêneros:  Drama

Direção:  Giorgos Lanthimos

Roteiro:  Giorgos Lanthimos, Efthymis Filippou

Elenco:

Christos Stergioglou
Michele Valley
Aggeliki Papoulia

Formato: AVI

Tamanho:  723 MB

Legendado:  Português/BR

Sinopse:

Dente Canino conta a história de uma família que tem três filhos e moram em uma casa isolada no subúrbio. Em volta dessa casa há uma cerca muito alta, que as crianças nunca passaram. Ou seja, os filhos do casal nunca tiveram nenhum contato com mundo exterior.
Quem cria, educa e ensina todo para as crianças são os pais, porém, excluindo toda e qualquer influência do mundo lá fora. A situação piora quando as crianças começam a fazer questionamentos que não fazem mais sentido no mundo em eles vivem.

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Comentário:

A comparação do dente das pessoas com os dos cães não para só no título do filme. Giorgos Lanthimos compara humanos com cães e educar filhos com adestramento de cachorros. Para uma história tão fria, nada melhor que a ausência de trilha sonora para nos deixar ainda mais tensos, e assim nos chocar.
A história de um pai tirano, que aliena os filhos, com a intenção de tê-los e controla-los, mais facilmente, para sempre, me remete à “Parábola da caverna”, escrito por Platão, em A República, que se inicia, aproximadamente, da seguinte forma: “Homens nasceram dentro de uma caverna que só possui uma pequena abertura, por estarem presos virados para a parede escura da caverna, veem o feixe de luz se refletindo na parede durante o dia, e ouvem vozes, que são das pessoas que estão passando por ali, porém eles não pensam que existem outras pessoas além dali, acreditam que a realidade é o que está ali, que são as sombras e as vozes que ouvem.” Muito parecido não é? Os filhos pensam que da forma como vivem, todos vivem. São desprovidos de cultura e de opinião. Só sabem aquilo que os pais (parede) lhe passam. Pode ser que tenham ensinado medicina, matemática, gramática… Mas não ensinaram história, mas não ensinaram que além do muro existem outras pessoas que vivem de outras formas, só veem a Sombra e ouvem as Vozes, acreditando que estas são a realidade, quando são só reflexo de algo muito mais grandioso.
A inocência dos filhos é bizarra, por conta da forma como são educados, as palavras ensinadas erradas, não deixar que saiam de casa, que veem televisão, ouçam música. Mesmo o pai, que tira as embalagens dos produtos que compra, para que os filhos não tomem consciência do mundo externo. Tais atitudes tem suas consequências, como quando Christina pede em troca da tiara que a “filha mais velha” a lampa (sexo oral), logo em seguida a “filha mais velha” usa esse método com a “irmã mais nova”, mas inocentemente pede que esta a lamba no ombro, como se fosse só mais outro lugar do corpo. Vemos isso quando ela diz que não tem nojo.
O filho encara o sexo como uma necessidade, são cenas fortes e frias, que mostram esse pensamento. O pai, ao despedir Christina, pede à irmã mais velha que faça essa tarefa. Consequentemente, depois do ato, ela mostra ter odiado, e avisa o irmão para não fazer mais, através de uma fala que não sei de onde tirou, ou se tem outro significado.
O pai deles é tão louco que traduz uma música de Frank Sinatra errada, e diz que o cantor é avô deles. A mente doentia do pai não para aí, ele influencia totalmente a mulher. Acredito que talvez sofram do complexo da loucura compartilhada, como o Chapeleiro Maluco, o Coelho e a Lebre, em “Alice no país das maravilhas”.
Não existem nomes, o pai chama “papai”, a mãe, “mamãe”, a irmã mais velha, “irmã mais velha”, irmã, “irmã” e o irmão é “irmão”. Como se fossem nomes e não uma ligação. O diálogo das irmãs, onde a mais velha diz que queria se chamar Bruce, visto que não tem nome de fato. Muito triste que o pai diga pros filhos que a mãe terá um cachorro, e os filhos, acreditam.
A “filha mais velha” dançando no final foi espetacular, acredito que ela demonstra o que sente naquela dança maluca, por se soltar. Depois de ser impedida pela mãe de continuar dançando, se mostra alterada. E à noite, arranca o próprio dente canino. Entra dentro do porta-malas do pai, na esperança de poder ir ao mundo além da “caverna”, visto que o trato que seus pais deram era que filhos só podem sair de dentro de casa, quando perdem o dente canino; e tal imposição mostra como os pais não queriam que os filhos os deixassem, visto que é impossível perder o dente canino. Obviamente todos arrancaram o dente. O mais triste, é a “irmã mais velha” não conseguirá abrir o porta-malas por dentro…
Depois da hora em que procuram a “filha mais velha”, a mãe parece ficar em choque ao ver o pai indo embora, mas não demonstra tantos sentimentos, não continuam procurando-a, até por que, o pai vai trabalhar. Um casal normal de pais, obviamente ficaria abalado, e iriam procurar seu filho.
O filme acaba sem sabermos o que irá acontecer, mas já foram despertados tantos pensamentos e possíveis acontecimentos, que não precisamos que Giorgos Lanthimos explique algo além. Apesar de no começo do filme, eu ficar com dúvidas sobre uma família assim existir, do meio até o fim do filme eu acreditei ser possível, pela forma tão realista que Giorgos passa para nós. Poderíamos pensar outras formas do que aconteceria se nossos pais fizessem isso conosco, mas neste filme está uma possível hipótese. Assustadora, porém provável.

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