Título Original:  Midnight in Paris

País:  EUA

Ano:  2011

Duração:  100 minutos

Gênero:  Drama, Comédia, Romance, Fantasia

Direção:  Woody Allen

Roteiro:  Allan Scott, Chris Bryant

Elenco:

Owen Wilson
Rachel McAdams
Marion Cotillard

Formato: RMVB

Tamanho:  274  MB

Legendado:  Português/BR

Sinopse:

Gil (Owen Wilson) sempre idolatrou os grandes escritores americanos e quis ser como eles. A vida lhe levou a trabalhar como roteirista em Hollywood, o que por um lado fez com que fosse muito bem remunerado, por outro lhe rendeu uma boa dose de frustração. Agora ele está prestes a ir para Paris ao lado de sua noiva, Inez (Rachel McAdams), e dos pais dela, John (Kurt Fuller) e Helen (Mimi Kennedy). John irá à cidade para fechar um grande negócio e não se preocupa nem um pouco em esconder sua desaprovação pelo futuro genro. Estar em Paris faz com que Gil volte a se questionar sobre os rumos de sua vida, desencadeando o velho sonho de se tornar um escritor reconhecido.

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Comentário:

Eu não sei por que, mas sempre gostei de História. Acho importante para nossa vida para entender o mundo e assim as pessoas. Gosto das histórias humanas, inventadas ou não, me encanto completamente e vejo todos meus sentimentos explodindo dentro de mim. Não sei, acho que sou muito sentimental. Principalmente ao ver filmes. Eu pulo de susto, choro, grito, fico indignada, enfim: é engraçado ver filme comigo, segundo as pessoas à minha volta.

Meia-noite em Paris não é apenas um filme de Woody Allen. De alguma forma, acredito que colocou no filme boa parte das coisas que ele admira. Em outros filmes ele colocou coisas que acredita, como Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, acho que aqueles diálogos não são só uma interpretação, acredito que seja o que ele crê. E Meia-noite em Paris, acredito que realmente veja Paris da mesma forma que o personagem principal deste filme.

É diferente de todos os outros filmes que vi. Vi-o como uma homenagem pelas coisas que Woody Allen ama. E eu o admiro muito mais depois desse filme. Por que, simplesmente também amo muito do que é ali inserido. O protagonista é interpretado pelo Owen Wilson, e essa atuação foi a melhor que já vi de Owen, e que me lembrou muito Woody Allen em Manhattan. Não sei se ele estudou os filmes que Allen atuou, mas tinha muito dele em sua atuação. A forma de falar e andar, calmo e crítico desse personagem. Culto e pouco revoltado, não aceita muitas coisas.  E, além disso tudo, um romântico, incurável sonhador e detalhista. Identifiquei-me muito com essas três características dele, por que as possuo em excesso e as pessoas à minha volta vivem me lembrando da realidade da qual eu não reconheço pertencer.

Por ter me identificado tanto como o personagem, tanto pelos gostos, adorei muito o filme e essa crítica passa a ser pessoal demais, uma crônica argumentativa. Toda a volta que Gil, interpretado por Owen, faz pelo tempo, é muito desejada por mim. Sempre me imaginei vivendo em épocas antigas, visto que a atual não me é muito agradável. Ele retorna à época que considera ‘Idade de ouro’ e a admira muito, aproveita tudo em favor à própria felicidade contra sua realidade.

Por encantar-se por Paris, investiga-a de dia e de noite, vaga sobre ela, procura todos os seus vãos cafés e tempos, e assim está investigando a si mesmo, pelo meu ver. Esses passeios não são à toa. Gil vê na noiva Inez, interpretada pela linda Raquel MacAdams, uma oposição e rejeição dela a tudo que ele faz.

Um detalhe, pelos filmes que vi Raquel atuando são sempre filmes de romance, personagens sempre lindas e fúteis de alguma forma, ricas e envolvidas com o cara ‘errado’ segundo sua classe social.

Retomando, por ver-se desprezado por Inez, Gil, durante seu turno por Paris reflete sobre sua noiva, e duvida de suas escolhas, amorosa e profissional. Alega que Hollywood não o deixa escrever realmente, que nunca se dedicara a construir sua literatura, e Paris despertara isso nele. Mas Inez, não liga para isso. Quer dar passeios superficiais. Vai à Versalhes, mas não quer andar sobre a chuva de Paris, não vê a cidade da mesma forma que Gil, não ouve as belas coisas que ele tem a lhe dizer. Realmente não o quer.

Ao verem a ponte que Monet pintou, não se vê muito encantada, ao contrário de Gil, que faz declarações amorosas lindas sobre Paris, sobre ela, sobre a ponte. E diz que vai morar ali com ela. Acontece que Inez é superficial, assim como os passeios que dá, não quer ficar ali. Parece que os faz apenas para seguir Paul, ‘um pedante’, segundo Gil. Um exibidor, amante de si mesmo, segundo eu.

A viagem no tempo de Gil, como disse anteriormente é para buscar a si mesmo. Mas não é explicada porque ocorre nem como no filme. E isso é muito bom, pois foi para dar valor às grandes personagens históricas que aparecem durante o filme. E as reflexões que elas causam a Gil, e a nós, público.

Adorei a interpretação de Corey Stoll, como Hemingway. Nunca li nada desse consagrado escritor, mas sem dúvida lerei. Disse coisas que me chamaram atenção. Fora este, as outras personagens que apareceram, eu conhecia. E simplesmente adorei. Foi muito engraçado Gil sugerir uma ideia para um filme de Buñuel, suponho que seja Anjo Exterminador.

Salvador Dalí também aparece, caracterizando toda sua obra surreal como: ‘eu só pinto rinocerontes’. Absurdamente engraçado. Gil conhece Adriana, que na vida real é Gabrielle, talvez tenha sido Gabrielle o tempo todo, não sei ao certo. E ao conhecê-la, e estar nos ‘anos de ouro’ segundo ele, vê se apaixonado e encantado. Por outro lado, os ‘anos de ouro’ para Adriana são os da Belle Epoque, e quando viajam para ela, vêem que para Degas e Gauguin, os ‘anos de ouro’ são a Renascimento. Provavelmente Michelangelo e Da Vince tinham como anos de ouro a Grécia Antiga, se continuarmos o raciocínio do filme. Isso por que ninguém quer o presente, a realidade. Busca o passado, vê nele mais beleza. Acredita que se perderam muitas coisas que antes tinham. Mas enganam-se por que os mesmos sentimentos humanos perduram todas as épocas, só que por motivos diferentes. Hoje eu me indigno com a indiferença das pessoas pelo que acontece, mesmo sabendo do que acontece, e da indiferença perante ao outro. E também da falta de conhecimento e identidade própria. Coisa que julguei haver em outras épocas. Mas nessas épocas, a indiferença existia por outra causa, antes era pela ignorância, hoje é pela exposição que sofremos da mídia, que mostra tantas vezes mortes, crianças e adultos em más condições e guerras nas favelas brasileiras e em outras partes do país, que por serem comum, muitos julgam tudo isso como normal. Tornaram-se banal.

Toda época tem defeitos, e banaliza algo, e desconhece muito. Retrocede ao avançar.

Logo admirar o passado é bom, e imaginar-se nele também. Mas segundo Meia-noite em Paris, e concordo, não devemos nos iludir e acharmos que existe ‘anos de ouro’. Apenas há a história, que podemos admirar e conhecê-la, e que é cíclica. Se pudéssemos visitá-la, igual Gil, entenderíamos melhor que nunca o homem gostou da realidade. Sempre foge dela, procurando algo.

Resta-me finalizar esse texto redizendo a frase de Faulkner, apresentada no filme: “O passado nunca morreu”.

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