Existência, apenas, não basta. Existir, apenas, para o mundo capitalista não é o suficiente. Além de ser, precisamos ter. E quem nada tem torna-se à margem da sociedade, torna-se parte de um submundo. As ruas, barulhentas e vivas de dia, silenciosas à noite, são e lar de muitos. Ruas, as quais são seguidas por esses seres humanos sem nada além de si mesmos, além de quem é, além do que viveu. Seres humanos que seguem as ruas, com todas as esquinas que não o levam à lugar nenhum.

Pessoas, que tem desejos, pensamentos e coração; que moram nas ruas por ocasião, sem oportunidades para voltar à sociedade. Tratadas muitas vezes como lixo, por alguns, que não querem ver seu bairro nobre “sujo”, querem limpá-lo, tratando essas pessoas como lixo.

O tirar de um bairro e colocar em um albergue, por exemplo, não vai permitir que ele saia da rua, não vai resolver o problema nem dele, nem de quem o vê como um indesejável. Ou não o vê.

Isso só se resolverá quando as pessoas perceberem que essas pessoas sonham. Alguns mostram isso fazendo algumas loucuras, como se vestir estranho, ou fazendo aquilo que sabem, escrevendo ou tocando instrumentos, como no filme O Solista. Onde depois de anos de solidão e alienação, tocando violino, um jornalista o vê, percebe sua presença, sua manifestação do Eu, e o tenta trazer à sociedade, mas por ter ficado tanto tempo longe e por ter tantas alucinações, não consegue se adaptar.

Dar a oportunidade dos moradores de rua retornarem ao mundo é a real solução, e não os tirando de um lugar e colocando em outro, e não os batendo nem os queimando. É dar essa oportunidade, se eles vão ou não retornar, isso não depende de nós sociedade, é uma decisão deles. A nossa obrigação, enquanto cidadãos, é deixa-los ter contato conosco, e trata-los como um igual, independentemente de tudo.

 

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