Salvador Dali, nascido em Catalunha, Espanha. Apesar de ser um dos pintores mais consagrados mundialmente, Dali não foi reconhecido muito bem na época de sua faculdade, sendo expulso da Academia de Madrid.  O que o faz ir para Paris, e torna-se amigo de Federico García Lorca e Luis Buñuel. Suas influencias artísticas vieram das obras de Picasso e de Miró, e estilisticas de Diego Velázquez. Em 1929, produziu um curta-metragem, Um cão andaluz, junto com Buñuel, e no ano seguinte, A idade do ouro, um longa-metragem baseado num conto do Marquês de Sade.  A sua amizade com Buñuel deve ter acabado, acredito, por tê-lo denunciado como ateu e comunista, o que o fez não conseguir carreira em Hollywood. Mas o próprio Salvador Dali declarava-se anarquista. Não é fácil entender como sua mente funcionava.

Dali como pintor:

Acredito que tinha muitos conceitos por trás de suas obras, elas não eram apenas soltas e sem sentido, o surrealismo faz totalmente sentido em muitas de suas obras, por exemplo, Face da Guerra, onde temos um rosto mostrando dor e angústia, e dentro de cada um de seus orifícios aparece mais um rosto, e assim infinitamente. Mostrando como a guerra é destruidora, os rostos estão magros, parecem caveiras. Caveiras dentro de caveiras… morte. E as serpentes em posição de ataque, apavorando o ‘homem’.

Face da Guerra – 1940

Rinoceronte vestido con puntilhas
(escultura, feita em 1956. Pesa cerca de 3.600 quilos)

Crianças Geopoliticas Assistindo ao Nascimento do Novo Homem – 1943

Nessa obra, acredito que Dalí quis representar sua esperança, que pós-guerra, o mundo mudaria, renasceria. O homem representado, ao sair do ‘ovo’, sai com força e dor, está querendo sair dessa realidade, e a África sangra, os continentes estão derretendo, e o mundo está mole. A criança assistindo à esse nascimento está assustada, como se fosse uma ameaça tal acontecimento. Realmente a obra inteira, apresenta um certo pessimismo. Não é o primeiro quadro que Dali faz da Guerra, nem o primeiro em que demonstra sua visão do mundo e do homem como vázios.

A Persistência da Memória – 1931

Os quadros estão derretendo sob a influência de uma forte luz, fiquei imaginando como pode ser que isso represente a uma quebra de ilusão que Dali nos oferece, por sempre acreditarmos nas horas, ele as destrói e as representa sob essa influencia que as deforma, logo, ‘não devemos segui-la’. Isso nos transmite a impossibilidade de medirmos o tempo também, além do que o tempo, como cansamos de ouvir, é subjetivo. Se estamos entediados, o tempo tende a parecer longo, se estamos bem, dizemos que este passa rápido demais. E ainda, tem a defasagem que hoje sabemos que a nossa medida de tempo tem.

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