Título Original:  Djävulens Öga

País:  Suécia

Ano:  1960

Duração:  87 minutos

Gêneros:  Comédia, Fantasia

Direção:  Ingmar Bergman

Roteiro:  Ingmar Bergman

Elenco:

Bibi Andersson
Jarl Kulle
Stig Järrel
Nils Poppe
Gertrud Fridh
Sture Lagerwall
Gunnar Sjöberg

Formato:  RMVB

Tamanho: 273 MB

Legendado:  Português/BR

Sinopse:

A Versátil apresenta O Olho do Diabo, uma sofisticada comédia do mestre Ingmar Bergman inédita nos cinemas brasileiros.
O inferno está em polvorosa por causa de um terçol no olho do diabo. A causa do mal é terrena: a virgindade de uma jovem de 20 anos prestes a se casar. Diante disso, o diabo envia Don Juan para tentar a moça e evitar que ela chegue casta ao casamento.

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Comentário:

Ingmar Bergman, um dos maiores cineastas de todos os tempos, é especialista em dramas, e divide sua carreira em duas etapas. “Olho do Diabo” foi uma surpresa pra mim, o longa é uma comédia e muito excêntrica, com toda a genialidade do diretor. As metáforas em forma de humor com requinte incrível misturado ainda com sátira pesada à religião (céu/inferno). O que é interessante é como o diabo planejou para inserir “por acaso” o Don Juan na vida da virgem. Interessante porque sempre ouvimos falar que Deus controla tudo, e Bergman inverteu esse ponto de vista. Ingmar satiriza com a figura do gato por um demônio, de ajudante do diabo e Don Juan, é claro. As críticas aparecem em cada ato no filme, o prazer carnal provocado por Pablo, o esconderijo das bebidas do pastor, em um lugar até podendo chamá-lo de diabólico, como se fosse uma fuga da santidade que vivem naquele ambiente sagrado. Isso mostra a hipocrisia extrema vivida por membros da igreja, se recusam a admitir que gostam de “coisas erradas”. Porém isso é uma contradição imensa visto que, de acordo com suas crenças, se Deus é onisciente e tem o poder de ler nossas mentes, não há como fugir dos próprios pensamentos e sim querem enganar a nós, humanos, com seus discursos de pureza. Algo que chamou muito minha atenção foi a composição do inferno, nobreza!! à serviço e a persuasão dos ajudantes, com o braço direito, Don Juan, que é treinado exatamente como seduzir as mulheres, de acordo com sua cultura. Abrindo um parênteses, houve no início uma crítica ferrenha à mulher nórdica, já que o diretor é sueco, de seus costumes, gostos. A apresentação, as interrupções com comentários feitos pelo narrador deixam a obra ainda mais valiosa, deixa o filme fluir fácil, quebra o ritmo, mas positivamente. Mesmo dentro de uma comédia, Bergman encaixa seus dramas, como entre os casais: Jonas/Britt-Marie e Vicat/Renata e os enviados de satã estão em volta, prestes a dar o bote, apenas esperando a oportunidade de dar o golpe fatal. Mas os sujeitos infernais não fazem o mal de fato, eles agem corretamente, abrem a mente e o coração dos personagens da família, mesmo causando desordem, como se fosse um mal necessário, que todos devem passar para crescer, para sentir. A disputa metafórica entre Satã e Deus gera um equilíbrio e o sucesso de ambos são absorvidos pelos personagens. Às vezes uma discussão, ou mesmo uma conversa bem aberta, conhecer novos ideias podem mudar sua visão de mundo para uma compreensão maior dos nossos EUs. Isso foi bem mostrado pela conclusão do narrador: “Uma pequena vitória no inferno pode ser muito mais profética do que um grande sucesso no céu”. Os panoramas de bem ou mal foram invertidos e revertidos ao longo do filme, abrindo para pensamentos filosóficos existenciais. Bergman é um gênio.

http://www.imdb.com/title/tt0053772/

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