Título Original:  Son Smeshnogo Cheloveka

País:  Rússia

Ano:  1992

Duração:  20 minutos

Gêneros:  Curta, Drama, Animação

Direção:  Aleksandr Petrov

Roteiro:  Fyodor Dostoievski

Sinopse:

A personagem sabe-se ridícula desde a infância e já não tem mais nenhum interesse em continuar a viver. Num dia inútil como todos os outros, em que mais uma vez esperava ter encontrado o momento de se matar, é abordado por uma menina que clamava por ajuda. Ele não só recusa o apoio à criança, como a espanta aos berros. Ao voltar para casa, não consegue dar fim à sua existência. Adormece e sonha. Ele narra como conheceu a verdade em toda a sua glória e mostra como tudo aquilo deve ter sido real, pois as coisas terríveis que sucederam não poderiam ter sido engendradas num sonho.

Comentário:

O conto de Dostoievski transformado em um magnífico curta. Uma obra de arte transformada em outra, por Petrov. Que usando sua técnica incrível e sensibilidade, narra a história de um homem, ridículo. Este refletindo sobre sua vida durante uma viagem de trem, lembrando-se de como via as pessoas durante sua infância, se questionando: ‘Como posso fazer do mundo um paraíso?’ E Conta o que lhe aconteceu… Andando pelas ruas encontra uma menina que lhe pede ajuda, ele a ignora. Ela insiste, puxa ele pelo braço, ele continua a andar… A menina cai. Ele finalmente se mobiliza, pega o sapato dela… Mas a olha e pensa ‘por que estou me importando agora?’, ‘eu não sou nada, absolutamente nada’.
Retornando para sua casa, ainda com o pensamento de como é ninguém e sabendo que as pessoas ao seu redor pensam o mesmo, o homem se arrepende de não tê-la ajudado, e acaba dormindo. Dorme pensando em se matar, sonha que se matou.
A menina está no sonho, o que o atormenta, pois se está ali é porque está morta e se está morta, a culpa é dele que não a ajudou. Aproxima-se. E vê não só a menina, mas pessoas felizes, rindo alto, compartilhando essa felicidade, o amor. São pessoas ‘livres da luxúria’.
Vê uma incrível transformação a menina em mulher e ela lhe dá um bebezinho que cabe na palma de sua mão.
Depois de mais sequências maravilhosas de cenas surreais: como um bebe se alimentando no seio de uma loba, seus dedos virando galhos de árvores, alcançando o céu, um velho que queima e desaparece, e seu cajado vira uma nova árvore, ganha a vida que o velho perdeu.
Acorda e vê que descobriu a Verdade, que ele sabe que todos na Terra podem ser felizes, mas as pessoas zombariam dele, ele mesmo zombou delas antes. E não admitia ser possível essa Verdade.
Imaginando, agora, a menina, já mulher, com os seios de fora, rindo, como se fosse dele, arranca-lhe a máscara e corre usando-a. Todos parecem usá-la. Um homem morto no chão e outro em pé, demonstram a passagem do tempo. Como seus pensamentos não fluem, como não terminam, como não tem solução…
A sociedade feliz que vira em sonho transforma-se, agora que está acordado, sabia que não daria certo. Um homem veste sua máscara, a cabeça de um boi, é um animal. Ele é morto por pedras. Mais caos. E finalmente o ser ridículo questiona-se, seu sonho parece-lhe a realidade, ou será que a realidade é um sonho?

Anúncios