Archive for outubro, 2011


Melancolia

Título original: Melancholia

País: Dinamarca

Ano: 2011

Duração: 

Gêneros: Drama, Ficção Científica

Direção: Lars Von Trier

Roteiro: Lars Von Trier

Elenco: 

Kirsten Dunst
Charlotte Gainsbourg
Kieffer Sutherland

Formato:  RMVB

Tamanho:  470 MB

Legendado: Português/BR

Sinopse:

O tempo só serviu para afastar as irmãs Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg). Nem o casamento entre Justine e Michael (Alexander Skarsgård) serve como desculpa para aproximá-las e, depois da cerimônia, Justine começa a ficar triste e melancólica. Quando o anúncio sobre a colisão da Terra com outro planeta chega ao conhecimento, as reações são bem diferentes. Justine está conformada, enquanto o desespero do iminente fim apavora Claire.

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Parte 1       Parte 2

Comentário:

Melancholia foi genialmente escrito e dirigido por Lars Von Trier, diferentemente de outras histórias sobre um possível fim da humanidade, onde as pessoas viram animais, saqueiam mercados e tentam a todo custo sobreviver, os seus personagens descobrem que um planeta, chamado “Melancholia”, que estava escondido do SOL (que penso ser uma metáfora à felicidade) está anunciando o fim da terra, mas simplesmente ficam em casa, cuidando de suas vidas normalmente e sentindo que serão imunes disso. Acredito ser muito provável que isso aconteça se o ‘fim dos tempos’ for anunciado amanhã. O marido de Claire, John, é seguro e confiável, e segundo ela: “estudou a vida inteira para isso” – para que melancolia não afetasse suas vidas. É claro que o nome é uma metáfora, que as pessoas se sentem seguras e acham que as coisas ruins não acontecerão com elas: Síndrome do Adolescente, segundo psicólogos (risos).

Acredito que para tanta beleza e melancolia, esse filme foi ‘bem calculado’, pois é tão denso e simples que é algo difícil de se fazer, é claro que o que estou dizendo parece contraditório, mas as coisas mais simples são as mais difíceis. Não estou falando que o filme foi fácil ou difícil, isso depende do que Lars Von Trier acha; e sim estou dizendo que, a tristeza e a depressão são tratadas em seu filme de forma muito simplória, porém se torna complexa e densa. Torna-se pesada, assim como a própria melancolia é.

O questionamento que surge na primeira parte do filme: por que, diante daquele mundo ‘maravilhoso’, rico e idealizado; Justine é melancólica… Penso, através do que observei, que ela não era daquele mundo, não se sentia bem nele, queria fugir dele. Mas não podia. E as pessoas ao seu redor davam-lhe um ‘papel’ dentro daquela ‘mini-sociedade’ que ela não conseguia viver, sentindo-se então inútil, dai então surge sua melancolia.

Todos os personagens são bem complexos, até os que menos aparecem, como o pai das irmãs, que é separado, e chama todas as mulheres pelo mesmo nome – Betty. Parece que a atuação de Kirsten Dunst não tem fim. Foi a melhor atuação que vi dela. Muito merecido o prêmio de melhor atriz em Cannes.

http://www.imdb.com/title/tt1527186/

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Amorphis – The Beginning of Times

Ano:  2011

País:  Finlândia

Membros:

Tomi Joutsen – vocal
Tomi Koivusaari – guitarra
Esa Holopainen – guitarra
Santeri Kallio – teclado, sintetizador, piano, órgão
Niclas Etelävuori – baixo
Jan Rechberger – bateria

Comentário:

Décimo álbum da banda, “The Beginning of Times” segue o padrão do seu lançamento anterior “Skyforger”. Composições na maioria de autorias ou do guitarrista principal Esa Holopainen e do tecladista Santeri Kallio. As músicas com melodias bem marcantes confirmam com poder o novo estilo que a banda empregou nos últimos álbuns. É um álbum conceitual que conta a famosa história de um herói finlandês. O álbum conta com uma faixa bônus “Heart’s Songs”. O álbum é equilibrado, ao longo dele há boas músicas distribuidas, ou seja, como muitos, não são só as primeiras faixas que agradam.

1. Battle For Light.
2. Mermaid.
3. My Enemy.
4. You I Need.
5. Song of the Sage.
6. Three Words.
7. Reformation.
8. Soothsayer.
9. On a Stranded Shore.
10. Escape.
11. Crack in a Stone.
12. Beginning of Time.
13. Heart’s Songs (Bonus Track)

Tamanho:  129 MB

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Olho do Diabo

Título Original:  Djävulens Öga

País:  Suécia

Ano:  1960

Duração:  87 minutos

Gêneros:  Comédia, Fantasia

Direção:  Ingmar Bergman

Roteiro:  Ingmar Bergman

Elenco:

Bibi Andersson
Jarl Kulle
Stig Järrel
Nils Poppe
Gertrud Fridh
Sture Lagerwall
Gunnar Sjöberg

Formato:  RMVB

Tamanho: 273 MB

Legendado:  Português/BR

Sinopse:

A Versátil apresenta O Olho do Diabo, uma sofisticada comédia do mestre Ingmar Bergman inédita nos cinemas brasileiros.
O inferno está em polvorosa por causa de um terçol no olho do diabo. A causa do mal é terrena: a virgindade de uma jovem de 20 anos prestes a se casar. Diante disso, o diabo envia Don Juan para tentar a moça e evitar que ela chegue casta ao casamento.

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Comentário:

Ingmar Bergman, um dos maiores cineastas de todos os tempos, é especialista em dramas, e divide sua carreira em duas etapas. “Olho do Diabo” foi uma surpresa pra mim, o longa é uma comédia e muito excêntrica, com toda a genialidade do diretor. As metáforas em forma de humor com requinte incrível misturado ainda com sátira pesada à religião (céu/inferno). O que é interessante é como o diabo planejou para inserir “por acaso” o Don Juan na vida da virgem. Interessante porque sempre ouvimos falar que Deus controla tudo, e Bergman inverteu esse ponto de vista. Ingmar satiriza com a figura do gato por um demônio, de ajudante do diabo e Don Juan, é claro. As críticas aparecem em cada ato no filme, o prazer carnal provocado por Pablo, o esconderijo das bebidas do pastor, em um lugar até podendo chamá-lo de diabólico, como se fosse uma fuga da santidade que vivem naquele ambiente sagrado. Isso mostra a hipocrisia extrema vivida por membros da igreja, se recusam a admitir que gostam de “coisas erradas”. Porém isso é uma contradição imensa visto que, de acordo com suas crenças, se Deus é onisciente e tem o poder de ler nossas mentes, não há como fugir dos próprios pensamentos e sim querem enganar a nós, humanos, com seus discursos de pureza. Algo que chamou muito minha atenção foi a composição do inferno, nobreza!! à serviço e a persuasão dos ajudantes, com o braço direito, Don Juan, que é treinado exatamente como seduzir as mulheres, de acordo com sua cultura. Abrindo um parênteses, houve no início uma crítica ferrenha à mulher nórdica, já que o diretor é sueco, de seus costumes, gostos. A apresentação, as interrupções com comentários feitos pelo narrador deixam a obra ainda mais valiosa, deixa o filme fluir fácil, quebra o ritmo, mas positivamente. Mesmo dentro de uma comédia, Bergman encaixa seus dramas, como entre os casais: Jonas/Britt-Marie e Vicat/Renata e os enviados de satã estão em volta, prestes a dar o bote, apenas esperando a oportunidade de dar o golpe fatal. Mas os sujeitos infernais não fazem o mal de fato, eles agem corretamente, abrem a mente e o coração dos personagens da família, mesmo causando desordem, como se fosse um mal necessário, que todos devem passar para crescer, para sentir. A disputa metafórica entre Satã e Deus gera um equilíbrio e o sucesso de ambos são absorvidos pelos personagens. Às vezes uma discussão, ou mesmo uma conversa bem aberta, conhecer novos ideias podem mudar sua visão de mundo para uma compreensão maior dos nossos EUs. Isso foi bem mostrado pela conclusão do narrador: “Uma pequena vitória no inferno pode ser muito mais profética do que um grande sucesso no céu”. Os panoramas de bem ou mal foram invertidos e revertidos ao longo do filme, abrindo para pensamentos filosóficos existenciais. Bergman é um gênio.

http://www.imdb.com/title/tt0053772/

Sonho de um homem ridículo

 

Título Original:  Son Smeshnogo Cheloveka

País:  Rússia

Ano:  1992

Duração:  20 minutos

Gêneros:  Curta, Drama, Animação

Direção:  Aleksandr Petrov

Roteiro:  Fyodor Dostoievski

Sinopse:

A personagem sabe-se ridícula desde a infância e já não tem mais nenhum interesse em continuar a viver. Num dia inútil como todos os outros, em que mais uma vez esperava ter encontrado o momento de se matar, é abordado por uma menina que clamava por ajuda. Ele não só recusa o apoio à criança, como a espanta aos berros. Ao voltar para casa, não consegue dar fim à sua existência. Adormece e sonha. Ele narra como conheceu a verdade em toda a sua glória e mostra como tudo aquilo deve ter sido real, pois as coisas terríveis que sucederam não poderiam ter sido engendradas num sonho.

Comentário:

O conto de Dostoievski transformado em um magnífico curta. Uma obra de arte transformada em outra, por Petrov. Que usando sua técnica incrível e sensibilidade, narra a história de um homem, ridículo. Este refletindo sobre sua vida durante uma viagem de trem, lembrando-se de como via as pessoas durante sua infância, se questionando: ‘Como posso fazer do mundo um paraíso?’ E Conta o que lhe aconteceu… Andando pelas ruas encontra uma menina que lhe pede ajuda, ele a ignora. Ela insiste, puxa ele pelo braço, ele continua a andar… A menina cai. Ele finalmente se mobiliza, pega o sapato dela… Mas a olha e pensa ‘por que estou me importando agora?’, ‘eu não sou nada, absolutamente nada’.
Retornando para sua casa, ainda com o pensamento de como é ninguém e sabendo que as pessoas ao seu redor pensam o mesmo, o homem se arrepende de não tê-la ajudado, e acaba dormindo. Dorme pensando em se matar, sonha que se matou.
A menina está no sonho, o que o atormenta, pois se está ali é porque está morta e se está morta, a culpa é dele que não a ajudou. Aproxima-se. E vê não só a menina, mas pessoas felizes, rindo alto, compartilhando essa felicidade, o amor. São pessoas ‘livres da luxúria’.
Vê uma incrível transformação a menina em mulher e ela lhe dá um bebezinho que cabe na palma de sua mão.
Depois de mais sequências maravilhosas de cenas surreais: como um bebe se alimentando no seio de uma loba, seus dedos virando galhos de árvores, alcançando o céu, um velho que queima e desaparece, e seu cajado vira uma nova árvore, ganha a vida que o velho perdeu.
Acorda e vê que descobriu a Verdade, que ele sabe que todos na Terra podem ser felizes, mas as pessoas zombariam dele, ele mesmo zombou delas antes. E não admitia ser possível essa Verdade.
Imaginando, agora, a menina, já mulher, com os seios de fora, rindo, como se fosse dele, arranca-lhe a máscara e corre usando-a. Todos parecem usá-la. Um homem morto no chão e outro em pé, demonstram a passagem do tempo. Como seus pensamentos não fluem, como não terminam, como não tem solução…
A sociedade feliz que vira em sonho transforma-se, agora que está acordado, sabia que não daria certo. Um homem veste sua máscara, a cabeça de um boi, é um animal. Ele é morto por pedras. Mais caos. E finalmente o ser ridículo questiona-se, seu sonho parece-lhe a realidade, ou será que a realidade é um sonho?

Monty Python – Em Busca do Cálice Sagrado

Título Original:  Monty Python and the Holy Grail

País:  Reino Unido, Irlanda do Norte

Ano:  1975

Duração:  91 minutos

Gêneros:  Aventura, Comédia

Direção:  Terry Jones Terry Gilliam

Roteiro:  Terry Jones, Terry Gilliam, Eric Idle, Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin

Elenco:

Terry Jones
Terry Gilliam
Eric Idle
Graham Chapman
John Cleese
Michael Palin

Formato:  AVI

Tamanho:  1000 MB

Legendado:  Português/BR

Sinopse:

A história se passa durante a Idade Média, na Inglaterra, onde o Rei Arthur parte numa jornada em busca de pessoal para formar o grupo conhecido como os Cavaleiros da Távola Redonda.

Quando consegue formá-lo, recebe a missão divina de encontrarem o cálice sagrado, que está escondido em algum lugar do reino britânico.

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Legenda

Comentário:

Como é de costume da série Monty Python, “Em busca do Cálice Sagrado” é uma sátira pesada contra a veneração exacerbada dos contos de Rei Arthur e tudo que for associado à idade média. Se passando em 932 d.c., havia a caça às bruxas a qual Terry Jones e, dessa vez na parceria de Terry Gilliam, ridicularizaram os métodos de provar que uma mulher é bruxa, vencendo-a pelo cansaço, a famosa lei da maioria, ou seja, se todos queriam queimar a mulher, chamá-la de bruxa é apenas um pretexto, criticando como reagiam antigamente quando não sabiam explicar devido fato. As animações inusitadas alternando com algumas partes com certeza tornam única a série. A falta de orçamento proposital, sem mesmo cavalo para os nossos desajeitados cavaleiros “heróis”, abrem espaço para o que os diretores realmente queriam: voltar os olhos apenas para a crítica sarcástica dos contos. Com a explicação com versões bizarras das histórias de Robin Hood, Sir. Lancelot, e os cavaleiros da távola redonda, o rei Arthur está preparado para iniciar a jornada em busca do cálice sagrado. Tentativas frustradas vão acontecendo sucessivamente com muito humor, que é irreverente. Os personagens interagem com o próprio filme a respeito das suas falas, dos sons, das passagens. A caricaturização da nobreza inglesa sendo ridicularizada pelos franceses foi apenas uma das formas de quebrar os tabus nessa comédia. Posso citar também a chacina do cavaleiro para salvar uma possível princesa, e o fato de ele ser um cavaleiro da távola redonda o absolveu de todas as mortes, o discurso superior, com falas autoritárias e sem usar palavras de baixo calão. É incrível como no filme todo a aventura nos surpreende em cada momento tanto em diálogos como em ações, e ainda com um final mais inesperado ainda.

http://www.imdb.com/title/tt0071853/

Symbols – Symbols

Symbols é uma banda de power metal fundada em 1997 e tem como destaque os irmãos Tito e Edu Falaschi nos dois primeiros álbuns “Symbols” e Call to the End”. Em 2001, Edu saiu da banda para substituir o André Matos no Angra, consagrando seu nome com o excelente álbum “Rebirth”. Em 2004, a banda lançou seu último álbum “Faces” e nada mais, apesar de ainda estar ativa.

Ano:  1998

País:  Brasil

Membros:

Diego Tiguez – Guitarra
Tito Falaschi – Baixo, Vocal
Edu Falaschi – Vocal
Rodrigo Arjonas – Guitarra
Rodrigo Mello – Bateria
Marcelo Panzardi – Teclado

Comentário:

“Symbols” é o primeiro álbum da banda. Com certeza destaca-se pela presença dos irmãos Falaschi, em ótima forma. É meu álbum preferido da banda, e não posso deixar os méritos só com os irmãos, os arranjos das guitarras e dos teclados são bons também. Claro, o Brasil possui grandes bandas na cena heavy metal, ainda postarei mais bandas. Não temos só Angra, Sepultura e Shaman. Só o Edu Falaschi já passou por três grandes delas: Symbols, Angra e em paralelo com Angra, agora, Almah. Voltando a falar sobre o álbum. Achei a primeira música “Scream of People” boa demais, em geral as músicas são bem diretas, com velocidade, o que não era tão comum pro estilo da época no cenário nacional, acho que influenciou bandas nacionais a possuir essa característica. A “What Can I Do” é excelente, uma das minhas preferidas. Não gosto de jeito nenhum da “Hard feelings”, não rende muito. “Save My Soul” é uma destruição total com os agudos, acho que o Tito até exagerou um pouco, mas ainda sim gosto da música. “Rest In Paradise” é aquela típica música que as bandas de power metal adoram ter no álbum, mais de 8 minutos com arranjos diferentes, demonstrando toda criatividade com letras boas, com técnica. O interessante é as duas músicas bônus são umas das melhores do álbum, não entendi porque deixaram como bônus, pois geralmente as bônus nem convencem tanto.

01. Scream Of People
02. What Can I Do?
03. Hard Feelings
04. Save My Soul
05. Like Mars
06.Love Trough The Night
07. Rest In Paradise
08. You
09. Eyes In Flame’s- Bônus
10. The Traveller – Bônus

Tamanho:  43 MB

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Amor – Clarice Lispector

Um pouco cansada, com as compras deformando o novo saco de tricô, Ana subiu no bonde. Depositou o volume no colo e o bonde começou a andar. Recostou-se então no banco procurando conforto, num suspiro de meia satisfação. Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte. Como um lavrador. Ela plantara as sementes que tinha na mão, não outras, mas essas apenas. E cresciam árvores. Crescia sua rápida conversa com o cobrador de luz, crescia a água enchendo o tanque, cresciam seus filhos, crescia a mesa com comidas, o marido chegando com os jornais e sorrindo de fome, o canto importuno das empregadas do edifício. Ana dava a tudo, tranqüilamente, sua mão pequena e forte, sua corrente de vida. Certa hora da tarde era mais perigosa. Certa hora da tarde as árvores que plantara riam dela. Quando nada mais precisava de sua força, inquietava-se. No entanto sentia-se mais sólida do que nunca, seu corpo engrossara um pouco e era de se ver o modo como cortava blusas para os meninos, a grande tesoura dando estalidos na fazenda. Todo o seu desejo vagamente artístico encaminhara-se há muito no sentido de tornar os dias realizados e belos; com o tempo, seu gosto pelo decorativo se desenvolvera e suplantara a íntima desordem. Parecia ter descoberto que tudo era passível de aperfeiçoamento, a cada coisa se emprestaria uma aparência harmoniosa; a vida podia ser feita pela mão do homem. No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha — com persistência, continuidade, alegria. O que sucedera a Ana antes de ter o lar estava para sempre fora de seu alcance: uma exaltação perturbada que tantas vezes se confundira com felicidade insuportável. Criara em troca algo enfim compreensível, uma vida de adulto. Assim ela o quisera e o escolhera. Sua precaução reduzia-se a tomar cuidado na hora perigosa da tarde, quando a casa estava vazia sem precisar mais dela, o sol alto, cada membro da família distribuído nas suas funções. Olhando os móveis limpos, seu coração se apertava um pouco em espanto. Mas na sua vida não havia lugar para que sentisse ternura pelo seu espanto — ela o abafava com a mesma habilidade que as lides em casa lhe haviam transmitido. Saía então para fazer compras ou levar objetos para consertar, cuidando do lar e da família à revelia deles. Quando voltasse era o fim da tarde e as crianças vindas do colégio exigiam-na. Assim chegaria a noite, com sua tranqüila vibração. De manhã acordaria aureolada pelos calmos deveres. Encontrava os móveis de novo empoeirados e sujos, como se voltassem arrependidos. Quanto a ela mesma, fazia obscuramente parte das raízes negras e suaves do mundo. E alimentava anonimamente a vida. Estava bom assim. Assim ela o quisera e escolhera. O bonde vacilava nos trilhos, entrava em ruas largas. Logo um vento mais úmido soprava anunciando, mais que o fim da tarde, o fim da hora instável. Ana respirou profundamente e uma grande aceitação deu a seu rosto um ar de mulher. O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranqüila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles… Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar — o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mascava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos. O movimento da mastigação fazia-o parecer sorrir e de repente deixar de sorrir, sorrir e deixar de sorrir — como se ele a tivesse insultado, Ana olhava-o. E quem a visse teria a impressão de uma mulher com ódio. Mas continuava a olhá-lo, cada vez mais inclinada — o bonde deu uma arrancada súbita jogando-a desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão — Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava — o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgia-lhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os fios da rede. O cego interrompera a mastigação e avançava as mãos inseguras, tentando inutilmente pegar o que acontecia. O embrulho dos ovos foi jogado fora da rede e, entre os sorrisos dos passageiros e o sinal do condutor, o bonde deu a nova arrancada de partida. Poucos instantes depois já não a olhavam mais. O bonde se sacudia nos trilhos e o cego mascando goma ficara atrás para sempre. Mas o mal estava feito. A rede de tricô era áspera entre os dedos, não íntima como quando a tricotara. A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. E como uma estranha música, o mundo recomeçava ao redor. O mal estava feito. Por quê? Teria esquecido de que havia cegos? A piedade a sufocava, Ana respirava pesadamente. Mesmo as coisas que existiam antes do acontecimento estavam agora de sobreaviso, tinham um ar mais hostil, perecível… O mundo se tornara de novo um mal-estar. Vários anos ruíam, as gemas amarelas escorriam. Expulsa de seus próprios dias, parecia-lhe que as pessoas da rua eram periclitantes, que se mantinham por um mínimo equilíbrio à tona da escuridão — e por um momento a falta de sentido deixava-as tão livres que elas não sabiam para onde ir. Perceber uma ausência de lei foi tão súbito que Ana se agarrou ao banco da frente, como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram.

O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas. Na Rua Voluntários da Pátria parecia prestes a rebentar uma revolução, as grades dos esgotos estavam secas, o ar empoeirado. Um cego mascando chicles mergulhara o mundo em escura sofreguidão. Em cada pessoa forte havia a ausência de piedade pelo cego e as pessoas assustavam-na com o vigor que possuíam. Junto dela havia uma senhora de azul, com um rosto. Desviou o olhar, depressa. Na calçada, uma mulher deu um empurrão no filho! Dois namorados entrelaçavam os dedos sorrindo… E o cego? Ana caíra numa bondade extremamente dolorosa. Ela apaziguara tão bem a vida, cuidara tanto para que esta não explodisse. Mantinha tudo em serena compreensão, separava uma pessoa das outras, as roupas eram claramente feitas para serem usadas e podia-se escolher pelo jornal o filme da noite – tudo feito de modo a que um dia se seguisse ao outro. E um cego mascando goma despedaçava tudo isso. E através da piedade aparecia a Ana uma vida cheia de náusea doce, até a boca. Só então percebeu que há muito passara do seu ponto de descida. Na fraqueza em que estava, tudo a atingia com um susto; desceu do bonde com pernas débeis, olhou em torno de si, segurando a rede suja de ovo. Por um momento não conseguia orientar-se. Parecia ter saltado no meio da noite. Era uma rua comprida, com muros altos, amarelos. Seu coração batia de medo, ela procurava inutilmente reconhecer os arredores, enquanto a vida que descobrira continuava a pulsar e um vento mais morno e mais misterioso rodeava-lhe o rosto. Ficou parada olhando o muro. Enfim pôde localizar-se. Andando um pouco mais ao longo de uma sebe, atravessou os portões do Jardim Botânico. Andava pesadamente pela alameda central, entre os coqueiros. Não havia ninguém no Jardim. Depositou os embrulhos na terra, sentou-se no banco de um atalho e ali ficou muito tempo. A vastidão parecia acalmá-la, o silêncio regulava sua respiração. Ela adormecia dentro de si. De longe via a aléia onde a tarde era clara e redonda. Mas a penumbra dos ramos cobria o atalho. Ao seu redor havia ruídos serenos, cheiro de árvores, pequenas surpresas entre os cipós. Todo o Jardim triturado pelos instantes já mais apressados da tarde. De onde vinha o meio sonho pelo qual estava rodeada? Como por um zunido de abelhas e aves. Tudo era estranho, suave demais, grande demais. Um movimento leve e íntimo a sobressaltou — voltou-se rápida. Nada parecia se ter movido. Mas na aléia central estava imóvel um poderoso gato. Seus pêlos eram macios. Em novo andar silencioso, desapareceu. Inquieta, olhou em torno. Os ramos se balançavam, as sombras vacilavam no chão. Um pardal ciscava na terra. E de repente, com mal-estar, pareceu-lhe ter caído numa emboscada. Fazia-se no Jardim um trabalho secreto do qual ela começava a se aperceber. Nas árvores as frutas eram pretas, doces como mel. Havia no chão caroços secos cheios de circunvoluções, como pequenos cérebros apodrecidos. O banco estava manchado de sucos roxos. Com suavidade intensa rumorejavam as águas. No tronco da árvore pregavam-se as luxuosas patas de uma aranha. A crueza do mundo era tranqüila. O assassinato era profundo. E a morte não era o que pensávamos.  Ao mesmo tempo que imaginário — era um mundo de se comer com os dentes, um mundo de volumosas dálias e tulipas. Os troncos eram percorridos por parasitas folhudas, o abraço era macio, colado. Como a repulsa que precedesse uma entrega — era fascinante, a mulher tinha nojo, e era fascinante. As árvores estavam carregadas, o mundo era tão rico que apodrecia. Quando Ana pensou que havia crianças e homens grandes com fome, a náusea subiu-lhe à garganta, como se ela estivesse grávida e abandonada. A moral do Jardim era outra. Agora que o cego a guiara até ele, estremecia nos primeiros passos de um mundo faiscante, sombrio, onde vitórias-régias boiavam monstruosas. As pequenas flores espalhadas na relva não lhe pareciam amarelas ou rosadas, mas cor de mau ouro e escarlates. A decomposição era profunda, perfumada… Mas todas as pesadas coisas, ela via com a cabeça rodeada por um enxame de insetos enviados pela vida mais fina do mundo. A brisa se insinuava entre as flores. Ana mais adivinhava que sentia o seu cheiro adocicado… O Jardim era tão bonito que ela teve medo do Inferno. Era quase noite agora e tudo parecia cheio, pesado, um esquilo voou na sombra. Sob os pés a terra estava fofa, Ana aspirava-a com delícia. Era fascinante, e ela sentia nojo. Mas quando se lembrou das crianças, diante das quais se tornara culpada, ergueu-se com uma exclamação de dor. Agarrou o embrulho, avançou pelo atalho obscuro, atingiu a alameda. Quase corria — e via o Jardim em torno de si, com sua impersonalidade soberba. Sacudiu os portões fechados, sacudia-os segurando a madeira áspera. O vigia apareceu espantado de não a ter visto. Enquanto não chegou à porta do edifício, parecia à beira de um desastre. Correu com a rede até o elevador, sua alma batia-lhe no peito — o que sucedia? A piedade pelo cego era tão violenta como uma ânsia, mas o mundo lhe parecia seu, sujo, perecível, seu. Abriu a porta de casa. A sala era grande, quadrada, as maçanetas brilhavam limpas, os vidros da janela brilhavam, a lâmpada brilhava — que nova terra era essa? E por um instante a vida sadia que levara até agora pareceu-lhe um modo moralmente louco de viver. O menino que se aproximou correndo era um ser de pernas compridas e rosto igual ao seu, que corria e a abraçava. Apertou-o com força, com espanto. Protegia-se tremula. Porque a vida era periclitante. Ela amava o mundo, amava o que fora criado — amava com nojo. Do mesmo modo como sempre fora fascinada pelas ostras, com aquele vago sentimento de asco que a aproximação da verdade lhe provocava, avisando-a. Abraçou o filho, quase a ponto de machucá-lo. Como se soubesse de um mal — o cego ou o belo Jardim Botânico? — agarrava-se a ele, a quem queria acima de tudo. Fora atingida pelo demônio da fé. A vida é horrível, disse-lhe baixo, faminta. O que faria se seguisse o chamado do cego? Iria sozinha… Havia lugares pobres e ricos que precisavam dela. Ela precisava deles… Tenho medo, disse. Sentia as costelas delicadas da criança entre os braços, ouviu o seu choro assustado. Mamãe, chamou o menino. Afastou-o, olhou aquele rosto, seu coração crispou-se. Não deixe mamãe te esquecer, disse-lhe. A criança mal sentiu o abraço se afrouxar, escapou e correu até a porta do quarto, de onde olhou-a mais segura. Era o pior olhar que jamais recebera. Q sangue subiu-lhe ao rosto, esquentando-o. Deixou-se cair numa cadeira com os dedos ainda presos na rede. De que tinha vergonha?
Não havia como fugir. Os dias que ela forjara haviam-se rompido na crosta e a água escapava. Estava diante da ostra. E não havia como não olhá-la. De que tinha vergonha? É que já não era mais piedade, não era só piedade: seu coração se enchera com a pior vontade de viver. Já não sabia se estava do lado do cego ou das espessas plantas. O homem pouco a pouco se distanciara e em tortura ela parecia ter passado para o lados que lhe haviam ferido os olhos. O Jardim Botânico, tranqüilo e alto, lhe revelava. Com horror descobria que pertencia à parte forte do mundo — e que nome se deveria dar a sua misericórdia violenta? Seria obrigada a beijar um leproso, pois nunca seria apenas sua irmã. Um cego me levou ao pior de mim mesma, pensou espantada. Sentia-se banida porque nenhum pobre beberia água nas suas mãos ardentes. Ah! era mais fácil ser um santo que uma pessoa! Por Deus, pois não fora verdadeira a piedade que sondara no seu coração as águas mais profundas? Mas era uma piedade de leão.

Humilhada, sabia que o cego preferiria um amor mais pobre. E, estremecendo, também sabia por quê. A vida do Jardim Botânico chamava-a como um lobisomem é chamado pelo luar. Oh! mas ela amava o cego! pensou com os olhos molhados. No entanto não era com este sentimento que se iria a uma igreja. Estou com medo, disse sozinha na sala. Levantou-se e foi para a cozinha ajudar a empregada a preparar o jantar. Mas a vida arrepiava-a, como um frio. Ouvia o sino da escola, longe e constante. O pequeno horror da poeira ligando em fios a parte inferior do fogão, onde descobriu a pequena aranha. Carregando a jarra para mudar a água – havia o horror da flor se entregando lânguida e asquerosa às suas mãos. O mesmo trabalho secreto se fazia ali na cozinha. Perto da lata de lixo, esmagou com o pé a formiga. O pequeno assassinato da formiga. O mínimo corpo tremia. As gotas d’água caíam na água parada do tanque. Os besouros de verão. O horror dos besouros inexpressivos. Ao redor havia uma vida silenciosa, lenta, insistente. Horror, horror. Andava de um lado para outro na cozinha, cortando os bifes, mexendo o creme. Em torno da cabeça, em ronda, em torno da luz, os mosquitos de uma noite cálida. Uma noite em que a piedade era tão crua como o amor ruim. Entre os dois seios escorria o suor. A fé a quebrantava, o calor do forno ardia nos seus olhos. Depois o marido veio, vieram os irmãos e suas mulheres, vieram os filhos dos irmãos. Jantaram com as janelas todas abertas, no nono andar. Um avião estremecia, ameaçando no calor do céu. Apesar de ter usado poucos ovos, o jantar estava bom. Também suas crianças ficaram acordadas, brincando no tapete com as outras. Era verão, seria inútil obrigá-las a dormir. Ana estava um pouco pálida e ria suavemente com os outros. Depois do jantar, enfim, a primeira brisa mais fresca entrou pelas janelas. Eles rodeavam a mesa, a família. Cansados do dia, felizes em não discordar, tão dispostos a não ver defeitos. Riam-se de tudo, com o coração bom e humano. As crianças cresciam admiravelmente em torno deles. E como a uma borboleta, Ana prendeu o instante entre os dedos antes que ele nunca mais fosse seu.
Depois, quando todos foram embora e as crianças já estavam deitadas, ela era uma mulher bruta que olhava pela janela. A cidade estava adormecida e quente. O que o cego desencadeara caberia nos seus dias? Quantos anos levaria até envelhecer de novo? Qualquer movimento seu e pisaria numa das crianças. Mas com uma maldade de amante, parecia aceitar que da flor saísse o mosquito, que as vitórias-régias boiassem no escuro do lago. O cego pendia entre os frutos do Jardim Botânico.
Se fora um estouro do fogão, o fogo já teria pegado em toda a casa! pensou correndo para a cozinha e deparando com o seu marido diante do café derramado.
— O que foi?! gritou vibrando toda.
Ele se assustou com o medo da mulher. E de repente riu entendendo:

— Não foi nada, disse, sou um desajeitado. Ele parecia cansado, com olheiras.

Mas diante do estranho rosto de Ana, espiou-a com maior atenção. Depois atraiu-a a si, em rápido afago.
— Não quero que lhe aconteça nada, nunca! disse ela.
— Deixe que pelo menos me aconteça o fogão dar um estouro, respondeu ele sorrindo.
Ela continuou sem força nos seus braços. Hoje de tarde alguma coisa tranqüila se rebentara, e na casa toda havia um tom humorístico, triste. É hora de dormir, disse ele, é tarde. Num gesto que não era seu, mas que pareceu natural, segurou a mão da mulher, levando-a consigo sem olhar para trás, afastando-a do perigo de viver.
Acabara-se a vertigem de bondade.
E, se atravessara o amor e o seu inferno, penteava-se agora diante do espelho, por um instante sem nenhum mundo no coração. Antes de se deitar, como se apagasse uma vela, soprou a pequena flama do dia.

 

 

Comentário/Análise:

 

Tomar decisões não significa que sejam simples de concretizar, pois implicam consequências que devemos enfrentar. Às vezes queremos fazer algo, mas nos vemos presos a outras coisas, ou pensamos que não podemos fazer.

Em Amor, Clarice Lispector, conta a história de Ana, uma mulher comum, que parece estar realizada, mas cai em questões existenciais. Afinal, era feliz? A própria personagem tinha certeza de o ser, mas conforme fatos simplistas ocorrem, vemos que entra em dúvida. Que na verdade sempre o teve, ou sempre soube.

Ana tinha a vida que quis, estava certa disso e de sua felicidade. Mas nos ocorre que às vezes pensamos não ser felizes. Ana tinha a vida que sempre quis – eu disse, logo, a causa de sua felicidade é ela própria. Pois nossas escolhas podem ser feitas se quisermos realmente, nada prende um ser humano de realizar ações, ocorre que por vivermos em sociedade, ao fazemos algo que passe dos limites, que atinja a liberdade do outro, que vai contra à moral e senso comum, somos punidos.

Ana não matara, não roubara, não transgredira nenhuma regra, não era má, mas fora punida. Era mãe e esposa dedicada, que “´por caminhos tortos, viera cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado”. Porém estava condenada. Punida por acreditar em uma mentira inventada por si mesma. Punida por não se deixar nunca cair nas questões da vida.

“Exaltação perturbadora que tantas vezes se confundira com felicidade insuportável”. Ana mentiu para si mesma, ocupando seu tempo com compras, tricô, casa, comida, jardim; dedicando-se ao marido e aos filhos. “Assim ela o quisera e o escolhera”. Clarice Lispector deixa implícito que a vida para ela é causa e consequência.

Quando afirma: “Certa hora da noite era mais perigosa”. Refere-se ao pôr-do-sol, às seis horas da tarde, quando o dia esta por acabar. Nessa hora são cometidos a maior quantidade de suicídios em todo o mundo. Nessa ‘hora da tarde’ ocorre a melancolia; causa tristeza ou desânimo, ou tristeza e desânimo, à muitos; voltando do trabalho ou da escola, cansados, já não pensam, agem por inércia. Há quem nem sinta vontade de comer nessa hora. As ruas estão muito movimentadas, apressadas, um caos.

Mas… “assim chegaria a noite, com sua tranquila vibração”. Ana dormiria e encontraria no amanhã os “móveis de novo empoeirados e sujos”.

Era isso que alimentava sua vida. Pode parecer triste que o sentido da vida de algumas pessoas se resuma a isso. Mas todos necessitam de um sentido na vida, seja ele qual for, será decisão do indivíduo.

Ana era presa à família por escolha. E quando viu um homem cego, feliz, mascando chicles, indignou-se. Como alguém pode ser feliz tendo essa vida? E a pergunta voltou-se para ela, no seu subconsciente. Ana viu-se questionando, vasculhando em seu íntimo a resposta do por que ele era feliz. Mas não era essa a pergunta, pensava no porque via-se assim espantada. Fugia da pergunta existencial, que a nauseava, que ela via nada.

Não via nada. E isso por ter caminhado ao “nada”, como diz Sartre. E os elementos externos despertaram-na o impasse.

Meow

Título Original:  Meow

País:  Brasil

Ano:  1981

Duração:  8 minutos

Gêneros:  Curta, Animação

Diretor:  Marcos Magalhães

Roteiro:  Marcos Magalhães

Sinopse:

Um gato esfomeado fica sem leite, e é convencido a tomar um certo refrigerante.

Comentário:

Para preparar o terreno do curta, começa a passar muitas marcas famosas chamando atenção para o consumismo, a disputa entre as empresas pelo monopólio e logo após é inserida a figura do gato (simboliza qualquer indivíduo), ou seja, nem os animais se salvam da globalização, todos somos vítimas. Aos poucos o gato vai pedindo mais e mais leite até acabar, o dono simbolizando as empresas nacionais, com produtos saudáveis. Quando essa fonte acaba, surge a figura externa, como sempre, dos EUA. A crítica é bem direta e é possível notar como a pressão externa influencia no consumo interno com propagandas na rua, na tv, pois combinam o conforto do sofá e o entretenimento dos programas com pausas para propagandas, fazendo uma lavagem cerebral, como no curta que o gato bebia leite e conforme seu mercado e propaganda expandiram no Brasil, as pessoas deixaram de consumir o nosso alimento básico, tradicional, nos voltando para produtos internacionais. A globalização influencia a massa mundial, principalmente os países menores, que consequentemente com empresas menores, aos poucos são aniquiladas pelas gigantes empresas internacionais.

I Saw The Devil

Titulo Original:  Akmareul Boatda

País:  Coreia do Sul

Ano:  2010

Duração:  141 minutos

Gêneros:  Drama, Policial, Suspense, Thriller

Direção:  Jee-woon Kim

Roteiro:  Jee-woon Kim, Hoon-jung Park

Elenco:

Byung-hun Lee
Min-sik Choi
Gook-hwan Jeon
Kim Yoon-seo

Formato:  RMVB

Tamanho:  415 MB

Legendado:  Português/BR

Sinopse:

A noiva de um agente secreto é morta por um serial killer. Cego pela fúria, ele começa a investigar os possíveis suspeitos do crime, até finalmente identificar o culpado. Mas, ao invés de matá-lo, resolve pôr em prática uma terrível e lenta vingança.

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Comentário:

Mais um filme coreano sobre vingança, temas que os diretores Chan-wook Park e Jee-woon Kim (deste filme) costumam usar em seus longas. Queria saber o motivo parra haver tantos filmes sobre vingança na Coreia. “I saw the devil” é mais um filme que mostra intensamente como a vingança pode afetar a vida não só da vítima ou do vingador, mas das pessoas em volta dos envolvidos. O agente secreto Kim Soo-hyeon quando perdeu sua noiva para o serial killer sangue frio de forma cruel e grotesca, jurou em seu velório se vingar de forma que o assassino sofra mil vezes mais que sua amada. Com ajuda do pai de sua noiva, consegue pistas para procurar o assassino. Assim como em “Gosto da Vingança”, em “I Saw the Devil” o personagem de Byung Hun Lee possui uma personalidade similar: calmo, porém explode quando enfurecido, apaixonado. As semelhanças não param por ai, além de terem o mesmo ator principal, o diretor é o mesmo e o tema também, isso não afeta em sua originalidade. O diretor une terror, thriller psicológico e ação, como nas partes de ações com lutas atuadas com precisão dos golpes. Ambos os filmes enriquecem com um drama muito denso e um fundo com grande trilha sonora. Como havia falado, a intensidade é um marco do filme, pois se utiliza de cenas fortes, como estupro e mutilação, para atingir seu objetivo principal que é mostrar que a vingança não vale a pena, pois ganhará em troca ódio e sofrimento. Kim Soo-hyeon estava completamente cego que não percebeu como sua atitude egoísta poderia causar mais mortes, e foi avisado muitas vezes por seus amigos e pela família da sua noiva. Além disso, sua vingança lenta e violenta, maior propósito de sua existência, falhou, pois o assassino não sente dores nem medo. Kim imaginou que o que faria seria algo completamente agressivo e faria com que o assassino refletisse sobre seus atos criminosos, mas o que não sabia era que os psicopatas não apresentam sentimentos; o vilão é completamente mal, em todos os sentidos desde seu jeito de comer até às seus assassinatos mais cruéis. Um dos melhores de 2010, demonstrou como a fonte coreana de bons filmes é inesgotável.

http://www.imdb.com/title/tt1588170/

Sonho

Título Original:  Bi-Mong

País:  Coreia do Sul

Ano:  2008

Duração:  95 minutos

Gêneros:  Drama, Romance

Direção:  Ki-duk Kim

Roteiro:  Ki-duk Kim

Elenco:

Joe Odagiri
Na-yeong Lee
Mi-hie Jang
Kim Tae-Hyeon
Ji-a Park

Formato:  AVI

Tamanho:  700 MB

Legenda:  Português/BR

Sinopse:

Artista plástico tem um pesadelo com um acidente que realmente acontece. A partir daí, sua vida começa a se confundir entre sonho, delírio e realidade.

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Comentário:

Não imaginava que ‘Sonho’ seria um filme ‘expressionista’ como foi. Usaria o adjetivo surreal, se não fosse pelos fatos fazerem completamente sentido e estarem ‘mascarados’ pela visão dos personagens principais. Um incrível roteiro diferente dos outros filmes de Ki-duk Kim, realmente me surpreendeu. Logo quando inicia a cena da delegacia, percebi que o filme seria bem incomum, e isso alimentou minha atenção, curiosidade e, aguçou minha sensibilidade.

O fato de interligar os sonhos do personagem de Jin, um jovem solitário, cuja namorada o deixa, com os atos praticados por Ran, faz com que perdemos um pouco a noção de real e imaginário, já que é a visão desses protagonistas; que, aliás, foram maravilhosamente interpretados por Joe Odagiri e Na-yeong Lee.

Fiquei me perguntando por que o Jin fala japonês. Entendia muitas coisas do que ele falava, mas Ran e os outros personagens falavam em coreano. Achei muito engraçado isso. Principalmente nos diálogos iniciais, que eram sérios. Ao atender o telefone dizendo: ‘moshi-moshi’ foi demais! Realmente Ki-duk Kim é um gênio. Aconteceu várias outras coisas que não me pareciam lógicas, alias, não eram lógicas! Mais uma vez a temática, amor e sonho, se representa de forma literal nos atos confusos das personagens. Muitas perguntas o filme nos faz. E muitas outras fazemos ao filme, por exemplo, por que não dormiam, um de dia outro, à noite? Por que Jin prendera Ran ao seu braço e não no carro? Evitando assim toda àquela tragédia… É claro que não podemos esquecer de como ele era, principalmente ao se ver responsável pelas coisas que Ran fazia, dava-lhe atenção e proteção. E ainda, ao vê-la ‘presa’, considerou e culpou-se pela desgraça, mutilando-se arduamente.

Jin tinha que entender como sua ex-namorada se sentia. Ran tinha que entender como seu ex-namorado se sentia. Nada melhor do que outra pessoa para mostrar o que eles mesmos não enxergavam. Acontece que no Amor, às vezes é difícil dizer algumas coisas para não magoar, foi o que a ex-namorada de Jin fez, suportava suas atitudes, alimentando assim sua possessão. Assim, quando não mais suporta, o deixa. Jim mesmo percebe seu jeito quando diz, na cena do campo: “Você me fez assim.” Muito forte e impactante. Realmente a culpa não é apenas dele.

E Ran percebe como fez o namorado sofrer, ao ver Jin, também sofrendo pelo mesmo motivo, em uma cena onde ambos, na cama, algemados pela primeira vez, dormem; mas Ran acorda com o angustiado e doloroso choro de Jin, que mesmo dormindo sofre. Não aguentei, derramei várias lágrimas imaginando essa dor, esse vazio.

Com certeza conhecer Ran, fez com que ele sofresse mais no começo, quando viu que ela odiava o ex-namorado, e de certa forma, se comparou com ele. Quis redimir-se. Mas por fim, em poucos, mas sinceros momentos, ele é feliz novamente.  Talvez isso mostre como é difícil amar outra pessoa, depois que já se amou verdadeiramente outra. Como é desgastante ver tudo o que fez em sacrifício, que foi em vão. Jin e o ex-namorado de Ran, que parecem interpretar a mesma pessoa, ter a mesma mente, dizem, separadamente: “Fiz tudo por você”.

Esse é seu penúltimo sonho, Jin está todo de branco, e Ran está toda de preto. Representando as cores, preto e branco, que são uma só, assim como ambos, segundo a psicóloga. Belíssima sequencia de cenas, onde os personagens trocam. No começo, o casal dos ex-namorados briga violentamente, em outro momento são Jin e Ran que estão brigando. O que me pareceu que, aquele sonho queria representar como são realmente, Jin: ciumento e possuidor, apesar de meigo, educado e protetor; e Ran, que por um lado aceita ser dele, por outro não.

O final do filme me tocou muito, pois nunca vi tão metafóricas cenas. A borboleta, presente no filme inteiro, em pequenos objetos pela casa de Jin e no colar dado à Ran, representa a metamorfose com que ambas as personagens passaram. Principalmente Ran, observe como do início ao fim do filme ela muda? Fica mais compreensiva e feliz. Quando os dois estão no templo, brincando, como estão felizes. Como transformaram a vida do outro.

Essa mudança de tristeza para felicidade dele é mostrada, quando a psicóloga aperta os olhos dele e pergunta o que vê, e ele diz enxergar preto, e no fim, ao se encontrar pela ultima vez com sua nova amada, diz enxergar uma borboleta. O amor dos dois é muito inocente e belo. Algo que, até para nós, telespectadores, pareceu percorrer anos, aconteceu só em 95 minutos. E por fim, inevitavelmente a morte, da forma mais linda possível.

http://www.imdb.com/title/tt1165253/

Stravaganzza – Raíces

Ano:  2010

País:  Espanha

Membros:

Pepe Herrero – Guitarra, Teclado
Leo Jiménez – Vocal
Patricio Babasasa – Baixo
Carlos Expósito – Bateria

Comentário:

“Raíces” é o quarto álbum, ou de acordo com a nomenclatura da banda, quarto ato. Stravaganzza é uma daquelas bandas que sempre lança álbum com no mínimo metade do álbum com músicas muito boas. “Raíces” é mais um desses casos, as orquestrações se encaixaram mais uma vez perfeitamente com o peso e a voz de Leo Jiménez ora suave, ora agressiva. É uma harmonia interessante, consegue expressar bem os temas líricos da banda, como sentimentos, experiências pessoais, pensamentos filosóficos. Essa abrangência temática se reflete em suas músicas de modo que sentimos algo profundo mesmo nem sabendo a letra (mas recomendo muito que conheçam as letras). Gosto bastante da “Cuestion de Fe”, vocal se sobressaiu… acho que uma banda que lança um álbum com a primeira faixa empolgante dá bastante credibilidade ao longo que o fã escuta as faixas restantes. “Um Millon de Sueños” é outro destaque, meio clima de balada com um upgrade das orquestrações, boa participação dos backing vocals também. Na faixa seguinte, “Agonia” introdução bem legal no teclado, quebrada logo após por guitarras pesada; refrão muito bom. Um pouco diferente isso, mas a faixa-título é última música, bem carregada, encerrou bem.

01. Cuestion De Fe
02. Felicidad Absurda
03. Que Te Follen
04. Sin Amar
05. Maldita Oscuridad
06. Impotencia II
07. Un Millon De Sueños
08. Agonia
09. La Tormenta
10. La Cicatriz
11. Maquinas
12. Bucle
13. Raices

Tamanho: 56 MB

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O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus

Título Original:  The Imaginarium of Doctor Parnassus

País:  Reino Unido, Canadá, EUA, França

Ano:  2010

Duração:  122 minutos

Gêneros:  Aventura, Mistério, Fantasia

Direção:  Terry Gilliam

Roteiro:  Charles McKeown, David Valleau, Patrice Theroux, Robert How, Terry Gilliam, William Vince

Elenco:

Heath Ledger
Johnny Depp
Jude Law
Colin Farrell
Lily Cole
Christopher Plummer

Formato:  RMVB

Tamanho:  650 MB

Legendado:  Português/BR

Sinopse:

Dr. Parnassus tem o extraordinário dom de inspirar a imaginação das pessoas. Com a ajuda de sua companhia de teatro itinerante, composta pelo sarcástico Percy, seu assistente, e Anton, um versátil mágico, ele oferece ao público a possibilidade de transcender a realidade e entrar num universo de imaginação sem limites por meio de um espelho mágico. Mas toda mágica tem um preço e, por muito tempo, Parnassus vem jogando com o diabo, que agora volta para receber o seu pagamento: a sua preciosa filha Valentina.

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Comentário:

A história foi contada desse ponto de vista ilusório, e Terry Gilliam conseguiu genialmente colocá-la em filme. O que o torna incrível pela fotografia e efeitos gráficos, reproduzindo o surreal. Uma tarefa difícil, além do mais que Heath Ledger infelizmente morreu durante a gravação. Gilliam primeiro filmou toda a parte real do filme. Depois, Ledger morreu justo quando iniciariam as filmagens surreais. O que encaixou para o diretor ao usar outros atores, Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrel, na parte surreal, mostrando assim as diversas faces do protagonista – Tony. Um homem com várias máscaras, que são retiradas a cada vez que entra no mundo do Dr. Parnassus – O espelho. Ele mesmo reconhece sua multi-personalidade, não por que seja louco, e sim porque aprendeu ser assim. Tony era um político corrupto, que usava de uma instituição infantil para lavagem de dinheiro. Todo o surrealismo do filme pode ser retirado tornando a história mais simples, porém ainda envolvente e questionadora.

Acredito que toda essa fantasia surge da mente da doce Valentina, uma jovem de 16 anos, que vive à mercê das fantasias de seu pai. Seu pobre pai, Dr. Parnassus, que não tem nada à oferecer para ela, a não ser histórias fabulosas, poupando-a da realidade.  A forma como toda a história é contada do ponto de vista dessa menininha inocente é incrível, pois nos faz sentir e ver tudo o que ela viu e sentiu.

Quando Valentina e Anton (outro jovem órfão que vive junto a ela, seu pai e mais um anão, cujo nome me esqueci) encontram Tony que foi colocado enforcado e o salvam, suas vidas mudam. Primeiro, pois Anton só vivia junto deles por amar Valentina, mas esta ficou interessada com o Tony, que mentiu quem era. Agia de forma doce, compreensiva e confortadora, o que encanta e atrai a pequena. Seu pai o via como uma forma de salvação também.

O anão era o subconsciente de Dr. Parnassus, era o grilo falante. Mas não funcionava bem, não era ouvido pelo Dr., que só sabia de seus vícios (representado pelo diabo – apostas, bebidas, histórias mentirosas)

Tony, realmente os salva, mas para seus interesses, aproveitar-se de Valentina e para conseguir dinheiro emocionando madames ricas (Cena do Shopping Center).

Tony entra no espelho, mostrando realmente sua face, e Anton, único que não se deixa enganar pela aparência boa de Tony, enxerga realmente quem ele é. Mas por mais que tente avisar sua amada, não consegue desiludi-la.

A primeira vez que Tony entra no espelho, já reparamos com sua máscara de sedução, interpretada por Johnny Depp, onde a usa com uma Madame gorda e velha, que sonha em ser magra, sonha com sapatos e acessórios luxuosos e brilhantes. Ela é mostrada dessa forma, para nós a criticarmos, mas se transforma depois de ver sua real face e ver aquelas crianças na rua, sente dó, e se desprende dos bens materiais. Isso ocorre com mais algumas senhoras.

Tony é encontrado pelos seus queridos amigos mafiosos, que tentaram matá-lo. Entra no espelho de novo, e outra face sua é revelada, mostrando sua ambição, interpretado por Jude Law, onde sonha com a fama e riqueza. Muitas escadas levam até os céus (realização de seus sonhos), cada escada um futuro – suba e encontre o que deseja, seu futuro é esse. Mas é arruinado por mafiosos que ‘quebram sua escada’ literalmente mostrado no filme, mas metaforicamente quebrada em sua vida, querendo o matar. Como um bom vigarista, consegue fugir.

Voltando pra Valentina, desejando-a e possuindo-a, dá a ela uma vida luxuosa ao seu lado. Tem filhos com ela, ou seja, tudo o que queria para ser feliz segundo sua concepção: poder. Ganha prêmios por ser bom, por sua instituição de crianças carentes. Essa fase de sua vida, interpretada por Colin Farrel, é cheia de loucura, pois o que o homem faz, faz o homem. O poder controlado, o controlou. Alucinações, que o leva a fazer loucuras, como bater num menino, achando que é Anton, o denunciador de seu verdadeiro EU. Desconfia de traição por Valentina e a bate. É acusado por jornais e perseguido pela mídia… “À caminho da forca”. – Cena literal do filme. É morto.

Podre Dr. Parnassus. Pobre Valentina. Ficam à mercê. Dr., ainda nas ruas, caminhando pelas ruas feitas de areias intermináveis do tempo, agora sem seu grilo falante pra dizer o que fazer. Bebendo, até ir uma vez para o hospital, e Valentina, que fica sabendo, acaba se enganando, acreditando na morte do pai, por uma gíria de um policial que diz: ‘Ele vai morrer…’ Mas não ouviu uma parte ‘…de tanto beber.’

Segue triste, sem ninguém na vida. Até encontrar aquele que realmente a ama, Anton. Casando-se com ele, dedicando-se a ele, trabalhando, vivendo honestamente.

E seu pai, ainda vivo, vagando pelas ruas, sem rumo ou tino, a vê. E sua esperança se renova, sua consciência volta, seu grilo falante retorna: seu anão. E começa a trabalhar fazendo teatrinhos para crianças, querendo, por um lado, se tornar decente para ver sua doce Valentina, por outro lado, jogar, beber. (Cena final, onde o diabo reaparece.)

http://www.imdb.com/title/tt1054606/

Tim Minchin – The Good Book

Tim Minchin é um ator, comediante e músico australiano nascido em 1975. O segmento mais conhecido é a comédia musical a qual ele apresenta internacionalmente e rendeu alguns prêmios. Neste vídeo, Tim Minchin satiriza a bíblia e o catolicismo, com seu pensamento que a igreja nunca deveria ser imune à sátira. Ele, com caretas e entonação excelente, sem contar a música ser boa também, atinge seu objetivo que é cutucar as religiões e ainda consegue a simpatia da platéia.

 

Ron Mueck

Ron Mueck é um escultor australiano hiperrealista que usa efeitos especiais cinemtográficos para criar obras de arte. O tamanho das esculturas é a única coisa que faz com que entendemos que seja uma escultura, pois há todas características físicas de um humano, sendo possível facilmente confundível quando vemos fotos. Detalhes únicos, barba, dobras de roupas e peles, pêlos, expressões, fazem de suas esculturas belíssimas.

 

Shaman – Origins

Shaman é uma banda de power metal formada em 2000 pelos ex-integranntes do Angra: André Matos, Luis Mariutti e Ricardo Confessori. A banda é dividida em duas fases 2000-2006 com André Matos e 2006- com Thiago Bianchi. O estilo da banda bem exótico com temática que remete a misticismo, o que é normal do gênero.

Ano:  2010

País:  Brasil

Membros:

Thiago Bianchi – Vocal
Leo Mancini – Guitarra
Fernando Quesada – Baixo
Ricardo Confessori – Bateria
Fabrizio Di Sarno – Teclado (música convidado)

Comentário:

“Origins” é o quarto álbum da banda. Essa nova fase com Thiago Bianchi é muito interessante, acho que a banda tomou um rumo bem original, acho o Shaman atual muito mais único que com o André Matos. Desde o “Immortal” a banda mudou muito seu estilo com mais elementos exóticos e mais peso, graças a voz excelente de Thiago Bianchi, já que a voz do André Matos não tem agressividade. Esse novo rumo desagradou todos os fãs do André e cegaram pra essa “nova” banda que se tornou, que é muito boa. Álbum conceitual, muito bem cuidado, que conta com grandes músicas como “Lethal Awakening”, “Rising Up To Life”, a pesada “No Mind” devido ao bom trabalho do guitarrista Leo Mancini que sozinho consegue dar um grande peso ao som, até mesmo ao vivo, com ajuda, é claro dos pedais duplos de Confessori. “Finally Home”, com videoclipe, é o maior sucesso do “Origins” que conta orquestrações e o ótimo trabalho do tecladista convidado Fabrizio Di Sarno e é claro a voz excepcional de Thiago Bianchi, uma das minhas vozes preferidas no metal nacional, agressiva e suave ao mesmo tempo.

01. Origins (The Day I Died)
02. Lethal Awakening
03. Inferno Veil
04. Ego (Part I)
05. Ego (Part II)
06. Finnaly Home
07. Rising Up Your Life
08. No Mind
09. Blind Messiah
10. Signed, Sealed & Delivered

Tamanho: 67 MB

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Título Original:  The Horribly Slow Murderer with the Extremely Inefficient Weapon

País:  EUA

Ano:  2008

Duração:  10 minutos

Gêneros:  Curta, Terror, Comédia

Direção:  Richard Gale

Roteiro:  Richard Gale

Sinopse:

A história de um homem que se deparou com o assassino mais implacável e incansável da história…

Comentário:

Pra começar, é diícil essa combinação “terror+comédia” dar certa, quanto menos em um curta. Abrindo um parênteses, vou tratar o nome do filme como “Assassino”, obviamente porque não vou escrever esse nome gigante toda hora. Voltando, apesar desses fatores contra, o diretor Richard Gale conseguiu nos surpreender com um dos curtas mais bem feitos que já vi. A grande produção, passando por vários países, enriquecendo ainda mais, com grandes efeitos, cenas hilárias. O curta é uma sátira aos clichês hollywoodianos somado a um humor negro bem afiado. Com certeza os pontos fortes são os momentos que revezam terror com comédia, em um mometo você sente a tensão e logo em seguida ri muito. O filme lembra até um pouco o humor de “Todo mundo em pânico” mas, claro, é muito mais rico pois não apela pra pornografia e nem piadinhas infantis. Pelo contrário, o curta consegue ter picos durante os 10 minutos, prende muito a atenção com cenas e situações criativas. Com certeza um dos curtas mais bem feitos.

Infinita Symphonia é uma banda de power metal sinfônico formada em 2008 pelo vocalista Luca Micioni e o guitarrista principal Gianmarco Ricasoli. A banda apenas gravou uma demo em 2009, chamada Into the Symphonia e um álbum oficial, o “A Mind’s Chronicle”.

Ano:  2011

País:  Itália

Membros:

Gianmarco Ricasoli – Guitarra
Diego Deola – Guitarra
Luca Micioni – Vocal
Alberto De Felice – Baixo
Luca Ciccotti – Bateria
Claudio Metalli – Teclado

Comentário:

Com a participação de dois grandes vocalistas, Fabio Lione (Rhapsody of Fire, Vision Divine) e Tim “Ripper” Owens (Ex-Yngwie Malmsteen, Ex-Judas Priest) como convidados, a banda lança seu primeiro álbum com força total. O power metal italiano tem a característica de usar elementos sinfônicos e Infinita Symphonia seguiu essa influência, mas seu som é de uma qualidade impressionante. É muito bom saber que ainda surgem bandas com tanta qualidade hoje em dia. O álbum é impecável, talvez um dos melhores de 2011 por enquanto, me surpreendeu muito mesmo. Destaco a “Lost in My Own Brain” que puxa bem o início do álbum. “The Illusion” foi a primeira música que me cativou com refrão excelente, aliás os refrões foram seus maiores aliados. As participações de Fabio Lione na “Here There’s No Why” e de Tim “Ripper” Owens em “Only One Reason” foram bem marcantes, a voz de Luca Micioni também tem muita identidade. A balada “From Earth to Heaven” é carregada de bons arranjos, com o upgrade das orquestrações e da criatividade da dupla de guitarristas. Pra encerrar o álbum, “I Believe In You”, com certeza uma música com um diferencial imenso, riff destruidor de cara, com refrão com vocais femininos, encaixou perfeitamente, a música cria o ambiente de “música de encerramento”… fecha o disco com chave de ouro.

1. Intro (Verted)
2. Lost In My Own Brain
3. Mighty Storm
4. The Illusion
5. Planet Universe
6. Here There’s No Why (feat. Fabio Lione)
7. Only One Reason (feat. Tim “Ripper” Owens)
8. Lost And Found
9. From Earth To Heaven
10. The Equation Of The End
11. I Believe In You

Tamanho:  130 MB

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A Casa de Pequenos Cubos

Título Original:  Tsumiki no ie

País:  Japão

Ano:  2008

Duração:  13 minutos

Gêneros:  Curta, Drama, Animação

Direção:  Kunio Katô

Roteiro:  Kunio Katô

Sinopse:

Como sua cidade é inundada pela água, um velho homem é forçado a adicionar níveis adicionais em sua casa com tijolos (cubos) de modo a ficar seco. Mas quando ele acidentalmente deixa cair seu cachimbo favorito para os níveis mais baixos de sua casa, sua busca pela tubulação, eventualmente, faz dele reviver cenas de sua vida agitada.

Comentário:

Contrário do que faz o cinema muitas vezes, Casa dos Pequenos Cubos não tem como objetivo de dar uma mensagem que apele pra emoção; e sim, trata de um tema simples, sutil, e belo.  Uma grande história de 12 minutos… Onde um senhor de idade, que vive numa cidade onde  o nível do mar vai subindo, tem que erguer mais sua casa por causa disso. Tijolo por tijolo, como antigamente. Mas acidentalmente deixa cair seu cachimbo cai na água. E como ele deu valor em recuperar o cachimbo! Poderia comprar outro, mas não… Queria aquele, foi e comprou uma roupa de mergulho. Isso mostra como as pessoas, em diferentes épocas de sua vida, dão valor pra coisas que em outro momento não terá mais aquela importância.

Ao buscar o cachimbo, começa a lembrar-se de sua mulher. Lembrar-se de sua filha, com esposo e neta. Lembra-se de como é solitário. Cada vez que desce pra casa anterior, regredi um tempo em sua vida. Cada vez que abre a ‘porta’, depara-se com seu passado, lembrando na velhice, sua vida. Com uma trilha sonora delicada acompanhando esses momentos preciosos que não se apagam da memória. Perfeito. Tocante. Triste. Real…

 

 

Ano:  2011

País:  EUA

Membros:

Russell Allen − Vocal
Michael Romeo − Guitarra
Michael Pinnella − Teclado
Michael Lepond − Baixo
Jason Rullo − Bateria

Comentário:

Depois de muita espera, finalmente saiu o “Iconoclast”, o oitavo álbum da banda. Essa é sua versão especial dividiu o cd em dois contando com mais faixas. Logo de entrada a banda mostra o porquê demorou 4 anos para gravar seu próximo trabalho. Com “Iconoclast” com bela introdução, confirma que Symphony X é uma das melhores bandas da atualidade, graças ao trio dos Michael + Russel Allen, Michael Romeo é um dos maiores responsáveis por essa grande estabilidade de grandes álbuns. Curti muito “The End of Innocence” letra muito boa, refrão excelente. A mais calma “When All is Lost” é talvez a mais facilmente absorvida por possuir um refrão mais cativante. Mas a Eletric Messiah” seguiu muito a linha do álbum anterior, “Paradise Lost”, com passagens bem progressivas, típicas da banda, tal faixa me remeteu muito à “Domination” do “Paradise Lost”. Senti um clima denso e tenso o álbum inteiro, diferente dos anteriores, gostei dessa sensação. Quando Symphony X anuncia algo, já virou sinônimo de qualidade.

Cd 1:

01. Iconoclast
02. The End Of Innocence
03. Dehumanized
04. Bastards Of The Machine
05. Heretic
06. Children Of A Faceless God
07. When All Is Lost

CD 2:

01. Electric Messiah
02. Prometheus (I Am Alive)
03. Light Up The Night
04. The Lords Of Chaos
05. Reign In Madness

Tamanho CD 1:  113 MB

Tamanho CD 2:  75 MB

Download CD 1

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Monty Python – A Vida de Brian

Título Original:  Life of Brian

País:  Reino Unido

Ano:  1979

Duração:  94 minutos

Gênero:  Comédia

Direção:  Terry Jones

Roteiro:  Graham Chapman, John Cleese

Elenco:

Graham Chapman
John Cleese
Eric Idle
Michael Palin
Terry Jones
Terry Gilliam

Formato:  RMVB

Tamanho:  373 MB

Legendado: Português/BR

Sinopse:

Sátira dos temas bíblicos e religião. Na Judéia, ano 33 DC, uma época cheia de seguidores, messias e romanos, o judeu Brian Cohen (Graham Chapman) acaba se tornando um messias importante para as pessoas devido a situações completamente absurdas.

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Comentário:

Logo de cara, aparecem os três reis magos e fica claro que o filme será uma paródia/sátira da vida de Jesus e da bíblia. Segue-se de uma introdução para os 33 anos de cristo, cantada de forma inteligente com um toque um pouco obscuro, também devido à vida de Jesus nesse período não ser tanto explorada. Brian é o personagem que o diretor Terry Jones usou para alfinetar “indiretamente” Jesus. Pra começar a mãe dele é interpretada por um homem falando com vozes finas. Todos os eventos ao longo do filme são contrários ao esperado por qualquer abordagem católica, e essa surpresa obviamente cria o humor, o qual é negro o bastante para gerar discussões entre fanáticos. O diretor mostrou o seu ponto de vista ateísta brilhantemente por meio da comédia que qualquer poderia ter sido um messias, basta as ocasiões serem favoráveis e depende muito da mente de quem os segue. Nesse caso, o desespero dos habitantes à espera de um salvador, um ser capaz de fazer milagres e ajudá-los seja lá o que for preciso: cura, comida. A forma como começa essa fama de Brian é totalmente anti-herói e crítica, pois ele estava fugindo dos guardas e acaba virando um herói mesmo ele não querendo, se escondendo. Quanto mais ele tentava escapar de seus discípulos, mais eles o veneravam. Brian é um ser humano comum que não queria ser crucificado de maneira alguma, isso contraria a versão bíblica que ele quis ser crucificado para salvar seus seguidores, em sinal de seu amor. Por falar em amor, é bom citar esse lado masculino de Brian que cortejava as mulheres, porque nunca mostrar esse lado de Jesus? Mas claro, não vamos confundir os fatos, esse filme é uma comédia, obviamente não quis demonstrar o que de fato aconteceu, e sim satirizar a verdade imposta pela bíblica e pela igreja católica, afinal não há provas do que houve há quase 2000 anos atrás. As sátiras ultrapassam a religiosidade e chega até nos cargos elevados como o imperador, que sofre um problema com a fala, juntamente de seu amigo, de nome estranho, causador de risadas por parte de seus encarregados e de todo povo.

http://www.imdb.com/title/tt0079470/