Título Original:  Arumdabda

País:  Coreia do Sul

Ano:  2008

Duração:  88 minutos

Gênero:  Drama

Direção:  Jae-hong Jeoon

Roteiro:  Ki-duk Kim

Elenco:

Min-soo Kim
Cheon-hee Lee
Min Lee
Myeong-soo Choi
Su-yeon Cha

Formato:  RMVB

Tamanho:  313 MB

Legendado:  Português/BR

Sinopse:

Em todo lugar que vai, Eun-young provoca grande admiração dos homens e grandes ciúmes nas mulheres. A “benção” se torna uma “maldição” e após ser estuprada por um de seus admiradores, inicia uma incessante obsessão em acabar com sua beleza.

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Comentário:

A história tem uma beleza única. É um roteiro chocante, triste e perturbador. O filme foge do comum. Nessa obra a protagonista é a maravilhosamente bela, Eun-chul, e ninguém consegue a conhecer verdadeiramente, pensam que a conhecem, que a entendem, mas é essa a sensação que a aparência dela dá e não o que de fato ocorre. Só veem a beleza superficial, e a admiram, a perseguem, a querem, fazendo com que ela busque ficar feia. Está sempre sozinha, por despertar inveja nas mulheres e desejo nos homens. Até que um dia um idiota, sem pensar no sentimento dos outros, a estupra. Ainda disse: “Fiz isso, apenas, por que você é tão bonita.” Não há justificativas. E o chefe de polícia, um machista, diz: “As mulheres de hoje usam saia curta até no inverno… Você não acha que tem um pouco de culpa?” Isso a abala ainda mais. Tudo depois desse ato passa a afetá-la intensamente.

O que o chefe disse demonstra como o ele é um machista, diz como se as mulheres tivessem que se privar de usar o que querem. Elas mostram o corpo se quiserem. Eu não estou nesse grupo que mostra o corpo, por que meus valores são diferentes, por não gostar desse tipo de vida, de ser tratada como objeto, não julgo as que agem dessa forma. Apenas sei que mulheres não são estupradas por estarem com decotes e saia curta, são estupradas por serem mulheres.

Voltando ao filme, Eun-chul, ao contrário do que o chefe pensa, não estava de saia curta, não queria provocar ninguém, nunca quis. Ele não sabe o fardo que é isso. Ela estava em sua casa, quando aquele inumano apareceu, levado pelo instinto. Arrepender-se e entregar-se foi para poder se perdoar, mas não há explicações para aquele ato. E ser preso 8 anos? Só? Quem sabe o que poderá fazer depois. Ele era louco. E então um dos policiais a vê naquela situação e pensa errado do chefe e do estuprador, e decide ajuda-la.

Apaixona-se por ela, não de forma obcecada. Quer protegê-la, persegue-a, a ajuda. Vê ela se matando, comida demais uma hora, de menos em outra, não trabalha. Não se recuperou do trauma. Nem todas as pessoas são capazes de se recuperarem, e esse estupro, para a protagonista, foi traumatizante e perturbador. Ela acaba ficando louca, de forma sutil, diretor demonstra isso, com cenas onde ela pensa ver o seu violentador, que na verdade está preso.

O policial a ajuda mesmo nesse estado de loucura, ele continua mostrando interesse nela, mesmo ficando desgastada fisicamente, com os olhos sem brilhos. Pensei que a amava, como afirma.

Eun-chul, depois de tentar matar um homem e o policial a impedir, ela faz uma declaração, na cena mais linda e marcante, na minha opinião, mostrou seus sentimentos, sua vontade de viver, vontade de mudar, de matá-lo, pois ele está louco. E sim, ele está louco, ficou louco, a loucura dela transferiu-se para ele, era necessário matá-lo, pensou. Tão profunda e intensa, real e tocante, essa cena maravilhosa, atuação brilhante de Su-yeon Cha foi realmente magnífica. Não podia ter expressado melhor a dor, a angústia e o medo.

Eun-chul. Ela confiou nele, o policial que se esforçava para tê-la e protegê-la, que dizia: “Afastem-se da minha menina.” Louco, mas a amava.

Ela o deixou entrar em sua casa. Realmente, não sei o problema dele. Podia ter acontecido diferente, ter ficado com ela. Mas, acreditou que ela devia matá-lo pela loucura, porém ela não falou realmente, era a loucura, era o medo, que a fizeram dizer tais coisas. Quando ele fez o que fez a ela dormindo, ela pareceu por um minuto apreciar, depois, de fazer o que fez a ele, dormiu. Acordou inconformada. Realmente tinha que acontecer o que aconteceu com ela. Se não o fizessem, ela o faria, ela se mataria. Não iria conseguir superar nunca tais atos, a traição do homem que dizia amá-la, o qual ela confiou e deixou adentrar em seu apartamento. Não acredito, e me vejo novamente com lágrimas ao me lembrar das cenas finais. Realmente o filme mais incomum, belo e filosófico que vi. Ki-duk Kim é um gênio, criou uma personagem incrível, muito frágil mentalmente e fisicamente.

http://www.imdb.com/title/tt1173686/

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