Ódio

Lentamente se acumulando, como um fedor da rua do centro da cidade que fica impregnado em seu nariz. Não é como a raiva eu se sente quando se está sozinho, nem como qualquer outra raiva. Raiva é

momentânea, consequência de algo ruim para você. Esse momento de raiva lhe faz acomodar, ficar aninhado naquela situação, naquele momento, depois passa e você nem se lembra mais. O ódio é o gosto da realidade: assim que você o percebe, ele já está dominando, e é maravilhoso. Você deseja parar de ver essa realidade, e então você deseja voltar para o seu mundinho, escolhendo outra vez, ser egoísta; ou desejando mudá-lo. Ter ódio do atual e mudá-lo, para fazer algo novo. Por isso não penso que o ódio seja um sentimento inútil como dizem; ele é intenso e perturbador, não há por que criticar quem diz ter, já que ele vive em você e todas as pessoas. Está dormindo junto com o querer das pessoas; todas têm remorsos, ignorância em alguma área, todas querem algo, e para querem precisam mudar.

Para sentir o ódio é preciso observação e sagacidade, conhecer antes de odiar e então esse fardo árduo germinará, se estiver isolado, talvez nunca consiga parar de odiar e isso é destruir-se. Quando se tem ódio e sede de mudança, um só suspiro gera grandes tormentas ‘pelos mares’, mas você pode livrar-se dele, assim que o dia da revolução chegar então parará de respirar por alguns instantes, parará de trazer o desejar mal, causar tormenta aos outror. Pronto! Agora espire, o ar mudou, todo aquele sentimento se esvoaçou pelo mar morte à esse ódio. Após tudo isso você não pode rugir sem devorar.

‘ às vezes aquilo que odiamos é realmente o que queremos…

 

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