Título original:  Blade Runner

País:  EUA

Ano:  1982

Duração:  87 minutos

Gênero:  Ação, Drama, Ficção Científica, Suspense

Direção:  Ridley Scott

Roteiro:  Charles knode, David Webb, Philip K. Dick

Elenco:

Daryl Hannah

Rutger Hauer

Harrison Ford

Formato:  RMVB

Tamanho:  379 MB

Legendado:  Português

Sinopse: 

Blade Runner é um filme que mostrar um futuro distanteem Los Angeles, no mês de Novembro de 2019. É um filme baseado na obra de Philip K. Dick, 68, o livro “Androids Dream of Electric Sheep?”, que conta a crise moral de Rick Deckard, um caçador de andróides. O futuro é mostrado no filme com a criação de andróides, a exploração de outros planetas, a super população e o caos que se gera em torno de uma humanidade consumista e egoísta.

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Comentário:

O letreiro que inicia o filme introduz-nos à história do filme. A situação que toma lugar é a tentativa de execução dos replicantes, os mais complexos, do nível Nexus 6, após uma guerra sangrenta em que eles estavam envolvidos. A execução deles era feita por um tipo de policiais encarregados da tarefa, os blade runners. É uma situação complicada, já que os andróides – que são criados pelos seres humanos – tem inteligência muito próxima a de seus construtores. Os andróides, porém não tem memórias próprias, e sim memórias de outra pessoa, que são atribuídas a eles.

No começo do filme podemos notar a visão futurista do autor do livro, que deu origem ao filme “Blade Runner”, pelas músicas, naves e o fato de criarmos similares humanos – os andróides – e com eles explorarmos planetas. Isso revela uma contradição, já que, é pouco possível que daqui a nove anos tenhamos tais capacidades.

No teste feito pelo engenheiro no início do filme, o andróide apresentado mostra que os andróides não são capazes de espontaneidade, criatividade e só sabem o que são programados para saber (conforme trecho do Jabuti).

O lugar onde a sociedade se organiza no filme é demonstrado pela arquitetura, com prédios grandes, ilustrando o aumento significativo da população.

Os andróides não sabem o que são. Como só vivem quatro anos, seus passados são criados. Suas memórias geram uma personalidade, aceitação do eu, por exemplo, a andróide Rachael se sente confusa e tem dificuldades para entender que suas memórias na verdade são falsas. Isso causa um caos na cabeça dos andróides, já que são muito próximos aos humanos, e podem ter algo parecido com os sentimentos, não conseguem entender muito bem o que são e que suas memórias não passam de uma ilusão. De forma geral, nós humanos também temos questões existenciais pelas quais não conseguimos respostas. De onde viemos? Quem somos? Para onde vamos?

J.F. Sebastian, um dos criadores, desde o início sabe que Roy e Pris são andróides e arrisca a perguntar qual é a geração deles, que é Nexus 6, “tão perfeitos” e parecidos com humanos. Certa passagem diz “mais humanos que os humanos”, referindo-se ao lema que mostra a sua tamanha complexidade. Os andróides acreditam que são seres vivos e não computadores, como diz a passagem de Pris: “Penso, logo existo”. Admitem ser bem parecidos com Sebastian, e querem que ele os ajude a prolongar seus anos de vida. O andróide Roy quer que Sebastian derrote Tyrell conseguindo então o prolongamento da vida dos andróides.

Tyrell se opõe a idéia do prolongamento, pois essa medida alteraria a espécie, causando transtornos nos andróides, podendo gerar um dano irreparável para toda a humanidade. Afinal, os andróides perderiam suas identidades, e evoluindo poderiam vir a interferir na vida dos humanos, superando-os talvez, e tornando-se incontroláveis. Tyrell afirma que os melhores andróides morrem mais cedo. E isso acontece no mundo também, muitas vezes as pessoas se sobrecarregam e acabam trabalhando mais do que podem, abusando de seus limites para conseguir um objetivo e se superar.

Assim como Roy admite ter feito coisas terríveis, Tyrell o convence de que fez também coisas admiráveis, dizendo que ele é o filho pródigo. Todos nós, humanos, cometemos erros, mas somos capazes de nos perdoar, e ajudar as pessoas. Roy não seria capaz de ter sentimentos, mas ambiciona viver. Sua vida, entretanto, está num plano coletivo, onde, pela preservação da espécie, é necessário que a vida de Roy seja sacrificada.

Nós humanos, vivemos num ciclo irreversível na vida, onde nascemos, vivemos e morremos, em função do tempo. Tudo no mundo tem seu tempo de duração, no caso dos andróides, esse tempo é de quatro anos. E ao alterar esse ciclo, aumentando o tempo de vida, haveria alteração da espécie e do ciclo que lhes é imposto.

Poderíamos supor também que, aos humanos, não era mais interessante que os andróides continuassem a existir. Afinal, ao superar-nos e serem muito parecidos conosco, humanos, nos ameaçavam não só biologicamente, como também psicologicamente, pois não somos capazes de aceitar seres melhores que nós, visto que já temos dificuldades em aceitar nossas diferenças em um plano individual.

“Medo de viver, isso é ser escravo”. Roy só queria viver para estar com Pris, essa frase expressa isso, já que, com a morte de Pris não vê mais motivos para viver. Não ter coragem de enfrentar a vida e os desafios que ela impõe, é ser feito de escravo. É a mesma situação deles ao terem de enfrentar as batalhas em outros planetas, por serem ordenados pelos humanos e não terem opção, ao se sentirem como robôs, usados.

Quando Deckard sabe que acabou seu trabalho de matar replicantes, diz: “Até que enfim…”. Ele percebe que os andróides criaram sentimentos, e valorizavam coisas que o homem havia esquecido. Caçá-los e matá-los antes do seu tempo de vida era como um crime grande. Era como matar seres humanos.

Então o patrão de Deckard diz: “Que pena que ela não vai viver. Afinal, quem vive?”. Nisso ele se refere a Rachael, pois o trabalho de Deckard acabou, mas faltou uma tarefa a ser cumprida: matar Rachael. Quando diz: “Afinal, quem vive?”, ele se refere a aproveitar a vida, coisa que profundamente é muito raro nas pessoas; tem algumas que só passam pela vida, sem vivê-la, e também quer dizer que no fim, a vida é uma longa jornada pela qual ninguém sai vivo.

Os andróides entendem mais sobre vida do que os próprios humanos. A vida da humanidade depende de todos que vivem.

O filme traz a idéia da evolução do capitalismo. O cúmulo acontece quando se trabalha para matar um semelhante. Um dos mandamentos diz: “não matais seus semelhantes”; andróides não são humanos, mas nos imitam. No filme é demonstrada a perda de valores e de identidade do homem.

O homem é manipulado pelo dinheiro. As novas tecnologias que surgem, inclusive hoje, não são motivadas pela curiosidade, e sim pelo dinheiro. Isso é capitalismo, e afeta nossas vidas, pois transforma os seres humanos em maquinas, responsáveis por gerar dinheiro, responsáveis por colocar a obtenção do dinheiro em primeiro lugar em suas vidas.

E o conhecimento? Que é uma coisa que só os homens adquirem a “baixo preço” – que nos gera satisfação, que nos faz apreciar mais apuradamente certas coisas na vida – não dizemos ser de graça, porque há conhecimento que só adquirimos se pagarmos, investirmos.

Os cientistas no filme, como Tyrell, vivem num esplêndido luxo, em prédios enormes, porém são solitários. Possivelmente, nem o vizinho de Tyrell o conhece. Eles são competitivos e egoístas. Sabem que se aumentassem os anos de vida de Roy e de outros andróides, estes poderiam os superar. E quando é desafiado por J.F. Sebastian, Tyrell não resiste.

Os homens, no universo de Blade Runner, são solitários, algo que possivelmente o autor do livro quis mostrar como uma evolução do capitalismo e do mundo. Até o homem que faz o olho do andróide, trabalha sozinho e depois repassa as outras tarefas, e como uma linha de produção, é uma produção em série. Às vezes, minha mãe diz: “Filha, me ajude a tirar a roupa do varal, que vai chover.” É como se houvesse uma “chuva” vindo no futuro desse homem, e como se ele corresse para fazer tudo sozinho. “Afinal, duas cabeças não pensam melhor juntas?” Por que as pessoas nesse filme se isolam? Preferem se ausentar da humanidade, só o que lhes convém é o consumismo absurdo, uma forma de egoísmo.

Por exemplo, a boateem que Deckardvai. Há pessoas que ele nunca viu, se limita a beber, não fala nada com ninguém, nem mesmo com o garçom. Hoje em dia geralmente, quando você vai a um lugar desses e bebeu, fala com qualquer um. Isso mostra a seriedade e neutralidade da personalidade de Deckard. Ao mesmo tempoem que Deckardprocura encontrar os replicantes e exterminá-los, ele procura encontrar a si mesmo, pois podemos ver sua insegurança e dificuldade em aceitação do eu, gerando a hipótese dele também ser um replicante.

Uma curiosidade é que o diretor Ridley Scott capturou em carvão vegetal todas as cenas antes de filmá-las. E com seu estilo muito visual, influenciou uma geração de realizadores. E alguns se limitam a copiá-lo.

Em um segmento, é dito por Roy:

“Uma experiência e tanto viver com medo, não? Isso é ser escravo.

Vi coisas que vocês, humanos, não acreditariam.

Naves de combate em chamas em Orion.

Vi raios gama brilharem na escuridão de Tannhauser.

Todos aqueles momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva.

Hora de morrer.”

Fato curioso é que, no fim do filme, aparece um unicórnio feito de palito, por Gaff. Qual seria a ligação entre o unicórnio do sonho de Deckard com o unicórnio feito por Gaff? É uma incógnita que deixa em aberto novos pensamentos e hipóteses. Assim como a hipótese de Deckard também ser um replicante, podemos gerar a hipótese de Gaff também ser um. E poderíamos gerar uma relação entre a mente dos dois? Ou entre a mente dos replicantes?

Há quem diga que viver é aprender a conviver; mas e viver consigo? Os andróides não tem amigos como os humanos, não tem sentimentos controláveis, ou tem? Será que ao descobrir quem era seu criador, o porquê de suas existências e de suas mortes talvez encontrasse razões para suas vidas? Apesar de Roy “ser um filho pródigo”, não agüentou o fato de ter que viver consigo mesmo? E sem Pris… Sem sua revolta, não havia mais razões para viver, assim que ele entendeu tudo, e não poderia mudar, era inevitável morrer. Morrer é apenas algo que desconhecemos e tudo que é desconhecido, é temido.

Assim como os andróides será que os homens não são também programados para morrer? Será que o universo e tudo que ele engloba são baseados em um ciclo inevitável onde tudo acaba um dia? E será que os homens não morrem quando não tem mais função na Terra?

http://www.imdb.com/title/tt0083658/

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