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Essas mães maravilhosas e suas máquinas infantis

Flávia logo percebeu que as outras moradoras do prédio, mães do amiguinhos do seu filho, Paulinho, seis anos, olhavam-na com um ar de superioridade. Não era para menos. Afinal o garoto até aquela idade – imaginem – se limitava a brincar e ir à escola. andava em total descompasso com os outros meninos, que já desenvolveram múltiplas e variadas atividades desde a mais tenra idade. O recorde, por sinal, pertencia ao garoto Peter, filho de uma  brasileira e um canadense, nascido em Nova Iorque. Peter tão logo veio ao mundo e entrou para um curso de amamentação (“Como tirar o leite da mãe em 10 lições”). A mãe descobriu numa revista uma pesquisa feita por médicos da Califórnia informando sobre a melhor técnica de mamar (chamada técnica de Lindstorm, um psicanalista, autor da pesquisa, que para realizar seu trabalho mamou até os 40 anos). A maneira da criança mamae, afirma os  doutores, vai determinar suas neuroses na idade adulta. Uma tarde, Flávia percebeu duas mães cochichando sobre seu filho: que se pode esperar de um menino que aos seis anos de idade só brinca e vai à escola? Flávia começou a se sentir a última das mães. Pegou o marido pelo braço dizendo que os dois precisavam ter uma  conversa com o filho.

– O que você gostaria de fazer, Paulinho? – perguntou o pai dando uma de liberal que não costuma impor suas vontades.

– Brincar…- o pai fez uma expressão grave.

– Você não acha que já passou um pouco da idade, filho? A vida não é um eterna brincadeira. Você precisa começar a pensar no futuro. Pensar em coisas mais sérias, desenvolver outras atividades. Você não gostaria de praticar algum esporte?

– Compra um time de botão pra mim

– Botão não é esporte, filho.

– Arco e flecha!

Os pais se entreolharam. Nenhum dos meninos do prédio fazia curso de arco e flecha. Paulinho seria o primeiro. Os vizinhos certamente iriam julgá-lo como uma criança anormal. Flávia deu um calção de presente ao garoto e perguntou por que ele não fazia natação.

– Tenho medo.

Se tinha medo, então era pra natação mesmo que ele iria entrar. Os medos devem ser eliminados na infância. Paulinho entrou para a natação. Não deu muitas alegrias aos pais. Nas competições chegava sempre em último, e as mães dos coleguinhas continuavam olhando Flávia com uma expressão superior. As mães, vocês sabem, disputam entre elas um torneio surdo nas costas dos filhos. Flávia passou a desconfiar de que seu filho era um ser inferior. Resolveu imitar as outras mães, e além da natação colocou Paulinho na ginástica olímpica, cursinho de artes, inglês, judô, francês, terapeuta, logopedista. Botou até aparelho nos dentes do filho. Os amiguinhos da rua chamavam Paulinho para brincar depois do colégio.

– Não posso, tenho aula de hipismo.

– Depois do hipismo?

– Vou pro caratê.

– E depois do caratê?

– Faço sapateado.

– Quando poderemos brincar?

– Não sei. Tenho que ver na agenda.

Paulinho andava com uma agenda Pombo debaixo do braço. À noitinha chegava em casa mais cansado do que o pai em dia de plantão. Nunca mais brincou. Tinha todos os brinquedos da moda, mas só pra mostrar aos amiguinhos do prédio. Paulinho dava um duro dos diabos. “Mas no futuro ele saberá nos agradecer”, dizia o pai. O garoto estava sendo preparado para ser um super-homem. E foi ficando adulto antes do tempo, como uma fruta que amadurece de véspera. Um dia Flávia flagrou o filho com uma gravata à volta do pescoço tentando dar um laço. Quando fez sete anos disse ao pai que a partir daquele dia queria receber mesada em dólar. Aos oito anos abriu o berreiro porque seus pais não lhe deram um cartão de crédito de presente. Com oito anos , entre uma aula de xadrez e de sânscrito, Paulinho, saiu de casa muito compenetrado. Os amiguinho da rua perguntaram onde ele ia:

– Vou ao banco.

Caminhou um quarteirão até o banco, sentou-se diante do gerente, pediu sugestões sobre aplicações e pagou a conta de luz como um homenzinho. A façanha do garoto correu o prédio. A vizinhança começou a achá-lo um gênio. As mães dos amiguinhos deixaram de olhar Flávia com superioridade. Os pais, enfim, puderam sentir-se orgulhosos. “Estamos educando o menino no caminho certo”, declarou o pai batendo no peito. Na festa de 11 anos, que mais parecia um coquetel do corpo diplomático, um tio perguntou a Paulinho o que ele queria ser quando crescesse.

– Criança!

Paulinho cresceu. Cresceu fazendo cursos e mais cursos. Abandonou a infância, entrou na adolescência, tornou-se um jovem alto, fortem espadaúdo. Virou Paulão. Entrou para faculdade, formou-se em Economia. Os pais tinham sonhos de vê-lo na Presidência do Banco Central. Casou com uma jornalista. Paulão respirou aliviado por sair de baixo das asas da mãe, que até às vésperas do seu casamento queria colocá-lo num curso de preparação matrimonial. Na lua-de-mel, avisou à mulher que iria passar os dias em casa dedicando-se à sua tese de mestrado. A mulher ia e vinha do emprego e Paulão trancado no seu gabinete de estudos. Uma tarde, o marido esqueceu de passar a chave na porta. A mulher chegou, abriu e deu de cara com Paulão sentado no tapete brincando com um trenzinho.

O Homem e o pano enrolado à sua cintura

Em um lugar do oriente, onde o clima é ameno e não são necessárias muitas roupas, havia um homem que resolveu desistir de todas as questões materiais e retirou-se para a floresta, onde construiu uma casa para morar.

Sua única roupa era um pano que enrolava à cintura. Mas, para seu azar, a floresta era infestada de ratos e então ele buscou um gato para morar com ele. O gato precisava de alimento, de leite para poder viver, então trouxe uma vaca.

Como a vaca requiria cuidados, ele teve que empregar um vaqueiro. Esse rapaz precisava ter onde morar, e por isso foi construída uma casa para ele. Para tomar conta da casa, acabou por isso construindo uma casa para ele. Para tomar conta da casa, o vaqueiro chamou uma moça para limpar a casa em troca de alimento. Para que a moça tivesse companhia, pois era jovem, chamou mais pessoas que conhecia, e outras casas aos poucos foram sendo construidas. Desse modo brotou ali uma pequena audeia.

E o homem pensou: Quanto mais tentamos fugir do mundo e suas exigências, mais elas se multiplicam.

 

 Lenda hindu, P.V.Ramaswani Raju

Caliban – I Am Nemesis

Caliban é uma banda de metalcore formada em 1997 e logo que se formaram já começaram a produzir material para seus, os quais até hoje não foram lançados em nenhum dos seus álbuns. No início a banda se chamava Never Again e depois de seis meses, assumiu o nome atual. A banda gravou dois split albuns com a banda Heaven Shall Burn. Caliban hoje é uma das bandas mais influentes na Europa no cenário do metalcore.

Ano:  2012

País:  Alemanha

Membros:

Andreas Dörner – Vocalista
Denis Schmidt – Guitarra, Vocais Limpos
Marc Görtz – Guitarra
Marco Schaller – Baixo, Backing Vocals
Patrick Grün – Bateria

Comentário:

“I Am Nemesis” é o oitavo disco da banda e vem seguindo a linha dos dois últimos. Até escrever esse post ouvi apenas esses três últimos mas foi possível entender a proposta da banda, com letras pesadas como na “24 Years” do “Say Hello To Tragedy” que abre o cd destruindo tudo. A capa de um rosto funéreo semelhante a um corpse paint, até mais macabro por parecer uma foto de um morto em preto e branco dá uma falsa expectativa nas letras. Na “Memorial”, um dos meus sons preferidos deles, com a ajuda do clipe e da letra podemos acabar com a ambiguidade de interpretação. Mas ainda há letras bem críticas e ferozes. O vocal limpo nos refrões são o ponto mais forte do álbum. Um refrão espectacular é da última faixa “Modern Warfare” que mistura o scream com o vocal limpo, uma combinação impecável.

 

01 – We Are the Many
02 – The Bogeyman
03 – Memorial
04 – No Tomorrow
05 – Edge of Black
06 – Davy Jones
07 – Deadly Dream
08 – Open Letter
09 – Dein R3.ich
10 – Broadcast to Damnation
11 – This Oath
12 – Modern Warfare

 

Tamanho:  77 MB

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Ambas as partes

O Ensino, independentemente de ser transmitido em escola pública ou privada, contém muitos erros. Segundo Nietzsche o maior deles é o fato de ser obrigatório para todos. Não por acreditar que a educação deveria ser procurada por aqueles que tivessem interesse, como o filósofo alemão sugere, mas por causa do sistema. Mesmo assim, o interesse no estudo tem que primeiro ser despertado. Para isso é necessário conhecer as áreas basicamente para só assim escolher. Mesmo que muitas crianças e adolescentes não se conformem em aprender certas coisas, como ciclo reprodutivo das árvores em biologia, certamente se não aprendessem, perguntariam “Como assim uma árvore se reproduz com outra?”

Diante do mundo atual, onde a formação intelectual é tã valorizada, mesmo que o método de ensino no Brasil contenha erros, as Instituições Educacionais são um importante meio de formação dos cidadãos. Aprendem a conviver em sociedade, trabalhar em equipe, mesmo que não saiam do 3° ano do Ensino Médio semianalfabetos ou sem saber resolver uma equação do primeiro grau.

Cada pessoa tem um ritmo próprio de aprendizagem e às vezes facilidade em apender algumas coisas que não estão no ensino fundamental ou médio. Quando pais se deparam com o sofrimento do filho, também sofrem e podem propor ensino domiciliar. Existem outros fatores que levam os pais a tomar tal atitude, como religiosos, segurança, má qualidade, ou até mesmo querer impedir o convívio social do filho com crianças diferentes, que poderão influencia-lo a atitudes que os pais abominam.

Diante de tantos medos, os pais necessitam perceber o dano que causará aos filhos ao retirá-lo da escola, pois impedirão que sua liberdade seja exercida, e sua autonomia, ativada. É transformar os filhos em alienados por só transmitirem uma única visão de mundo: a que eles tem. É impedir que  social interfira no desenvolvimento do ser humano lhe dando visões e contato com o diferente, para que escolha que caminho seguir.

O ideal não é que os pais responsabilizem a escola da educação de seus filhos, nem vice-versa, e sim que haja um trabalho de ambas as partes, auxiliando o indivíduo em seu processo de autonomia.

 

Foram anunciados dia 16/08/2012  os 11 trabalhos vencedores do 24° concurso anual de fotografias entre os viajantes da National Geographic Traveler 2012, as conhecidas “Fotos de Viagem”. O concurso teve participação de 6.615 fotógrafos de 152 países, que apresentaram 12.000 fotos, com as seguintes categorias: Momentos espontâneos, Retratos de Viagem, Cenários Exteriores, Sentido do Lugar.

 

1 – Olhando dentro de um outro Mundo, por Fred Aisne. Vencedor por mérito. “Esta é a grande árvore de Carvalho Japonês, no Portland Japenese Gardens. Tentei trazer uma perspectiva diferente desta árvore, freqüentemente fotografada.”

 

 

2 – Borboleta, fotógrafo Cedric Huin, ganhou o primeiro lugar com essa fotografia. “Esta imagem foi feita nas terras do Quirguistão do Corredor Wakhan. A intimidade deste momento com a vida cotidiana, fotografada dentro de uma tenda familiar, está em contraste total com o ambiente hostil que essas tribos nômades vivem. Essas tribos vivem isoladas, as vilas mais próximas estão a semanas de caminhada. Apesar de estar localizada a uma altitude de 4.300 metros em uma das áreas mais remotas do Afeganistão, estão equipados com painéis solares, antenas parabólicas e celulares. Formas ancestrais de vida, com toques de modernidade.”

Alexandra Avakian: “A luz e textura capturada neste retrato são pintura, e a predominância da cor vermelha é rica. O conteúdo da foto é surpreendente porque o fotógrafo capturou tanto a forma como nômades de vida tradicional e alguns de seus modernos apetrechos, o espectador fica com a satisfação visual de algo que vai contra o clichê. Formas triangulares tendem a adicionar dinamismo para fotos. Nesta foto aparecem em vários lugares, incluindo o joelho do assunto principal, o cotovelo, e um lenço branco.

Eu dormia na tenda convidado do nômades quirguistãos nas montanhas remotas enquanto em missão para a revista Elle; o local é de difícil acesso e fora do caminho batido para a maioria dos viajantes, e, portanto, de valor educativo, bem como estética.”

 

 

3 – Surf submarino. Trabalho da fotógrafa Lucia Griggi, a qual possui um grande acervo de fotos do mar e de surfistas. Vencedora por mérito. “Foto tirada em Cloud Break em um recife exterior de Fiji, o surfista mrgulha com sua prancha para furar as ondas do mar agitado”.

 

 

4 – Meu Balão. Obra do fotógrafo Vo Anh Kiet. Vencedor do segundo lugar. “As crianças Hmong brincam com balões em um dia de neblina na província de Mos Chau Ha Giang, Vietnã. A foto foi tirada em janeiro de 2012”.

A fotógrafa Alexandra Avakian, uma das juradas, compartilhou seus pensamentos sobre o vencedor do Segundo lugar. ”A fotografia é como um sonho, e é atemporal não só porque é preto e branco e não há modernidade, mas também porque isso esquematiza uma atividade que as crianças de todo lugar do planeta fazem com balões. A névoa e o fundo ameno fazem isso parecer como uma memória. É tão bom quanto as fotografias no álbum seminal de fotos preto e branco, “The Family of Man”. Às vezes as melhores cenas para se filmar não estão em lugares óbvios pra viajantes mas para serem encontradas em qualquer lugar distante – tanto quanto Hmong Village”.

 

 

5 – A Vila de Gásadalur. Obra do fotógrafo Ken Bower. Vencedor por mérito. “A vila de Gásadalur e a ilha de Mykines no fundo. Até que um túnel fosse construído em 2004, os 16 moradores que viviam em Gásadalur tinham uma caminhada árdua ou a cavalo sobre a montanha íngreme de 400 metros para chegar a qualquer outra aldeia.”
“A aldeia e a ilha Gasadalur Michines em segundo plano. Foi um raro dia de sol nas Ilhas Faroe, e eu tive que esperar as nuvens de luz para criar uma aparência suave. Eu usei uma velocidade lenta do obturador para 1 minuto e 10 segundos para mostrar o mar calmo das ilhas isoladas “.

 

 

 

6 – Felicidade de Bagan. Autoria do fotógrafo Peter DeMarco. Vencedor por mérito. “Mais de 2.000 templos budistas preenchem as planícies de Bagan. A melhor maneira de ver Bagan, além de um passeio em um balão de ar quente, é de bicicleta. É fácil sair do caminho batido e viver a sua mais selvagem fantasia no estilo Indiana Jones.”

 

 

 

7 – Velhos com Djellaba, Foto de SauKhiang Chau. Vencedor por mérito. “A Última Ceia de Da Vinci? Não, são apenas alguns velhos de Chefchaouen com djellaba, sentados e conversando.”

 

 

8 – Nadando na chuva, foto de Camila Massu. Vencedora por mérito. “Minha irmã no sul do Chile. Estávamos sentadas em casa, junto à lareira, quando de repente começou a chover torrencialmente. Corremos para dentro do lago para aproveitar o momento!”

 

 

 

9 – Perdida no tempo – Uma floresta anciã, foto de Ken Thorne. Vencedor por mérito. “Perto da cidade de Morondava, na costa ocidental de Madagáscar, encontra-se uma antiga floresta de árvores de baobá. Não há nada como caminhar entre esses gigantes. Algumas das árvores aqui possuem mais de mil anos de idade. É um lugar espiritual, quase mágico.”

 

 

 

10 – Devotos, por Andrea Guarneri.Vencedor do terceiro lugar. “Durante a celebração de Páscoa, em Trapani. Os devotos carregam as cenas da paixão de Cristo em seus ombros toda a noite.”

A fotógrafa Alexandra Avakian, uma das juradas, compartilhou seus pensamentos sobre o vencedor do terceiro lugar:  ”

A luz sobre o ícone de Jesus é tão crítico para o sucesso da imagem como as variadas expressões nos rostos dos homens depois de uma noite cansativa carregando estátuas representando a Paixão de Cristo. Reconhecendo quando e como equilibrar os diferentes tipos de luz na mesma foto é algo que pode fazer a diferença entre uma imagem enlameada e desinteressante e que é bom, estética, e cheio de conteúdo. Esta foto foi tirada no porto na cidade de pesca de atum de Trapani, Sicília, uma terra conhecida por suas procissões religiosas. O fotógrafo estava trabalhando de madrugada para levar esse tiro, muitas vezes uma necessidade em qualquer cobertura de um lugar e / ou evento.”

 

 

 

11 – Vencedor pelo voto do público, por Michelle Schantz. “A casa é iluminada pelas Luzes do Norte em Finmmark, na Noruega.”

Delicatessen

Título Original:  Delicatessen

País:  França

Ano:  1991

Duração:  99 minutos

Gêneros:  Comédia, Fantasia, Romance

Direção:  Jean-Pierre Jeunet, Marc Caro

Roteiro:  Gilles Adrien, Jean-Pierre Jeunet, Marc Caro

Elenco:

Dominique Pinon
Marie-Laure Dougnac
Jean-Claude Dreyfus

Formato:  RMVB

Tamanho:  320 MB

Legendado: Português

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Comentário:

Cheio de hibridismos de gênero, Jeunet consegue estabelecer enlaces de uma produção romântica com mistérios, passando através de uma cena dramática, para uma cômica sutilmente, o que dá ao humor negro criado pelo Diretor uma empatia pelos telespectadores.

Muitos até mesmo nem chegam a perceber o humor negro, pela naturalidade como narra os fatos e as progressões narrativas parecerem rotineiras. Completamente diferente de A arte do pensamento negativo, Delicatessen não ridiculariza os acontecimentos mórbidos que ocorrem com os personagens, parece-me propor várias reflexões sobre a vida, tornando mais digerível e até uma experiência agradável (como fora para mim).

A premissa da ideia geral da história, segundo minha interpretação, foi baseada nos moradores serem mutáveis. São desgraçados “por natureza” devido à situação que vivem; ao prédio que vivem; e à sociedade que vivem. É praticamente um “Naturalismo Cinematográfico”, porque os morados viviam e pagavam impostos ao Dono do prédio que continha uma Delicatessen em seu primeiro andar. Em troca, as pessoas pediam três refeições. Mas como acontecera uma crise na época (parece remeter uma das grandes guerras, apesar da sinopse contextualizar em um futuro apocalíptico), os personagens que eram “boas” transformaram-se devido ao momento em que viviam. Como não tinham dinheiro para pagar a carne, o açougueiro aceitava alimentos e outras ofertas (sexuais, por exemplo). Por não ter dinheiro para comprar carne, passou a matar diversas pessoas, e vendê-las como se fossem carne de animal. Os moradores de seu prédio conheciam este fato e acolheram sem intervenções. Inclusive ajudando muitas vezes o açougueiro em seu pesado trabalho, como o genro, que aceita que a sogra seja a próxima vítima, e ainda auxilia cuidando de uma armadilha, para a velha cair e parecer ter morrido pela queda.

Por causa desses acontecimentos temos o psicofisiologismo, que é a imagem desses personagens como demonstração de suas ações. Ou seja, não sabemos quais são os pensamentos do açougueiro ou da Madame que dorme com ele por comida. Entretanto, como suas aparências são nos mostradas como depreciativas, vemos que a psique destas mesmas também é. Isso porque a imagem revelou o interior das personagens. Notemos quando tem uma fila, no início do filme, com umas 5 pessoas na fila, esperando para ser atendido, uma delas é a Madame. Ele a atende primeiro, deixando claro o seu interesse por ela. E depois, quando esta sai, observa seu andar e seu corpo como se fosse um animal, um porco!

Sem necessidade de falas ou subentendidos, Jeunet expõe o que os personagens são com sequências curtas e muito fáceis de entender, é a vida real. Assim também fazia o Mestre Hitchcock, que só utilizava do diálogo somente quando não havia recurso para reproduzir o que se pretendia, logo não havia narradores-personagens para demonstrar todas as suas ideias como em Clube da Luta. A intenção era reproduzir uma obra puramente através da imagem.

O mistério e medo surgem quando um palhaço, Louison, que está desempregado. As personagens, por causa de sua transformação, devido à crise, são mal-humoradas e antipáticas com o novo morador que desconhece da artimanha canibal, exceto duas crianças e Julie, a filha do Açougueiro, o tratam bem. Logo o açougueiro vê que este trabalha direito para pagar a pensão, então o deixa em paz… Por algum tempo. É quando percebe o seu envolvimento com a sua filha que se choca, e ela implora para mantê-lo vivo por mais algum tempo. Quebrando com o clima de inocência que tínhamos da moça, além de entendermos que ela “assisti tudo e não faz nada”, o pai diz que não é a primeira vez que ela pede para ele deixar de matar algum rapaz.

Mesmo que Julie se irrite e compartilhe com Louison seus temores, este parece muitas vezes no meio da obra dizendo: “No fundo são pessoas boas”. Ele prefere ignorar o caráter daquelas pessoas (individualista) ou ainda, crer que os motivos delas para fazerem isso são muito fortes (romântico). Acho que são estas as maiores partes do humor negro, em meio a tantas atrocidades, o protagonista dizer simplesmente que está tudo bem. Acredito que, devido a esta visão fantasiosa, que a fotografia do filme apareça tão saturada e viva, por Louison querer distorcer as certas coisas devido aos contrastes e ao fantástico, igual ao circo. Isso é nítido nas horas que começa a compor música com serra, com o pincel, com os sons humanos dos vizinhos. É uma fotografia magnífica, que inclusive me remete à lomografia e ao em O Fabuloso Destino de Amélie Poulain.

É muito agradável perceber estas ideias nos filmes de Jeunet. Encontramos muitos símbolos minuciosos, que nem consegui escrever sobre ele de tão fascinada que fiquei, além do que, não tive tempo. Parece que Amélie é um filme romântico, e o Delicatessen um naturalista, qual será o estilo do próximo filme que verei de Jeunet?

NOTA IMDB

Toki wo Kakeru Shoujo

Título Original: Toki wo Kakeru Shoujo

País:  Japão

Ano:  2006

Duração:  98 minutos

Gêneros:  Ficção Científica, Animação, Romance, Comédia, Drama

Direção: Mamoru Hosoda

Roteiro:  Satoko Okudera, Yasutaka Tsutsui

Formato:  AVI

Tamanho:  700 MB

Legendado: Português

Sinopse:

A animação baseada em mangá de sucesso voltado para o público juvenil aborda o cotidiano de uma colegial que sofre um acidente numa linha de trem e percebe que tem um dom sobrenatural de transitar pelo tempo.

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Comentário:

Pessoas, prédios, carros, casas, bicicletas, raios de sol e sombras, animais, família, livros, roupas, nomes, números, músicas, bolas, som de cigarras… Caos. A vida e todos os minuciosos detalhes que tem. Retratados como se fossem um dos animes de Miyazaki, mas esta história só tem esta influência com o grande desenhista japonês.

Chego a me perguntar muitas e muitas vezes se o que vivo é real ou um sonho. Quando me deparo com obras belas, singulares e ficcionais, acredito que tudo é possível, porque é essa a ideia da história bem contada. E do talento e esforço para se contar uma boa história. O coração das pessoas se enche de esperanças ao deparar com tais histórias surpreendentemente irreais que parecem ter ocorrido. A emoção que Makoto exprime no anime é muito grande, e comparável à de uma pessoa na vida real. Mesmo a sua aparência, criado por Yoshiyuki Sadamoto, sendo bem simplista e as emoções bem marcadas. Mas todos estes detalhes não são apenas para preencher a animação como uma forma de mostrar o talento do Estúdio e do desenhista, pois só tem a favorecer a história, mostrando o contexto atual.

Poderia parecer clichê o fato de suas ações aparentemente inocentes cobrarem um preço alto em outras pessoas, mas o fato de Makoto não “ir para o lado negro da força”, dá a nós uma afinidade com a protagonista, querendo que ela não se dê mal, pois vemos sua inocência. Em vez de fazer coisas para si mesma, resolve ajudar o amigo enxergar a menina que gosta dele, repete inúmeras vezes cenas que foram, para ela, especiais e únicas.

Talvez se tivéssemos esse poder, também preferiríamos querer reviver certas ocasiões de nossa vida do que hoje, porque agora estamos pensando no que faríamos. Porém ninguém sabe o que pode acontecer quando se tem um poder na palma da mão, será que refletiríamos? Mas saber de antemão o que irá acontecer no futuro acaba com as surpresas da vida e a naturalidade dos relacionamentos.

O ambiente do filme nos remete a “Whisper of the heart”, do estúdio Ghibli. Mas o Estúdio Madhouse tem muita qualidade em seus animes seriados, dentre eles estão HunterXHunter, Death Note e Devil May Cry.

mas nada é feito com ostentação, tudo funciona a favor da história e da ambientação. Certas cenas do “mundo parado”, em especial, são pura poesia, chegando a arrepiar de tão belas.

Makoto é independente, ativa e destemida. Trata seus amigos, Kousuke e Chiaki, de igual para igual, jogando beisebol com eles como se fosse um garoto, além de ser estabanada, e ao mesmo tempo é sensual e fofa. Não usa nada mais que camisa polo branca, tem cabelos curtos e simples, não usa nenhuma maquiagem. O fato de a personagem ser tanta coisa assim, só mostra a complexidade das suas personagens, o Estudio Madhouse não deixa pra trás a maturidade nas produções, retratando como é de fato na vida real.

NOTA IMDB

Liberdade, Igualdade e Fraternidade

A complexidade e instabilidade humana me levam a crer que não sou alguém, e que não daria a mesma resposta se a mesma pergunta me fosse lançada (Quem é você?)

Hoje poderia responder uma coisa e semana que vem outra totalmente diferente porque para o ser humano e as ocasiões da vida fazem, com que ou eu reafirme meus valores ou que eu mude-os. E também não somos nada, porque nós respondemos a esta pergunta comparando-nos a outras pessoas, usando classificações, como ‘romântico’. Logo, sem os outros não saberíamos quem somos.

Mas o que somos mesmo é só isso? Comparações e adjetivos?

Ao elogiar alguém de inteligente, será que minha impressão foi transmitida? Será que a definição de inteligente escrita no dicionário, é a mesma que eu quero dar àquela pessoa?

Se eu conviver com essa pessoa será que não existirão momentos em que irei questionar sua inteligência? Isso provavelmente ocorre, porque ninguém é 100% algo, assim como ninguém tem certeza 100% dos sentimentos ou das decisões. Assim como a vida não é linda nem é feia, as pessoas não são uma coisa OU outra, e sim várias simultaneamente. Existem contextos e o olhar humano que ao incidir naquele instante tem uma impressão da situação.

Será que eu poderia dizer que houve um retrocesso até hoje? Onde o homem tinha três características que deveriam ser mantidas pelas leis: Igualdade, Liberdade e Fraternidade; que são puramente interligadas quando se vive na sociedade, mas que não funcionam para todo mundo.

Até aquele ditado que diz: “A minha liberdade termina aonde a do outro começa” é falho. Porque mesmo em sociedade podemos ser livres, mas existem consequências. Se a liberdade de todas as pessoas evoluísse juntas, como um casal de namorado, onde o homem faz algo e a mulher tem direito a fazer o mesmo.

Mesmo que alguns humanos odeiem a fraternidade, são forçados a tê-la. Primeiro porque o que o outro faz me atinge, e vice versa. Mesmo que não nos importamos com alguém, somos hipócritas em importar-se, para que não nos atinja, porque somos egoístas.

Como havia dito, acredito que haja esse retrocesso porque somos vistos como coisas por nós mesmos. Podemos ser comprados, explorados. Somos palavras isoladas para um dono de mercado. Somos um consumidor para a coca-cola. Somos um empregado para o chefe. Um número para o governo e suas estatísticas.

Isso por conta da individualidade. Nós somos esta concepção, quando vamos almoçar e o pedido vem errado, vemos o garçom como mal profissional, apesar de aquela vez poder ser a primeira dele, e ele ter perdido o pai no dia passado. Dizemos que nunca mais voltaremos àquele restaurante, porque pensamos que por pagar, eles não podem errar. Assim isso se reflete em nós mesmos, por isso tudo é tão pressionado para nós também, por pressionarmos os outros.

Imagem do filme Na natureza selvagem.

 

 

Eluveitie – Helvetios

Eluveitie é uma banda de folk metal com elementos de melodic death metal formada em 2002 por Chrigel Glanzmann. Logo em 2003 lançaram seu EP “Vên”, mas só em 2006 gravaram seu primeiro álbum de estúdio “Spirit” que definiu melhor o estilo da banda, totalmente próprio. A mistura dos elementos é muito rica, com vocais rasgados, guturais, femininos, violinos, hurdy-gurdy, gaita de fole, flauta sem contar os principais instrumentos do estilo como baixo, guitarra, bateria. A banda investe bastante na cultura céltica e gaulesa e algumas músicas são cantadas em gaulês. As letras são baseadas em textos escritos em gaulês sobre evocação de espíritos e de deuses. O nome “Eluveitie” vem da tradução etrusca de “Helvetios” da língua céltica que se refere ao habitante da cidade de Mantua (300 a.C.).

Ano:  2012

País:  Suíça

Membros:

Sime Koch – Guitarra, Mandola
Pade Kistler – Diversas Gaitas de Fole
Anna Murphy – Hurdy Gurdy, Vocal
Chrigel Glanzmann – Vocal, Tubos Uilleann, Harpa de bardo, Mandola, Bodhrán
Kay Brem – Baixo, Voz de Caesar em “Havoc”
Meri Tadic – Violino
Ivo Henzi – Guitarra
Merlin Sutter – Bateria

Comentário:

“Helvetios” é o quinto álbum da banda. É o segundo conceitual e foca nas guerras gaulesas da perspectiva do ancião Helvetii. Assim como nos lançamentos anteriores, a banda procura sempre espalhar bem os sons mais vibrantes, intercalando com “discursos” como na “Scorched Earth”. Creio que a intenção dos músicos não é apenas mostrar sua música e mas também sua cultura que parecem se orgulharem tanto. A música folk é exatamente isso, mostrar sua própria cultura, cantando dos mais diversos e estranhos idiomas. Ainda que Eluveitie canta esmagadoramente mais em inglês.
Um fato que houve com a banda é que perdeu um pouco da velocidade na bateria comparado ao “Vên” e o “Spirit” (primeiros lançamentos) e foi positivo isso. Destaca mais os outros instrumentos (não que não tinham seus destaques antes). A gaita de fole, o hurdy-gurdy e o violino tem um destaque impecável, a forma como entram e saem é totalmente harmonioso. Destaque para a bela atuação no vocal feminino de Anna Murphy nas faixas “A Rose for Epona” e “Alesia” e destaques gerais para “Helvetios”, “Neverland” e “Uxellodunon”.
Enfim, a banda evolui a cada álbum, sempre inovando em algum aspecto. Um dos grandes discos até então de 2012.

01. Prologue
02. Helvetios
03. Luxtos
04. Home
05. Santonian Shores
06. Scorched Earth
07. Meet The Enemy
08. Neverland
09. A Rose For Epona
10. Havoc
11. The Uprising
12. Hope
13. The Siege
14. Alesia
15. Tullianum
16. Uxellodunon
17. Epilogue

Tamanho:  108 MB

Porco Rosso

Título Original: Kurenai no buta

País:  Japão

Ano:  1992

Duração:  94  minutos

Gêneros: Aventura, Animação, Romance, Fantasia

Direção: Hayao Miyazaki

Roteiro:  Hayao Miyazaki

Formato:  RMVB

Tamanho:  229 MB

Legendado: Português

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Parte 1 / Parte 2 / Parte 3

Comentário:

Acredito que o nome Porco Rosso possa fazer referência ao o Barão Manfred von Richthofen, morto em combate em 1918, aos 26 anos, conhecido como Barão Vermelho.  Foi o mais famoso e o mais célebre da aviação de todos os tempos. Apesar de ter abatido uma quantidade impressionante de aviadores franceses, ingleses e canadenses, foi profundamente admirado e respeitado por seus adversários. Isto porque, assim como von Richthofen, Marco, conhecido como Porco Rosso, é um piloto exemplar, que fora militar, mas que agora dedicava-se a pequenos trabalhos, além de ter diversos inimigos que o respeitam e admiram seu talento, apesar de não gostarem dele.

Tenho cada vez mais convicção da influência de Miyazaki e do Studio Ghibli nos animes atuais é muito grande. Um tema que é muito frequente em animes e que os otakus adoram é Piratas do Céu, como Last Exile, Erementar Gerad, inclusive mais um do próprio Miyazaki: Laputa – Um Castelo no Céu.

Os vilões de Miyazaki são sempre verossímeis e se assemelham as pessoas que, na vida real, acreditamos ser “más”, mas com a convivência percebemos os motivos que as levaram a ser assim. Mamma Aiuto é o líder da gangue dos céus, apesar de no início da trama nos deparar com eles como sendo maus, ao desenvolvimento vemos como são humanizados, se apaixonam por Fio e a tratam bem. O que é o diferencial da maioria dos filmes, até em filmes adultos encontramos vilões que são muito maus o tempo todo com todas as pessoas.

Porco vive em uma ilha isolada, e depois de salvar umas garotinhas é obrigado a fazer uns concertos em seu avião. Passa então, pelo Hotel Adriano, onde notamos certa intimidade com Gina, a dona. Uma mulher que é apreciada por todos pela beleza, simpatia e voz.

Ao partir para Milão para os concertos, descobre que todos os antigos mecânicos não estavam mais lá, Piccolo, o dono da loja diz que eles “se foram”, criando, sutilmente, a ideia de que eles estão mortos, visto que a história se passa no período entre Guerras. Depara-se com uma mocinha bonitinha que irá arrumar seu avião, inicialmente cético em relação a sua habilidade como mecânica, mas depois de ver sua dedicação no projeto, Porco a aceita como uma engenheira competente e genial. Sem homens para ajudar no projeto, Piccolo chama uma equipe só de mulheres para reparar o avião, todas mulheres e filhas dos seus filhos mecânicos que “se foram”. Esforçadas e competentes terminam o projeto criado por Fio. Mais uma vez nos deparamos com as heroínas de Miyazaki.

Decidida a partir com Porco para verificar seu trabalho e receber o dinheiro, Fio vê a oportunidade de aventuras. Inicialmente relutante com a ideia de levá-la, acaba a aceitando por sua insistência.

Quando chegam à Ilha de Porco, vários Piratas do céu estão aguardando para atacá-los e destruir o precioso avião vermelho, mas Fio agilmente fala com eles sobre moral e valores dos Piratas do Céu, de como são mais e que suas mães ficariam envergonhadas se assim fizessem. Num monólogo muito bonito e inteligente, Fio diz: “Cresci ouvindo histórias sobre pilotos de hidro-avião”. Que eram os melhores e mais honrados, porque o mar e o céu lavavam suas almas. Assim eram mais valentes que os marinheiros e mais orgulhosos que os pilotos normais.” Assim, Porco percebe sua bondade por oferecer-se como prêmio da luta entre Curtis e Porco.

Apesar de Gina sempre dizer para Marco procurar algum modo de quebrar o feitiço, e seu amigo Ferrarin insistir para que volte para a aeronáutica, onde ficara seguro, Marco insiste e diz: “Prefiro ser um porco do que um fascista”.

Fio herda a loja de seu avô. Tudo acaba bem no fim do filme. Uma curiosidade é que Piccolo, a companhia de avião retratado no filme, pode ser uma referência para o italiano aeronaves fabricantes Caproni e Piaggio, porque o jato mostrado na última cena é muito semelhante do Caproni C-22J, um avião desenhado por Carlo Ferrarin. E Ferrarin é o nome utilizado no filme para o amigo Marco de piloto da Força Aérea.

Nota IMDB

Ajude Jason Becker

Jason Becker, nascido em Richmond (Califórnia, Eua) em 22 de julho de 1969, ficou conhecido aos 16 anos por sua técnica impressionante, fazendo covers de Malmsteen com muita personalidade em uma performance na Kennedy High School. Por falar em sua personalidade (musical), acredito que sendo construída com a influência de seus pais Pat e Gary Becker, os quais são músicos. Além de seu pai tocar guitarra, seu tio também tocava e Jason ganhou sua primeira com apenas 3 anos.

 


Jason Becker tocando Black Star de Yngwie Malmsteen

 

O seu estilo principal é o neo-clássico com heavy metal mostrado com a produção de Mark Varney ao lado de seu grande amigo Marty Friedman, a banda Cacophony, a qual lançou Becker como revelação e talento promissor. Gravou em 1987 o álbum “Speed Metal Symphony” com o Cacophony e em 1988″Go Off!” com a mesma banda. No mesmo ano, lançou se primeiro álbum solo “Perpetual Burn” que o consagrou e é considerado um dos melhores álbuns do gênero. Em 1991, gravou o álbum com um dos seus grandes ídolos, David Lee Roth, entitulado “A Little Ain’t Enough”, substituindo ninguém menos que Steve Vai. Jason sentia algumas pontadas na perna e em pouco tempo não conseguia mais tocar em pé e não pôde sair em turnê. Como alguns gênios da música, Becker teve uma carreira ativa curta, de 1987 a 1991. Sua doença chama-se Esclerose Lateral Amiotrófica, ALS, ou então  Doença de Lou Gehrig, uma doença degenerativa a qual paralisa gradativamente os músculos do corpo e ainda não tem cura e foram dados a ele dde 3 a 5 anos de vida. Poucos tempo depois, Jason só conseguia mover os olhos e esboçar uns sorrisos. Mesmo com o diagnóstico dos médicos, sua luta pela música não terminou, um computador específico permite o lendário guitarrista a compor apenas com os olhos. Em 1996, lançou seu segundo álbum “Perspective” composto inteiramente por ele, com exceção da faixa “Meet in the Morning” do Bob Dylan, as músicas foram tocadas por  Steve Perry, Michael Lee Firkins, Matt and Gregg Bissonette, Steve Hunter. O produtor Mike Bemesderfer ajudou-o na identificação das notas para escrever as músicas.

Ainda na carreira de Jason encontra-se o álbum “Raspberry Jams”, gravado em 1999, que conta com algumas faixas demo dele próprio que não foram gravadas em álbuns, algumas são trechos curtos, apenas ideias de novas canções. Em 2003, foi lançado o “Blackberry Jams” que foram trabalhos de Jason tocados por outros guitarristas como Steve Vai, Paul Gilbert, Marty Friedman, Joe Becker, Rusty Cooley e Mattias Eklundh e inclusive seu pai. Depois de muito tempo sem gravar (o que é muito coerente), em 2008 lança seu novo trabalho “Collection” que é uma coletânea que também contém sons novos tocados por Marty Friedman, Greg Howe, Joe Satriani, Michael Lee Firkins, Steve Vai, and Steve Hunter.

Em 2012 lançou um filme documentário da sua vida: “Jason Becker: Not Dead Yet“. Jason ainda recebeu dois tributos Warmth in Wilderness: Tribute to Jason Becker em 2001 e Warmth in Wilderness 2: Tribute to Jason Becker em 2002. Constantemente é homenagiado, guitarristas vão em sua casa e o emocionam com regravações de seus sons, como fez recentemente o guitarrista italiano Daniele Gottardo. Há também seu dvd “The Legendary Guitar of Jason Becker” que mostra muitos de seus trabalhos com entrevistas.

 


Trailer do documentário “Jason Becker: Not Dead Yet

 

Jason Becker é uma inspiração não só para mim que toco guitarra, mas uma inspiração de ser humano, sua determinação o que o mantém vivo até hoje, assim como ele diz. É um exemplo de coragem e luta.

“We live thinking we will never die.
We die thinking we had never lived.
Cut it out.” – Jason Becker

A história comovente do guitarrista serve de inspiração para muitos e venho, por meio desse post divulgar uma ideia que os grandes guitarristas brasileiros tiveram para arrecadar dinheiro para o tratamento da sua doença, lançaram um disco chamado “Heart of a Hero” com 19 faixas e todos os fins lucrativos irão para Jason.

Há o vídeo de divulgação, para ajudá-lo basta comprar ou baixar o cd

 

 

Para baixar o álbm é muito fácil, basta clicar AQUI e ir na parte de download do cd Heart of a Hero. Além de ajudá-lo, irá ouvir um grande álbum e conhecer vários guitarristas brasileiros que são muito talentosos com a maioria de sons instrumentais.

Anticristo

Título Original: Antichrist

País:  Dinamarca

Ano:  2009

Duração:  109  minutos

Gêneros: Thriller, Drama

Direção: Lars Von Trier

Roteiro:  Lars Von Trier

Elenco:

Charlotte Gainsbourg
Willem Dafoe

Formato:  AVI

Tamanho:  790 MB

Legendado: Português

Sinopse:

Um casal devastado pela morte de seu único filho se muda para uma cabana isolada na floresta Éden, onde coisas estranhas e obscuras começam a acontecer. A mulher é uma intelectual escritora que não consegue se livrar do sentimento de culpa pela morte do filho, e ele, um psicanalista, tenta exercer seu meio de trabalho para ajudar a esposa. Anticristo é divido em partes: Prólogo e Epilogo e ainda capítulos que se passam na floresta de Éden: Dor, Luto, Desespero e Os três Mendigos.

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Comentário:

Principalmente agora entendo porque Lars divide seus filmes em um prólogo e capítulos. Resolvi fazer uma experiência, que me mostrou o quão interessante é o que nós, expectadores, vemos em cada uma das partes do filme. E então, assim conforme assistia ao filme, eu relatava um pouco, e a minha visão dos personagens e da situação mudou completamente. Antes, depois de assistir aos filmes do Lars até o fim é que escrevia. Nesse momento minha mente já tinha refletido sobre as situações, tornando mais fácil comentar do filme.

Epílogo

Em preto e branco vemos uma fotografia admirável. Uma das cenas de cinema que se tornou polêmica: um casal tomando banho, a água escorre pelo rosto de um homem que aparenta ter um pouco mais de 40 anos. A mulher, parecendo mais jovem, porém um rosto de uma beleza incompreensível pelos traços diferentes do comum. Ambos beijam-se e segundos depois a cena da penetração do sexo que se inicia. Em câmera lenta, os movimentos parecem suaves e a trilha sonora  eles mudam de lugar, e por fim chegam a cama, a babá eletrônica está com o som desligado. Apesar do filho ir até a porta do quarto e assistir a cena durante um segundo, os pais nada ouvem os barulhos que ele faz, como jogar os bonecos de cima da mesa no chão. Temos a impressão de que ambos estão realmente envolvidos em seu ato intenso e nada escutam ou veem. O bebê, parece que voluntariamente, joga-se da janela. E quando a mulher chega ao auge do orgasmo é o momento que o bebê cai lentamente para o cão branco pela neve.

Capítulo 1: Sofrimento

Depois de um longo período no hospital, a mulher retorna para casa e começa um tratamento terapêutico com o marido. Nesse momento ela afirma coisas que o deixam surpreendidos, como dizer que ele sempre fora distante dela e do filho, que só se interessara por ela agora, que era sua paciente, agora que ela tornara-se um dos seus trabalhos. A evidência de que realmente ele era distante, é quando descobrimos que ela colocava os sapatos ao contrário em Nick, o bebê.

O casal é como que expulso do mundo e vai para a floresta Éden (que trás o caos), como se fossem Adão e Eva expulsos do paraíso por terem pecado, e o pecado foi cometido pela mulher igual à história bíblica. A mulher é o anticristo.

Capítulo 2: Dor — o caos reina

O homem tenta ser imparcial, não demonstra desespero nem sofrimento diante das situações. Estreita-se em anotar as ações da mulher para analisa-la. Depara-se com um topo constituído de medos que vai tentando adivinhar.

De repente, aos 55 minutos, sua esposa fica bem, e ele não consegue entender isso, e pior, não consegue ficar feliz por ela ter se “curado” do sofrimento. Por a esposa o agradecer, ele olha catatônico já que não acreditava ser a sua competência que teria a ajudado. Então sua esposa declara: “Você não consegue ficar feliz por mim, não é?”. Na realidade, acredito que ele se decepcionou e se surpreendeu  com o fato.

Capítulo 3: Desespero — Genocídio

Ao descobrir o tema da tese da esposa (as torturas e mortes sofridas por mulheres durante a Idade Média) o Homem começa um percurso que o levará ao encontro do medo que está no topo da pirâmide, o medo domina a Mulher: ela mesma.

Ao conversar com a esposa, depara-se com um sofisma criado por ela: Se a natureza é má, e a mulher é regida pela natureza, logo a mulher também é má. Por isso que ocorreu genocídio com mulheres, e que na realidade elas, por serem más, que provocaram a própria morte.

Revolta-se com tal lógica absurda e falha. Infelizmente ela não pensa o quão errado é seu pensamento, mas pensa que o homem, novamente, está sendo arrogante.

Quando a mulher conta o que as castanhas caindo são as lágrimas da árvore o marido diz ser comovente, mas sua arrogância não deixa que ele veja como a mulher ou que ele concorde com ela, então ele diz ser infantil o que ela disse mesmo se pensar o mesmo. Apesar de sua arrogância não deixa-lo mostrar, ele sofre e chora, mas suas lágrimas não saem pelos olhos, escorrem dentro de si mesmo. Acredito que a cena ele está ao lado da cabana e as castanhas caem, mostrem seu sofrimento retraído para dentro de si. As castanhas caem aos montes, como lágrimas, como suas próprias lágrimas. Assim, a sua mulher não pode vê-lo chorar nem sofrer. Ele acredita que dessa forma, ocultando o que sente poderá ajuda-la.

Muitos homens acreditam que, na hora que sua mulher está chorando, ele não deve chorar, pois isso prova que existe fraqueza nele, e por acreditar que é seu dever consolá-la e fazê-la bem. Mas isso não o fará bem, e ainda pode dar impressão de frieza, pois como ele não chora diante daquela situação triste, a mulher pode pensar que ele não sente o que ela sente, e assim não irá entendê-la, portanto desisti de tentar explica-lo.

Já quando, em um casal, seja gay ou não, o parceiro demonstra o que sente ao outro, ambos podem se ajudar. Parece difícil, mas certamente que funciona. Porque ambos falaram o que sentem da situação, e se entenderão, só assim poderão fazer bem a si mesmos. Mesmo que um acabe por não dizer nada que console aquele que está mal, se ele disser o que sente, o outro irá compreendê-lo e poderá se ajudar sozinho. As pessoas sempre se curam sozinhas quando não há outro meio, o que é necessário para isso é só o tempo e a paciência. Mesmo que as feridas façam marcas, a dor irá passar. A marca só irá permanecer para lembrar você da dor que passou naquela hora.

Quando um sofre, e o outro omite o sofrimento, este só irá aumentar e corroer o que sentem um pelo outro, e por fim o marido não irá conseguir ajudar a mulher, ou a mulher não irá ajudar o marido, ou ainda em um casal gay, os parceiros não se ajudarão.

No filme, apesar de ser um terapeuta, as coisas que ele tenta fazer para ajudar parecem não funcionar ou ter resultados mínimos. Talvez porque ele disse que não seria bom que tivessem relações sexuais nesse período, porém não conseguiu. Novamente a mulher se mostra o Anticristo, o seduzindo de forma selvagem.

Mulher revolta-se com a infelicidade do marido, principalmente por ele não aceitar que ela está melhor, visto que quis fazer um novo exercício terapêutico com ela. Sendo assim, ela mostra o mal que há dentro dela. O mal que ela crê existir. Torna-se uma ninfomaníaca, e o pior, que o marido submete-se a essa situação. Em meio a discussões ela o agarra e violentamente começa a transar com ele. O auge e o cúmulo da loucura surgem quando ela pensa que o marido irá abandoná-la por descobrir o que fizera com o filho, desespera-se, e isso aparece na cena em que, ela o bate, e então ele a agarra para conter sua fúria, mas ela já começa a se insinuar, abaixa as calças dele e sobe em cima dele. Em meio a beijos e tapas, é revelado o desespero. Realmente é grotesca a forma como eles transam, ainda mais por ela dizer, nesse instante, que ele vai deixa-la, que ele não a ama e ainda que não acredita nele. Assim, bate com um pedaço de tora em seu pênis e o marido fica inconsciente.

Com ele nesse estado ela o tortura, colocando uma lixa de pedra em forma de roda. É assustador pensar que eles são casados e tiveram um filho, quer dizer que eles se conheciam e diziam que se amavam. E de repente a mulher enlouquece e o tortura. É realmente perigoso se envolver com alguém. Uma hora a pessoa está bem, é dócil, mostra que ama você e te trata bem. Em outro, enlouquece e o tortura. É claro que a possibilidade de ficar com alguém que se transforme assim é muito pouca, mas diante de um psicopata, por exemplo, não percebemos o quão cruel é a mente que ele possui.

Quando vemos que ela trocava os sapatos dos pés do filho, como uma singela tortura, que o faz chorar. Compreendemos um pouco o porque ela sofrera daquela forma, por arrepender-se do pecado.

Capítulo 4: Os três Mendigos – dor, sofrimento e desespero.

Pedido de desculpas, e começa a desenterrá-lo e o ajuda. Para depois dizer: “Quando os três mendigos chegarem, alguém tem que morrer.” O veado representa a dor – por ter parido; a raposa, o sofrimento – por ter “comido” a si mesma; e o corvo, o desespero – por o marido, escondido na toca estar desesperado, e o corvo insistir em piar, fazendo com que a mulher o ache.

Ela pede para que ele a masturbe enquanto chora. E então algo surpreendente revelador acontece! A cena inicial retorna e mostra-nos que ela vira que o filho tinha saído da grade. E entendemos que ela representa o Anticristo, que seria a natureza humana.

Ela corta o próprio clitóris! Então eu pensei que ela se mutilou por ter mutilado o marido antes, ou como um castigo que se aplica por todos os pecados que cometera.

Ele encontra acha a chave-inglesa e retira o peso da perna. Enforca a Mulher, matando-a com as próprias mãos. Depois disso, ele faz uma fogueira e queima o corpo dela, como as práticas antigas da Idade Média.

Epílogo:

Novamente as cenas em preto e branco, com a mesma música do prólogo do filme. O Homem fragilizado pelos machucados, arrastando-se sob um tronco de madeira, sobe a montanha. Ele vê de novo os três mendigos (corvo, veado e raposa), e ao olhar para trás aparecem várias mulheres sem rosto indo a seu encontro.

É muito importante lembrar que é um filme que foi dedicado à Andrei Tarkovski, o que explica muita coisa.

Nota IMDB

Ano:  2005

País:  Japão

01. 1 littoru no namida -Main Theme-
02. hurdle wo koete
03. anata ga oshiete kure tamono -ai no Theme-
04. yasashisa ni tsutsumarete
05. anji
06. sunadokei
07. kimi e no Long Pass
08. rakujitsu
09. shinobiyoru byouma
10. furi aoge ba aoi sora
11. namida no imi
12. senkoku
13. mou utae nai
14. te wo nobase ba anata ga
15. kunou no senritsu
16. nagare yuku jikan
17. sagashi te goran
18. nigiyaka na danran
19. toumei na sekai
20. seimei aru kagiri -Sub Theme-
21. Only Human (Piano Version)
22. konayuki (Piano Version)
23. Only Human (Cello Version)

Extras:
01. Remioromen – Konayuki (1 Litre of Tears)
02. Remioromen – 3gatsu 9ka (1 Litre of Tears)

Comentário:

“Um litro de Lágrimas” é uma minissérie japonesa que fez grande sucesso pois eternizou em forma de vídeo uma história real da garota interpretada pela personagem Ikeuchi Aya. Por volta de 20 anos antes da série passar, ocorreu o fato com a forte protagonista que, aos 15 anos, descobre ter uma doença chamada Degeneração Espinocerebelar – uma doença que deteriora o cerebelo gradualmente até o ponto que a vítima não pode andar, falar, escrever, ou comer. A doença não afeta a mente nem a memória. Em meio a isso, sua situação piora a cada vez mais em sua nova escola, com suas amigas e descobre a verdadeira “amizade” com seu amigo Asou Haruto. A minissérie apresenta 11 episódios, com média de 40 minutos cada. A trilha sonora é um ponto muito forte, uma das responsáveis por expressar tanto sofrimento vivido pela personagem, com a ajuda da banda “Remioromen” e a “K”. O drama é um dos melhores que já vi na minha vida, considerando séries e filmes. É uma lição de vida a todos, para que aproveitemos e valorizemos nossas vidas.

Tamanho:  101 MB

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Para quem quiser baixar a série indico o link do site abaixo

Download da série

 

O Serviço de Entregas da Kiki

Título Original: Majo no takkyûbin

País:  Japão

Ano:  1989

Duração:  103  minutos

Gêneros: Aventura, Animação, Família

Direção: Hayao Miyazaki

Roteiro:  Hayao Miyazaki, Eiko Kadono

Formato:  RMVB

Tamanho:  229 MB

Legendado: Português

Sinopse:

Kiki é uma jovem bruxa em treinamento, que acabou de completar treze anos. De acordo com a tradição, todas as bruxas com essa idade devem deixar suas casas, para aprender a viver por conta própria. Kiki, junto com seu gato Jiji, voa para longe para viver na cidade de Korico. Depois de chegar lá, tem de arrumar emprego e aprender o verdadeiro significado de sua nova vida, principalmente depois que perdeu o poder de voar. Mais uma obra mágica do gênio Hayao Miyazaki, que ganhou o Oscar de Melhor Filme de Animação pelo incrível A Viagem de Chihiro. Uma longa jornada cheia de aprendizado, magia e muita emoção.

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Parte 01 / Parte 02 / Parte 03

Comentário:

Em O Serviço de Entregas da Kiki há uma preparação para que Kiki se torne uma bruxa, a qual funciona como uma metáfora para o amadurecimento, o que acontece em muitos filmes de Miyazaki. Esta preparação acontece quando as bruxas completam 13 anos, tem que sair de casa durante um ano, para aprender a se virarem sozinhas com o objetivo de descobrirem os seus dons. Kiki escolhe uma cidade grande e litorânea, pois nunca havia visto o mar, nem estado em uma metrópole. Mas o seu encantamento vai sumindo conforme ela lida com o dia-a-dia da grande cidade.

Faz amizade com uma padeira que a acolhe em sua casa, e por estar grávida, pede ajuda para Kiki no serviço da padaria. Além disso, Kiki tem seu próprio negócio: entregas. Com a ajuda de sua vassoura entrega dentro e fora da cidade. Complicações engraçadas e embaraçosas acontecem no início, divertindo e emocionando muito, principalmente as crianças.

Ainda sim existe a parte dramática da história sendo tratada sutilmente, que é o fato de Kiki tentar ter amigos, querer ir a festas, usar roupas iguais as jovens de sua idade, mas perceber que muitos a olham com estranheza. Em meio a essa situação, entra num conflito consigo mesmo, adoece e entristece. Provavelmente sente falta da casa de seus pais no interior, com seus amigos, onde podia andar na rua sem dar atenção à carros ou à olhares estranhos. O propósito de Kiki, descobrir o seu dom parece distante, insegura e impaciente, Kiki acaba tendo sua magia enfraquecida.

É um clichê Kiki conseguir utilizar sua magia só no último momento para salvar o seu único amigo da cidade, mas é o que geralmente acontece com as pessoas quando querem fazer algo e não conseguem, só conseguem em meio à pressão, à necessidade.

O desenho sempre muito perfeito, com todos os planos cheios de detalhes, nenhum espaço vazio, o que faz o irreal convencer muito pela aproximação do real através do ambiente onde se passa a história. Kiki é uma protagonista agradável, que conta uma história inocente e educadora.

NOTA IMDB

Uma surpresa dramática em uma praça calma

 

 

 

Quando vi esse comercial, me lembrei daquele filme “A Caixa” que a mulher tinha que apertar o botão, e nesse caso era uma decisão difícil. No caso do comercial, o resultado do ato era um mistério. O canal TNT, conhecido por passar bons filmes, nos mostrou numa praça pacata na Bélgica que, em apenas poucos segundos, podemos construir uma história com muita ação e ao vivo. A reação das pessoas ao ver aquela encenação é de total surpresa, como era de se esperar. Imagine você andando na rua e do nada começa chegar ambulância desesperada, uma briga, um tiroteio, uma mulher de biquini dirigindo uma moto.

Manet

Sua cartola definitivamente é uma grande marca, é uma extensão do corpo. Em todos os seus retratos e auto-pinturas, ele fazia questão de pôr a cartola, mostrando que era uma pessoa importante.

Entre 1832 e 1883 viveu Édouard Manet, de família rica e burguesa parisiense surge este pintor realista. Mas um realismo diferente da maioria dos realistas de sua época: era aristocrático, não tinha intenções sociais e polêmico. Viveu numa época que os artistas já não queriam mais ser influenciados pela Antiguidade Clássica, com a intenção de melhorar a realidade e sim representá-la, e o que ocorria no momento era a industrialização. Então as obras voltaram-se para a realidade vivida. Mas Manet e sua aristocracia o fizeram desprender-se desse padrão, expondo como via o mundo, por isso é considerado precursor do Impressionismo.

Manet – Almoço na Relva

Nesse quadro as personagens representadas eram pessoas conhecidas na época, o que gerou polêmica. Este é o primeiro traço do realismo, depois notamos a mulher saindo da água, mais a frente frutas e roupas espalhadas. Não há preocupação com a beleza ideal m nenhum momento. As cores privilegiam a nossa atenção para a mulher nua. Os elementos são dispersos, como na realidade. Além disso este quadro de Manet se baseou numa gravura de Rafael, ou seja é uma releitura, acredito que isso também desagradou os críticos. Os críticos “acharam” esta obra o ser anti-acadêmica e politicamente suspeito que tanto procuravam em Manet, o fazendo perder prestígio. Da tempestade que se seguiu em torno desta pintura surgiram discussões acadêmicas da arte que estava surgindo. Os críticos também tinham muito a dizer sobre suas habilidades técnicas: a iluminação dura frontal, vinda do “nada” e a eliminação de tons médios abalou idéias de formação acadêmica tradicional. No entanto, foi uma obra importante, pois foi o advento do impressionismo.

Execução de Maximiliano – Manet

Como quase todos os pintores, houve sua fase “azul”, que ocorreu no início de sua carreira, e também uma fase em que mostra as tendências artísticas do tempo em que vivia. Além de mostrar, por exemplo, em Execução de Maximiliano, a influência e metalinguagem ao quadro abaixo de Goya.

 Os fuzilamentos de 3 de maio de 1808 – Francisco Goya

Em ambos os quadros o rosto das vítimas são diferentes, cada feição transmite uma emoção, mostrando sua individualidade. Além disso, os rostos dos guardas não é mostrado – exceto um dos guardas na obra de Manet – acredito que isso ocorre porque a intenção dos pintores é mostrar que violência não tem rosto. Assim o tema da repressão aparece em todos os detalhes dos quadros, um manifesto que expõe a luta de liberdade contra a tirania.

O Balcão – Manet

A diferença do claro e do escuro, com a luz refletindo nos vestidos, na camisa do homem e no vaso, para focar nossa atenção novamente para quais elementos o artista deseja, além de criar a impressão da moça sentada estar mais a frente, a outra mais atrás e o homem pelo fundo. Outra característica que dá essa impressão nota-se nos rostos, a moça sentada tem traços mais fortes que pode-se dizer bem definidos comparado aos rostos esboçados das outras duas figuras. O braço da moça mais a frente também é mais detalhado. Tudo isso dá essa sensação de vários planos: o quadro, a moça sentada e o cachorro no primeiro plano, depois a mulher em pé e as venezianas, e por fim, o homem e o interior – imperceptível- da casa. Como Manet gostava de fazer releituras ao seu modo, acredito que por isso Magritte fez uma releitura de sua obra O Balcão ao seu próprio estilo também, ou seja, conceitual. No releitura feita por Magritte, as figuras da obra de Manet foram substituídas por caixões, no entanto, o resto da composição mantém-se. Os caixões, podem simbolizar a única certeza da vida: a morte. Ou ainda, algo mais profundo, a arte de Manet e dos artistas de sua época morreram. Foram substituídas por outras. Nesta fotografia de Alain Jacquet (1939-2008), fez uma, digamos, releitura da releitura. Muito interessante. E mais uma obra que faz releitura á Manet, versão de Olympia  por Larry Rivers.

O Sétimo Selo

Título Original: Det Sjunde Inseglet

País:  Suécia

Ano:  1957

Duração:  89  minutos

Gêneros: Drama, Fantasia

Direção: Ingmar Bergman

Roteiro:  Ingmar Bergman

Elenco:

Bibi Andersson
Max Von Sydow

Formato:

Tamanho:  365 MB

Legendado:  Português

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Comentário:

A introdução de O Sétimo Selo é muito poética, Antonius Block, um cavaleiro medieval, acaba de voltar das Cruzadas, depois de ver e causar tantos sofrimentos em nome de Deus questiona-se sobre o que ocorreu. Assim a Morte surge para leva-lo, porém ele precisa de mais tempo para ter conhecimento e encontrar as respostas de suas perguntas, sendo assim pede para a morte jogar uma partida de xadrez com ele, para conseguir tempo.

O xadrez é um jogo que requer puramente raciocínio e suposições, não há necessidade de sorte, como Antonius quer respostas lógicas, acredito que, por isso, este jogo fora escolhido.

O título refere-se ao livro bíblico Apocalipse, que narra que na mão de Deus há um livro com sete selos e a abertura de cada um destes implica num malefício sobre a humanidade, mas a abertura do sétimo é o que leva efetivamente ao fim dos tempos. O fim dos tempos, ao meu ver é representado na obra como a peste e a morte de todos os personagens, exceto o casal de artistas. Talvez por Bergman acreditar que a arte é a única salvação para a humanidade. Em meio a tanta miséria, Mia e Jof são felizes, pois são artistas.

O senso de humor aparece na cena em que Morte serra uma árvore para levar o artista, mas não consegue. Mostrando, a meu ver, novamente como Bergman acreditava na arte. Outro momento de humor ocorre quando as peças negras são sorteadas para serem jogadas pela Morte, que diz para o Cavaleiro, “Bem apropriado não acha?”. Como esses momentos são poucos e sutis, quis reforçar, retratando em meu comentário.

Apesar dos questionamentos do cavaleiro Antonius Block parecer blasfêmia acredito que a intenção do Bergman não é dizer que Deus não existe, ou criticar os religiosos, e sim mostrar que não importa se Deus, Diabo, Inferno, ou Céu existam, as situações são criadas pelos homens, como dizia Aristóteles: “Para problemas humanos, soluções humanas”. Bergman nos mostra que a única coisa certa é que morremos e sempre põe questões existenciais em seus filmes, o que o torna único e perfeito como diretor. No filme a morte é personificada e atinge todos através da Peste que ocorreu durante a Idade Média.

O clássico é algo presente em todos os tempos, algo que nunca morre que sempre acontece independentemente se está na Idade Média ou em 2012, sendo assim as obras de Bergman são clássicas. Exemplo disso é a incomunicabilidade do casal, que Bergman sempre retrata impressionantemente, presente também em O Sétimo Selo: Mia e Jof. Um casal feliz, que tem um filho e vivem em uma carroça fazendo arte, mas Mia, interpretada pela magnífica Bibi Andersson, não vê o mundo da mesma forma que seu marido. Enquanto Jof escreve músicas, cria metáforas para os acontecimentos, Mia só sabe dizer para ele se calar  pois as pessoas o consideraram louco já que ela não entende o que ele quer dizer. Diferente das pessoas que dizem que os homens não entendem as mulheres, aqui está uma mulher que não entende seu marido, o que é pouco retratado em filmes.

 Nota IMDB

Dark Tranquillity é uma banda de death metal melódico formada em 1989 por Mikael Stanne e Niklas Sundin. O nome da banda era Septic Boiler, mas pouco tempo depois, se concretizou o nome oficial, dando cara ao novo estilo, juntamente com bandas como At The Gates e In Flames, ambos da Suécia. O estilo foi sofrendo alterações, assim como In Flames, soando um pouco comercial. A banda saiu do Underground na Europa após o lançamento de 1995 “The Galley”. A banda compõe a seleção da cena de metal da cidade de Gotemburgo, onde o estilo foi gerado.

Ano:  2000

País:  Suécia

Membros:

Mikael Stanne − Vocal
Niklas Sundin − Guitarra
Martin Henriksson − Guitarra
Michael Nicklasson − Baixo
Martin Brändström − Teclado
Anders Jivarp − Bateria

Comentário:

Haven é o quinto álbum da banda sueca. É a estreia do guitarrista base Martin Henriksson, que cumpriu bem seu papel. Sempre quando há mudanças no line-up, acredito que a banda recebe a influência do integrante, mas é claro que isso depende da presença do recém-chegado. Porém a verdade é que “Haven” seguiu a linha de mudança do álbum anterior, com alterações mais profundas se comparadas aos primeiros discos como elementos de música pop eletrônica. Isso se comprova desde a introdução da primeira faixa, “The Wonders At Your Feet”, com teclados pouco comuns no estilo. Mesmo com muitas críticas negativas, que a banda estaria perdendo sua essência, ela deslanchou na cena europeia, participando de muitos festivais importantes. Outros destaques na minha opinião são: “Indifferent Suns”, “Feast of Burden”, “Fabric”, “Emptier Still”.

 

01. The Wonders At Your Feet
02. Not Built To Last
03. Indifferent Suns
04. Feast Of Burden
05. Haven
06. The Same
07. Fabric
08. Ego Drama
09. Rundown
10. Emptier Still
11. At Loss For Words

Tamanho:  63 MB

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Roma eternizou-se

A arquitetura é o registro mais fascinante que podemos encontrar de uma época, pois diferente das outras artes, ela não é uma palavra ou uma imagem, é uma ação que se fez permanecer. E uma forma de arte tão simples de ser encontrada: basta ir a um lugar e perceberá diferentes construções que foram construídas em diferentes épocas. Apesar dessa facilidade tem pessoas que não dão valor nenhum para esses detalhes, quem sabe por falta de conhecimento. Há alguns estilos arquitetônicos que estamos tão familiarizados que não fazemos ideia do que ocorreu para ser assim. Ao questionar, pesquisei e decidi fazer esse post sobre uma das coisas que mais adoro na arquitetura, que são as obras romanas.

A arquitetura grega influencia o mundo até hoje, exemplo disso é o Memorial do Lincoln (que me faz lembrar o filme “Mr. Smith goes to Washington”) foi construído em 1922 com 36 colunas, uma para cada estado na época de Lincoln. O arquiteto Henry Bacon deu valor para o estilo dórico, que é o mais simples e o menos apreciado da era grega, mas seria bom conseguirmos ver a beleza dele.

Tais colunas são belas, mas os romanos aprenderam que os tetos em arcos, influência dos etruscos são mais viáveis, já que permite a ampliação do espaço entre duas colunas, pois as tensões no arco são atribuídas de modo mais equilibrado. O Marco Vipsânio Agripa (que significa: Construído por Marco Agripa, filho de Lúcio, pela terceira vez cônsul), vulgo Panteão é um exemplo de obra arquitetônica, é um templo, mas diferente dos de hoje, sua função era abrigar as esculturas dos deuses romanos. Ainda contém uma abertura no centro da abóboda e mesmo que chover, a água não caí dentro. É realmente uma grandiosa obra.


Construído no século I a.C., com 50 km de extensão e 49 m de altura, Le Pont du Gard ainda mantem-se de pé sobre o rio Gardon através dos seus 22 séculos de idade. Apresenta sempre uma inclinação mínima em seus arcos para que a água pudesse correr.

Desde os romanos, engenheiros tem procurado construir obras arquitetônicas não só úteis, mas harmoniosas e leves, como a Millennium Brigde, ponte sobre o Tâmisa, em Londres. Inaugurada pela rainha Elizabeth II em 2000, com 350 m de extensão, estilo futurista e sustentada pelas estaias, sofreu pequenos erros de cálculo e agora treme muito devido a ressonância, sendo assim foi fechada e reaberta em 2002.

Existem muitos que erguem construções que caem como se fossem feitas para serem destruídas, por surgirem sem um ideal, só nasceram fruto de dinheiro. A frequência natural dessa ponte é igual a do vento, erro básico de engenharia:

Voltando a Roma e suas obras, chegamos à Pompéia e Herculano, cidades subterradas pela erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.C., infelizmente, como as escavações começaram um pouco tarde, em 1738, muito se perdera, mas muitas coisas interessantes foram reveladas, principalmente sobre as casas. Estas eram divididas em: Domus, casa para nobres; Villa, que eram casas de campo; e a Insula, um tipo de condomínio com mais de um andar. As Domus e as Villas sempre tinham piscinas, eram sustentadas por implúvio (água da chuva que era recolhida). Havia uma técnica, denominada Ilusão de Bloco saliente, onde pintavam a parede de forma que a tornava parecida com o mármore. Também era costume pintar janelas com paisagens e quadros de pessoas.

A técnica para pintar as paredes chama-se afrescos que funciona assim: sobre a parede úmida, é aplicado cal, e em cima uma camada de gesso bem lisa e fina. Começa a desenhar com o carvão e depois aplicação das cores com a evaporação da água, a cor adere ao gesso e o gás carbônico do ar combina-se com a cal e transforma-se em carbonato de cálcio completando a adesão do pigmento a parede.

Título Original: Sleeper

País:  EUA

Ano:  1973

Duração:  89  minutos

Gêneros: Comédia, Ficção Científica

Direção: Woody Allen

Roteiro:  Marshall Brickman,  Woody Allen

Elenco: Diane Keaton Woody Allen

Formato: AVI

Tamanho:  699 MB

Legendado:  Português

Sinopse:

Um clarinetista (Woody Allen) que foi congelado em 1973 é trazido de volta 200 anos depois por um grupo contrário ao poder vigente, que tenta derrubar o governo opressor. No entanto, ele quer conhecer este novo mundo mas as inúmeras modificações ocorridas nestes dois séculos o coloca em diversas confusões.

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Parte I e Parte II

Comentário:

O que é preciso para apreciar as obras desse diretor? Bom, acredito que muitas vezes ao assistirmos um filme de um diretor que nunca vimos antes estranhamos, mas com o decorrer dos filmes vamos entendendo a forma como o diretor vê o mundo, e assim podemos definitivamente apreciar ou não sua obra. Muitas críticas ruins aos diretores que são “difíceis de entender”, ou que tem muitas digressões são frequentes, dizem que não sabem se comunicar. Mas, com o tempo, se tornam admiráveis e idolatrados. Acontece sempre que os diretores que conseguem ser claros atingem a massa, e os que são mais subjetivos não. De certo é o que ocorreu com os primeiros filmes de Woody Allen visto que não tinha técnica cinematográfica e assim seus roteiros eram um pouco confusos e irregulares, porém muito criativos. Mesmo assim, sua criatividade não foi suficiente para o sucesso e apreciação das pessoas nos EUA, e sim na Europa. Só conseguiu certo prestígio nos EUA após Anne Hall (1977), porém escândalos na sua vida pessoal (divórcio) fizeram que as bilheterias norte-americanas caíssem após Maridos e Esposas (1992). Triste, mas é esse o fardo de ser um diretor de Hollywood: as pessoas confundem seu mérito com suas obras devido as suas ações em vida, esquecendo que todos erram, e que um artista também é alguém humano. Enfim introduzi assim este comentário sobre O Dorminhoco para mostrar que os filmes de Woody Allen não são para todos os gostos, há aqueles que não veem a mínima graça e aqueles que dão gargalhadas (eu). Nenhum dos diálogos é escrito à toa, são sempre muito inteligentes e dinâmicos. Isso permanece em O Dorminhoco, assim como o protagonista que tem a mesma personalidade na maioria de seus filmes: sempre histérico, cômico, que frequenta um psicólogo freudiano, até em Meia-noite em Paris, o ator Owen Wilson, aprendeu minuciosamente a ser como Woody Allen para atuar. A sociedade criada pelo diretor para O Dorminhoco faz apologia a 1984, com o Líder (uma espécie de presidente do mundo) governando e controlando a vida de todos, e mesmo que todos saibam disso, pouco parecem se importar, como no momento em que Luna diz à Miles para não se preocupar que a polícia o prenda, pois “só vão restaurar o seu cérebro”. E em outro momento em que dizem: “O mundo está cheio de coisas maravilhosas. Por que as pessoas enlouquecem e começam a odiar tudo? Por que existe uma resistência? Temos o orb, a teletela, o orgasmatron… o que mais eles querem?” Outro personagem retruca: “Somos artistas, reagimos apenas à beleza…”. No filme a resistência é um grupo revolucionário, o orb é uma droga meio LSD em forma de bola que funciona através do toque, a telatela é a tevê interativa, e o orgasmatron é um simulador de sexo já que todos afirmam (creem) ser frígidos. Já que todos são registrados, Miles cai numa confusão, pois a Resistência quer que ele coordene o golpe de estado. Apesar de ser traído pela Luna, ela percebe que por estar junto dele também está sendo perseguida e decide apoiá-lo. Mas Miles é capturado e sofre uma lavagem cerebral, enquanto isso Luna está lendo “O Capital”, “Manifesto Comunista” entre outros, alia-se a Resistência, vive selvagemente, totalmente o oposto de sua luxuosa vida. Saiu de um extremo para outro sem analisar o que de fato ocorria, assim, quando Miles retorna ao normal a critica: “Lê alguns livros e se torna uma pseudo-intelectual, neo-fascista, freudiana-marxista” E o diálogo final, que muitos ateus já passaram por uma situação parecida: “Diane Keaton: Você não acredita na ciência. E também que os sistemas políticos funcionem. E também não acredita em deus. Então… no que você acredita?
Woody Allen: Sexo e morte.”

NOTA IMDB